Anafilaxia

Clinicamente poderemos ter desde formas ligeiras (com predomínio de prurido e de eritema) até ao compromisso generalizado (hipotensão, choque e morte). Deve ser salientado que as manifestações mucocutâneas, apesar de frequentes, podem não existir; o colapso cardiovascular de instalação extremamente rápida pode ser a única manifestação; a mortalidade ocorre mais frequentemente no início do quadro clínico; é necessário agir precocemente; em até 20% dos casos podem existir respostas bifásicas (imediatas e tardias).
O diagnóstico baseia-se na clínica, podendo ser apoiada por doseamentos séricos (triptase) ou urinários (metil-histamina).
A terapêutica assenta em l.a linha na administração parentérica de adrenalina (1 mg/ml – 1:1000), 0,01 ml/kg (0,3 a 0,5 ml, i.m.), cujas doses podem ser repetidas a intervalos de 5 a 15 minutos, até três vezes.
Deve ser mantida a vigilância dos sinais vitais, recorrendo a oxigenoterapia e a perfusão adequada (fluidoterapia e.v. e elevação das extremidades – posição de Trendlenbourg).
Se se tratar de uma reacção à inoculação de um alergénio (por exemplo, picada de insecto, administração i.m. ou subcutânea de fármacos nos membros), deverá proceder-se à aplicação proximal de garrote (aliviado 1 minuto de 15/15 minutos) e aplicação local de 0,1 a 0,2 ml de adrenalina (diminuir absorção do alergénio).
Adicionalmente deverá ser iniciado tratamento com anti-histamínicos H1 (por exemplo, hidroxizina 1 mg/kg, i.m. ou e.v. ou clemastina 0,025 mg/kg, i.m. ou e.v.) e corticosteróides sistémicos (prednisolona 2,5 mg/kg e.v. ou metilprednisolona 1,5 mg/kg e.v), eventualmente associados a anti-histamínicos H2 (por exemplo, cimetidina 5 mg/kg e.v. ou ranitidina 0,5 mg/kg e.v.).
Se for identificada uma obstrução brônquica, deve administrar-se oxigenioterapia e salbutamol por via inalatória (por exemplo, aerossol – 0,03ml/kg, até uma dose máxima de 1 ml, repetido até de 20/20 minutos). Nos casos de edema laríngeo, deve igualmente ser administrada oxigenioterapia e efectuadas nebulizações com adrenalina; a entubação traqueal e a traqueostomia podem ser indicadas.
Os casos refractários requerem internamento em unidades de cuidados intensivos.
O prognóstico depende da via e dose do agente, da precocidade do início dos sintomas, bem como da rapidez da instituição da terapêutica, sendo ainda factores desfavoráveis a existência de patologia cardíaca e/ou a terapêutica prévia com P-bloqueantes ou com IECA.
Após controlo do quadro clínico, deve ser mantida vigilância sob internamento durante um período mínimo de 24 horas, com corticoterapia e anti-histamínicos de 6/6 horas.
No momento da alta, deve ser indicada a evicção do agente, se foi possível a sua identificação; ponderada a prescrição de um kit para auto-administração de adrenalina; mantida a terapêutica com anti-histamínicos e corticóides durante um período dependente quer da gravidade actual, quer da passada; referenciar a consulta de Imunoalergologia.

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