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Do ponto de vista das características químicas e farmacológicas, os antidepressivos constituem um grupo heterogéneo, não estando sequer esclarecido o seu mecanismo (ou mecanismos) de acção. Até ao presente, foram introduzidas dezenas de compostos antidepressivos, mas de um ponto de vista prático, tendo em conta os fármacos mais frequentemente utilizados, justifica-se individualizar dois ou três grupos principais.
O primeiro desses grupos integra os clássicos antidepressivos tricíclicos, e também outros compostos policíclicos com características farmacológicas semelhantes. A imipramina foi o primeiro antidepressivo tricíclico, introduzido ainda nos anos 50, tendo inaugurado uma larga família de “derivados imipramínicos”, como a amitriptilina, a clomipramina e a nortriptilina, que constituem o núcleo de referência deste grande grupo farmacológico. Estes fármacos são inibidores não selectivos da recaptação das monoaminas, interferindo na transmissão serotoninérgica, noradrenérgica e também dopaminérgica; têm também afinidade para os receptores muscarínicos e produzem efeitos cardiotóxicos.
Os efeitos anticolinérgicos e a cardiotoxicidade são responsáveis pelas reacções adversas mais frequentemente observadas e por algumas contra-indicações formais.
Os problemas de tolerabilidade e toxicidade dos tricíclicos tornam estes fármacos pouco “amigáveis”, e obrigam a respeitar um conjunto relativamente complexo de regras de utilização. No essencial isto permanece verdade mesmo com tricíclicos e outros policíclicos com “desenho melhorado”, desenvolvidos ao longo de anos. Estas razões explicam que o uso destes medicamentos tenha permanecido confinado à psiquiatria, pelo menos no que se refere à sua verdadeira utilização como antidepressivos, em doses por regra elevadas.
Ao longo das décadas de 80 e 90, o cenário das terapêuticas antidepressivas sofreu uma evolução decisiva com a introdução de um segundo grande grupo de fármacos, correntemente designados por SSRI, ou inibidores selectivos da recaptação da serotonina.
Este grupo, que inclui a fluvoxamina, o citalopram, o escitalopram, a fluoxetina, a paroxetina, a sertralina e a duloxetina, veio facultar, pela primeira vez, formas simples, seguras e eficazes de tratamento antidepressivo, ao alcance dos médicos não especialistas.
Uma breve nota sobre o escitalopram (isómero activo do citalopram), o mais recente destes grupo de medicamentos, que rapidamente ganhou popularidade na comunidade médica, sobretudo pela sua excelente tolerabiliade, eventualmente à custa de uma relativa perda de eficácia antidepressiva. Também dados mais recentes sobre o perfil farmacodinâmico deste medicamento levam alguns a questionar a sua inclusão no grupo dos SSRI.
O medicamento SSRI mais recentemente chegado ao mercado é a duloxetina. Na verdade, trata-se de um composto cuja investigação e desenvolvimento data já de há décadas, aparentemente sem características farmacológicas particulares, mas que veio a ser posicionado como fármaco de escolha para a depressão associada a dor (sendo certo e conhecido desde há muito que uma larga variedade de antidepressivos possuem propriedades antiálgicas, para além de frequentemente resolverem as queixas dolorosas quando estas constituem parte integrante do quadro depressivo).

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