alopecia androgenetica maschile 180x180 - Terapêutica Médica Tópica (Alopecia androgenética)

Terapêutica Médica Tópica (Alopecia androgenética)

– Minoxidil tópico – a loção tópica de minoxidil a 2% é uma terapêutica bem estabelecida na alopecia androgenética. Contudo, a loção a 5% condiciona uma resposta clínica mais rápida e evidente.
O mecanismo de acção do minoxidil percutâneo não está completamente esclarecido.
A posologia aconselhada é de 1 ml de solução aplicada de manhã e à noite sobre o couro cabeludo seco. O minoxidil tópico parece não ter eficácia ao nível da região temporal. O tratamento deve ser feito durante pelo menos 6 meses para se poder avaliar a sua eficácia. Uma boa resposta corresponde a paragem da queda excessiva ao fim de 2 a 6 meses, acompanhada pelo início de reponte de cabelos tipo lanugo.
Ao fim do primeiro ano atinge-se uma melhoria estacionária, mas se o tratamento for suspenso, esta melhoria é reversível ao fim de 3 ou 4 meses.
Os melhores resultados são visíveis nos primeiros graus de alopecia androgenética no homem e, isoladamente ou em combinação com terapêutica hormonal, na mulher.
Em regra, quanto mais jovem o paciente, melhor a resposta, diminuindo esta acentuadamente a partir dos 40 anos.
Como efeitos secundários possíveis da aplicação local são de referir o prurido e a hipertricose da face, pelo que na mulher se deve utilizar preferencialmente a solução a 2% que está associada a um menor risco de ocorrência do último. As raras reacções irritativas ou alérgicas descritas (0,1-1% segundo as séries) podem ser provocadas pelo minoxidil ou pelo excipiente.
– Outros tópicos – as formulações tópicas de finasteride a 0,05% e de progesterona a 0,5% não são eficazes, apesar da actividade inibidora da 5-alfa reductase destas substâncias.
No caso de coexistência de dermite seborreica, a utilização de champôs com cetoconazol ou piroctona-olamina pode ser útil na redução da microflora infundibular diminuindo a inflamação que parece agravar a queda de cabelo.
Resultados preliminares de ensaios clínicos de pequena escala com o 2,4-diamino-piramidina-3-óxido, molécula aparentada com o minoxidil, demonstram a sua eficácia antifibrótica, o que facilita a inserção profunda dos folículos na derme com consequente aumento da percentagem de folículos em fase anagénica.

alopecia androgenetica femminile 180x180 - Alopecia Androgenética

Alopecia Androgenética

A alopecia androgenética (AAG) resulta de sensibilidade particular dos folículos pilosos, de determinadas áreas do couro cabeludo, aos androgénios, sensibilidade esta que é geneticamente determinada e que é inerente às próprias células da matriz dos folículos pilosos. Sob a acção androgénica, estes folículos vão-se miniaturizando progressivamente e produzindo cabelos cada vez mais curtos, finos e menos pigmentados. Corresponde a um processo fisiológico tanto no homem como na mulher, embora nesta última possa ser secundária a um distúrbio hormonal. A frequência é variável segundo as raças, mas é rara na mongólica, pouco frequente na congóide e relativamente frequente na caucasiana. Nesta última afecta cerca de 50% dos homens e cerca de 40% das mulheres a partir da quinta década de vida.
A dihidrotestosterona (DHT) é o androgénio que maior influência tem nesta alopecia, sendo sintetizado localmente nos folículos a partir da testosterona pela actividade da enzima 5-alfa reductase. Embora a apresentação clínica e as potenciais influências sistémicas sejam diferentes no homem e na mulher, os mecanismos celulares subjacentes são pressupostamente os mesmos.
O diagnóstico é baseado na história e no exame clínico. A biopsia cutânea é característica, mas muito raramente necessária. O tricograma e o controlo fotográfico são úteis na avaliação da progressão da alopecia e do respectivo tratamento.

alopecia androgenetica femminile 180x180 - Terapêutica Cirúrgica (Alopecia Androgenética)

Terapêutica Cirúrgica (Alopecia Androgenética)

A terapêutica cirúrgica pode ser utilizada em casos seleccionados de AAG masculina ou feminina severos e naqueles que, não sendo severos, não são responsivos às terapeutas médicas. Podem ser feitos enxertos (7-30 cabelos), minienxertos (3-6 cabelos) e microenxertos (1-2 cabelos). Os enxertos não são aconselhados nos jovens, cuja alopecia pode progredir após a cirurgia. Pode ainda recorrer-se a técnicas de redução da área de alopecia e a retalhos de transposição.

raloxifeno-oral

Terapêutica Sistémica Não Hormonal (Alopecia Androgenética)

– Finasteride – o finasteride é um potente inibidor da isoenzima Tipo II da 5-alfa reductase. Em homens saudáveis com idades compreendidas entre 18 e 41 anos com AAG ligeira a moderada, uma dose diária de 1 mg de finasteride evita a progressão da alopecia e leva ao aumento significativo do número de cabelos em relação ao grupo placebo. O tratamento deve ser feito durante pelo menos 6 meses para se poder avaliar a sua eficácia. Este fármaco é geralmente bem tolerado, podendo associar-se a efeitos secundários ligeiros, nomeadamente relacionados com a função sexual, que desaparecem com a suspensão do medicamento ou mesmo com a continuação da terapêutica. Se o tratamento for suspenso, observa-se um agravamento da AAG com retorno ao grau de alopecia pré-tratamento ao fim de um ano. Em cerca de 20-30% dos homens com AAG masculina não se observa resposta terapêutica.
O finasteride utiliza-se, habitualmente, apenas na AAG masculina, dado causar femininização dos fetos masculinos em desenvolvimento. Contudo, em mulheres pré ou menopáusicas pode ser utilizado, com resultados que são controversos.
– Suplementos alimentares: desde há longa data os suplementos em vitaminas (A, B5, B6, H) e vários aminoácidos (cistina, cisteína, metionina, arginina) têm sido administrados no tratamento da AAG, embora a sua eficácia nunca tenha sido demonstrada.

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Terapêutica de substituição Hormonal (Alopecia Androgenética)

Nas mulheres pós-menopáusicas a associação de um estrogénio com um progestagénio sem actividade androgénica é uma opção terapêutica lógica se não existirem contra-indicações. Actuando no eixo hipotálamo-hipofisário estas associações reduzem a produção de androgénios pelo ovário. Os estrogénios condicionam também um aumento da síntese da sex hormone binding globuline (SHBG) e consequente diminuição da testosterona livre.

como funcionan los antibioticos 1 0 180x180 - Terapêutica Sistémica Hormonal Anti-Androgénica

Terapêutica Sistémica Hormonal Anti-Androgénica

Esta terapêutica é particularmente útil nas mulheres com outros sinais de hiperandrogenia associados, nas mulheres jovens em que seja considerada a contracepção oral, e nas mulheres pós-menopáusicas, quando a terapêutica de substituição hormonal seja adequada. A resposta é geralmente lenta e consiste, basicamente, na paragem da evolução da alopecia.
—> AC (acetato de ciproterona) – é um potente inibidor das gonadotrofinas, diminuindo a síntese glandular de androgénios, para além de ser um inibidor competitivo da DHT ao nível do receptor citosólico, nas células alvo periféricas.
Com o objectivo de estabilizar o ciclo e de proporcionar a necessária protecção contraceptiva, o AC é administrado nas doentes seleccionadas em tratamento cíclico combinado com um estrogénio (35 ug de etinilestradiol) ou com uma associação estroprogestagénica de contracepção de baixa dosagem. Do 5.° ao 14.° dias do ciclo administra-se 25-100 mg de AC, e do 5.° ao 25.° dias uma associação de 2 mg de AC e etinilestradiol ou uma associação estroprogestagénica. Nas mulheres pós-menopáusicas ou histerectomizadas, o tratamento é feito apenas com AC na dose de 25-50 mg por dia em ciclos de 21 dias de tratamento, seguidos de 7 dias de pausa.
Em cerca de 10% dos casos há necessidade de suspender a terapêutica devido à ocorrência de efeitos secundários. Pode surgir hepatotoxicidade com doses iguais ou superiores a 100 mg.
—> Espironolactona – a espironolactona é um anti-hipertensor antagonista da aldosterona que simultaneamente possui actividade anti-androgénica. Inibe a biossíntese ovárica de androgénios e é um inibidor competitivo da DHT, bloqueando os receptores de androgénios. Utiliza-se na dose de 50 a 200 mg/dia. O seu uso pode ser limitado pelos seus efeitos secundários, nomeadamente hipercaliemia, irregularidades do ciclo menstrual, tensão mamária, náuseas e depressão. Os resultados são melhores se em associação com uma combinação estroprogestativa contraceptiva. Está contra-indicada em casos de meno ou metrorragias, gravidez, lactação, insuficiência renal e hipercaliemia.

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Tratamento (Alopecia Androgenética)

Os doentes com AAG devem ser esclarecidos acerca da patogénese desta alopecia e a escolha da terapêutica deve ser debatida com eles. Nos casos de alopecias ligeiras a moderadas, os tratamentos médicos disponíveis podem desacelerar, parar, ou mesmo everter a progressão da alopecia, mas necessitam de ser efectuados em permanência e por períodos muito prolongados. Os tratamentos cirúrgicos melhoram de imediato a densidade capilar, mas não alteram a evolução da alopecia. Podem ser coadjuvados pelas terapêuticas médicas.

Alopecia Areata 3 180x180 - Tratamento II (Alopecia Areata)

Tratamento II (Alopecia Areata)

Se a monoterapia tópica isolada com minoxidil ou com um corticóide não for eficaz, podem associar-se as duas: aplicação de minoxidil e, 30 a 60 minutos depois, um creme de dipropionato de betametasona, 2xdia.
– Antralina – a antralina é uma substância irritante que parece induzir o crescimento de cabelos através de um mecanismo de acção ainda não totalmente esclarecido. Dada a sua acção irritante, utiliza-se em regime short contact a 1%, durante 20 a 60 minutos, em regra 1-2 horas após a aplicação de minoxidil.
– Imunoterapia tópica – deve apenas ser efectuada em centros e por dermatologistas treinados. Consiste na indução e elicitação periódica de uma dermite de contacto alérgica a substâncias não presentes habitualmente no meio ambiente natural ou industrial, como a difenilciclopropenona ou o dibutil éster do ácido esquárico. Têm uma acção imunomoduladora local, que estará na base do refreamento dos processos imunológicos, que conduzem à alopecia areata.
– Fotoquimioterapia com PUVA (associação de psoraleno+irradiação com ultravioleta A) tem resultados muito variáveis, sendo assim considerada uma terapêutica de recurso, a qual, de igual modo, apenas deverá ser efectuada por dermatologistas. Preferencialmente deve ser feito PUVA tópico, passando-se para o sistémico se surgir fototoxicidade marcada, limitante do tratamento. O mecanismo pelo qual o PUVA actua parece ser também imunomodulador.
—> Corticoterapia sistémica – é geralmente eficaz, mas apenas deverá ser utilizada em casos excepcionais, devido aos efeitos secundários e ao facto de não alterar o prognóstico da doença a longo termo.
Nas crianças com menos de 12 anos pode iniciar-se o tratamento com a aplicação 2xdia de creme de dipropionato de betametasona, seguido, se necessário, pela sua combinação com o soluto tópico de minoxidil a 2% ou com creme de antralina, com os cuidados já referidos. Embora não se encontrem reportados efeitos secundários sistémicos da corticoterapia tópica em crianças com alopecia areata, é aconselhável uma monitorização cuidadosa da sua curva de crescimento como marcador da supressão do eixo hipotálamo-hipófise-supra-renal. A imunoterapia tópica, o PUVA sistémico e a corticoterapia sistémica não se utilizam, por regra, nas crianças.
Um acompanhamento a nível psicológico pode ser necessário nestes doentes e não deve ser descurado. A utilização de prótese capilar e o desenho com lápis ou tatuagem das sobrancelhas pode também ser aconselhado em determinadas circunstâncias.

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Tratamento (Alopecia Areata)

Os tratamentos disponíveis podem ajudar os cabelos e os pêlos a crescer. Não existe, contudo, evidência suficiente que a terapêutica interfira decisivamente na evolução natural da doença. A maioria dos tratamentos pretende suprimir o processo imunológico de base quando a doença está em actividade. Nos doentes com formas crónicas ou recorrentes, poderá ser necessário tratamento a longo prazo para manter um crescimento capilar cosmeticamente adequado, mas a segurança da terapêutica tem sempre que ser bem ponderada. Para além desta, outros factores devem ser levados em consideração na escolha do tratamento, nomeadamente a idade, a extensão da alopecia, o estado de saúde geral e a motivação do doente. A eficácia das terapêuticas disponíveis é variável, pelo que é indispensável ser discutida com o doente. A extensão da alopecia, a duração até ao início do tratamento, bem como a presença de alterações ungueais, são factores de mau prognóstico. Na pelada mais habitual, única e de dimensões reduzidas, a tendência para a cura espontânea é a regra (ao fim de 3-4 meses), pelo que a abstenção terapêutica poderá ser uma decisão acertada.
—> Corticoterapia intralesional – os corticosteróides intralesionais utilizados são o acetonido de triancinolona, o fosfato dissódico associado ao propionato de betametasona ou a metilprednisolona. As injecções repetidas todas as 4 a 6 semanas são bem toleradas pelos adultos, mas menos bem pelas crianças, pela dor associada. Esta pode ser parcialmente ultrapassada pela utilização de aparelho dermo-injector, quando disponível. Como efeito secundário é de referir a atrofia cutânea local, em regra transitória. Os corticosteróides têm, provavelmente, uma acção imunomoduladora, embora um efeito mais directo no folículo piloso não possa ser excluído. Se, após a 2.ª série de injecções, não se observar resposta, deverá associar-se terapêutica tópica.
—> Minoxidil – a solução tópica de minoxidil a 5% deve ser aplicada 2xdia, sendo habitual o início de crescimento de pêlos terminais ao fim de 2 a 3 meses de tratamento e a resposta máxima ao fim de um ano de tratamento. O mecanismo de acção do minoxidil na alopecia areata não é claro, pensando-se que possa ter um efeito estimulatório ou mesmo imunomodulador a nível dos folículos.
– Corticoterapia tópica – consiste na aplicação, 2xdia, de creme de dipropionato de betametasona ou de outro corticóide potente, sendo que o tratamento de todo o couro cabeludo parece ser mais eficaz do que o tratamento apenas das peladas, particularmente se a alopecia se encontra em fase activa. Os efeitos secundários possíveis decorrentes da aplicação prolongada dos corticosteróides são as foliculites locais e o aparecimento de lesões acneiformes na face.

alopecia areata 180x180 - Alopecia Areata

Alopecia Areata

A alopecia areata (ou pelada) caracteriza-se pelo aparecimento, no couro cabeludo, de uma ou mais áreas totalmente desprovidas de cabelos, as quais contrastam com a cabeleira normal circundante. Ocorre igualmente nos dois sexos, sendo rara antes dos 4 anos e mais frequente entre os 20 e os 40 anos. A evolução é imprevisível e, em função desta, descrevem-se vários tipos clínicos: pelada vulgar, localizada, de evolução benigna, em que após uma fase evolutiva surge uma fase de estabilidade na sequência da qual os cabelos crescem com ou sem tratamento; peladas múltiplas e extensivas, em número e disposição variáveis, com evolução, quer para um recrescimento lento dos cabelos, quer
para agravamento progressivo que pode conduzir a alopecia total (queda de todos os cabelos) ou universal (queda de todos os pêlos do corpo); pelada ofiásica, com áreas de alopecia na nuca, confluindo em banda até às regiões supra e retro-auriculares e acompanhando-se de outras áreas calvas disseminadas pelo couro cabeludo, de evolução lenta e prognóstico desfavorável, particularmente no adulto.
A queda dos cabelos está relacionada com o bloqueio transitório e potencialmente reversível do ciclo pilar na fase anagénica (de crescimento), com a maioria dos folículos pilosos a passar para a fase catagénica tardia ou telogénica. A etiologia actualmente mais aceite é a auto-imune, embora os doentes, com frequência, relacionem a queda de cabelo com períodos de stress e com a ansiedade.