Acne 121 180x180 - Tratamentos Tópicos (Acne)

Tratamentos Tópicos (Acne)

Estão indicados nas formas ligeiras ou moderadas, como tratamento isolado ou associado, ou como adjuvante de tratamentos sistémicos.
—> Retinóides tópicos – normalizam a descamação do epitélio infundibular, facilitando a eliminação dos comedões (acção comedolítica), e têm alguma acção anti-inflamatoria.
Utilizam-se a tretinoína, a isotretinoína, o adapaleno e o tazaroteno (não disponível em Portugal). O adapaleno, que pode ser utilizado em creme ou gel (0,1%), tem acção comedolítica semelhante aos outros, mas é menos irritante e mais bem tolerado.
Devem ser aplicados lxdia, à noite, mas é conveniente nas primeiras semanas de tratamento aplicar apenas 2-3xsemana, para evitar situações de irritação aguda. O retinol e o retinaldeído têm acção comedolítica muito menos marcada, mas em compensação têm melhor tolerabilidade, pelo que se usam, muitas vezes, em fases de manutenção.
—> Antibióticos tópicos – actuam reduzindo a colonização bacteriana e a resposta inflamatória/imunitária. Estão indicados também nas formas inflamatórias ligeiras a moderadas; são, em regra, bem tolerados, mas podem induzir resistências bacterianas.
Os mais frequentemente utilizados são a clindamicina (1% em loção ou gel) e a eritromicina (2% em creme, 2 e 4% em solução, associada ou não a acetato de zinco).
—> Outros antimicrobianos – o PB (peróxido de benzoílo) (5-10% em gel, creme ou como loção de limpeza) tem acção microbiana e, embora limitada, alguma acção comedolítica. Tem como vantagem em relação aos antibióticos o facto de não induzir resistências bacterianas, mas necessita de ser utilizado com cuidado, pois tem alguma acção irritante, pontualmente sensibilizante, e pode ocasionar descoloração de cabelos e roupa.
– Outras associações e tópicos – a associação no mesmo tópico de dois antiacneicos tem vantagens posológicas, maior comodidade de aplicação e potencia o efeito de cada um dos produtos. Existem actualmente comercializadas associações de (0,1% + 2,5%), eritromicina + isotretinpína (2% + 0,5%).
O ácido azelaico, e os alfa e p-hidróxiácidos (ácidos glicólico e salicílico) têm eficácia limitada, mas podem ser utilizados como adjuvantes em fases de manutenção.
– Cosméticos – não devem ser considerados como agentes terapêuticos, mas apenas adjuvantes. Incluem-se produtos de lavagem, hidratantes, bálsamos labiais, emulsões com alguma acção comedolítica ou seborreguladora.

Rosacea 180x180 - Rosácea

Rosácea

A rosácea é um padrão de reacção cutânea, constituída por eritema congestivo da face localizado sobretudo na sua parte média, nomeadamente inter e supraciliar, nariz, regiões genianas e mento. Caracteriza-se pela evolução em diferentes estádios – eritematotelangiectásico, pápulo-pustuloso e fimatoso, ocasionalmente não sequenciais. Estes estádios evolutivos, juntamente com o possível atingimento ocular, permitem definir os quatro tipos principais de rosácea: rosácia eritemato-telangiectásica pápulo-pustulosa, fimatosa e ocular.

alopecia androgenetica maschile 180x180 - Terapêutica Médica Tópica (Alopecia androgenética)

Terapêutica Médica Tópica (Alopecia androgenética)

– Minoxidil tópico – a loção tópica de minoxidil a 2% é uma terapêutica bem estabelecida na alopecia androgenética. Contudo, a loção a 5% condiciona uma resposta clínica mais rápida e evidente.
O mecanismo de acção do minoxidil percutâneo não está completamente esclarecido.
A posologia aconselhada é de 1 ml de solução aplicada de manhã e à noite sobre o couro cabeludo seco. O minoxidil tópico parece não ter eficácia ao nível da região temporal. O tratamento deve ser feito durante pelo menos 6 meses para se poder avaliar a sua eficácia. Uma boa resposta corresponde a paragem da queda excessiva ao fim de 2 a 6 meses, acompanhada pelo início de reponte de cabelos tipo lanugo.
Ao fim do primeiro ano atinge-se uma melhoria estacionária, mas se o tratamento for suspenso, esta melhoria é reversível ao fim de 3 ou 4 meses.
Os melhores resultados são visíveis nos primeiros graus de alopecia androgenética no homem e, isoladamente ou em combinação com terapêutica hormonal, na mulher.
Em regra, quanto mais jovem o paciente, melhor a resposta, diminuindo esta acentuadamente a partir dos 40 anos.
Como efeitos secundários possíveis da aplicação local são de referir o prurido e a hipertricose da face, pelo que na mulher se deve utilizar preferencialmente a solução a 2% que está associada a um menor risco de ocorrência do último. As raras reacções irritativas ou alérgicas descritas (0,1-1% segundo as séries) podem ser provocadas pelo minoxidil ou pelo excipiente.
– Outros tópicos – as formulações tópicas de finasteride a 0,05% e de progesterona a 0,5% não são eficazes, apesar da actividade inibidora da 5-alfa reductase destas substâncias.
No caso de coexistência de dermite seborreica, a utilização de champôs com cetoconazol ou piroctona-olamina pode ser útil na redução da microflora infundibular diminuindo a inflamação que parece agravar a queda de cabelo.
Resultados preliminares de ensaios clínicos de pequena escala com o 2,4-diamino-piramidina-3-óxido, molécula aparentada com o minoxidil, demonstram a sua eficácia antifibrótica, o que facilita a inserção profunda dos folículos na derme com consequente aumento da percentagem de folículos em fase anagénica.

alopecia androgenetica femminile 180x180 - Alopecia Androgenética

Alopecia Androgenética

A alopecia androgenética (AAG) resulta de sensibilidade particular dos folículos pilosos, de determinadas áreas do couro cabeludo, aos androgénios, sensibilidade esta que é geneticamente determinada e que é inerente às próprias células da matriz dos folículos pilosos. Sob a acção androgénica, estes folículos vão-se miniaturizando progressivamente e produzindo cabelos cada vez mais curtos, finos e menos pigmentados. Corresponde a um processo fisiológico tanto no homem como na mulher, embora nesta última possa ser secundária a um distúrbio hormonal. A frequência é variável segundo as raças, mas é rara na mongólica, pouco frequente na congóide e relativamente frequente na caucasiana. Nesta última afecta cerca de 50% dos homens e cerca de 40% das mulheres a partir da quinta década de vida.
A dihidrotestosterona (DHT) é o androgénio que maior influência tem nesta alopecia, sendo sintetizado localmente nos folículos a partir da testosterona pela actividade da enzima 5-alfa reductase. Embora a apresentação clínica e as potenciais influências sistémicas sejam diferentes no homem e na mulher, os mecanismos celulares subjacentes são pressupostamente os mesmos.
O diagnóstico é baseado na história e no exame clínico. A biopsia cutânea é característica, mas muito raramente necessária. O tricograma e o controlo fotográfico são úteis na avaliação da progressão da alopecia e do respectivo tratamento.

alopecia androgenetica femminile 180x180 - Terapêutica Cirúrgica (Alopecia Androgenética)

Terapêutica Cirúrgica (Alopecia Androgenética)

A terapêutica cirúrgica pode ser utilizada em casos seleccionados de AAG masculina ou feminina severos e naqueles que, não sendo severos, não são responsivos às terapeutas médicas. Podem ser feitos enxertos (7-30 cabelos), minienxertos (3-6 cabelos) e microenxertos (1-2 cabelos). Os enxertos não são aconselhados nos jovens, cuja alopecia pode progredir após a cirurgia. Pode ainda recorrer-se a técnicas de redução da área de alopecia e a retalhos de transposição.

raloxifeno-oral

Terapêutica Sistémica Não Hormonal (Alopecia Androgenética)

– Finasteride – o finasteride é um potente inibidor da isoenzima Tipo II da 5-alfa reductase. Em homens saudáveis com idades compreendidas entre 18 e 41 anos com AAG ligeira a moderada, uma dose diária de 1 mg de finasteride evita a progressão da alopecia e leva ao aumento significativo do número de cabelos em relação ao grupo placebo. O tratamento deve ser feito durante pelo menos 6 meses para se poder avaliar a sua eficácia. Este fármaco é geralmente bem tolerado, podendo associar-se a efeitos secundários ligeiros, nomeadamente relacionados com a função sexual, que desaparecem com a suspensão do medicamento ou mesmo com a continuação da terapêutica. Se o tratamento for suspenso, observa-se um agravamento da AAG com retorno ao grau de alopecia pré-tratamento ao fim de um ano. Em cerca de 20-30% dos homens com AAG masculina não se observa resposta terapêutica.
O finasteride utiliza-se, habitualmente, apenas na AAG masculina, dado causar femininização dos fetos masculinos em desenvolvimento. Contudo, em mulheres pré ou menopáusicas pode ser utilizado, com resultados que são controversos.
– Suplementos alimentares: desde há longa data os suplementos em vitaminas (A, B5, B6, H) e vários aminoácidos (cistina, cisteína, metionina, arginina) têm sido administrados no tratamento da AAG, embora a sua eficácia nunca tenha sido demonstrada.

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Terapêutica de substituição Hormonal (Alopecia Androgenética)

Nas mulheres pós-menopáusicas a associação de um estrogénio com um progestagénio sem actividade androgénica é uma opção terapêutica lógica se não existirem contra-indicações. Actuando no eixo hipotálamo-hipofisário estas associações reduzem a produção de androgénios pelo ovário. Os estrogénios condicionam também um aumento da síntese da sex hormone binding globuline (SHBG) e consequente diminuição da testosterona livre.

como funcionan los antibioticos 1 0 180x180 - Terapêutica Sistémica Hormonal Anti-Androgénica

Terapêutica Sistémica Hormonal Anti-Androgénica

Esta terapêutica é particularmente útil nas mulheres com outros sinais de hiperandrogenia associados, nas mulheres jovens em que seja considerada a contracepção oral, e nas mulheres pós-menopáusicas, quando a terapêutica de substituição hormonal seja adequada. A resposta é geralmente lenta e consiste, basicamente, na paragem da evolução da alopecia.
—> AC (acetato de ciproterona) – é um potente inibidor das gonadotrofinas, diminuindo a síntese glandular de androgénios, para além de ser um inibidor competitivo da DHT ao nível do receptor citosólico, nas células alvo periféricas.
Com o objectivo de estabilizar o ciclo e de proporcionar a necessária protecção contraceptiva, o AC é administrado nas doentes seleccionadas em tratamento cíclico combinado com um estrogénio (35 ug de etinilestradiol) ou com uma associação estroprogestagénica de contracepção de baixa dosagem. Do 5.° ao 14.° dias do ciclo administra-se 25-100 mg de AC, e do 5.° ao 25.° dias uma associação de 2 mg de AC e etinilestradiol ou uma associação estroprogestagénica. Nas mulheres pós-menopáusicas ou histerectomizadas, o tratamento é feito apenas com AC na dose de 25-50 mg por dia em ciclos de 21 dias de tratamento, seguidos de 7 dias de pausa.
Em cerca de 10% dos casos há necessidade de suspender a terapêutica devido à ocorrência de efeitos secundários. Pode surgir hepatotoxicidade com doses iguais ou superiores a 100 mg.
—> Espironolactona – a espironolactona é um anti-hipertensor antagonista da aldosterona que simultaneamente possui actividade anti-androgénica. Inibe a biossíntese ovárica de androgénios e é um inibidor competitivo da DHT, bloqueando os receptores de androgénios. Utiliza-se na dose de 50 a 200 mg/dia. O seu uso pode ser limitado pelos seus efeitos secundários, nomeadamente hipercaliemia, irregularidades do ciclo menstrual, tensão mamária, náuseas e depressão. Os resultados são melhores se em associação com uma combinação estroprogestativa contraceptiva. Está contra-indicada em casos de meno ou metrorragias, gravidez, lactação, insuficiência renal e hipercaliemia.

DSC 0244 180x180 - Tratamento (Alopecia Androgenética)

Tratamento (Alopecia Androgenética)

Os doentes com AAG devem ser esclarecidos acerca da patogénese desta alopecia e a escolha da terapêutica deve ser debatida com eles. Nos casos de alopecias ligeiras a moderadas, os tratamentos médicos disponíveis podem desacelerar, parar, ou mesmo everter a progressão da alopecia, mas necessitam de ser efectuados em permanência e por períodos muito prolongados. Os tratamentos cirúrgicos melhoram de imediato a densidade capilar, mas não alteram a evolução da alopecia. Podem ser coadjuvados pelas terapêuticas médicas.

Alopecia Areata 3 180x180 - Tratamento II (Alopecia Areata)

Tratamento II (Alopecia Areata)

Se a monoterapia tópica isolada com minoxidil ou com um corticóide não for eficaz, podem associar-se as duas: aplicação de minoxidil e, 30 a 60 minutos depois, um creme de dipropionato de betametasona, 2xdia.
– Antralina – a antralina é uma substância irritante que parece induzir o crescimento de cabelos através de um mecanismo de acção ainda não totalmente esclarecido. Dada a sua acção irritante, utiliza-se em regime short contact a 1%, durante 20 a 60 minutos, em regra 1-2 horas após a aplicação de minoxidil.
– Imunoterapia tópica – deve apenas ser efectuada em centros e por dermatologistas treinados. Consiste na indução e elicitação periódica de uma dermite de contacto alérgica a substâncias não presentes habitualmente no meio ambiente natural ou industrial, como a difenilciclopropenona ou o dibutil éster do ácido esquárico. Têm uma acção imunomoduladora local, que estará na base do refreamento dos processos imunológicos, que conduzem à alopecia areata.
– Fotoquimioterapia com PUVA (associação de psoraleno+irradiação com ultravioleta A) tem resultados muito variáveis, sendo assim considerada uma terapêutica de recurso, a qual, de igual modo, apenas deverá ser efectuada por dermatologistas. Preferencialmente deve ser feito PUVA tópico, passando-se para o sistémico se surgir fototoxicidade marcada, limitante do tratamento. O mecanismo pelo qual o PUVA actua parece ser também imunomodulador.
—> Corticoterapia sistémica – é geralmente eficaz, mas apenas deverá ser utilizada em casos excepcionais, devido aos efeitos secundários e ao facto de não alterar o prognóstico da doença a longo termo.
Nas crianças com menos de 12 anos pode iniciar-se o tratamento com a aplicação 2xdia de creme de dipropionato de betametasona, seguido, se necessário, pela sua combinação com o soluto tópico de minoxidil a 2% ou com creme de antralina, com os cuidados já referidos. Embora não se encontrem reportados efeitos secundários sistémicos da corticoterapia tópica em crianças com alopecia areata, é aconselhável uma monitorização cuidadosa da sua curva de crescimento como marcador da supressão do eixo hipotálamo-hipófise-supra-renal. A imunoterapia tópica, o PUVA sistémico e a corticoterapia sistémica não se utilizam, por regra, nas crianças.
Um acompanhamento a nível psicológico pode ser necessário nestes doentes e não deve ser descurado. A utilização de prótese capilar e o desenho com lápis ou tatuagem das sobrancelhas pode também ser aconselhado em determinadas circunstâncias.