Parceiros Sexuais (Sífilis)

Os parceiros sexuais nos 3 meses anteriores ao diagnóstico de sífilis primária, nos 6 meses anteriores (sífilis secundária) ou nos 12 meses anteriores (sífilis latente) deverão ser avaliados.

Sífilis

A sífilis é uma infecção provocada pelo Treponema pallidum. Se não for tratada de início, evolui para a cronicidade, cursando com períodos assintomáticos alternando com sintomas clínicos. É sistémica desde o início, podendo atingir múltiplos órgãos.
Clinicamente divide-se em sífilis primária (acidente primário), secundária (rash, manifestacões mucocutâneas e adenopatias) e terciária (lesões cardíacas, neurológicas, oftalmológicas, auditivas e gomas). Em função da sua duração divide-se em recente (menos de um ano) e tardia (mais de um ano). Como tal, os períodos assintomáticos ou latentes também se dividem em recente e tardio. Esta divisão tem importância para o tratamento.
O diagnóstico pela pesquisa de T. pallidum, em fundo escuro, nas lesões cutâneo-mucosas só é efectuado em centros especializados, pelo que, na prática clínica, são utilizados os testes serológicos: VDRL ou RPR para despiste e TPHA ou FTA-ABS para confirmação. No controlo da terapêutica deve-se usar o VDRL.

Tratamento (Linfogranuloma Venéreo)

– Doxiciclina – 100 mg, oral, 2xdia, durante 21 dias.
– Ou eritromicina – 500 mg, oral, 4xdia, durante 21 dias.
Caso seja necessária drenagem da adenopatia, esta deverá ser feita através de pele sã, para evitar o aparecimento de ulceração subsequente no local da drenagem.

Linfogranuloma Venéreo

É a infecção provocada pelos serotipos L1, L2 e L3 da Chlamydia trachomatis. Tem um Período de incubação mais prolongado que a afecção anterior e caracteriza-se, fundamentalmente, por adenopatia inguinal dolorosa (bubão), estando a pele que a cobre eritemato-violácea e com sulcos característicos, paralelos à prega inguinal (sinal da roldana).
Pode surgir flutuação e supuração. A lesão inicial (pápula ou ulceração), no local da inoculação (sulco balano-prepucial), é geralmente fugaz e assintomática.

Tratamento (Úlcera Mole Venérea)

– Azitromicina – 1 g, oral, numa única toma.
– Ou ceftriaxona – 250 mg, i.m., numa única injecção.

Úlcera Mole Venérea

A úlcera mole (ou cancro mole) é provocada por bacilo Gram-negativo – Haemophilus ducreyi. É uma doença localizada, de exclusiva transmissão sexual. Em face das dificuldades laboratoriais existentes, o diagnóstico é essencialmente clínico. A ulceração, única ou múltipla, surge após período curto (2-3 dias) de incubação, é dolorosa e acompanha-se de adenopatia inguinal dolorosa. Por vezes, a infecção é mista (associa-se à sífilis), pelo que é necessário o despiste desta, bem como de infecção VIH.

Sífilis Congénita

Todos os filhos de mãe com sífilis (tratada ou não) deverão ser avaliados clínica e serologicamente (com frequência mensal) nos primeiros 3 a 4 meses de vida.

Sífilis e VIH

Todos os doentes com sífilis diagnosticada deverão ser encorajados para fazer o despiste de infecção VIH, uma vez que o acidente primário é uma excelente porta de entrada.

Sífilis Durante a Gravidez

Estes esquemas são aplicáveis do mesmo modo às grávidas, à excepção dos esquemas alternativos, pelo que nas doentes alérgicas à penicilina dever-se-á tentar fazer a dessensibilização.

Follow-up (Sífilis)

O controlo serológico com VDRL faz-se aos 3, 6 e 12 meses após o tratamento, sendo de esperar redução progressiva dos títulos. Nas situações de infecção latente, a diminuição dos títulos é muito mais lenta.
Nos casos em que não se observa queda dos títulos ao fim de 6 meses, que haja aumento dos mesmos ou em que os sinais clínicos persistam, deve efectuar-se novo tratamento.
Nas primeiras 24 horas após o tratamento, em especial na sífilis secundária, pode surgir uma reacção febril aguda – reacção de Jarisch-Herxheimer – que não deve confundir-se com alergia à penicilina, e que resulta da destruição maciça de treponemas. Os doentes deverão ser avisados desta possibilidade e medicados com antipiréticos.