Eczema Numular 2 180x180 - Eczema Numular

Eczema Numular

Esta forma de eczema deve o nome à forma como clinicamente se manifesta – em lesões numulares (em forma de moeda) dispersas pelo tegumento, com intenso prurido. Tem curso arrastado crónico-recidivante, resistente ao tratamento, constituindo desafio à arte terapêutica.
Existe componente constitucional determinante, embora em casos pontuais (sobretudo nas mãos) possa haver alergia de contacto sobreposta; em todos eles a colonização ou infecção por Staphylococcus aureus é um factor determinante.
Conquanto a terapêutica geral destes eczemas siga as regras enunciadas para os outros tipos de eczema, nesta situação particular assume importância a antibioterapia local (ácido fusídico, bacitracina) ou geral (macrólidos, flucloxacilina), consoante os casos.
À semelhança do referido para o EA, a utilização de tópicos com alcatrão, outrora muito empregados, caiu em desuso pelas razões atrás expostas. Os inibidores da calcineurina podem aqui ser de alguma utilidade, em especial nas situações em que existe alguma menor resposta aos corticóides tópicos.

raloxifeno-oral

Terapêutica tópica (Eczemas de Causa Externa)

É suficiente na maioria das situações de eczema.
• Os corticosteróides são os fármacos de eleição. Na fase aguda devem ser utilizado em creme, sendo aconselhável começar por corticóides mais potentes, por períodos que não ultrapassem, em regra, os 7-10 dias (a aplicação lxdia é suficiente), passando, de seguida, a corticóides de grupos menos potentes ou a aplicações mais intervaladas (2-3xsemana), alternando com cremes emolientes. Este cuidado deve ser redobrado quando se trata de eczemas na face ou em crianças. Nas situações menos agudas, em que predomina a descamação e fissuração, como sucede por exemplo nas dermites secas das mãos, torna-se aconselhável o recurso a tópicos com maior teor de gordura, como são as pomadas (emulsões A/O), as quais devem ser aplicadas à noite, mantendo a utilização de emolientes durante o dia.
• Os antibióticos tópicos têm indicação, em associação ou alternância com os corticóides, quando houver evidência ou suspeita de infecção secundária. Poderá útilizar-se o fusidato de sódio, a bacitracina, mas convém evitar a neomicina, pela elevada capacidade de sensibilização deste antibiótico.
Os imunomoduladores tópicos (inibidores da calcineurina) – tacrolimus e pimecrolimus – podem ser utilizados, sobretudo em fase subaguda ou crónica, por exemplo nos eczemas das mãos. Na nossa experiência, contudo, têm-se mostrado de menor utilidade que no EA.
Os anti-histamínicos, por razões já expostas (ver “Eczema Atópico”), não têm interesse nem indicação na terapêutica tópica do eczema.

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Dermite Seborreica

A DS (dermite sebosorreica) é uma dermatose inflamatória, eritematosa e descamativa, eczematiforme, que se desenvolve nas áreas ditas seborreicas, ou seja, naquelas onde existe uma maior quantidade e actividade das glândulas sebáceas, como seja o couro cabeludo, face, tronco superior, mais raramente nas axilas, virilhas e genitais.
Os fungos leveduriformes do género Malassezia (M. globosa e restricta) parece desempenharem um papel importante na patogénese da afecção. Não só produzem lípases que desdobram os triglicéridos do sebo em ácidos gordos livres, que são irritantes, como parece desencadearem uma resposta imunológica anormal, com libertação de citocinas responsáveis pela inflamação.
Pode surgir no período neonatal ou a partir da adolescência, sendo mais frequente a partir dos 40 anos. Nas crianças, manifesta-se sob a forma de crosta láctea, ou por dermatite eritemato-descamativa nas pregas ou disseminada. Inicia-se precocemente (primeiras semanas de vida) e tem tendência a melhoria e desaparecimento espontâneo ao fim de alguns meses. Nos adultos, as lesões atingem: couro cabeludo, desde a vulgar “caspa” (pitiríase capitis), forma minor e não inflamatória, até à DS (dermite seborreica) eritemato-descamativa, inflamatória e pruriginosa; face, em especial supracílios, região intersupraciliar, pregas nasogenianas, por vezes mento – manchas eritematosas, cobertas de escamocrostas mais ou menos espessas, oleosas, com prurido variável; região pré-esternal e interescapular, com aspecto semelhante ao descrito para a face; pregas axilares e inguinais – manchas eritematosas, pouco descamativas e pruriginosas.
A evolução da DS é crónico-recidivante – melhora no Verão, agrava-se com o stress psíquico e com ambientes quentes e secos. Algumas doenças neurológicas e imunossupressão podem agravar e ocasionar quadros de DS particularmente exuberantes e resistentes à terapêutica.


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piolho 180x180 - Pediculose Capitis

Pediculose Capitis

É a infestação do couro cabeludo pelo piolho da cabeça. O parasita é hematófago e alimenta-se no couro cabeludo e região cervical, depositando os ovos nos cabelos.
Pode ocorrer em qualquer grupo etário, mas é mais frequente nas crianças e no sexo feminino, pois o cabelo comprido das raparigas não só dificulta o tratamento como facilita a transmissão. Existem ainda factores individuais (atópicos?) que facilitam a infestação, uma vez que é comum a observação, no mesmo agregado familiar, de crianças que estão frequentemente infestadas a par de outras que raramente o estão. A transmissão faz-se através de chapéus, bonés, pentes e escovas, ou pelo contacto cabeça com cabeça.
Pode ser assintomática, mas na maioria dos casos provoca prurido acentuado nas regiões occipital e temporais. Podem observar-se escoriações e infecção secundária, associada com linfadenopatias occipitais e/ou cervicais.
No exame objectivo podem observar-se piolhos, geralmente em pequeno número (<10) e, sobretudo, lêndeas; estas são ovos do piolho fêmea, ovais, de cor branca acinzentada e estão fixas às hastes do cabelo. Como complicações, em regra em situações arrastadas, pode existir eczema das regiões occipital e nuca (secundárias ao prurido e à coceira), escoriações, crostas e impétigo do couro cabeludo, que podem ocultar os piolhos e lêndeas, dificultando o diagnóstico, e pápulas urticariformes, nas faces laterais da região cervical e nuca, resultantes das picadas do parasita.

dermatite por cimento 1 180x180 - Terapêutica sistémica (Eczemas de Causa Externa)

Terapêutica sistémica (Eczemas de Causa Externa)

Pode justificar-se em situações muito agudas e extensas.
A corticoterapia sistémica, de preferência oral (que permite melhor controlo da dose administrada), na dose inicial de 0,5 a 1 mg/kg de prednisona/prednisolona ou equivalente, é frequentemente utilizada. A administração é feita por períodos curtos, devendo fazer-se redução progressiva da dose.
. A antibioterapia sistémica (macrólidos ou flucloxacilina) encontra justificação quando há suspeita ou evidência de infecção secundária.
• Os anti-histamínicos orais, sobretudo a hidroxizina, têm acção antipruriginosa e são úteis nas fases mais agudas, na dose de 25 mg/2-3xdia; após a melhoria do eczema pode ser reduzida para 25 mg à noite. A acção antipruriginosa dos outros anti-histamínicos, em especial, os de 2.ª geração, é diminuta, pelo que a sua administração não tem utilidade.
• Nos eczemas crónicos, particularmente nos eczemas alérgicos, em que a eliminação dos factores causais seja difícil, tem sido advogada a utilização de ciclosporina A e a fototerapia tópica; são, contudo, terapêuticas de excepção, que deverão ser muito bem ponderadas e reservadas para o dermatologista.

Foliculite 1 180x180 - Foliculite

Foliculite

É uma infecção superficial do folículo piloso que atinge apenas o ostium ou, mais profundamente, o bulbo piloso.
O agente infeccioso mais frequentemente implicado é o Staphylococcus aurem coagulase-positivo, embora, por vezes, possam estar implicados organismos Gram-negativos, como a Pseudomona aeruginosa. As lesões localizam-se em áreas pilosas como a face, couro cabeludo, tronco, nádegas e coxas e caracterizam-se por pequenas pústulas centradas por pêlo, rodeadas de halo eritematoso, dolorosas.

A posição sexual de cada signo 180x180 - Parceiro Sexual (Blenorragia)

Parceiro Sexual (Blenorragia)

Todos os parceiros sexuais dos 6 dias anteriores ao aparecimento da infecção devem ser avaliados e tratados.

Disidrose 180x180 - Terapêutica Inespecífica (Eczemas de Causa Externa)

Terapêutica Inespecífica (Eczemas de Causa Externa)

O tratamento geral dos eczemas assenta nas regras já enunciadas para o EA: eliminação dos factores desencadeantes (irritativos e/ou alérgicos), calmar a pele, hidratar.
-> A eliminação dos factores desencadeantes, quer sejam irritativos, quer sejam alérgicos, é fundamental. Nas dermites alérgicas a identificação do alergénio pelas provas epicutâneas deve conduzir à informação do paciente sobre as fontes de possível contacto e modo de as evitar. De igual modo, nas dermites irritativas, o doente deve ser instruído sobre a melhor forma de se proteger das agressões a que está sujeito (solventes, detergentes, produtos de limpeza, etc). Este passo assume primordial importância nos eczemas das mãos, expostas que estão a múltiplas agressões profissionais, ocupacionais, de higiene ou de lazer.
A aplicação de substâncias suaves e calmantes é muito importante nos eczemas agudos; como regra deverá ter-se em conta que, quanto mais inflamatória e exsudativa for a dermatose, mais suave deve ser o tratamento. Nesta fase a aplicação repetida de pensos húmidos com soro fisiológico ou com soluto de ácido bórico (20:1000), de linimento de óxido de zinco (óleo de zinco), de suspensões ou emulsões com maior conteúdo em água (emulsões O/A) é o que está indicado.
Os hidratantes e os emolientes contribuem para a recuperação funcional da pele.
Devem ser utilizados regular e frequentemente, de acordo com a necessidade e com a área a tratar. Na pele das mãos recomenda-se a aplicação múltiplas vezes ao longo do dia, enquanto noutras áreas pode ser suficiente 1 ou 2xdia.

piolhos como acabar com eles 180x180 - Tratamento (Pediculose)

Tratamento (Pediculose)

Existem múltiplos produtos escabicidas comercializados, mas é do conhecimento que estes parasitas estão, cada vez mais, resistentes à maioria deles. Por outro lado, e à semelhança do sucedido com os acaricidas, os produtos contendo malatião ou lindano também foram retirados do mercado.
Os pediculocidas podem ser utilizados em champô, loção, pulverizadores, devendo ser deixados a actuar durante um período variável (entre minutos e horas) antes de serem lavados. O tratamento deve ser repetido 1 semana depois.
Os produtos actualmente existentes são à base das seguintes substâncias – permetrina (+ butóxido de piperonilo) – o mais activo -, benzoato de benzilo, crotamitona, dimeticone, d-fentizida, nalatiol, quassia amara.
Em casos particularmente resistentes e recidivantes, a administração de cotrimoxazol, ao interferir com o metabolismo do parasita, pode ter indicação.
Estes tratamentos deverão ser complementados com outras medidas para evitar a reinfestação:
-> Remoção das lêndeas com pente fino – é uma das mais importantes medidas de tratamento e profilaxia da reinfestação dada a actual resistência do parasita à maioria dos produtos químicos. Deve ser feita repetidamente l-2xsemana, durante pelo menos 2-4 semanas.
—> Lavagem de roupas de cama e do doente, com água quente abundante e, se possível, secas ao sol.
—> Lavagem de pentes e escovas com água e sabão, mantendo-os depois mergulhados em álcool.
Na pediculose palpebral deverá aplicar-se vaselina nas pálpebras, duas vezes por dia, durante 8 dias e remover as lêndeas em seguida.

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Terapêutica Médica Tópica (Alopecia androgenética)

– Minoxidil tópico – a loção tópica de minoxidil a 2% é uma terapêutica bem estabelecida na alopecia androgenética. Contudo, a loção a 5% condiciona uma resposta clínica mais rápida e evidente.
O mecanismo de acção do minoxidil percutâneo não está completamente esclarecido.
A posologia aconselhada é de 1 ml de solução aplicada de manhã e à noite sobre o couro cabeludo seco. O minoxidil tópico parece não ter eficácia ao nível da região temporal. O tratamento deve ser feito durante pelo menos 6 meses para se poder avaliar a sua eficácia. Uma boa resposta corresponde a paragem da queda excessiva ao fim de 2 a 6 meses, acompanhada pelo início de reponte de cabelos tipo lanugo.
Ao fim do primeiro ano atinge-se uma melhoria estacionária, mas se o tratamento for suspenso, esta melhoria é reversível ao fim de 3 ou 4 meses.
Os melhores resultados são visíveis nos primeiros graus de alopecia androgenética no homem e, isoladamente ou em combinação com terapêutica hormonal, na mulher.
Em regra, quanto mais jovem o paciente, melhor a resposta, diminuindo esta acentuadamente a partir dos 40 anos.
Como efeitos secundários possíveis da aplicação local são de referir o prurido e a hipertricose da face, pelo que na mulher se deve utilizar preferencialmente a solução a 2% que está associada a um menor risco de ocorrência do último. As raras reacções irritativas ou alérgicas descritas (0,1-1% segundo as séries) podem ser provocadas pelo minoxidil ou pelo excipiente.
– Outros tópicos – as formulações tópicas de finasteride a 0,05% e de progesterona a 0,5% não são eficazes, apesar da actividade inibidora da 5-alfa reductase destas substâncias.
No caso de coexistência de dermite seborreica, a utilização de champôs com cetoconazol ou piroctona-olamina pode ser útil na redução da microflora infundibular diminuindo a inflamação que parece agravar a queda de cabelo.
Resultados preliminares de ensaios clínicos de pequena escala com o 2,4-diamino-piramidina-3-óxido, molécula aparentada com o minoxidil, demonstram a sua eficácia antifibrótica, o que facilita a inserção profunda dos folículos na derme com consequente aumento da percentagem de folículos em fase anagénica.