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Atitudes Preventivas (Disfunção Eréctil)

Antes de qualquer outra terapêutica, há que suspender ou diminuir qualquer factor que possa ser prejudicial para a função sexual, por exemplo, o tabaco, o álcool, drogas ou medicamentos. Muitas vezes, só esse cuidado resolve uma DE ligeira ou moderada.

Terapêutica Transuretral

O alprostadil, para além de administrado intracavernosamente, também pode ser utilizado por via transuretral (Muse). Introduzido sob a forma de um pequeno comprimido, através de um aplicador especial, a absorção do fármaco através da mucosa da uretra é rápida, sendo facilitada se o doente rola o seu pénis entre as palmas das suas mãos durante cerca de 1 ou 2 minutos. Estudos clínicos demonstram o início de acção ao fim de cerca de 7 minutos, com efeito maior entre os 15 e os 20 minutos e com uma duração total de cerca de 1 hora. A dose a usar varia entre 125 a 1000 ug. As doses mais baixas são especialmente úteis em doentes com patologia neurológica, nomeadamente após cirurgia pélvica radical. Uma resposta boa ou satisfatória é obtida em 60 a 65% dos casos. O mais comum efeito secundário, em cerca de 30% dos doentes, é a dor uretral (Howton, 1998). A ocorrência de erecções prolongadas nunca foi referida.

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Terapêutica Cirúrgica (Disfunção Eréctil)

A última linha terapêutica é exclusivamente constituída por técnicas cirúrgicas. Estas devem ser executadas por cirurgiões com treino em cirurgia andrológica, embora a sua indicação possa partir de qualquer sexólogo ou andrologista.
A técnica de laqueação das veias penianas foi inicialmente proposta em 1985 para tratamento da “fuga venosa”. Esses autores propunham a laqueação da veia dorsal do pénis e das suas colaterais. A técnica foi largamente utilizada nos finais da década de 80 e nos primeiros anos da década de 90, até cair em descrédito, pela publicação de elevadas taxas de insucesso quando os resultados eram analisados a médio e longo prazo.
De facto, considerada globalmente, a cirurgia de laqueação venosa pode ter taxas de sucesso de 70 a 85% se considerarmos os resultados 6 meses depois da cirurgia, mas o número de doentes que se mantém sem queixas erécteis baixa para números da ordem dos 20-30% ao fim de 2 anos depois de operados.
A patologia arterial é a etiologia mais frequente da disfunção eréctil orgânica nos homens com mais de 40 anos. O tabagismo, alcoolismo, a hipertensão, as hipercolesterolemias são factores de risco de aparecimento da aterosclerose. E as lesões arteriais do tecido cavernoso são essencialmente ateroscleróticas, embora também possam ser displásicas, devidas a diabetes, traumáticas e iatrogénicas. A correcção da doença arterial obstrutiva do sector aorto-ilíaco com arteriopatia dos membros inferiores e DE é aconselhada por técnicas de cirurgia vascular ou endovascular. A cirurgia das pudendas ou dos seus ramos só está indicada nos doentes jovens, com impotência arteriogénica por lesão arterial congénita ou em consequência de lesão traumática pélvica, perineal ou peniana. As várias revisões de casos operados que têm sido publicados na literatura mostram resultados favoráveis variáveis entre 15 e 80%. O principal motivo aparente para essas enormes diferenças parece residir em inadequada estandardização dos métodos de análise. Com cada vez mais eficazes terapêuticas para a disfunção eréctil arteriogénica, como é o caso das novas terapêuticas orais e transuretrais, para não falar da auto-injecção intracavernosa, a cirurgia da patologia arterial perdeu muito território de acção. Contudo, é ainda indiscutível a sua utilização nos casos de patologia arterial localizada, congénita ou provocada por traumatismos pélvicos, especialmente se forem doentes jovens, preferentemente com menos de 35 anos de idade.
A primeira prótese peniana foi descrita em 1965, com a implantação em vários doentes de umas estruturas cilíndricas rígidas de polietileno no interior dos dois corpos cavernosos. O êxito inicial não teve continuidade quando se constatou que se davam processos de rejeição por parte do organismo, com ulceração do tecido subcutâneo e explantação das próteses. A grande revolução surgiu em 1970, nos Estados Unidos, quando surgiram umas próteses flexíveis, formadas por silicone, que demonstraram elevada eficácia e baixa taxa de complicações. As primeiras próteses hidráulicas surgiram pouco tempo depois. A partir daí e até à actualidade, as próteses penianas tiveram um percurso que podemos classificar de notável, com o aparecimento de modelos cada vez mais aperfeiçoados e com elevadas taxas de sucesso e de satisfação por parte dos doentes. Mas, apesar desse elevado grau de satisfação, as próteses penianas representam o último recurso terapêutico para os indivíduos com DE orgânica. Na verdade, só quando existe a garantia da irrecuperabilidade do tecido cavernoso, é licito ponderar a sua implantação.

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Terapêutica Intracavernosa

A auto-injecção intracavernosa vasoactiva constitui uma terapêutica muito eficaz. Embora existam várias drogas vasoactivas utilizáveis, apenas uma se encontra comercializada: o alprostadil (Caverject), quimicamente identificado como prostaglandina E1 sintética, que promove o relaxamento do músculo liso pela estimulação da produção da AMPc intracelular. A injecção intracavernosa de alprostadil auto-injectada pelo próprio doente é globalmente eficaz em 80-90% das DE. A resposta eréctil é habitualmente muito rápida, durando entre 1 a 2 horas. Os efeitos secundários incluem dor peniana, fibrose local e raras erecções prolongadas. O risco de erecção prolongada exige prévia avaliação da dose adequada, ensino da técnica e seguimento, que tem obrigatoriamente de ser realizada por médico com experiência. A falta de habilidade manual ou a diminuição da acuidade visual pode ser um obstáculo para a auto-injecção, embora ultrapassável se a parceira proceder à injecção.

impotencia sexual masculino tratamiento 180x180 - Psicoterapia (Disfunção Eréctil)

Psicoterapia (Disfunção Eréctil)

A psicoterapia na DE deve ser exclusivamente orientada por terapeuta sexual. Exigindo o envolvimento dos dois parceiros sexuais, tem por objectivo principal melhorar a comunicação no casal e aumentar a autoconfiança do doente, eliminando a antecipação do falhanço e tentando substituir a ansiedade pelo prazer sexual. Pode assumir um simples aconselhamento ou uma terapia sexual específica. Mas é potencialmente útil em todas as situações de DE, mesmo na presença de compromisso orgânico. Pode ter um papel importante no apoio a um tratamento medicamentoso ou cirúrgico.

Encore Custom Battery Vacuum Erection Device 180x180 - Dispositivo de Erecção por Vácuo

Dispositivo de Erecção por Vácuo

Trata-se de um cilindro de plástico transparente no qual o pénis é introduzido para poder ser submetido a uma pressão negativa, pressão essa provocada pela acção de uma bomba manual ou eléctrica. O sangue, ao ocorrer para o interior dos corpos cavernosos, desencadeia uma erecção. Antes da retirada do cilindro, é passado um anel de borracha para a base do pénis, destinado a manter a erecção. A garrotagem não deve durar mais de 30 minutos, tempo mais que suficiente para uma relação sexual. O dispositivo de vácuo tem particular interesse nas situações em que o doente se recusa a utilizar formas mais agressivas de tratamento, ou quando outras terapêuticas não podem ser utilizadas. O seu principal problema é o artificialismo do método.

Imagem4 180x180 - Terapêuticas Orais (Disfunção Eréctil)

Terapêuticas Orais (Disfunção Eréctil)

São três os fármacos inibidores da 5-fosfodiesterase comercializados: o sildenafil (Viagra), o tadalafil (Cialis) e o vardenafil (Levitra). A 5-fosfodiesterase é uma enzima existente nas fibras musculares lisas do pénis que tem como função anular a acção miorelaxante do GMPc, libertado por acção do óxido nítrico que os estímulos eróticos geram no tecido cavernoso. Este tipo de medicamentos, ao inibir a 5-fosfodiesterase, permite potenciar a acção do GMPc, obtendo melhores erecções.
Qualquer desses medicamentos deve ser tomado cerca de uma hora antes do início da actividade sexual. Os preliminares eróticos devem ser estimulados. A duração do efeito vasoactivo do fármaco dura cerca de 4 a 6 horas e, no caso do tadalafil, mais de 24 horas. Isso não significa que a erecção dure esse tempo, mas sim que, durante esse intervalo de tempo, é mais fácil obter uma erecção. Os estudos clínicos realizados mostram uma eficácia clínica global entre 70-80%. É particularmente eficaz nas situações de insuficiência arterial ligeira ou moderada. Nos casos de insuficiência veno-oclusiva, lesão miocavernosa e lesão neurológica periférica – situação típica da diabetes – a sua eficácia pode ser bastante reduzida, não ultrapassando 30-50%. Os efeitos colaterais mais frequentemente referidos são cefaleias (10-15%), rubor (10-20%) e dispepsia (10%). Muito raramente (2%) podem provocar alteração da percepção da visão das cores e um aumento da sensibilidade à luz. Está absolutamente contra- -indicado a administração deste tipo de medicamentos nos doentes a fazer terapêutica cardíaca com nitratos, sob qualquer forma. São também contra-indicações absolutas a angina instável, o AVC e o enfarte do miocárdio recentes, a retinite pigmentosa e a insuficiência hepática grave.
O único fármaco dopaminomimético para o tratamento da DE é a apomorfina (Uprima).
Surgido em 2000, deixou de estar comercializado em 2004, pelo menos no nosso país.
A estrutura química da apomorfina é similar à da dopamina, uma catecolamina que determina a libertação da prolactina e da hormona do crescimento, e que regula o comportamento emocional e a função eréctil. A apomorfina tem uma acção ao nível dos receptores da dopamina do SNC, estimulando a produção do óxido nítrico nos corpos dos neurónios hipotalâmicos, o que vai fazer activar os neurónios autónomos descendentes, parassimpáticos, que contribuem para o mecanismo da erecção peniana. A eficácia clínica global é de cerca de 60-70%. As doses recomendadas são 2 ou 3 mg, administrados por via sublingual, cerca de quinze minutos antes da actividade sexual. O seu tempo de acção é de cerca de 3 horas. Como efeitos secundários têm sido principalmente referidos náuseas e vómitos.

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Disfunção Eréctil

A DE (disfunção eréctil) é a incapacidade persistente para obter ou manter uma erecção peniana que permita a um homem ter relações sexuais satisfatórias. A sua prevalência global em Portugal é de cerca de 13%, embora os números baixem para 5% quando referidos às disfunções erécteis moderadas e graves.
Uma regra básica da terapêutica da DE impõe que se tentem sempre medidas menos invasivas antes de se avançarem para medidas mais invasivas. Assim, a terapêutica da DE pode ser classificada em três níveis, baseados não só na agressividade da terapêutica, mas também em critérios práticos de quem deve prescrevê-la e executá-la.
As chamadas terapêuticas de 1.ª linha são aquelas que podem ser prescritas por qualquer médico, desde que bom conhecedor da DE e dos tratamentos que vai prescrever. São constituídas pelas atitudes preventivas, pelas terapêuticas orais e pelo dispositivo de erecção por vácuo.
As terapêuticas de 2.ª linha, reservadas para situações mais graves ou que não melhoraram com as terapêuticas de 1.ª linha, estão vocacionadas para serem prescritas e/ou administradas por sexólogos e andrologistas. São constituídas pela psicoterapia, pela terapêutica intracavernosa e pela terapêutica transuretral.
A 3.ª linha terapêutica, para as situações que não respondem às terapêuticas de 1.ª e 2.ª linha, é exclusivamente constituída pela cirurgia.