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Não há nada mais subjectivo do que a dor. Qualificá-la ou quantificá-la são tarefas impossíveis, apesar das múltiplas estratégias que se utilizam na prática clínica diária para o fazer. E se a existência do fenómeno doloroso está ligada à existência do próprio Homem – existe dor desde que existe vida humana – o primeiro gesto clínico que o Homem deve ter praticado terá sido, seguramente, a tentativa de a aliviar.
A IASP (International Association for the Study of Pain), em 1990, através de uma task-force nomeada para o efeito, enunciou e divulgou uma série de definições acerca da dor, para que todos os profissionais de saúde passassem a utilizar a mesma nomenclatura e uniformizassem o seu discurso.
Algumas dessas definições:
– Dor – é uma sensação ou experiência emocional desagradável, associada com destruição tissular actual ou potencial, ou descrita em termos dessa destruição.
– Dor aguda – é uma dor de início recente e de provável duração limitada. Normalmente há uma identificação temporal e/ou causal.
– Dor crónica – é uma dor prolongada e persistente no tempo, normalmente com difícil identificação temporal e/ou causal, provocando sofrimento. Pode manifestar-se com várias características e gerar vários estádios patológicos.
A dor aguda é sempre um sintoma, conhecendo-se a sua causa e o momento do seu início, havendo uma expectativa previsível da sua duração. A forma mais paradigmática de dor aguda é a dor do pós-operatório, mas também é dor aguda a dor traumática, a dor de parto, a cólica renal ou os períodos súbitos de agravamento da dor crónica, entre outras.
A dor crónica é uma doença, podendo aparecer, associados, um conjunto de sintomas em que o principal, se assim o quisermos qualificar, é a dor. Tudo é difícil e subjectivo na dor crónica, desde a identificação da causa à precisão do seu início. A dor oncológica é a mais emblemática das várias formas de dor crónica, mas nem por isso a única nem tão pouco a que, necessariamente, coloca aos clínicos maiores problemas.

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