raloxifeno-oral

Imunomoduladores

Tiopurinas (azatioprina; 6-mercaptopurina) – a azatioprina (AZA) e a 6-mercaptopurina (6-MP) são imunomoduladores quimicamente relacionados.
O seu início de acção é lento, podendo demorar de 3 até 6 meses a ter efeito terapêutico. São habitualmente recomendados no tratamento de doentes com CU e DC que sejam corticodependentes, na dose de 2 a 3 mg/kg/dia no caso da AZA e na dose de 1 a 1,5 mg/kg/dia no caso da 6-MP. De um modo geral doentes que sofram um surto grave de CU ou DC, em que requeiram o uso de corticoterapia, ou que necessitem, durante 1 ano, de um segundo tratamento com corticosteróides, deverão ser considerados para terapêutica com tiopurinas, com o intuito de evitar a utilização futura de corticosteróides. As tiopurinas são moderadamente eficazes na prevenção de recidiva pós-operatória da DC, devendo ser considerada a sua utilização em doentes com maior risco de recidiva ou quando este possa ter consequências particularmente nefastas.
As tiopurinas são eficazes tanto na CU como na DC, na indução e manutenção de remissão da doença e possuem alguma eficácia no tratamento e cicatrização de fístulas perianais e entéricas, na DC.
Metotrexato – o metotrexato (MTX) permite obter uma resposta clínica mais rápida do que as tiopurinas; a evidência actual da sua eficácia resume-se ao tratamento da DC, não havendo evidência que permita suportar a sua utilização na CU.
O metotrexato na forma parentérica (i.m.) está indicado no tratamento de indução de remissão na dose de 25 mg/semana, até 16 semanas, seguido de uma dose de 15 mg/semana. Nos doentes que obtenham resposta ao MTX, a terapêutica de manutenção (15-25 mg, oral ou i.m. semanal) é eficaz.
Ciclosporina – a ciclosporina tem um início rápido de actuação e quando administrada por via e.v. é eficaz no tratamento de doentes com CU grave, em menos de uma semana.
A ciclosporina oral tem também um papel na indução de resposta clínica na CU, e no curto prazo na manutenção de remissão induzida pela ciclosporina e.v., permitindo aguardar que a azatioprina, administrada concomitantemente, se torne eficaz. A ciclosporina e.v. permite assim evitar a cirurgia nos doentes com CU grave refractária aos corticosteróides. A ciclosporina e.v., na dose de 2-4 mg/kg/dia, ou a colectomia deverão ser sempre consideradas sempre que um doente com CU grave não responda à corticoterapia num prazo de 7 a 10 dias. A resposta ou remissão clínica induzidas pela ciclosporina e.v. necessita da sua continuidade por via oral, durante alguns meses, enquanto é efectuado o desmame da corticoterapia, juntamente com a utilização da azatioprina como terapêutica de manutenção, devendo ser feita profilaxia contra a infecção por Pneumocystis carinii.
Na DC, a ciclosporina e.v. é eficaz no tratamento da doença fistulizante, como tratamento de indução, devendo posteriormente ser utilizada azatioprina para manutenção ou encerramento completo de fístulas. A toxicidade de ciclosporina tem limitado a sua utilização na DC, pelo que o seu uso está habitualmente confinado à terapêutica de última linha da DC fistulizante.

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Colite esquerda

A terapêutica tópica com 4 g de messalazina constitui o tratamento de 1.ª linha. A junção de supositórios de messalazina pode ser necessária nalguns doentes, bem assim como formas orais de libertação preferencial no cólon; de notar, contudo, que as formas orais são menos eficazes e mais lentas no seu modo de actuação, em relação às formas tópicas. Existe correlação directa entre a dose e a eficácia da messalazina oral.
A terapêutica combinada de messalazina oral e tópica é superior em eficácia em relação à messalazina oral isoladamente, tanto na indução como na manutenção de remissão.
Os doentes intolerantes ou com resposta inadequada aos aminossalicilatos, podem necessitar de corticoterapia, preferencialmente na forma tópica, para indução de remissão.
A corticoterapia não é eficaz na manutenção da remissão.

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Ileocolite/Colite

Na DC ligeira a moderada, a terapêutica de indução depende da sua localização preferencial. Em caso de afecção do ileo e/ou cólon proximal, o budesonido na dose de 9 mg/dia, administrada durante 8 a 16 semanas, tem sido demonstrado como mais eficaz na indução de remissão em relação ao placebo ou à messalazina e igualmente eficaz e mais seguro do que os corticosteróides convencionais. Nos doentes com afecção confinada ao cólon, a sulfassalazina na dose de 3 a 6 g/dia até às 16 semanas, tem sido demonstrada como mais eficaz que o placebo, mas menos eficaz do que os corticosteróides convencionais.
Os doentes que iniciem o tratamento com sulfassalazina ou budesonido e não obtenham resposta devem ser tratados subsequentemente com prednisona, na dose de 40 a 60 mg/dia, seguido de uma redução progressiva, ou com IFX. Os doentes com doença moderada a grave ou com sintomas sistémicos devem iniciar prednisona, na dose de 40 a 60 mg/dia.
No que respeita à terapêutica de manutenção de remissão, após indução terapêutica, na DC ligeira ou moderada, a evidência de eficácia no caso dos aminossalicilatos é insuficiente como recomendação terapêutica de manutenção comprovada e os corticosteróides convencionais são também ineficazes ou demasiado tóxicos para serem recomendados. No caso dos doentes com ileocolite induzidos em remissão com budesonido, podem ser mantidos com este fármaco, na dose de 6 mg/dia, durante 3 a 6 meses adicionais. Os imunomoduladores (tiopurinas, MTX) são eficazes na terapêutica de manutenção, após indução com corticosteróides convencionais.
Nos doentes com actividade moderada a grave e em caso de corticodependência ou corticorresistência, para além dos imunomoduladores, deve ser considerado o início de terapêutica biológica.

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Aminossalicilatos tópicos

Podem ser administrados em forma de enema, supositório ou espuma. A utilização de enemas permite que a medicação atinja o ângulo esplénico, e os supositórios são utilizados para tratamento da doença rectal. A espuma permite uma distribuição semelhante aos enemas.
Na CU a dose standard usada na indução de remissão varia entre 1 e 4 g de messalazina tópica, em enema, aplicado ao deitar. Os supositórios de messalazina na dose de 1,0 a 1,5 g/dia, usados em dose única ou fraccionada, são utilizados na indução e manutenção de remissão em doentes com afecção exclusiva do recto. A messalazina tópica é o medicamento mais eficaz na manutenção de remissão na CU distal. O tratamento combinado de messalazina oral e tópica é mais eficaz do que o uso isolado da forma oral na indução e manutenção de remissão na CU distal.
Na DC afectando o re-to e cólon esquerdo, a messalazina tópica poderá também ser utilizada isoladamente ou em conjunto com a forma oral.

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Sulfassalazina

A sulfassalazina permite induzir a remissão em 35 a 80% dos doentes com CU ligeira a moderada, na dose de 4 a 6 g/dia. A taxa de indução de remissão é dupla em relação ao placebo.
A sulfassalazina altera a absorção de folatos, pelo que estes devem ser administrados concomitantemente. Na manutenção de remissão, a dose de 2 g/dia é a mais equilibrada em termos de relação eficácia/efeitos adversos.
Na DC, a sulfassalazina confere benefício apenas em doentes com doença ileocólica ou afecção exclusiva do cólon, na dose de 3 a 5 g/dia, como indução de remissão, não tendo eficácia na manutenção de remissão.
Os vários compostos de messalazina oral têm eficácia superior ao placebo, na indução de remissão na CU ligeira a moderada, em doses superiores a 2 g/dia, com aumento de eficácia em doses progressivas até 4 g/dia. A messalazina oral é eficaz na manutenção de remissão, em doses semelhantes às utilizadas na indução de remissão.
Na DC a messalazina oral pode ser teoricamente eficaz em doentes com afecção do jejuno e ileo, ao contrário da sulfassalazina, permitindo induzir a remissão da DC ligeira a moderada, habitualmente em doses superiores às utilizadas na CU, = 3,2-4 g/dia. Contudo, alguns ensaios clínicos abordando a utilização de messalazina oral na DC não demonstram clara evidência de benefício em relação ao placebo, pelo que o seu uso é controverso). Na prática clínica, dada a escassa evidência de efeitos adversos, a messalazina oral é geralmente utilizada na fase inicial do tratamento da DC. Alguns trabalhos de meta-análise indicam que a messalazina oral é benéfica no tratamento de manutenção de remissão na DC, embora este benefício seja apenas observado em doentes com remissão induzida cirurgicamente, ileíte e/ou doença com duração prolongada.

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Doença fistulizante

É útil considerar dois tipos de fístulas: perianais e internas. No caso da DC perianal, os agentes de 1.ª linha incluem a ciprofloxacina, 500 mg/2xdia, ou o metronidazol, 250 a 500 mg/3xdia, com a junção do segundo antibiótico se o primeiro se revelar ineficaz. No caso de as fístulas encerrarem ou permanecerem drenantes, deverão ser prescritas tiopurinas e/ou terapêutica biológica. A terapêutica de manutenção deverá ser efectuada com o agente responsável pelo encerramento.
Os doentes com fístulas internas, devido ao facto de as mesmas resultarem geralmente de uma estenose a jusante, devem ser considerados para terapêutica cirúrgica primária, em relação a qualquer terapêutica médica.

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Doença de Crohn refractária

A avaliação e o tratamento da DC refractária é semelhante à CU, com algumas excepções. A maior parte dos estudos têm apontado o consumo de tabaco como estando relacionado com a DC refractária.
Os doentes com DC, intolerantes, alérgicos ou que não respondam às tiopurinas, podem ser iniciados na terapêutica com MTX, eficaz na indução e manutenção de remissão.
Outra alternativa é a utilização de terapêutica biológica, eficaz na indução e manutenção da remissão. No caso em que os doentes com DC mantenham actividade da doença, apesar do uso das terapêuticas atrás mencionadas, a terapêutica cirúrgica deverá ser considerada.

RCU e CROHN 180x180 - Doença de Crohn esofagogastroduodenal

Doença de Crohn esofagogastroduodenal

Os aminossalicilatos não têm utilidade, pois só são libertados em localização mais distal.
A monoterapia com inibidores de bomba de protões é útil como terapêutica de indução e manutenção de remissão. A prescrição de corticosteróides, imunomoduladores e terapêutica biológica é na maioria das vezes necessária.

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Doença de Crohn do intestino delgado

Na DC ligeira a moderada, a messalazina é o fármaco habitualmente utilizado, excepto no ileo distal onde o budesonido tem eficácia superior. Na DC moderada a grave, a abordagem é semelhante à referida no parágrafo anterior. A cirurgia, no caso de afecção do ileo terminal, que atinja um curto segmento intestinal, deve ser considerada mais precocemente como alternativa terapêutica, em comparação com outras localizações da doença.

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Doença de Crohn

Tal como na CU uma história clínica e uma avaliação adequada dos exames laboratoriais, endoscópicos, imagiológicos e histológicos são essenciais na elaboração dum plano terapêutico correcto. É essencial avaliar correctamente a localização e a gravidade da doença, complicações intestinais, manifestações extra-intestinais e estado nutricional.