2fd080f893bd83c8eedc3934cb0432a5 2 180x180 - Anticoagulação no doente com neoplasia do SNC

Anticoagulação no doente com neoplasia do SNC

Seja tumor primário ou metástase, estas lesões têm um risco de hemorragia acrescido no doente anticoagulado. Considera-se, contudo, que mesmo nestes doentes será preferível fazer anticoagulação; este risco será minimizado com o uso de heparina de baixo peso molecular. As excepções a esta orientação são as metástases de melanoma e carcinoma de células renais que têm um maior potencial de hemorragia.

paraneo img 31 180x180 - Síndromes Paraneoplásicas

Síndromes Paraneoplásicas

As síndromes paraneoplásicas são um conjunto heterogéneo de quadros clínicos que têm em comum relacionarem-se com uma neoplasia, não sendo provocadas por invasão local desta nem por metástases. Resultam antes de um de dois mecanismos principais: mediados por hormonas ou citoquinas produzidas pelas células neoplásicas, ou mediados por mecanismo imunológico.
A síndrome paraneoplásica acompanha a evolução da neoplasia. Pode preceder o seu diagnóstico (sendo forma de apresentação) ou a recorrência. O tratamento eficaz da neoplasia pode resultar num controlo efectivo da síndrome paraneoplásica; no entanto, pode adquirir autonomia em relação à própria neoplasia com a qual se relaciona, especialmente nos casos em que o mecanismo é imunomediado (podendo também ser resistente a outras terapêuticas utilizadas em situações análogas, mas não relacionadas com neoplasia).

764780 180x180 - SÍNDROME DE LISE TUMORAL

SÍNDROME DE LISE TUMORAL

Não sendo uma complicação frequente é, no entanto, potencialmente letal.
Pode ocorrer em diversos tipos de tumor, mas principalmente naqueles que têm uma maior cinética celular como é o caso das leucemias agudas e linfomas de alto grau; com menor frequência há casos associados a tumores de células germinais ou de pequenas células do pulmão; pode surgir espontaneamente ou com o início da quimioterapia.
Com a morte celular são libertadas para o sangue uma série de substâncias contidas na célula: aniões, catiões e produtos da degradação metabólica de proteínas e ácidos nucleicos São normalmente excretados (principalmente pelo rim), mas em situações de catabolismo excessivo podem ultrapassar a normal capacidade de excreção.

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Tratamento (Metástases Ósseas)

– Analgesia – o controlo da dor deve ser imediato podendo incluir os três escalões analgésicos. O uso de AINEs e corticóides está frequentemente indicado.
– RT – é usada para o controlo de dor (irradiando-se o segmento ósseo sintomático) ou com a intenção de prevenir uma eventual fractura óssea. Em cerca de 85% dos casos verifica-se pelo menos alguma melhoria da dor e em 50% dos casos um controlo completo; a resposta é rápida (1 a 2 semanas), não sendo previsível obter mais benefício se ele não se registar até às 6 semanas.
– Quimioterapia ou hormonoterapia – o controlo da evolução das metástases e dos sintomas passa pelo uso de terapêutica sistémica dirigida à doença neoplásica: quimioterapia e/ou hormonoterapia (nos casos do carcinoma da mama e da próstata; respostas duradouras obtêm-se com este último tipo de terapêutica).
– Bisfosfonatos – são um recurso terapêutico regularmente utilizado no controlo analgésico, na prevenção/redução de eventos ósseos (fracturas, dor, necessidade de RT). Se o seu uso é consensual nos casos de mieloma múltiplo ou de carcinoma da mama. já o seu lugar na calendarização terapêutica é mais difícil de determinar noutras patologias; de qualquer forma, em praticamente todas elas está demonstrada a sua utilidade. Com esta finalidade, estão actualmente disponíveis os seguintes bisfosfonatos: clodronato, ibandronato, pamidronato e ácido zoledrónico.
– Radioisótopos – a terapêutica com radioisótopos (estrôncio ou samário) é pontual, reservando-se habitualmente para a falência de outras terapêuticas.
– Cirurgia – a indicação de terapêutica cirúrgica é muito pontual quer para ressecção da lesão com intenção “curativa” (situações excepcionais em que a lesão óssea é única e em que não se identificam outras metástases noutros órgãos; depende também do tipo de neoplasia), quer para prevenção de complicações como é o caso de determinadas lesões da coluna vertebral que provocam instabilidade desta ou em lesões líticas com risco de fractura eminente em ossos de sustentação, como é o caso do fémur).

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Diagnóstico (Compressão Medular)

Os sintomas mais frequentes são:
– Dor sobre o corpo vertebral e/ou dor radicular.
– Uma dor surgida de novo deve justificar uma avaliação por imagem, para a excluir ou identificar precocemente o risco de compressão.
– A diminuição da força (mais tardia), a alteração da sensibilidade, alterações dos reflexos osteotendinosos ou dos esfíncteres (que podem evoluir rapidamente em dias ou, por vezes, em horas) deverão obrigar a uma avaliação imediata e tratamento de eventual compressão medular. Habitualmente o exame mais usado é a TC do segmento suspeito, mas a RM permite uma melhor definição bem como a identificação de eventuais outros níveis de compressão.

Bypass 31 180x180 - Síndrome da Veia Cava Superior

Síndrome da Veia Cava Superior

A veia cava é um vaso de paredes finas que atravessa o mediastino e pode ser por isso sujeita a compressão. As causas mais frequentes são os tumores do pulmão (muitas vezes carcinoma de pequenas células) ou linfomas. Associada ou não à compressão, pode haver trombose – no contexto de estado de hipercoagulação, como acontece em diversas neoplasias, ou associada a cateter venoso central.

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Tratamento (Derrame Pericárdico)

A terapêutica passa pelo reequilíbrio hemodinâmico e pericardiocentese. Nas neoplasias quimiossensíveis, a quimioterapia pode resolver o derrame. Em situações de recidiva pode ser necessária uma intervenção cirúrgica que consiste no estabelecimento de uma janela pericárdica (pericardiostomia subxifoideia) para drenagem e eventual pericardiocentese com citotóxicos ou outros agentes esclerosantes (que não o talco); outra alternativa cirúrgica é o estabelecimento de uma janela pleuropericárdica.

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Ascite

Complicação frequente nos casos de tumores primários da cavidade abdominal, em particular do ovário ou do aparelho gastrintestinal; não raro também se observa nos tumores da mama ou em tumores de origem indeterminada. O seu diagnóstico agrava significativamente o prognóstico do doente, mas há casos, como na neoplasia do ovário (ou em mulheres sem primário definido e com ascite como forma de doença exclusiva), em que o prognóstico é mais favorável. O seu aparecimento relaciona-se com a existência de carcinomatose peritoneal.

Hepaticfailure 1 180x180 - Diagnóstico (Ascite)

Diagnóstico (Ascite)

O diagnóstico é feito com base nos achados bioquímicos do líquido e na identificação de células neoplásicas. Na ascite neoplásica, o critério de exsudado/transudado não parece ser muito útil. As características bioquímicas que favorecem o diagnóstico são: gradiente albumina soro/ascite inferior a 1,1 g/dl (isto é, a diferença de concentração da albumina entre o soro e o líquido ascítico não deve ser superior a 1,1); glucose inferior a 50 mg/dl (sugere neoplasia mas pode também ser observado em quadros infecciosos); um valor de DHL na ascite superior ao valor sérico (sugere neoplasia mas não tão fortemente como no líquido pleural). A pesquisa de células neoplásicas é muitas vezes difícil – exige quantidades significativas de líquido ascítico para observação (1 L), rápida avaliação pelo citologista e, não raro, necessidade de repetir a colheita; em rigor, é a sua positividade que faz o diagnóstico definitivo.

Febre falsa 1 180x180 - Febre (Complicações Tromboembólicas no doente oncológico)

Febre (Complicações Tromboembólicas no doente oncológico)

A febre pode ocorrer no doente oncológico como manifestação de infecção ou apenas da própria neoplasia. Para se estabelecer este último diagnóstico – febre neoplásica – é necessário excluir infecção. Algumas vezes pode ser resistente à habitual terapêutica com paracetamol, mas frequentemente responde a AINEs (naproxeno ou indometacina, por exemplo); aliás, a terapêutica com estes últimos pode constituir uma prova diagnostica.
Como sinal de infecção há que distinguir dois contextos: com e sem neutropenia. Como qualquer outro, o doente oncológico pode desenvolver quadros infecciosos, relacionados ou não com a patologia primitiva. São exemplos de quadros relacionados com a patologia primitiva, quadros de colangite em tumores das vias biliares ou pâncreas, de infecção respiratória em tumores do pulmão com obstrução brônquica ou de infecção urinária em tumores do urotélio ou fístula enterovesical. Os quadros infecciosos não relacionados com o tumor primário deverão ser tratados como nos demais doentes, enquanto os que resultam de quadros obstrutivos ou fistulosos carecem, quando possível, também de resolução dos mesmos.
Os doentes com neutropenia pós-quimioterapia têm uma abordagem específica.