medula ossea research 180x180 - Transplantação

Transplantação

A transplantação de medula óssea foi introduzida como modalidade terapêutica nas leucemias agudas e aplasias medulares nos anos 60; actualmente, o seu âmbito de aplicação expandiu-se a outras patologias e deverá ser conhecida como transplantação de células progenitoras hematopoiéticas; na realidade, trata-se da infusão por via e.v. de células com potencial progenitor da hematopoiese normal, qualquer que seja a sua origem (sangue periférico, medula, cordão umbilical).
A decisão de propor um transplante de progenitores hematopoiéticos deve ser tomada em centros especializados. Os dadores são classicamente os irmãos compatíveis no sistema HL A (human leukocyte antigen), mas actualmente um número crescente de transplantes alogénicos faz-se recorrendo a dadores não relacionados registados em “bancos de medula”; com o número actual de dadores voluntários registados a nível mundial é possível encontrar um dador para a maior parte dos doentes.

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Citostáticos

A actividade dos citostáticos relaciona-se com o seu efeito sobre o ciclo celular. Alguns têm efeito específico sobre determinada fase do ciclo, outros não são específicos.
—> Agentes específicos de fase – na fase GO (fase de repouso) a maior parte das células são refractárias a qualquer terapêutica:
• Fase G1 (síntese proteica e de RNA) – L-aspariginase e terapêuticas antisense.
• Fase S (síntese de DNA) – antimetabolitos, campotecinas, procarbazina e hidroxiureia.
• Fase G2 (persiste síntese de proteínas e RNA; síntese dos precursores microtubulares do fuso mitótico) – bleomicina, alcalóides da vinca e taxanos.
• Fase M (mitose) – alcalóides da vinca e taxanos.
—> Agentes não específicos de fase – actuam em qualquer fase do ciclo das células em divisão (alquilantes, platinos, inibidores de sinalização, trastuzumab) ou sobre as células que não estão em divisão (esteróides, antibióticos antitumorais). De forma geral, os agentes não específicos de fase têm uma curva de dose-resposta linear, ou seja, quanto maior a dose, maior a taxa de células tumorais mortas.

sincrociclotroni protonterapie tavoli posizionamento robotizzati 70440 125603 180x180 - Protonterapia

Protonterapia

Os protões são uma forma de radiação com partículas, cujas possibilidades de uso clínico têm sido investigadas nos últimos anos. Os protões são administrados da mesma forma que os fotões e electrões, mas os equipamentos utilizados são ainda bastante complexos para uma utilização clínica de rotina, embora o número da aparelhos instalados esteja a aumentar de forma significativa. As áreas clínicas em que a protonterapia tem sido usada com resultados promissores são os tumores uveais, sarcomas da base do crânio e carcinomas da próstata, estando em curso estudos da sua aplicação em tumores de pulmão de não pequenas células, hepatomas e tumores dos seios perinasais.

FOOTO ELCIMAR NEVES ACELERADOR LINEAR 180x180 - TC Simulador

TC Simulador

A simulação com TC utiliza um aparelho de TC com software de localização e simulação virtual e sistema de lasers para posicionamento do doente. O sistema permite obter informação tridimensional relativa à anatomia do doente, delinear o tumor e outras estruturas, determinar um volume alvo para o tratamento, efectuar marcações de referência na pele do doente, simular e modificar os campos de irradiação, produzir e imprimir radiografias reconstruídas digitalmente. Usando software de reconstrução 3D, os campos podem ser visualizados na superfície cutânea através de sistemas de lasers móveis. Este método é superior à simulação convencional, tirando partido de um sistema de simulação geométrica.
A simulação virtual é inteiramente baseada na anatomia individual. E uma simulação volumétrica, que tem em conta cada curva e cada ângulo do indivíduo. A informação é completa e precisa relativamente ao tamanho, localização e posição de qualquer estrutura anatómica. O tumor pode ser delimitado com exactidão e o feixe de tratamento orientado para o seu centro. A dependência nas características individuais de cada doente estabelece este método como uma ferramenta essencial para a RT conformacional, permitindo minimizar o volume de tecido normal tratado.
A simulação com TC permite uma avaliação detalhada da anatomia interna, com a vantagem acrescida de possibilitar uma visualização mais avançada da extensão tumoral.
Através de ferramentas específicas, os dados obtidos com TC podem ser associados aos obtidos com RM, PET ou SPECT, para visualização morfológica e funcional.

oncologia 180x180 - Complicações

Complicações

Podem ser decorrentes do tratamento (condicionamento) com quimioterapia de alta dose ou RT (geralmente agudas e precoces), da DECH (doença do enxerto contra hospedeiro), na transplantação alogénica (resultante da aloreactividade de linfócitos competentes do dador sobre antigénios do organismo do receptor) e da imunossupressão de longa duração. Na transplantação autóloga, a mortalidade é de 0 a 5%, aumentando proporcionalmente ao grau de disparidade receptor-dador na transplantação alogénica.
– Infecciosas – as precoces são geralmente decorrentes da neutropenia e devem-se a infecções bacterianas ou fúngicas; tardiamente e decorrentes da imunossupressão de DECH e de fármacos, há causas virais (CMV – Citomegalovirus) e fúngicas (Pneumocystis).
– DECH – é a causa mais frequente de morte do doente transplantado e a complicação mais importante da transplantação alogénica; as formas agudas (até 100 dias) têm manifestações na pele, intestino e fígado; as formas crónicas simulam doenças auto-imunes e têm manifestações nas mucosas e pele.
– Hepáticas – a doença veno-oclusiva é rara (1-5% dos casos), mas pode ser grave e fatal.
– Pulmão – a pneumonite intersticial ou bronquiolite obliterante podem complicar a transplantação (relacionadas com quimio e RT).

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Braquiterapia

Braquiterapia é a designação empregue para um tratamento no qual a fonte de radiação é colocada em contacto com o tumor. Na RT externa ou teleterapia a fonte está a 80 a 100 cm do doente. Os isótopos radioactivos mais usados actualmente são o césio (Cs), ouro (Au) e irídio (Ir). Estes isótopos têm semividas curtas e emitem radiação de baixa energia, o que facilita os processos de radioprotecção.
Os tratamentos de braquiterapia, também designados implantes, podem ser temporários ou permanentes. Os implantes temporários usam nuclídeos com semividas e energias mais elevadas, relativamente aos implantes permanentes. As fontes radioactivas estão disponíveis em várias formas de acordo com a técnica de aplicação: agulhas (implantes intersticiais temporários), sementes e fitas (implantes intersticiais permanentes ou implantes intracavitários ou endoluminais temporários). Dependendo da aplicação, podem ser usados nuclídeos com taxas de dose diferentes. Implantes com baixa (Cs-137: lcGy/min ou alta taxa de dose (Ir-192: lOOcGy/min) são tipicamente usados com técnicas de carga diferida (afterloading) em implantes temporários de curta duração (horas a dias).
Todas as fontes para implantes temporários são inseridas dentro de cateteres colocados dentro ou na proximidade do tumor numa pequena intervenção sob anestesia geral ou locorregional. Os cateteres são primeiro preenchidos por material inerte para simulação do tratamento e dosimetria. Após decisão sobre a taxa de dose e distribuição das fontes activas, o implante é carregado num local onde o doente está isolado. A carga de material radioactivo pode ser manual nos implantes de baixa taxa de dose. No caso da alta taxa de dose, a carga é sempre remota, usando sistemas de aplicação mecânicos ligados aos cateteres através de conectores específicos. Os dados do implante (número de fontes, tempo de circulação e permanência) são programados na unidade de controlo, que apenas é activada quando o doente está sozinho, minimizando assim os riscos de exposição profissional. .
Implantes intersticiais de baixa taxa de dose são usados em tumores da cavidade oral, orofaringe, sarcomas e próstata. Implantes intracavitários de baixa taxa de dose são habitualmente usados em aplicações ginecológicas (cancro do útero). A alta taxa de dose é usada com maior frequência nos tumores do fundo da vagina, esófago, pulmão, próstata e mama. A maioria dos tratamentos com alta taxa de dose podem ser efectuados em ambulatório ou com internamento de muito curta duração (1-3 dias).

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Aparelhos de Tratamento

Os equipamentos usados para administração dos tratamentos são por excelência os aceleradores lineares. Estes podem também ser designados genericamente por aparelhos de teleterapia de megavoltagem. Neles são produzidos feixes de electrões de alta energia, que podem ser utilizados directamente ou transformados internamente em feixes de fotões.

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Indicações (Transplantação)

– Doenças não malignas – aplasia medular, talassemia ou drepanocitose, doenças auto-imunes, imunodeficiências, doenças metabólicas.
– Doenças malignas – leucemias agudas e crónicas, linfomas, mielomas, mielodisplasia, doenças mieloproliferativas, alguns tumores sólidos.

como funcionan los antibioticos 1 0 180x180 - Inibidores de Tirosina Quinases

Inibidores de Tirosina Quinases

—> Dirigidos ao bcr-abl e c-kit – o imatinib foi a primeira destas novas moléculas a ser utilizada; o seu mecanismo de acção é paradigmático da especificidade destas moléculas: inibe a transdução de sinal inibindo a mensagem para divisão celular enviada a partir da tirosina quinase anormal codificada pelo gene de fusão bcr-abl (alteração resultante da translocação 9;22 ou cromossoma Filadélfia); inibe também outras tirosinas quinases; como já referido, usa-se na leucemia mielóide crónica e no GIST.
O dasatinib é um inibidor múltiplo de tirosina quinases; usa-se na leucemia mieloide crónica.
– Dirigidos ao EGFR {epidermal growth factor receptor) – o erlotinib actua por inibição da autofosforilação do EGFR; utilizado no carcinoma de não pequenas células do pulmão e no pâncreas. O gefitinib bloqueia reversivelmente o EGFR e tem sido usado no carcinoma de não pequenas células do pulmão.
Já o lapatinib tem um mecanismo duplo: inibe reversivelmente quer o EGFR, quer o HER2; tem sido usado (em associação a quimioterapia) no carcinoma da mama HER2+metastático.
– Inibidores do VEGF (vascular endothelial growth factor) – o sunitinib é um inibidor de diversos receptores de tirosina quinases, do qual resulta um efeito sobre o crescimento tumoral, a angiogénese e a progressão metastática; tem sido utilizado no carcinoma de células renais, bem como no GIST. O sorafenib é um inibidor multiquinase a partir do qual resulta uma provável inibição da angiogénese; utiliza-se no carcinoma de células renais e no carcinoma hepatocelular.

Radioterapia 180x180 - Tratamento Conformacional

Tratamento Conformacional

Utilizando as imagens de TC no planeamento, em conjunto ou não com fusão com outros exames, é possível delimitar com precisão o volume a tratar e os órgãos sãos adjacentes.
Esta delimitação de volumes permite planear a melhor configuração possível dos campos de tratamento, combinando vários campos com incidências diversas e com a forma mais adequada, de forma a minimizar a irradiação fora do volume a tratar. O tratamento efectuado usando estes pressupostos de conformação dos campos de tratamento em conjunto com uma dosimetria detalhada do volume dos órgãos incluídos é designada por RT conformacional. Por vezes, é adicionada a sigla 3D para reforçar o facto de todo o processo de planeamento e dosimetria ter em conta todos os tecidos incluídos no tratamento e a dose global nos seus respectivos volumes.
As doses de tolerância dos diversos órgãos variam com o volume de facto irradiado, pelo que este modelo de tatamento permite reconhecer facilmente quais os riscos de provocar complicações e assim adequar o tratamento ao caso a tratar, reduzindo as doses totais ou, idealmente, procurando configurações e formas de campos mais adequadas, optimizando todos os factores do tratamento. Na maioria dos casos, havendo maiores certezas relativamente à localização tumoral, é possível reduzir as margens de tratamento com segurança e assim conseguir administrar doses de radiação mais elevadas sem maior risco de complicações.