0010545058N 1920x1280 180x180 - Citostáticos

Citostáticos

A actividade dos citostáticos relaciona-se com o seu efeito sobre o ciclo celular. Alguns têm efeito específico sobre determinada fase do ciclo, outros não são específicos.
—> Agentes específicos de fase – na fase GO (fase de repouso) a maior parte das células são refractárias a qualquer terapêutica:
• Fase G1 (síntese proteica e de RNA) – L-aspariginase e terapêuticas antisense.
• Fase S (síntese de DNA) – antimetabolitos, campotecinas, procarbazina e hidroxiureia.
• Fase G2 (persiste síntese de proteínas e RNA; síntese dos precursores microtubulares do fuso mitótico) – bleomicina, alcalóides da vinca e taxanos.
• Fase M (mitose) – alcalóides da vinca e taxanos.
—> Agentes não específicos de fase – actuam em qualquer fase do ciclo das células em divisão (alquilantes, platinos, inibidores de sinalização, trastuzumab) ou sobre as células que não estão em divisão (esteróides, antibióticos antitumorais). De forma geral, os agentes não específicos de fase têm uma curva de dose-resposta linear, ou seja, quanto maior a dose, maior a taxa de células tumorais mortas.

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Indicações (Transplantação)

– Doenças não malignas – aplasia medular, talassemia ou drepanocitose, doenças auto-imunes, imunodeficiências, doenças metabólicas.
– Doenças malignas – leucemias agudas e crónicas, linfomas, mielomas, mielodisplasia, doenças mieloproliferativas, alguns tumores sólidos.

como funcionan los antibioticos 1 0 180x180 - Inibidores de Tirosina Quinases

Inibidores de Tirosina Quinases

—> Dirigidos ao bcr-abl e c-kit – o imatinib foi a primeira destas novas moléculas a ser utilizada; o seu mecanismo de acção é paradigmático da especificidade destas moléculas: inibe a transdução de sinal inibindo a mensagem para divisão celular enviada a partir da tirosina quinase anormal codificada pelo gene de fusão bcr-abl (alteração resultante da translocação 9;22 ou cromossoma Filadélfia); inibe também outras tirosinas quinases; como já referido, usa-se na leucemia mielóide crónica e no GIST.
O dasatinib é um inibidor múltiplo de tirosina quinases; usa-se na leucemia mieloide crónica.
– Dirigidos ao EGFR {epidermal growth factor receptor) – o erlotinib actua por inibição da autofosforilação do EGFR; utilizado no carcinoma de não pequenas células do pulmão e no pâncreas. O gefitinib bloqueia reversivelmente o EGFR e tem sido usado no carcinoma de não pequenas células do pulmão.
Já o lapatinib tem um mecanismo duplo: inibe reversivelmente quer o EGFR, quer o HER2; tem sido usado (em associação a quimioterapia) no carcinoma da mama HER2+metastático.
– Inibidores do VEGF (vascular endothelial growth factor) – o sunitinib é um inibidor de diversos receptores de tirosina quinases, do qual resulta um efeito sobre o crescimento tumoral, a angiogénese e a progressão metastática; tem sido utilizado no carcinoma de células renais, bem como no GIST. O sorafenib é um inibidor multiquinase a partir do qual resulta uma provável inibição da angiogénese; utiliza-se no carcinoma de células renais e no carcinoma hepatocelular.

Radioterapia 180x180 - Tratamento Conformacional

Tratamento Conformacional

Utilizando as imagens de TC no planeamento, em conjunto ou não com fusão com outros exames, é possível delimitar com precisão o volume a tratar e os órgãos sãos adjacentes.
Esta delimitação de volumes permite planear a melhor configuração possível dos campos de tratamento, combinando vários campos com incidências diversas e com a forma mais adequada, de forma a minimizar a irradiação fora do volume a tratar. O tratamento efectuado usando estes pressupostos de conformação dos campos de tratamento em conjunto com uma dosimetria detalhada do volume dos órgãos incluídos é designada por RT conformacional. Por vezes, é adicionada a sigla 3D para reforçar o facto de todo o processo de planeamento e dosimetria ter em conta todos os tecidos incluídos no tratamento e a dose global nos seus respectivos volumes.
As doses de tolerância dos diversos órgãos variam com o volume de facto irradiado, pelo que este modelo de tatamento permite reconhecer facilmente quais os riscos de provocar complicações e assim adequar o tratamento ao caso a tratar, reduzindo as doses totais ou, idealmente, procurando configurações e formas de campos mais adequadas, optimizando todos os factores do tratamento. Na maioria dos casos, havendo maiores certezas relativamente à localização tumoral, é possível reduzir as margens de tratamento com segurança e assim conseguir administrar doses de radiação mais elevadas sem maior risco de complicações.

0010545058N 1920x1280 180x180 - Histologia e Grau de Diferenciação

Histologia e Grau de Diferenciação

A definição do tipo histológico e o grau de diferenciação são duas das características melhor estudadas e que há mais tempo vêm sendo utilizadas. A abordagem terapêutica de um adenocarcinoma do estômago (o padrão largamente dominante de neoplasia gástrica) pode ser substancialmente diferente de um GIST (gastrointestinal stromal tumor) ou de um linfoma gástrico. Num mesmo tipo histológico, o grau de diferenciação (habitualmente chamado Gl, G2 ou G3, conforme se trata de tumor bem diferenciado, moderadamente diferenciado ou pouco diferenciado) pode fazer a diferença em determinada opção terapêutica e no prognóstico global; na próstata utiliza-se o score de Gleason (índice de diferenciação específico do carcinoma da próstata) e é um factor de prognóstico e de decisão terapêutica determinante.

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Protonterapia

Os protões são uma forma de radiação com partículas, cujas possibilidades de uso clínico têm sido investigadas nos últimos anos. Os protões são administrados da mesma forma que os fotões e electrões, mas os equipamentos utilizados são ainda bastante complexos para uma utilização clínica de rotina, embora o número da aparelhos instalados esteja a aumentar de forma significativa. As áreas clínicas em que a protonterapia tem sido usada com resultados promissores são os tumores uveais, sarcomas da base do crânio e carcinomas da próstata, estando em curso estudos da sua aplicação em tumores de pulmão de não pequenas células, hepatomas e tumores dos seios perinasais.

Radioterapia 180x180 - Radioterapia

Radioterapia

A RT (radioterapia) é uma das modalidades fundamentais no tratamento do cancro, sendo uma especialidade multifacetada. A sua prática decorre das ciências médicas e, mais especificamente, do conhecimento amplo da oncologia. Está claramente associada a outras ciências com amplo desenvolvimento, como são a Física (das radiações) e a (radio)Biologia. Tendo já decorrido mais de 100 anos desde a descoberta da radioactividade, e mais de meio século desde o início da sua aplicação clínica sistematizada, a RT é ainda uma especialidade insuficientemente divulgada em Portugal, e por vezes ignorada, não obstante ser um dos pilares no manuseamento do cancro.
Por definição, RT é o uso controlado de radiações ionizantes para fins terapêuticos, principalmente de neoplasias malignas. As radiações dizem-se ionizantes por levarem à formação de iões nos meios sobre os quais incidem, induzindo modificações mais ou menos importantes nas moléculas nativas.
Apesar de a administração transcutânea – RT externa – ser a que é vulgarmente identificada com esta especialidade, existem outras formas de administrar radiações ionizantes: RT intracavitária e endoluminal (as fontes radioactivas são colocadas em cavidades naturais no organismo (por exemplo, útero, esófago); RT intersticial (as fontes radioactivas são introduzidas de forma cruenta nos tecidos (por exemplo, língua, Iábio, pele); plesioterapia (as fontes radioactivas são simplesmente colocadas sobre as lesões (por exemplo, lesões superficiais da pele ou mucosas).
Mesmo a RT externa sofreu modificações dramáticas desde os raios X de baixas energias (até 400 kVp), passando pela radiação gama do Cobalto-60, até aos raios X de energias entre 4 e 25 MV, produzidos pelos modernos aceleradores lineares. Estes feixes de radiação electromagnética e o uso de feixes de electrões permitem administrar doses terapêuticas em volumes muito precisos.

30 5 2012 9 36 23crianca cancer 180x180 - Classificação TNM

Classificação TNM

O American Joint Committee on Câncer (AJCC) e a Union Internationale Contre le Câncer (UICC) estabeleceram uma classificação baseada no pressuposto de que tumores na mesma localização anatómica (órgão) e com o mesmo tipo de histologia terão uma história natural semelhante. Esta classificação – TNM – baseia-se nos três grandes passos na evolução do tumor: o crescimento local do tumor (“T”), o envolvimento de gânglios linfáticos do território de drenagem (“N”) (lymph node) e, finalmente, a presença de metástases (“M”).
Para cada órgão definem-se especificações para T ou N; no caso de “M” há apenas duas alternativas – presença ou ausência de metástases (M1 ou M0).
Das diferentes combinações de T, de N e de M é possível definir diferentes estádios da doença. A definição dos estádios é também específica de cada órgão.
A classificação TNM refere-se à que se obtém com base no exame físico e nos meios auxiliares de diagnóstico – estádio clínico; a mesma classificação TNM pode ser modificada com base nos achados anatomopatológicos e é designada de pTNM (estádio patológico).
O estádio clínico conduz à abordagem terapêutica inicial, enquanto o estádio patológico condiciona uma eventual terapêutica adjuvante bem como uma melhor definição do prognóstico. A classificação TNM permite ainda agrupar os doentes de forma a, retrospectiva e prospectivamente, avaliar e comparar evoluções da doença e, particularmente, o impacto de diferentes terapêuticas.
Na maioria dos tumores segue-se a classificação TNM mas em algumas situações utilizam-se outras classificações. É o caso da classificação FIGO (international federation of gynecology and obstetrics) para neoplasias do aparelho ginecológico (aliás já correntemente com a correspondência com o TNM) ou de doenças hemato-oncológicas como, por exemplo, os linfomas que seguem uma classificação própria (por exemplo, estadiamento de Ann Arbor).

30 5 2012 9 36 23crianca cancer 180x180 - Avaliação de resposta e sobrevivência

Avaliação de resposta e sobrevivência

Num doente submetido a uma terapêutica de intenção curativa (por exemplo, cirurgia), o parâmetro de eficácia é o tempo de sobrevivência – o tempo que decorre entre o final da intervenção terapêutica e a morte do doente; por vezes pode também interessar conhecer a sobrevivência livre de recorrência – o intervalo de tempo que decorre entre o final da intervenção terapêutica e a recidiva da doença. Igualmente importante é a avaliação de eventuais sequelas da(s) terapêutica(s) instituída(s).
Já na doença metastática, a avaliação da resposta à terapêutica (habitualmente consistindo na terapêutica citotóxica) inclui outros parâmetros de eficácia. Também nesta situação dever-se-ão ter em conta as toxicidades ocorridas, bem como as implicações sobre a qualidade de vida (QoL, quality of life) – para estas alterações existem escalas que permitem quantificar as alterações verificadas.
Na doença metastática é habitual classificar as repostas à terapêutica da seguinte forma:
—> Resposta completa – desaparecimento de toda a doença conhecida.
—> Resposta parcial – redução em mais de 50% da doença conhecida.
—> Doença estável – redução ou aumento da doença inferior a 10% (segundo alguns critérios até 25%).
—> Progressão da doença – aumento da doença superior a 25%.
Habitualmente, a avaliação da resposta é feita com base em exames de imagem e documentando as variações das dimensões do tumor ou das metástases; ao longo dos anos tem havido evolução nos critérios utilizados (o que medir, como medir e como definir a resposta), sendo actualmente seguidos os critérios RECIST {response evaluation criteria in solid tumors).
Na sequência da avaliação dimensional da resposta estabelecem-se em seguida outros parâmetros;
—> Tempo livre de recorrência (DFS – disease free survival) – definido como o tempo que decorre entre a resposta completa e a recidiva da doença.
—> Tempo livre de progressão (PFS – progression free survival) o tempo que decorre entre a resposta verificada (completa, parcial ou estável) e a documentação de progressão da doença.
A sobrevivência global consiste no intervalo de tempo que decorre entre uma intervenção (terapêutica ou diagnostica) e a morte; pode ser expressa na prática como a mediana de sobrevivência ou sobrevivência a 5 anos.
O registo de todos estes índices é importante quer na avaliação e decisão terapêutica de cada doente considerado individualmente quer no contexto de ensaios clínicos em que se procura avaliar a utilidade de determinada intervenção terapêutica.

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Complicações

Podem ser decorrentes do tratamento (condicionamento) com quimioterapia de alta dose ou RT (geralmente agudas e precoces), da DECH (doença do enxerto contra hospedeiro), na transplantação alogénica (resultante da aloreactividade de linfócitos competentes do dador sobre antigénios do organismo do receptor) e da imunossupressão de longa duração. Na transplantação autóloga, a mortalidade é de 0 a 5%, aumentando proporcionalmente ao grau de disparidade receptor-dador na transplantação alogénica.
– Infecciosas – as precoces são geralmente decorrentes da neutropenia e devem-se a infecções bacterianas ou fúngicas; tardiamente e decorrentes da imunossupressão de DECH e de fármacos, há causas virais (CMV – Citomegalovirus) e fúngicas (Pneumocystis).
– DECH – é a causa mais frequente de morte do doente transplantado e a complicação mais importante da transplantação alogénica; as formas agudas (até 100 dias) têm manifestações na pele, intestino e fígado; as formas crónicas simulam doenças auto-imunes e têm manifestações nas mucosas e pele.
– Hepáticas – a doença veno-oclusiva é rara (1-5% dos casos), mas pode ser grave e fatal.
– Pulmão – a pneumonite intersticial ou bronquiolite obliterante podem complicar a transplantação (relacionadas com quimio e RT).