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Amoebic dysentery in colon biopsy 1 180x180 - Microsporidiose

Microsporidiose

Microsporidiae são parasitas intracelulares obrigatórios, considerados por alguns autores mais próximos dos fungos do que dos protozoários, que podem infectar virtualmente todas as espécies de vertebrados e invertebrados. Podem reproduzir-se por esporogonia ou merogonia, resultando num grande números de esporos intracelulares que rompem a célula infectada, libertando-se e gerando, em pouco tempo, elevadas cargas parasitárias. As espécies mais relevantes no doente imunodeprimido são Encephalitozoon intestinalis, Enterocytozoon bieneusi e Trachipleistophora spp. (sobretudo T. hominis e T. anthropophthera).
Os esporos podem ser adquiridos por ingestão de água ou alimentos contaminados ou inalação. O estado de portador assintomático entérico pode ser muito frequente, possibilitando a ocorrência de doença em indivíduos com disfunção imunitária grave (contagens de CD4 <50 células/mm3). Em Portugal, a microsporidiose pode ser responsável por até 30% dos casos de diarreia crónica em doentes com infecção por VIH.


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medicamentos 4 180x180 - Tratamento (Toxoplasmose)

Tratamento (Toxoplasmose)

Para além do tratamento específico da PPJ, a TARV deve ser iniciada tão precocemente quanto possível.
– Esquema preferencial – pirimetamina, 200 mg, p.o., no dia 1 e depois 75 mg p.o./dia (doentes com <50 kg) ou 50 mg p.o./dia (>50 kg), associado a sulfadiazina, 1500 mg a 2000 mg, p.o. 6/6 horas durante, pelo menos, 6 semanas. Deve-se associar o ácido folínico, 15 mg/dia, durante todo o tratamento.
– Esquemas alternativos – em doentes intolerantes ou sem resposta ao tratamento mas nos quais a suspeita clínica seja razoável, pode-se utilizar:
• Pirimetamina, no mesmo esquema posológico, com clindamicina 450 mg 6/6 horas p.o. ou 600-900 mg e.v. 6/6 horas durante, pelo menos, 6 semanas, associados ao ácido folínico.
• Co-trimoxazol, na dose de 10 mg/kg/dia de TMP, p.o. ou e.v., dividida em 3-4 tomas, durante 3 meses, seguida de mais 3 meses com metade da dose inicial.
Este esquema foi estudado num número relativamente pequeno de doentes e a sua eficácia em casos graves pode ser inferior à dos regimes referidos atrás. No entanto, é o único que proporciona a possibilidade de um tratamento e.v. Nos casos graves, pode ser prudente associar a pirimetamina na fase inicial, se necessário por intermédio de sonda nasogástrica.
Dados provenientes de estudos não controlados permitem admitir a eficácia da atovaquona (1500 mg/2xdia, suspensão oral), associada quer à pirimetamina (ver esquema posológico), quer à sulfadiazina (idem), bem como da azitromicina (800-1200 mg/dia) associada à pirimetamina. A monoterapia com atovaquona não está recomendada, quer pela menor eficácia demonstrada, quer pela variabilidade existente na absorção deste fármaco. Em todos os casos, o tratamento deve ser prolongado duram pelo menos, 6 semanas.
Nos casos em que haja risco elevado ou evidência clínica e/ou imagiológica de hipertensão intracraniana ou herniação das estruturas cerebrais, deve associar-se dexametasona (4-5 mg 6/6 horas, e.v.), com redução progressiva da dose até à suspensão logo que a situação clínica o permita. No entanto, não foi comprovado o efeito desta intervenção sobre a mortalidade.

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Leishmaniose

A infecção por Leishmania donovani infantum é endémica em Portugal, sendo perpetuada em reservatórios animais (canídeos, roedores) e transmitida ao homem através da picada da fêmea de mosquitos do género Phlebotomus. O ciclo do parasita inicia-se no intestino do mosquito, que inocula as formas promastigotas no hospedeiro humano através da sua picada. Estas formas são captadas pelos macrófagos locais, onde evoluem para amastigotas. A migração dos macrófagos é responsável pela disseminação sistémica do parasita e pela forma visceral da doença, que se manifesta, sobretudo, ao nível dos órgãos do sistema reticuloendotelial (baço, fígado, medula óssea, intestino).
Em Espanha, no final da década de 90, foi estimado que 60% dos casos de leishmaniose visceral ocorriam em doentes com infecção por VIH. Há, no entanto, dados que permitem admitir uma redução desta elevada incidência com a introdução da TARV.

Grazi2703 180x180 - Criptosporidiose

Criptosporidiose

Causada por Cryptosporidium parvum parvum (parasita intracelular de várias espécies de vertebrados) e C. parvum hominis (apenas detectado em humanos). Os oocistos existentes no ambiente constituem uma forma não reprodutiva altamente resistente às condições ambientais, incluindo o tratamento com agentes clorados. A dose de oocistos necessária para originar infecção é baixa. A infecção é transmitida por veículo comum, geralmente através de alimentos ou água contaminada, incluindo a de piscinas.
A infecção é mais frequente nos meses quentes. O ciclo parasitário inicia-se no hospedeiro, sendo os trofozoítos e os merontes as formas do ciclo assexuado detectáveis nas células do epitélio intestinal. Os merozoítos libertados para o lume intestinal podem iniciar um ciclo sexuado produtor de novos oocistos, que podem manter a auto-infecção (oocistos de parede fina) ou ser disseminados para o ambiente através das fezes (oocistos de parede espessa). O Cryptosporidium pode ser o agente responsável em, pelo menos, 8% dos casos de diarreia em doentes com SIDA em Portugal.

ABAAAAnfMAD 0 180x180 - Diagnóstico (Toxoplasmose)

Diagnóstico (Toxoplasmose)

O diagnóstico etiológico definitivo da toxoplasmose do SNC exige o recurso a biopsia cerebral com demonstração dos taquizoítos no tecido cerebral, pelo que raramente é feito na prática. O diagnóstico provisório assenta na suspeita clínica, epidemiológica e imagiológica, e na demonstração de resposta à terapêutica medicamentosa dirigida e correctamente administrada, documentada por reavaliação imagiológica ao fim de 2-3 semanas de tratamento. A serologia (IgG) é positiva na maioria dos casos, mas a IgM raramente é positiva e a negatividade serológica não deve excluir o diagnóstico. O exame citoquímico do LCR pode revelar pleocitose ligeira e/ou aumento ligeiro da proteinorraquia, mas é normal na maioria dos casos. A utilização de PCR para toxoplasma a partir do LCR pode apoiar o diagnóstico clínico. O diagnóstico diferencial deve ter em conta as diferentes patologias oportunistas com envolvimento do SNC, particularmente o linfoma não Hodgkin e a TB. Para o diagnóstico das formas extrapulmonares, é necessária a demonstração de taquizoítos nos tecidos afectados.

Paludisme 180x180 - Diagnóstico (Microsporidiose)

Diagnóstico (Microsporidiose)

Detecção dos esporos nos produtos biológicos, geralmente nas fezes, através da coloração de azul tricromático modificada, uma vez que a microscopia electrónica de transmissão, considerada a referência para o diagnóstico, raramente está disponível e que esta coloração apresenta maior especificidade do que a imunofluorescência com anticorpos monoclonais.

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Infecções Parasitárias Associadas a SIDA

Apesar da disponibilidade de terapêutica anti-retroviral (TARV) com eficácia reconhecida na recuperação da função imunitária dos doentes com infecção por VIH (virus de imunodeficiência humana), as intercorrências infecciosas oportunistas, designadamente de etiologia parasitária, continuam a ser uma causa significativa de morbilidade e mortalidade nesta população. A abordagem do tratamento deste tipo de infecções tem evoluído na medida directa da sua relevância enquanto patologias intercorrentes, pelo que se justifica a sua actualização periódica.

Amoebic dysentery in colon biopsy 1 180x180 - Apresentação Clínica (Isosporiose)

Apresentação Clínica (Isosporiose)

No contexto da infecção por VIH, origina geralmente um quadro de diarreia subaguda ou crónica que se estabelece após um período de incubação de cerca de 1 semana. As dejecções são frequentes e as fezes líquidas a aquosas, podendo originar disenteria, associando-se, com frequência, a mal-estar geral, cólicas abdominais e perda de peso, mas raramente decorrendo com febre. Ao nível do intestino delgado há atrofia das vilosidades, hiperplasia das criptas e infiltrado inflamatório predominantemente eosinofílico da lamina própria. Quando arrastada, a doença pode condicionar síndrome de mal-absorção. Estão descritos casos raros de envolvimento extra-intestinal ao nível das vias biliares como causa de colecistite alitiásica.

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Prevenção das recidivas

Os esquemas são semelhantes para doentes com e sem PPJ prévia, podendo ser suspensos quando a contagem de CD4 atinja valores superiores a 200 células/mm3 (ou 14%) durante, pelo menos, 3 meses. Deve ser preferido o co-trimoxazol, p.o., na dose de 480 mg/dia ou 960 mg em dias alternados, podendo utilizar-se, em alternativa, a pentamidina em aerossol (300 mg cada 3-4 semanas), com vigilância da possibilidade de ocorrência de broncospasmo (utilizar broncodilatadores em nebulização, s.o.s.), ou a associação de dapsona (200 mg, p.o.) e pirimetamina (75 mg, p.o.), em toma única semanal, associados ao ácido folínico (15 mg/semana, na forma de folinato de cálcio).

cicloserina oral 180x180 - Regimes alternativos (Pneumocistose)

Regimes alternativos (Pneumocistose)

Em doentes intolerantes ao co-trimoxazol (até 30% de toxicidade durante o tratamento da doença aguda) ou com falência terapêutica sob este fármaco (ocorrendo em cerca de 10%), podem utilizar-se:
—> Associação da clindamicina (600-900 mg 6/6 ou 8/8 horas, p.o. ou e.v.) e primaquina (30 mg/dia, só disponível p.o.), durante 21 dias.
—> Associação de dapsona (100 mg/dia, p.o.) e TMP (20 mg/kg/dia, p.o.) durante 21 dias.
—> Atovaquona, suspensão oral, 750 mg p.o. 12/12 horas durante 21 dias.
Qualquer destes esquemas se relaciona com eficácia semelhante à do co-trimoxazol nos casos de pneumocistose moderada (e a associação de TMP/dapsona parece ser mais bem tolerada do que o co-trimoxazol), mas, possivelmente, com menor eficácia nos casos graves, nos quais a alternativa preferida deve ser a associação clindamicina e primaquina.
A pentamidina e.v. é, ainda, uma alternativa possível, mas de elevada toxicidade.