083-Servicios-Microbiologia

Na maioria das séries publicadas com base em dados microbiológicos originados em regiões temperadas, o Streptococcus pneumoniae (± 30%) é o agente mais frequente da PAC e aquele que causa, geralmente, doença mais grave. Tabagismo, idade superior ou igual a 65 anos, doença cardiovascular, renal, hepática ou neoplásica são factores de risco para S. pneumoniae. Outros agentes frequentemente envolvidos incluem;
– Haemophilus influenzae (5-11%), sobretudo na doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), bronquiectasias, insuficiência cardíaca (IC).
– Mycoplasma pneumoniae (17-22%), sobretudo nas PAC de gravidade ligeira a moderada, mais frequente nos doentes com menos de 50 anos.
– Staphylococcus aureus (10-15%), sobretudo no contexto de gripe ou outra infecção viral recente, diabetes, doença estrutural do pulmão, incluindo DPOC, utilizadores de drogas intravenosas, imunodeprimidos e doentes idosos com risco de aspiração.
– Chlamydophila pneumoniae (6-17%), sobretudo nos casos de gravidade ligeira a moderada.
– Moraxella catarrhalis, (1%) sobretudo em doentes idosos com DPOC e/ou bronquiectasias e doença cardíaca crónica.
– Legionella spp., ocorrendo por surtos, sobretudo nos meses quentes, relacionado com presença em ambientes com ar condicionado.
– Chlamydophila psittaci, em doentes com contacto com aves psitacídeas.
– Coxiella burnetii, sobretudo em doentes com exposição profissional (matadouros) ou convivendo com animais (cães, gatos, cavalos).
– Enterobacteriáceas, sobretudo em doentes com alcoolismo (Klebsiella pneumoniae), idosos com risco de aspiração.
– Pseudomonas aeruginosa, particularmente em doentes com doença pulmonar estrutural (bronquiectasias, por exemplo), antibioterapia com duração nos últimos 30 dias, corticoterapia crónica e desnutrição.
– Anaeróbios, sobretudo na pneumonia de aspiração (idosos acamados, alterações crónicas do estado de consciência, intoxicações).
– Vírus respiratórios, designadamente vírus Influenza, durante a estação da gripe. A pesquisa do Mycobacterium tuberculosis deve ser sempre efectuada nos grupos de maior risco, nos casos de apresentação subaguda ou crónica, quando haja falência da terapêutica ao fim de 14 dias ou queixas de sudação nocturna e/ou expectoração hemoptoica.
Nos doentes com infecção por VIH, a presença de hipoxemia grave (FiO2= 65%) em repouso, associada a dispneia de esforço e apresentação subaguda da PAC, devem fazer suspeitar de infecção por Pneumocystis jiroveci.

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