Bacteriuria pyuria 4 180x180 - Bacteriúria Assintomática

Bacteriúria Assintomática

Definida como uma cultura de urina com mais de 100000 cfu/ml num doente sem sintomas, ocorre em 6% das mulheres em geral, 18% das diabéticas, 7% das grávidas e 18% das mulheres acima dos 70 anos. Não há justificação para fazer por rotina culturas de urina em doentes sem sintomas, nem tão pouco fazê-las depois do tratamento com sucesso aparente da IU, com o objetivo de confirmar a cura. Uma bacteriúria assintomática só deve ser tratada:
– Na grávida, em que o risco de pielonefrite aguda sobe até aos 40% e aumenta a mortalidade fetal. Utilizar de preferência amoxicilina ou cefalosporina durante 7 a 15 dias, a que podemos associar um aminoglicósido nos casos graves de pielonefrite.
– Antes de uma intervenção urológica.
– Refluxo vesicoureteral grau III.
– Após remoção de uma algália.
Bacteriúrias assintomáticas no homem, no diabético ou no velho não devem ser tratadas.

SAM 5400 180x180 - Infeções Urinárias

Infeções Urinárias

Cerca de 60% das mulheres terão uma IU (infeção urinária) ao longo da sua vida. O diagnóstico de uma infeção urinária é por definição bacteriológico, começa no doente com sintomatologia urinária sugestiva pela observação a fresco de urina não centrifugada e pela obtenção de uma coloração pelo Gram de um esfregaço urinário. Mais de um microrganismo por campo com objetiva de imersão no esfregaço corado, mais de 8 a 10 leucócitos/ml contados com hemocitómetro vulgar, ou mais de 8 a 10 leucócitos por campo (400x) em urina centrifugada, têm em geral excelente correlação com uma contagem de colónias > 100000 colónias cfu/ml, tradicionalmente considerada a bacteriúria significativa. No entanto, contagens de 100 a 1000 cfu/ml, em geral relatadas como negativas pelo laboratório, podem indicar infeção em:
– Mulheres que se apresentam com disúria e piúria (síndrome uretral).
– Doente algaliado (menor tempo de incubação na bexiga).
– No homem em que há menos contaminação da amostra.
– Antibioterapia prévia.
Em doentes sintomáticos, considerar como significativas bacteriúrias entre 1000 a 10000 bactérias/ml aumenta a sensibilidade quase sem reduzir a especificidade.
A maioria das bactérias observadas no Gram são bacilos Gram-negativos; a presença de cocos Gram-positivos sugere o Staphylococcus saprophyticus ou Enterococcus, o que é uma orientação terapêutica preciosa.
Piúria significativa com bacteriologia negativa sugere:
– Microrganismos que não crescem nos meios convencionais como B.K., Chknmydia…; esta última diagnostica-se com cultura em meio específico ou por imunofluorescência direta; a serologia tem pouco interesse diagnóstico na infeção ativa.
– Antibioterapia prévia.
– Contaminação da amostra por solução antisséptica.
– Nefropatia intersticial crónica (analgésicos, por exemplo).
– Tumor ou litíase urinária.
A utilização de fitas reagentes no diagnóstico de IU detetam a esterase leucocitária como representante de piúria e nitritos representando bacteriúria. Nos doentes com sintomas, têm sensibilidade de 95% e especificidade de 75% e praticamente não têm falsos negativos; se são ambos negativos, esterase e nitritos, excluem IU com 99% de probabilidade, o que é útil no rastreio do doente sintomático; se são positivos, não dispensam a cultura.
A abordagem terapêutica da infeção urinária do adulto é facilitada pela sua classificação topográfica e conforme o contexto clinico em que ocorre.

infeccao urinaria 180x180 - Infeção Urinária Baixa

Infeção Urinária Baixa

Caracterizada por piúria, que pode ou não ser acompanhada de disúria, polaquiúria e urgência urinária.

urologia 180x180 - CANDIDÚRIA

CANDIDÚRIA

Há que distinguir a colonização urinária frequente em doentes algaliados, diabéticos ou após tratamentos prolongados com antibióticos, os quais apresentam um sedimento urinário apenas com corpos leveduriformes, em que o tratamento consiste apenas em mudar o cateter, melhorar o controlo da glicemia e aumentar a diurese; da infeção sistémica a fungos, com febre elevada, em geral em doentes imunodeprimidos, frequentemente com hifas visíveis no sedimento além das leveduras, em que o tratamento inclui o fluconazol 100 mg/dia p.o. ou em infeções mais graves 200 mg e.v. 12/12 horas.
As lavagens vesicais com anfotericina B não mostraram qualquer vantagem.

sintomas de infeccao urinaria 180x180 - Infeção Urinária Alta - Pielonefrite

Infeção Urinária Alta – Pielonefrite

Não complicada de anomalias anatómicas do aparelho urinário.
O doente apresenta-se com febre, lombalgia com ou sem sintomas urinários baixos, leucocitose e piúria. Devemos obter sempre culturas de urina e hemoculturas nos hospitalizados (positivas em 15 a 20%); o E. coli é o agente mais vezes incriminado.
O tratamento deve ser prolongado por 15 dias; se o doente pode usar a via oral, uma quinolona é atualmente o agente de escolha (por exemplo, ciprofloxacina 500 mg 12/12 horas), ou em alternativa uma cefalosporina de 2.a geração (cefuroxima 500 mg 12/12 horas). Se o doente está nauseado, com muita sintomatologia sistémica, ou não nos dá garantias de cumprir o tempo de tratamento, deve ser internado e fazer terapêutica parentérica com quinolona e.v. 12/12 horas, uma cefalosporina de 3ª geração (por exemplo, ceftriaxone, que pode depois ser usado em ambulatório só 1xdia 1 g i.m.) ou aminoglicósido como a gentamicina 160 a 240 mg/lxdia que, quando em associação a qualquer dos outros, pode, graças ao seu efeito pós-antibiótico prolongado, ser administrada só por 5 a 6 dias se temermos nefrotoxicidade. Em casos especiais como na IU por Enterococcus, frequente se existe patologia neoplásica vesicoprostática, está indicada a amoxicilina 1 g e.v. 8/8 horas, ou, se há resistência no antibiograma, a vancomicina 1 g e.v. 12/12 horas.
– Complicada por anomalias do aparelho urinário.
A não resolução clínica do quadro infecioso em 72 a 96 horas implica uma mudança de antibióticos guiada por antibiograma e a revisão imagiológica do aparelho urinário; um abcesso peri-renal não detetado no início do quadro deve ser drenado percutaneamente guiado por TC; um cálculo, principalmente os de esturvite, em que a TC sem contraste é a melhor técnica diagnostica, ou outra causa obstrutiva têm igualmente que ser corrigidos ou ultrapassados de imediato com a colaboração da urologia.


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cancer2 180x180 - Prostatite

Prostatite

Os sintomas da prostatite aguda simulam o da cistite mas com febre elevada e clínica de barragem pós-vesical mais ou menos intensos. A prostatite crónica pode ser mais difícil de diagnosticar, nem sempre há febre, a dor ou mal-estar são frequentemente irradiados ao períneo, dorso, escroto ou nádegas, bacteriologicamente é frequente uma contagem de colónias <1000 bactérias/ml, que se elevaria se repetíssemos a cultura numa colheita imediatamente após massagem prostática. O tratamento de escolha utiliza o TMP/SMX ou quinolonas por 15 dias num episódio agudo isolado, mas nos casos recorrentes ou na prostatite crónica, um mínimo de 4 semanas com quinolona ou 12 semanas com TMP/SMX. A ressecção prostática não resolve a infeção prostática crónica.


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urologia 180x180 - Síndrome Uretral

Síndrome Uretral

Caracterizada por piúria e sintomas urinários na mulher, com culturas < 100000 bactérias/ml. Estas mulheres podem ter IU por Chlamydia trachomatis, Ureaplasma urealyticum ou mais raramente Neisseria gonorrhoeae; devemos obter culturas do endocérvix específicas para estes agentes e tratar com doxiciclina 100 mg 12/12 horas durante 7 dias, azitromicina 1 g dose única (4 comprimidos de 250 mg), ou na grávida com eritromicina 500 mg 6/6 horas.

Saco colector de urina 180x180 - Infeção Urinária no doente Algaliado

Infeção Urinária no doente Algaliado

É uma fonte comum de bacteriemia e morbilidade no doente hospitalizado, sendo a infeção nosocomial mais prevalente.
A prevenção da IU no doente algaliado inclui:
– Técnica asséptica na introdução da algália.
– Uso de um sistema fechado de drenagem, já existente no nosso mercado, com local de punção para colheitas de urina sem violar o sistema.
– Retirar a algália logo que possível (incontinência urinária não é uma indicação para manter algaliação).
– Boa fixação da algália à coxa e manutenção do saco coletor abaixo do nível da uretra.
Não têm qualquer validade como prevenção de IU no doente algaliado as seguintes manobras:
– Mudanças de algália profilácticas segundo protocolos de rotina.
– Irrigação da bexiga com antibióticos ou outros antimicrobianos, ou profilaxia com antibióticos sistémicos.
– Cuidados especiais com antissépticos do meato uretral.
– Vigilância bacteriológica urinária de rotina segundo protocolo.
– Utilizar Penrose como instrumento de drenagem urinária requer higiene e cuidados constantes da pele, mudança do sistema diário e tem igualmente elevada incidência de IU.
Nestes doentes não devemos tratar bacteriúria assintomática ou fazer terapêutica supressiva, apenas se tratam bacteriúrias causando infeção sistémica, com febre e leucocitose, sempre que possível guiadas por antibiograma.

E coli at 10000x 180x180 - Infeção Urinária no Homem

Infeção Urinária no Homem

Nem sempre significa anomalia do aparelho urinário, mas obriga sempre a imagiologia dos rins, bexiga e próstata. O reservatório habitual nestes doentes é a próstata; outros fatores de risco são a não circuncisão, ou o coito com parceira colonizada com agentes uropatogénicos mormente a Chlamydia. No diagnóstico é obrigatório obter culturas de urina. O tratamento inclui de novo 7 a 15 dias de TMP/SMX ou uma quinolona como a ciprofloxacina 500 mg 12/12 horas, qualquer deles lipofílicos e com pouca adesão a proteínas, tendo, portanto, boa penetração no tecido prostático.

Cistite recidivante 180x180 - CISTITE RECORRENTE NA MULHER

CISTITE RECORRENTE NA MULHER

É devido a reinfeção exógena, na maioria dos casos por bactérias do tubo digestivo.
Usamos a mesma estratégia diagnostica, mas suspeitamos de anomalia do aparelho urinário, o que exige uma tentativa de cultivar urina e obtenção de uma ecografia renal e vesical.
O tratamento é iniciado com os mesmos fármacos e depois corrigido conforme o teste de sensibilidade aos antibióticos, devendo durar 2 semanas. Se as recorrências são em número superior a três a quatro – um, com aparelho urinário imagiologicamente normal, após esterilização da infeção com terapêutica convencional, iniciamos terapêutica supressiva, para o que elegemos TMP/SMX 80 mg/400 mg à noite em dias alternados (só após o coito se as IU têm relação com a atividade sexual), ou nos 7 dias perimenstruais nas IU catameniais. A nitrofurantoína, 1 comprimido à noite, ou a norfloxacina 1 comprimidio de 400 mg à noite são alternativas para esta terapêutica supressiva, cujo objetivo não é “curar” a infeção, mas “suprimi-la”, mantendo o inoculo bacteriano a um nível baixo controlado, que não provoque sintomas locais ou sistémicos.