Emergências em Oftalmologia

As emergências em Oftalmologia incluem:
– Lesões químicas. Nas queimaduras com ácidos, a turvação da córnea habitualmente desaparece, havendo fortes probabilidades de uma recuperação total. As substâncias alcalinas, como o hidróxido de sódio, apresentam riscos elevados de lesão permanente da córnea. Podem continuar a ocorrer danos apesar do tratamento imediato.
– Corpos estranhos. As lesões podem ser limitadas à conjuntiva e córnea ou podem afectar a esclerótica. Uma dor persistente e um olho vermelho indicam ser necessário procurar uma observação especializada. Um corpo estranho pode ser uma ameaça à visão se o objecto penetrar o globo, danificar a córnea ou o cristalino.
– Olho negro. Resulta, habitualmente, de um trauma directo da face ou do globo ocular.
Alguns tipos de fracturas do crânio podem causar hematomas periorbitários, mesmo na ausência de trauma ocular directo. Este tipo de hematoma resolve, habitualmente ao fim de 2 semanas. Com frequência, esta lesão acompanha-se de edema palpebral.
Por vezes, pode ocorrer uma lesão ocular grave. Hemorragias intra-oculares recorrentes podem causar diminuição da visão, glaucoma ou lesão da córnea.

Sintomas (Deslocamento da Retina)

– Flashes luminosos, em especial na visão periférica,
– Imagens flutuantes.
– Sombra ou perda total de visão numa parte do campo visual.

Descolamento da Retina

Separação das camadas sensoriais da retina das camadas de suporte (epitélio pigmentado).

Neuropatia Óptica

Inflamação do nervo óptico, que se pode associar a perda de visão.

Medidas Iniciais (Emergências em Oftalmologia)

– Corpo estranho – com frequência, o globo ocular é capaz de eliminar objectos de pequenas dimensões através do pestanejar e do lacrimejo. Se tal não acontecer:
1) Não esfregar os olhos. Lavar as mãos antes de examinar os olhos.
2) Examinar o olho afectado numa área bem iluminada. Para localizar um corpo estranho, pedir ao doente para olhar para cima, para baixo e para ambos os lados.
3) Se não resultar, puxar a pálpebra inferior para baixo para expor a prega entre a pálpebra e o olho. Se necessário, puxar para cima a pálpebra superior.
4) Se o corpo estranho estiver visível numa das pálpebras, tentar removê-lo com água corrente ou com um cotonete de algodão.
5) Se o corpo estranho estiver incrustrado no globo, cubrir o olho com um penso estéril ou com um pano limpo. Não tentar remover o objecto. Procurar apoio especializado.
6) Se o corpo estranho não for identificado ou se for removido, mas o desconforto ou a visão turva persistirem, cobrir o olho com um penso estéril ou com um pano limpo. Procurar apoio especializado.
– Objecto incrustado no globo ocular:
1) Não o remover. Não tocar nem exercer qualquer tipo de pressão.
2) Acalmar e tranquilizar o doente.
3) Cobrir o olho e procurar apoio especializado.
– Queimadura térmica:
1) Rodar a cabeça do doente de modo a que o olho afectado fique de lado e para baixo. Mantendo a pálpebra aberta, fazer correr água abundantemente durante 15 minutos ou até chegar apoio especializado. Pode ser necessário forçar a abertura dos olhos.
2) Se ambos os olhos estiverem afectados, ou se o produto químico estiver noutras partes do corpo, colocar o doente num chuveiro.
3) Remover lentes de contacto – mas apenas após a lavagem com água.
4) Cobrir ambos os olhos (mesmo se apenas um dos olhos estiver afectado) com um penso estéril e evitar o contacto com os olhos.
– Queimadura térmica:
1) Irrigar os olhos com água fresca para reduzir o edema e aliviar a dor.
2) Aplicar uma compressa fria sem exercer pressão.
3) Se a visão estiver afectada, procurar apoio especializado.
– Lesões cortantes ou contusas:
1) Se o globo ocular foi atingido, procurar apoio especializado imediatamente.
2) Aplicar Compressas frias suavemente para reduzir o edema e ajudar a parar eventuais hemorragias. Não exercer pressão.
3) Se existir hemorragia proveniente do globo ocular, cobrir ambos os olhos e procurar apoio especializado imediatamente.
– Erosões da córnea:
1) Não exercer pressão.
2) Procurar apoio especializado.

Oclusão Arterial (Artéria Central da Retina); Oclusão Venosa (Veia Central da Retina)

Bloqueio na irrigação vascular retiniana.

Factores de Risco (Descolamento da Retina)

Miopia, história familiar, raça caucasiana, sexo masculino. Incidência anual: 20000/ano.

Glaucoma Agudo

Caracteriza-se por um aumento da pressão intra-ocular, condicionando lesão do nervo óptico, perda parcial da visão e, eventualmente, cegueira.

Tratamento (Oclusão Arterial)

– A dilatação dos vasos retinianos pela inalação de dióxido de carbono pode ser tentada.
Esta medida permite que a oclusão se desloque para um vaso mais periférico e, assim, se reduza a área da retina afectada.
– A anticoagulação pode impedir a formação de novos coágulos. As hemorragias intra-oculares podem reabsorver e a visão pode melhorar.
-A redução farmacológica da pressão intraocular ou mecânica (punção da câmara anterior para remoção de humor aquoso) pode permitir reverter a oclusão vascular.

Causas e Riscos (Neuropatia Óptica)

A causa pode ser desconhecida, mas ocorre edema e destruição da bainha de mielina do nervo óptico. O processo inflamatório pode resultar de uma infecção viral, doença auto-imune ou esclerose sistémica progressiva.