Antibioticos 4

O reconhecimento da utilidade dos mecanismos adaptativos de sobrevivência dos microrganismos como arma no combate às infecções, que está na base do desenvolvimento dos antibióticos, implica a aceitação de que estes mecanismos são um fenómeno dinâmico, cuja evolução permanente é motivada pela estratégia de sobrevivência inerente a todos os seres vivos, a qual é capaz de comprometer, em última análise, a eficácia dos próprios antibióticos. Ao combater os microrganismos com armas que lhes são familiares, a luta contra a infecção acaba por se situar em terreno que lhes é propício, estimulando ou condicionando a evolução natural e criando uma pressão que selecciona as bactérias mais bem equipadas para a sobrevivência. Assim, não é de estranhar que a emergência de estirpes microbianas resistentes, associadas à falência da medicação, se tenha sucedido, a breve trecho, ao advento dos primeiros antibióticos (penicilina, sulfonamidas, etambutol), e estabelecido, desde então, um limite cada vez mais claro para utilidade deste grupo de fármacos. De facto, aceita-se hoje que a resistência é uma consequência inevitável da exposição dos microrganismos do meio ambiente aos antibióticos, indissociável da sua estratégia evolutiva. A utilização de antibióticos induz assim, naturalmente, a resistência, e numerosos estudos confirmam que a intensidade dessa exposição se correlaciona com o grau de resistência resultante.
Não obstante, o balanço dos benefícios e riscos da introdução dos antibióticos em terapêutica médica parece ter sido favorável para a saúde humana, atendendo à redução significativa da mortalidade e morbilidade associadas às doenças infecciosas observadas antes e após a era da antibioterapia farmacológica, iniciada na década de 40 do século passado. No entanto, a tentativa de preservação destes benefícios tem passado, sobretudo, pelo desenvolvimento e introdução no mercado de novos antibióticos, informada pelo progresso no conhecimento dos mecanismos de doença e de acção dos fármacos e alimentada pelo lucro associado à perspectiva destes fármacos como produtos de consumo bem sucedidos. Esta proliferação tem conduzido à emergência de novos mecanismos adaptativos por parte das bactérias e resultado, naturalmente, num aumento das resistências.
As “superbactérias” que surgiram no final do século (enterobacteriáceas produtoras de lactamases de espectro alargado, enterococos resistentes à vancomicina, Acinetobacter multirresistentes) são um reflexo do uso e abuso de antibióticos cada vez mais sofisticados e contribuíram para que o combate à resistência microbiana seja, actualmente, uma prioridade em saúde pública.
Neste panorama, fica claro que, na impossibilidade de vencer esta “guerra às bactérias” por meio da “corrida ao armamento”, se deve procurar estabelecer um entendimento que permita preservar e, eventualmente, ampliar os benefícios obtidos, e que passa pelo que tem vindo a ser designado por utilização “racional”, “criteriosa” ou “judiciosa” dos antibióticos. É neste contexto que devemos situar os princípios de utilização dos antimicrobianos. Trata-se, enfim, de conseguir utilizar o antibiótico adequado, apenas nas situações em que esteja justificado e com o esquema posológico correcto.

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