Tratamento (Bursite Anserina)

O tratamento conservador passa pela utilização de AINEs, aplicação local de gelo e pelo repouso.
A reabilitação, nomeadamente a utilização dos ultra-sons, pode ajudar no tratamento.
Os exercícios de estiramento dos músculos da “pata de ganso” devem ser ensinados para realização diária.
A injeção com corticosteróides pode ser extremamente eficaz, no caso de não haver resposta às medidas anteriores, ou se a dor noturna ou em repouso for intensa.
Raramente há necessidade de recorrer à cirurgia.
Pode haver recidivas, sobretudo se a bursite anserina está associada à osteoartrose do joelho.

Fasceíte Plantar

É uma das causas mais frequentes de pé doloroso no adulto.
É um processo inflamatório na zona de inserção da aponevrose plantar na face inferior do calcâneo ao nível da sua tuberosidade póstero-interna.
Resulta frequentemente de microtraumatismos crónicos e repetitivos, mas pode também ocorrer secundariamente a doenças reumáticas inflamatórias (artrite reumatóide, espondilartrites seronegativas) ou metabólicas. Outros fatores predisponentes são as alterações de estática do pé (pé cavo, pé plano) e a obesidade.
Manifesta-se por talalgias plantares, desencadeadas ou agravadas pela posição de pé, marcha e pela dorsiflexão dos dedos do pé.
O diagnóstico é sugerido pela dor à palpação na zona de inserção da faseia a nível do calcâneo e é exacerbada pela dorsiflexão forçada do pé.

Quisto de Baker

O quisto de Baker é a acumulação anormal de conteúdo líquido na bolsa serosa do gastrocnémio-semimembranoso, localizada no bordo interno da fossa popliteia, na região posterior do joelho.
Esta situação é geralmente secundária a outras patologias do joelho, em especial a artrite reumatóide, a osteoartrose ou a alteração estrutural interna.
Manifesta-se por dor ou desconforto na região popliteia e, por vezes, por uma massa na região popliteia ou gemelar, evidenciando-se mais facilmente com o joelho em extensão e o doente em pé. Pode haver rutura do quisto, com drenagem do conteúdo para as estruturas musculares e aponevróticas da perna, originando quadros difíceis de distinguir da flebotrombose.
A confirmação diagnostica é feita por ecografia ou RM.

Tratamento (Bursite Pré-patelar)

A eliminação de fatores agravantes, nomeadamente profissionais, é de extrema relevância. O repouso da articulação e a redução ou cessação da irritação mecânica local, utilizando almofadas de proteção na prática de atividades profissionais de risco, são muito importantes.
A aspiração da bolsa pode conduzir a grande alívio sintomático.
Após exclusão de infeção, deve ser ponderada a injeção local com uma mistura de corticosteróide e anestésico.
No caso de bursite séptica deve aspirar-se o líquido articular, drenar o seu conteúdo tanto quanto possível, imobilizar o joelho e instituir-se antibioterapia empírica imediatamente, enquanto se aguarda os resultados do exame microbiológico. Quando o agente etiologia for identificado pelas culturas, deve ajustar-se a terapêutica antibiótica.

Tratamento (Bursite Trocantérica)

A eliminação dos fatores agravantes é de extrema importância tais como, por exemplo dormir com uma almofada por baixo da região glútea afetada ou o emagrecimento.
A utilização de AINEs pode oferecer alívio sintomático. O tratamento mais eficaz consiste na injeção da bolsa trocantérica com uma mistura de corticosteróide e anestésico local.
O ensino de exercícios para realização diária é um complemento fundamental de terapêutica. Tal é o caso dos exercícios de estiramento dos músculos glúteos.
Raramente é necessária a excisão cirúrgica da bolsa.

Tendinite Bicipal

A tendinite é uma entidade clínica e anatomopatológica com características comuns de dor e inflamação local, disfunção e degenerescência envolvendo tipicamente o local de inserção do tendão no osso. Resulta frequentemente de movimentos repetitivos, mas pode também fazer parte do quadro clínico de doenças reumáticas inflamatórias ou metabólicas como as doenças por deposição de microcristais (isto é, gota).
Existem duas camadas musculares no ombro: a superficial e a profunda. A camada profunda é constituída pelos músculos da coifa dos rotadores (supra-espinhoso, infra-espinhoso, pequeno redondo e infra-escapular) e pelo tendão da longa porção do bicípite. A função desta camada muscular é estabilizar de forma dinâmica a cabeça do úmero na fossa glenoideia durante os movimentos do ombro, permitindo ao mesmo tempo, os movimentos de rotação (infra-escapular, pequeno redondo e infra-espinhoso) e abdução (supra-espinhoso). No início da abdução ou elevação do ombro, o músculo delltóide, mais volumoso, tem tendência a empurrar a cabeça do úmero em direção ao acrómio. Os músculos da coifa e o tendão do bicípite funcionam como depressores da cabeça umeral, contrariando a tendência para a sua migração superior.
A síndrome do desfiladeiro subacrómio-coracoideu consiste na compressão da coifa dos rotudores, do tendão da longa porção do bicípite e/ou da bolsa subacromial, entre a cabeça do úmero e a abóbada osteoligamentar acrómio-coracoideia formada pelo acrómio e pelo ligamento coraco-acromial. Parece resultar da inflamação de uma ou, frequentemente, de todas estas estruturas originando a tendinite da coifa dos rotadores, a bursite subacrómio-deltoideia e a tendinite bicipital. A tendinite da coifa resulta quase sempre da lesão do tendão do supra-espinhoso. A complicação mais comum é a rutura parcial ou total do supra-espinhoso.
A síndrome do desfiladeiro manifesta-se com dor na face ântero-externa do ombro, que se agrava à noite com o decúbito sobre o lado afetado, e com os movimentos ativos do ombro, sobretudo na flexão (entre 60° e 120°), na abdução, e na rotação interna, e menor dor nos movimentos passivos. Não costuma existir tumefacção, rubor ou calor no ombro. Radiologicamente, o espaço entre a cabeça umeral e a superfície inferior do acrómio pode ser inferior a 8 mm. Na tendinite da coifa dos rotadores, o exame objetivo revela à palpação um ponto doloroso ao nível da inserção do supra-espinhoso no troquíter. Na bursite subacrómio-deltoideia existe um ponto doloroso na palpação da zona de inserção do músculo deltóide no úmero. A palpação dolorosa da zona da goteira bicipital está associada à tendinite bicipital. Quando o tendão do supra-espinhoso está envolvido, a abdução ativa do ombro é dolorosa e limitada entre 60° e 120° (sinal do arco doloroso). A abdução contra-resistência é sempre dolorosa. As manobras de Yergason (supinação contra-resistência do cotovelo com a flexão do mesmo) e de Speed (flexão contra-resistência do ombro com o cotovelo em extensão) reproduzem a dor ao nível da goteira bicipital, na tendinite bicipital.

Tratamento (Epitrocleíte)

O tratamento é semelhante ao da epicondilite. Os exercícios a realizar são semelhantes aos anteriormente referidos, mas neste caso empurra-se a parede com a palma da mão.

Cotovelo

As patologias de partes moles mais frequentes ao nível do cotovelo são a epicondilite, a epitrocleíte e a bursite olecraniana.

Tratamento (Fibromialgia)

Recentemente, o EULAR (European League Against Rheumatism) publicou as recomendações de tratamento para a FM.
-> Medidas gerais:
• Deve avaliar-se a FM de forma compreensiva relativamente à dor, à função e ao contexto psicossocial do doente. A FM deve ser reconhecida como uma condição complexa e heterogénea onde existe um processamento anormal da dor e outras características secundárias.
• A otimização da terapêutica passa por uma abordagem multidisciplinar combinando medidas não farmacológicas e farmacológicas, de acordo com a intensidade da dor, da função e das características associadas, como é o caso da existência de depressão, fadiga e perturbações do sono, devendo estas serem discutidas como o doente.
-> Medidas não farmacológicas:
• O tratamento em piscina aquecida com ou sem exercício é eficaz na FM
• Programas de exercício personalizados, incluindo exercício aeróbio e fortalecimento muscular, podem ser benéficos para alguns doentes com FM.
• Tratamento comportamental e cognitivo pode ter algum benefício para algufl
doentes com FM.
• Outras terapêuticas como o relaxamento, a reabilitação, a fisioterapia e apoio psicológico podem ser usados de acordo com as necessidades do doente individual.
—> Medidas farmacológicas:
• O tramadol é recomendado para o tratamento da dor na FM.
• Analgésicos simples como o paracetamol ou outros opiáceos fracos também podem ser considerados para o tratamento da FM. Não são recomendados os corticosteróides e os opiáceos fortes.
– Os antidepressivos: amitriptilina, a fluoxetina, a duloxetina, a milnacipran, moclobemidea e pirlindole reduzem a dor e frequentemente melhoram a função e, como tal, são recomendados para o tratamento da FM.
-São recomendados a tropisetrona, pramipexole e a pregabalina por reduzirem a dor na FM, mas estes fármacos não estão aprovados nesta indicação na Europa.

FIBROMIALGIA

A fibromialgia (FM) é uma síndrome de dor generalizada com mais de 3 meses de duração, de etiologia desconhecida e com pontos dolorosos à pressão de localização característica. Podem ocorrer outros sintomas, nomeadamente, fadiga, sono não reparador, parestesias, fenómeno de Raynaud, cefaleias, diarreia, etc.
O exame objetivo e toda a investigação clínica não revelam inflamação ou degenerescência articular ou óssea.
70 a 90% dos doentes são mulheres e há um pico de incidência entre os 35 e 40 anos de idade.
A FM pode ocorrer isoladamente ou associada a outras doenças.