Tratamento (Síndrome do Túnel do Tarso)

O tratamento conservador não é geralmente muito eficaz. A injeção local com corticosteróide, os AINEs sistémicos e a utilização de ortóteses são algumas das armas terapêuticas de que dispomos, mas nenhuma tem revelado eficácia de forma consistente.
A descompressão cirúrgica deve ser realizada na ausência de resultados com a terapêutica conservadora.

Classificação e Epidemiologia das Doenças Reumáticas

As doenças do sistema músculo-esquelético são extremamente frequentes. Englobam entidades tão distintas como doenças sistémicas complexas, potencialmente fatais, como o LES (lúpus eritematoso sistémico) e as vasculites e outras sem risco de mortalidade, como os reumatismos regionais (epicondilites – “cotovelo do tenista”, bursites do grande trocânter, entre outras).
Na patogenia das doenças reumáticas intervêm fatores múltiplos. Os traumatismos e movimentos repetidos, as alterações anatómicas prévias, a deposição de microcristais, a inflamação, a infeção, diversos fatores genéticos e do meio ambiente complexos e não totalmente esclarecidos interagem, levando à génese da maioria destas situações patológicas.
As doenças reumáticas originam, numa significativa parte dos casos, um grau de sofrimento apreciável, traduzível sob a forma de dor e impotência funcional. As consequências em termos de restrição de atividade, nomeadamente profissional, são reveladoras da extrema importância social e económica deste grupo de doenças.
Na maioria dos países desenvolvidos, estudos aprofundados demonstram que estas patologias contribuem para a maior parte das reformas antecipadas por doença e para a principal causa de absentismo laboral, com os custos económicos e sociais que dai advêm. Não será de admirar que, nalguns desses países, se tenham vindo a desenvolver programas de combate às doenças reumáticas. Esses programas passam sempre pela adequada formação dos seus profissionais de saúde neste capítulo das ciências médicas, levando à criação de um maior número de especialistas nestas áreas e a um melhor grau de conhecimento desta área por parte dos médicos dos cuidados de saúde primários. Isto permitirá que, a curto prazo, se diagnostiquem e se referenciem mais precocemente muitas situações, que tratadas atempadamente poderão melhorar substancialmente o seu prognóstico.
Pelo extremo impacto das doenças reumáticas sobre a saúde física, mental e social das populações, a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou a década de 2000 a 2010 como “A Década do Osso e da Articulação”.
As doenças do aparelho locomotor podem ser classificadas em 10 grupos distintos de acordo com a classificação do Colégio Americano de Reumatologia (ACR – American College of Rheumatology).
Destas diversas patologias, as mais frequentes são os reumatismos periarticulares e as raquialgias que atingem cerca de 20% da população. A principal doença óssea metabólica é a osteoporose, que é muito comum em mulheres pós-menopáusicas. Apesar de as alterações radiológicas sugestivas de OA serem extremamente frequentes, só é possível detetar-se doença artrósica clinicamente significativa em cerca de 5% da população.
As doenças difusas do tecido conjuntivo são substancialmente mais raras atingindo 2% da população geral. São, contudo, mais graves e algumas delas potencialmente fatais.
As doenças reumáticas aumentam a sua prevalência com a idade, nomeadamente em relação a diversas categorias de patologias, como a OA, os reumatismos de partes moles, a osteoporose e as raquialgias. As doenças difusas do tecido conjuntivo e as espondilartrites seronegativas tendem a iniciar-se em idades mais jovens, por vezes até em idade pediátrica.
Independentemente das atitudes específicas a tomar em relação a cada situação patológica em causa, a terapêutica das doenças reumáticas rege-se por vários princípios fundamentais e aplicáveis na generalidade das doenças.

Tratamento das Doenças Reumáticas

A Reumatologia é o ramo das ciências médicas que se dedica à profilaxia, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças do aparelho locomotor. A abordagem inicial dos doentes portadores de patologia reumática carece de uma avaliação clínica criteriosa, passando por uma colheita de história clínica minuciosa e por um exame objetivo pormenorizado.
Para o diagnóstico das diversas patologias do aparelho locomotor, o médico deve basear-se em princípios relativamente simples, de índole essencialmente clínica, complementando esses dados com os obtidos com os exames complementares de diagnóstico.
Possivelmente, mais nenhuma especialidade médica necessitará tanto dos dados obtidos com o inquérito e com o exame objetivo dos doentes, para obter os diferentes diagnósticos. A maior parte dos critérios definidos para a classificação e diagnóstico das diferentes entidades nosológicas reumatológicas são de índole clínica, quer se trate de doenças de natureza complexa como, por exemplo, as doenças do tecido conjuntivo, quer se trate de situações etiopatogenicamente mais simples, como os reumatismos de partes moles.
As doenças reumáticas englobam mais de 120 entidades nosológicas que interessa identificar. Cada doença requer um plano terapêutico integrado, por vezes com necessidade de recurso a diferentes especialidades médicas ou cirúrgicas e a outros técnicos de saúde. Uma correta identificação dos problemas é determinante para o êxito do tratamento.
Não é do âmbito deste trabalho a descrição pormenorizada do inquérito clínico e do exame objetivo em Reumatologia. Nestes se baseia, contudo, toda a atividade clínica dos médicos que se dedicam a este grupo de patologias.