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Manutenção da Via Aérea

A manutenção da via aérea constitui uma manobra essencial em medicina de emergência. Corresponde ao A do algoritmo ABC no suporte básico de vida, exigindo a primeira preocupação na reanimação de um doente crítico. A hipoxia cerebral para além de 3 a 5 minutos resulta em lesões cerebrais irreversíveis, justificando a necessidade da prioridade na obtenção de uma via aérea desimpedida e funcional.

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Patogenia (Tuberculose)

A TB representa o paradigma da doença transmitida por via aérea, forma de transmissão respiratória que não exige o contacto próximo entre o doente em fase contagiosa e o hospedeiro susceptível. O MT atinge com facilidade o alvéolo pulmonar, onde é fagocitado pelos macrófagos locais, conseguindo, no entanto, sobreviver no meio ácido dos lisossomas, e passando, eventualmente, para a corrente sanguínea e linfática. Nesta fase precoce, os bacilos podem circular e instalar-se em qualquer local do organismo do hospedeiro, embora o pulmão seja, também por proximidade, a localização mais frequente, com a formação de focos locais com reacção inflamatória mais ou menos intensa (focos de Simon). A resposta imunitária é do tipo retardado, com participação importante da componente celular, traduzindo-se, sobretudo, pela formação de granulomas epitelioides característicos da TB. Embora a taxa de indivíduos infectados por MT seja elevada, sendo estimada em mais de 1/4 da população mundial, apenas cerca de 10% de indivíduos com infecção latente (TB latente) virá a desenvolver doença activa, e cerca de metade destes fá-lo-á nos 2 a 3 anos após o momento da infecção. Estes casos constituem a chamada TB primária. Nos outros 5%, a doença manifesta-se mais tarde, mediante condições apropriadas para a reactivação dos bacilos presentes nos focos granulomatosos constituídos inicialmente, constituindo a TB de reactivação. A participação do sistema imunitário celular, particularmente dos linfócitos T e dos macrófagos, cuja diferenciação é fundamental para a constituição estrutural do granuloma tuberculoso, correlaciona-se com a frequência com que a TB ocorre no contexto da infecção por VIH, bem como com as formas de apresentação particulares que a TB assume nesta população: formas mais frequentemente disseminadas, consideradas não reactivas pela reduzida expressão da resposta granulomatosa. A importância deste facto é atestada pela taxa de reactivação da TB que, no contexto da infecção por VIH, pode atingir os 7%/ano e, virtualmente, 100% durante a vida dos doentes.

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Indicações para Entubação Endotraqueal

– Apneia.
– Toilette brônquica.
– Perda dos mecanismos autónomos de protecção da via aérea ou via aérea superior inadequada.
– Traumatismo torácico severo.
– Choque grave de qualquer etiologia.
– Hipoventilação e acidose respiratória progressiva.
– Hiperventilação terapêutica.
– Necessidade de sedação, analgesia ou bloqueio muscular profundos por motivos diagnósticos ou terapêuticos.
– Insuficiência respiratória de qualquer etiologia.

tratamento apneia 180x180 - Ventilação Não Invasiva

Ventilação Não Invasiva

É um modo de ventilação mecânica que não necessita de via aérea artificial. Embora várias modalidades possam ser utilizadas em NIV, a mais frequente é o BIPAP (bilevel positive airway pressure). Utiliza dois níveis de pressão positiva que essencialmente combinam as modalidades de pressão assistida {pressure support ventilation – PSV) e de pressão positiva contínua nas vias aéreas (continuous positive airway CPAP). Por convenção a PSV é referida como IPAP (inspiratory positive airway pressure) e a CPAP é referida como EPAP (expiratory positive airway pressure). A modalidade CPAP pode ser utilizada isoladamente, mas não administra suporte de ventilação permitindo respiração espontânea a partir de uma fonte de ar com uma pressão basal elevada (superior à pressão atmosférica), sendo funcionalmente equivalente ao PEEP (positive end-expiratory pressure).
Por uma questão de facilidade de exposição e dado estas serem as siglas mais utilizadas na prática diária, será utilizada no resto deste capítulo a terminologia anglo-saxónica.
Existem ventiladores desenhados especificamente para NIV, mas muitos ventiladores de cuidados intensivos podem também ser utilizados para este fim. O ventilador é conectado a uma máscara facial, nasal ou a um capacete. A máscara nasal é melhor tolerada mas menos eficaz nos doentes sem dentes e nos doentes que respiram pela boca.
Comparativamente com a ventilação invasiva, a NIV oferece maior comodidade, permite preservar os reflexos protetores da via aérea, previne o traumatismo da via aérea superior, reduz a necessidade de sedação do doente, diminui a incidência de sinusite nosocomial e pneumonia e reduz a demora média na UCI e no hospital. Por outro lado, tem a desvantagem de aumentar o esforço respiratório, não protege a via aérea e não permite uma higiene tão eficaz. Pode provocar lesões no nariz/face e distensão gástrica, sendo que o uso do capacete está associado a edema das extremidades superiores, trombose da veia axilar e disfunção timpânica. A NIV deve ser utilizada apenas no doente vigil e colaborante, capaz de controlar as secreções na via aérea e capaz de estar coordenado com o ventilador.
Antes de iniciar NIV, as características do doente e a probabilidade de resposta favorável devem ser avaliadas corretamente, pois uma avaliação errada pode corresponder a um atraso na entubação traqueal eventualmente necessária. A experiência do pessoal médico e de enfermagem é muito importante. A sua utilização na insuficiência respiratória aguda hipoxemiante é altamente controversa, não devendo ser feita de modo não experimental ou em centros sem grande experiência.
Os doentes sob NIV devem estar monitorizados (oximetria e ECG) e em ambiente vigiado. A sedação deve ser utilizada com cuidado e a alimentação oral deve ser protelada até o doente estar estabilizado.


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Tratamento de Suporte

O tratamento de suporte tem como objetivo principal manter a homeostasia até a destoxicação estar terminada e ao mesmo tempo prevenir e tratar as complicações secundárias, e inclui:
Proteção da via aérea com intubação endotraqueal precoce nos doentes:
Com depressão do estado mental, nomeadamente, os que não respondem a estímulos verbais, os que não c:onseguem estar sentados e beber líquidos sem ajuda, os que têm convulsões.
Com risco elevado de aspiração do conteúdo gástrico, sobretudo se estiver preconizada a descontaminação digestiva.
• Que necessitem de ventilação mecânica.
—> Ventilação mecânica nos doentes:
• Com insuficiência respiratória aguda, depressão respiratória (PCO2>45 mmHg) ou hipoxia, sendo fundamental a monitorização atempada da oximetria e dos gases no sangue arterial.
• Com depressão do SNC incluindo letargia significativa e coma (Glasgow <7). • Com necessidade de sedação e/ou paralisia nas situações de hiperactividade neuromuscular, de forma a prevenir complicações como a hipertremia, a acidose e a rabdomiólise. -» Tratamento das arritmias, tendo em conta que, para além do uso de drogas anti-arrítmicas, poderá ser necessário corrigir alterações ácido-base e eletrolíticas. —> Suporte hemodinâmico com manutenção da perfusão tissular:
• A hipotensão deve ser corrigida com administração de volume.
• As aminas vasoactivas, como a noradrenalina, estão preconizadas nas situações em que se estabelece insuficiência cardíaca (antidepressivos tricíclicos).
—» Tratamento das convulsões, reconhecendo outras causas subjacentes que possam estar implicadas, como isquemia, edema e hipertermia.
—> Correção das alterações da temperatura evitando extremos.
—> Correção dos distúrbios metabólicos.
—> Suporte em caso de disfunção renal e/ou hepática.
—> Prevenção das complicações secundárias.

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Cricotomia

Este procedimento permite a manutenção de uma via aérea definitiva através de uma incisão através da membrana cricotiroideia. Está contraindicada nas crianças com menos de 12 anos. Neste grupo etário este segmento da via aérea é o mais estreito, e a cicatrização posterior leva a sequelas permanentes.
Após anestesia local, uma incisão cutânea vertical com cerca de 3 a 4 cm é feita na pele de forma a expor a membrana cricotiroideia. Após a sua exposição, é feita uma incisão com cerca de 1 cm na membrana, que é dilatada com uma pinça hemostática ou tesouras curvas. Quando a abertura o permitir, introduz-se um tubo de traqueostomia n° 4.

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Alternativas Cirúrgicas

Quando é impossível estabelecer uma via aérea por outros métodos, existem duas alternativas cirúrgicas de recurso. A primeira (ventilação percutânea translaríngea) constitui apenas uma alternativa temporária até se conseguir uma via definitiva (cricotomia ou traqueotomia).

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Manutenção Básica da Via Aérea

Deve fazer-se uma avaliação rápida da existência de obstrução da via aérea – corpos estranhos, vómito.
Nos traumatismos, verificar a ocorrência de fraturas da face, mandíbula, laringotraqueais.
Devem ser efetuadas manobras de rectificação da via aérea como a hiperextensão cervical e pulsão anterior da mandíbula de forma a corrigir a obstrução da glote pela queda da língua. Nos traumatizados, a hiperextensão cervical está contra-indicada dada a possível coexistência de traumatismo cervical. Em doentes com artrite reumatóide, espondilite anquilosante e artrite psoriática, tal manobra também pode ser causa de lesão medular cervical por subluxação atlanto-axial. Nestes casos a pulsão anterior da mandíbula com protecção da coluna cervical é recomendada. Esta manobra deve ser executada, preferencialmente, por dois operadores.

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Função Respiratória

O ideal será poder entubar traquealmente o doente desde o início da RCR, num adulto com um tubo 7,5 ou 8 F, confirmando o seu correcto posicionamento pela simetria da amplitude do murmúrio vesicular nos vértices dos dois hemitóraces. Se os tubos e o larigoscópio não estiverem disponíveis no início, ou houver pouca experiência, não perder tempo, confirmar que não há obstrução mecânica alta da via aérea, fazer extensão do pescoço (se não houve traumatismo craniano ou cervical), puxar o maxilar inferior para a frente e para cima e iniciar Ambu com uma máscara bem adaptada, alimentado por 8 a 9 L/minuto de oxigénio (ar ambiente se não existir oxigénio no local).
Com o Ambu devemos fazer cerca de 20 insuflações/minuto (uma baixa rápida de PCO2 com hiperventilação é a melhor forma de normalizar o pH intra e extracelular).
Nos casos em que a equipa de RCR é pequena, o doente tiver sido entubado traquealmente e exista um ventilador disponível, podemos ventilá-lo durante a RCR com um FiO2 100%, frequência de 30/minutos, volume/minuto de 16 a 20 L/minutos ou um volume corrente de 600 a 700 ml e os alarmes de volume e pressão desativados.
Se houver obstrução mecânica alta da via aérea impossível de ultrapassar, deve recorrer-se a ventilação transtraqueal, colocando um cateter na membrana cricotiroideia por método de Seldinger ou efetuar uma cricotomia ou traqueostomia percutânea de urgência por médico com experiência neste procedimento.