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Alergia a Veneno de Himenópteros

As reacções alérgicas à picada de insectos ocorrem com frequência, sendo por vezes graves e potencialmente fatais. Em Portugal, os insectos habitualmente envolvidos pertencem à ordem dos himenópteros, famílias Vespidae (vespas – Vespula spp.) e Apidae (abelhas – Apis meliffera).
O veneno dos himenópteros é constituído por enzimas, péptidos tóxicos e aminas vasoactivas, sendo muitos destes componentes proteínas com potencial alergénico, responsáveis pelas reacções alérgicas em indivíduos sensibilizados.
A reacção local é uma reacção normal que se caracteriza por dor, eritema e edema no local da picada e dura algumas horas. Quando os sinais inflamatórios se estendem por uma área superior a 10 cm de diâmetro, sempre em contiguidade com o local da picada, passa a designar-se reacção local extensa. Esta reacção habitualmente tem uma duração superior a 24 horas.
A reacção sistémica pode surgir de forma generalizada ou pode ocorrer de forma localizada, mas numa região distante do local da picada. Pode manifestar-se por alterações cutâneas (prurido, eritema, urticária e angioedema), que são as mais frequentes, gastrintestinais (náuseas, vómitos, cólicas e diarreia), respiratórias (edema da glote, broncospasmo) e cardiovasculares (hipotensão e choque), podendo levar à morte.
O mecanismo subjacente é IgE mediado. Os doentes com reacções sistémicas graves tendem a repetir as mesmas manifestações clínicas em picadas subsequentes, sendo então um grupo em particular risco de vida.
O primeiro passo na abordagem diagnostica consiste na realização da história clínica.
Deve-se tentar identificar o insecto responsável, de acordo com as características referidas anteriormente e feita uma estimativa do risco de reacção grave futura, de acordo com conhecimentos existentes sobre a história natural da doença. Desta forma, os doentes com reacções locais, tóxicas ou atípicas não têm indicação para prosseguir a investigação. Seguidamente procede-se à realização de testes cutâneos e/ou doseamento de IgE específica, o que permite confirmar ou não a mediação por IgE e identificar de forma precisa o veneno responsável.
A terapêutica imediata consiste na aplicação de compressas frias que reduzem o edema nas reacções locais que, no entanto, com frequência, regridem espontaneamente; analgésicos e/ou anti-histamínicos orais podem aliviar a dor e o prurido.
Uma reacção local extensa trata-se com a aplicação de compressas frias, analgésicos e/ou anti-histamínicos e corticóides locais ou orais durante 3 a 4 dias. No caso de ocorrer num membro, deve-se proceder à elevação do mesmo.
Numa reacção sistémica, deve-se administrar adrenalina, seguida de anti-histamínicos e corticóides orais ou por via parentérica (ver “Anafilaxia”). Se a picada ocorreu num membro, deve ser colocado um garrote a montante com o objectivo de reduzir a absorção do alergénio. Os restantes cuidados a ter são aqueles normalmente aplicáveis a qualquer doente com choque anafiláctico. Após estabilização, o doente deve ser mantido em vigilância durante algumas horas (para os casos mais ligeiros), até 24 horas (para os casos mais graves).

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Doses (Vacinas Antialérgicas)

Com a vacinação convencional, por via subcutânea, após uma fase de indução que pode variar de dias (veneno de himenópteros) a semanas (ácaros, pólenes), chega-se à fase de manutenção, com aplicação, habitualmente mensal, do extracto alergénico, durante um período variável de 3 a 5 anos, embora não seja consensual o momento em que deve ser interrompido o tratamento, sendo este individualizado para cada caso. A protecção conseguida mantém-se vários anos após a suspensão da vacina.
Mais recentemente, foram validadas vias alternativas de administração destas vacinas (nomeadamente por via sublingual), relacionando-se com a ocorrência de menor taxa de efeitos adversos; recorrendo aos extractos com altas doses de alergénio, que actualmente temos disponíveis, consegue-se elevada eficácia, embora também com a possibilidade da ocorrência de reacções adversas. A dose de manutenção é habitualmente trissemanal, levantando problemas de adesão tal como ocorre em todos os tratamentos continuados.

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Animais Domésticos ou de Companhia

Percentagens significativas de pacientes asmáticos e/ou com rinite encontram-se sensibilizados, particularmente ao gato. A exposição mantida associa-se a maior gravidade e a exposição aguda relaciona-se com agudizações.
— Medidas – não ter animais de companhia ou retirá-los da residência – atenção que o contacto também pode ocorrer em outras habitações visitadas com frequência ou mesmo no ambiente laboral ou escolar (eficácia comprovada). O benefício pode não ser imediato (níveis de alergénio podem reduzir-se progressivamente até durante 6 meses), mas será tanto mais rápido se associado a outras medidas (aspiração, remoção de reservatórios de alergénios). Nos casos clínicos de sensibilização ao gato, nenhuma outra medida, se o animal estiver presente, poderá influenciar significativamente a exposição alergénica.
Se o animal permanece:
• Lavagem do(s) animal(is). Permite reduzir transitoriamente (1 semana) os níveis de alergénios. Idealmente deveria ser feita duas vezes por semana.
• Filtragem do ar (filtros HEPA ou ionizadores colocados no quarto de dormir).
• Aspiração regular (aspirador com filtro HEPA). Aplicação de capas no colchão e na almofada. Remoção de reservatórios de alergénios (alcatifas, carpetes, estofos, …).
• Limitar a circulação dos animais nos quartos de dormir; porta do quarto sempre encerrada.