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Pólenes

No caso da alergia aos pólenes, alergénios muito prevalentes em Portugal e, contrariamente ao que acontece por exemplo na alergia aos ácaros do pó, não é possível uma evicção alergénica muito eficaz, sob pena de uma restrição drástica do quotidiano diário do doente, no entanto, algumas medidas podem permitir alguma protecção ou minimizar os sintomas.
—> Medidas:
• Reduzir a actividade em ambiente exterior, particularmente em áreas de elevada polinização.
• Evitar praticar desportos ao ar livre ou campismo; evitar caminhar em grandes espaços relvados ou cortar relva.
• Manter as janelas fechadas quando as contagens de pólenes forem elevadas, particularmente em dias de vento forte, quentes e secos.
• Usar filtros de partículas de grande eficiência nos carros e viajar com as janelas fechadas; no caso dos motociclistas, deverão usar capacete integral.
• Usar óculos escuros fora de casa.

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Indicações (Vacinas Antialérgicas)

Pacientes com reacções sistémicas relacionadas com as picadas de himenópteros (indicação absoluta) e com asma e/ou rinoconjuntivite alérgica relacionadas com sensibilização a alergénios cuja vacinação seja segura e eficaz, comprovada por estudos em dupla ocultação, controlados com placebo. Como extractos alergénicos usam-se os ácaros, animais de companhia (gato), pólenes, fungos (Alternaria e Cladosporium) e venenos de himenópteros. De entre os alergénios emergentes referimos a evidência que suporta o recurso a vacinas antialérgicas em doentes com clínica de anafilaxia relacionada com o látex e na alergia alimentar.

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Fungos

Alergénios importantes quer no exterior quer no interior dos edifícios. A contaminação é habitualmente efectuada do exterior através da janelas, embora fungos como Penicillium e Aspergillus possam ser predominantemente encontrados dentro dos edifícios.
A relação com a gravidade clínica dos doentes sensibilizados não está tão bem determinada.
– Medidas:
• Remover/lavar materiais contaminados – tapetes, mobiliário, papel de parede.
• Aplicação de fungicidas.
• Prevenção da contaminação do exterior – fechar janelas (pode ser contraditório com a necessidade de aumentar a ventilação); recurso a ar condicionado (caro).
• Controlo da humidade relativa – desumidificadores, aumento da ventilação (atenção às cozinhas e salas de banho); ar condicionado.
• Uso de filtros de alta eficiência – filtração do ar e na aspiração.
• Secar bem as roupas antes de serem guardadas.
• Evitar plantas nos quartos de dormir.

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Imunoalergologia

As doenças alérgicas são consideradas doenças do desenvolvimento, sendo frequente a utilização abusiva do termo alérgico, embora de facto uma grande percentagem das pessoas realmente afectadas não receba qualquer tipo de cuidados, vivendo com sintomas crónicos muito comprometedores da sua qualidade de vida. Estudos epidemiológicos recentemente efectuados revelam que no nosso país cerca de um terço da população se encontra acometida de, pelo menos, uma doença imunoalérgica, sendo mais frequentes a rinite, com uma prevalência de 25%, com a asma e o eczema atópico a atingirem cerca de 10% da população.
Tem-se demonstrado igualmente que a frequência e a gravidade dos quadros aumentaram nas últimas décadas. Está confirmado que, apesar de se terem efectuado múltiplas campanhas de sensibilização e de educação, o subdiagnóstico e o subtratamento destas doenças são alarmantes.
Embora possam ser iniciados em qualquer grupo etário, os sintomas de doença alérgica surgem frequentemente nas primeiras décadas de vida, passando por vezes muitos anos antes que sejam diagnosticados. Pelo meio fica um trajecto que inclui absentismo escolar e/ou laboral, colocando em risco a estrutura familiar e a capacidade de integração social.
Multiplicam-se tratamentos pouco orientados e de eficácia limitada e prescrevem-se exames auxiliares de diagnóstico sem que os quadros clínicos se controlem. A história natural da maioria das doenças alérgicas aponta para a persistência da sintomatologia durante a vida de grande número de doentes, embora com períodos de remissão mais ou menos prolongados.
Como factores etiopatogénicos da patologia imunoalérgica, estão frequentemente implicados diversos alergénios, com capacidade de induzir uma resposta imunológica por parte do organismo, na maioria dos casos traduzida na síntese de anticorpos IgE específicos (conceito de atopia). No entanto, em algumas situações clínicas, sintomaticamente equivalentes, outras classes de anticorpos ou mecanismos imunológicos podem estar envolvidos, sem que se identifiquem anticorpos da classe IgE (conceito de alergia). Finalmente, existem indivíduos com anticorpos contra alergénios comuns, mas sem qualquer manifestação clínica de órgão ou sistema (conceito de sensibilização).
A estimulação imunitária leva à libertação de mediadores pré-formados por parte de células como os mastócitos e os basófilos, relacionando-se com a fase imediata da reacção alérgica, que pode ser de grande intensidade, tal como ocorre durante uma reacção anafiláctica. A libertação posterior de mediadores neoformados e a chamada de outras células (linfócitos, eosinófilos) perpetuam a resposta, que entra na sua fase tardia, com consequências dramáticas para o(s) órgão(s) alvo. A estimulação continuada relaciona-se com a evolução crónica destas doenças inflamatórias. A evicção alergénica constitui então o primeiro tratamento anti-inflamatório na maioria das situações imunoalergológicas (ver “Evicção Alergénica”).
Os alergénios podem ser completos, isto é, capazes de induzir uma resposta de anticorpos IgE específicos (por exemplo, alergénios dos ácaros), ou sendo demasiado pequenos, a sua actuação pode depender da ligação a proteínas séricas, tal como ocorre com alguns alergénios medicamentosos (fenómeno de haptenização).

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Prurido Anal

O prurido ou comichão é habitualmente de causa benigna, recidivante e multifactorial.
Na etiopatogenia devemos considerar as doenças proctológicas (fissuras, fístulas, abcessos de cripta, e menos frequentemente as hemorróidas que prolapsam), as afecções dermatológicas (dermatite atópica, dermatite de contacto, psoríase, hidradenite supurativa), os parasitas intestinais (Oxiúrus), as infecções (as sexualmente transmitidas: condilomas, herpes, CMV, sífilis, gonococos, clamídia; ou outras infecção: cândida, estafilococos e estreptococos. Os doentes podem ter a pele previamente irritada, mais sujeita a infecções, ou factores predisponentes como seja a diabetes. As lesões suspeitas devem ser biopsiadas para excluir uma causa maligna de prurido (carcinoma espinocelular do canal anal, a doença de Bowen, a doença de Paget extramamária).
Contudo, o prurido anal é rotulado como idiopático em mais de 50% dos casos. A escorrência de fezes (fecal soiling) com irritação e coceira da pele da margem do ânus é a causa principal. Alguns doentes têm uma anomalia do reflexo recto-anal inibitório e um limiar baixo para o relaxamento do esfíncter anal interno ou relaxamentos transitórios do esfíncter anal interno. Assim, a escorrência de fezes, nos doentes sem outra causa para o prurido anal, pode dever-se a uma anomalia do funcionamento do esfíncter anal interno, com relaxamentos transitórios que permitem a escorrência, em analogia com o que se passa com os relaxamentos no esfíncter esofágico inferior no refluxo gastresofágico. Uma vez irritada a pele, as escoriações provocadas pelo arranhar e a aplicação de produtos alergénios na tentativa de alívio, agravam ainda mais o prurido. Não podemos esquecer os factores psicológicos que podem agravar as queixas, seja a obsessão com o prurido, ou medo de ter cancro. Tranquilizar os doentes, após investigação, pode ajudar no alívio dos sintomas.