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Eczema Numular

Esta forma de eczema deve o nome à forma como clinicamente se manifesta – em lesões numulares (em forma de moeda) dispersas pelo tegumento, com intenso prurido. Tem curso arrastado crónico-recidivante, resistente ao tratamento, constituindo desafio à arte terapêutica.
Existe componente constitucional determinante, embora em casos pontuais (sobretudo nas mãos) possa haver alergia de contacto sobreposta; em todos eles a colonização ou infecção por Staphylococcus aureus é um factor determinante.
Conquanto a terapêutica geral destes eczemas siga as regras enunciadas para os outros tipos de eczema, nesta situação particular assume importância a antibioterapia local (ácido fusídico, bacitracina) ou geral (macrólidos, flucloxacilina), consoante os casos.
À semelhança do referido para o EA, a utilização de tópicos com alcatrão, outrora muito empregados, caiu em desuso pelas razões atrás expostas. Os inibidores da calcineurina podem aqui ser de alguma utilidade, em especial nas situações em que existe alguma menor resposta aos corticóides tópicos.

alergia medicamentos 180x180 - Alergia Medicamentosa

Alergia Medicamentosa

Os quadros de alergia medicamentosa têm evidenciado uma frequência crescente na população, inerente ao aumento generalizado do consumo de medicamentos, ocorrendo muito frequentemente mesmo durante os internamentos. A escassez de diagnóstico e de referenciação para centros de Imunoalergologia torna os estudos de prevalência de extrema dificuldade, sendo quase impossível a implementação de estratégias de prevenção.
A alergia a antibióticos, particularmente aos derivados da penicilina, e a intolerância a AINEs são as formas mais comuns, não devendo ser esquecida a regra de potencialmente qualquer fármaco poder, num determinado indivíduo, em determinada circunstância, desencadear uma reacção. No entanto, é habitual conseguir identificar-se alternativas seguras, pois frequentemente em idades mais avançadas várias doenças obrigam a efectuar muitos tratamentos, essenciais para a obtenção de uma razoável qualidade de vida.
Considera-se que um dos factores de risco mais importantes no desenvolvimento duma reacção de hipersensibilidade está relacionado com as propriedades químicas e peso molecular do fármaco, actuando os fármacos frequentemente como alergénios incompletos (haptenos). Outros factores de risco incluem: doses elevadas, via de administração parentérica, duração do tratamento prolongada, exposição repetida ao fármaco e doenças concomitantes. Dos factores mais importantes relacionados com o doente destacam-se a idade, o sexo feminino, a presença de atopia e os antecedentes familiares de alergia medicamentosa (comprovada).
O diagnóstico correcto destas situações é de extrema importância para o doente e para o clínico. Após uma reacção adversa a um fármaco, coloca-se inevitavelmente a questão se será seguro voltar a administrar o mesmo, sobretudo nos casos em que as alternativas disponíveis não são eficazes.
A avaliação clínica e diagnostica das reacções de hipersensibilidade baseia-se sobretudo em informação recolhida, numa sequência lógica, com o objectivo de dar resposta às seguintes questões: os sinais físicos e os sintomas são compatíveis com uma reacção de hipersensibilidade; existe uma relação temporal entre a toma do fármaco e o aparecimento da reacção; a classe e estrutura química do fármaco estão associadas a reacções imunológicas; o paciente recebeu previamente o fármaco suspeito; não há outra razão plausível para a reacção; os exames complementares disponíveis são compatíveis com o diagnóstico de reacção mediada por mecanismos imunológicos?

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Pólenes

No caso da alergia aos pólenes, alergénios muito prevalentes em Portugal e, contrariamente ao que acontece por exemplo na alergia aos ácaros do pó, não é possível uma evicção alergénica muito eficaz, sob pena de uma restrição drástica do quotidiano diário do doente, no entanto, algumas medidas podem permitir alguma protecção ou minimizar os sintomas.
—> Medidas:
• Reduzir a actividade em ambiente exterior, particularmente em áreas de elevada polinização.
• Evitar praticar desportos ao ar livre ou campismo; evitar caminhar em grandes espaços relvados ou cortar relva.
• Manter as janelas fechadas quando as contagens de pólenes forem elevadas, particularmente em dias de vento forte, quentes e secos.
• Usar filtros de partículas de grande eficiência nos carros e viajar com as janelas fechadas; no caso dos motociclistas, deverão usar capacete integral.
• Usar óculos escuros fora de casa.

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Testes de Diagnóstico para Caracterização de Sensibilização Alergénica

– In vivo – testes cutâneos por prick ou por picada: correspondem à introdução do alergénio nas camadas superficiais da pele, através da utilização de uma lanceta. São muito sensíveis, rápidos e relativamente baratos, mas devem ser cuidadosamente valorizados por um especialista, com experiência na sua aplicação.
No estudo de quadros de hipersensibilidade a veneno de himenópteros e a alguns medicamentos, usam-se testes cutâneos intradérmicos.
– In vitro – as determinações séricas de IgE específica permitem detectar anticorpos contra alergénios suspeitos de terem relevância na patogenia das doenças. No entanto, são menos sensíveis do que os testes cutâneos, os resultados não estão imediatamente acessíveis e envolvem custos elevados. A quantidade de IgE identificada não se relaciona necessariamente com a gravidade clínica.
Se se pretender um rastreio de alergia/atopia, então deverá o clínico limitar-se a requisitar IgE total (e somente esta imunoglobulina na maioria das situações) e um teste de rastreio multialergénico, qualitativo (negativo/positivo).

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Alergia a Veneno de Himenópteros II

As reacções tóxicas e retardadas requerem terapêutica sintomática apropriada que depende do tipo, gravidade e da evolução da reacção.
Após a fase imediata, nas picadas de vespa podem surgir complicações infeciosas cutâneas, relacionadas com os locais frequentados por estes insectos.
A terapêutica de longo prazo apresenta três vertentes: medidas de evicção, kit para auto-administração de adrenalina (já referidos) e vacinação antialérgica.
Existem medidas que podem ser indicadas e que permitem minimizar a exposição a estes insectos:
— Nunca andar descalço especialmente em relvados;
— Evitar o uso de roupa larga com cores brilhantes ou com padrões florais;
— Evitar perfumes ou cosméticos com cheiros activos quando estiver em meio rural no campo ou em jardins;
— Evitar locais onde estes insectos costumam estar, jardins com flores, árvores de fruto, troncos caídos (onde as vespas costumam construir os ninhos);
— Evitar beber e comer doces (compotas) e frutas ao ar livre;
— Evitar caixotes e contentores de lixo;
— Usar capacete e luvas quando andar de bicicleta ou moto, inspeccionar o carro antes de entrar e manter as janelas fechadas;
— Não enxotar as abelhas ou vespas; se for atacado, proteja a cara com os braços ou com uma peça de vestuário;
— Cuidado quando fizer ginástica/exercício ao ar livre porque o suor atrai estes insectos;
— Cuidado ao fazer jardinagem; mantendo os braços, cabeça e corpo o mais coberto possível;
— Andar sempre com o seu estojo de emergência, não o deixando no carro ou em casa.

A vacinação antialérgica tem indicação absoluta em pacientes com reacção sistémica grave mediada por IgE, tendo em conta que, tal como foi referido, existe um elevado risco de reacção grave numa picada subsequente. Em contrapartida, não está recomendada em pacientes com reacção sistémica ligeira, uma vez que, nestes casos, a história natural da doença é mais favorável, excepto quando existe um elevado grau de exposição (por exemplo, apicultores e seus familiares). Não tem qualquer indicação em reacções não mediadas por IgE ou nas reacções locais extensas.
A alergia a himenópteros é uma situação relativamente frequente, ainda pouco divulgada na comunidade médica, podendo relacionar-se com mortalidade.
Continuam a ocorrer casos fatais relacionados com picadas de himenópteros, sendo que o conhecimento anterior desta situação não levou à referência para centros especializados.
O diagnóstico é simples, estando disponíveis meios terapêuticos e profilácticos eficazes.
Só assim é possível uma actuação correcta perante estes doentes, que passa necessariamente pela referência a consultas de Imunoalergologia.

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Alergia ao Látex

O látex é uma substância extraída da árvore da borracha (Hevea brasiliensis), que após um longo processo de manufactura entra na composição de múltiplos materiais de uso médico (luvas, cateteres, algálias, máscaras, drenos, sondas, garrotes,…) e de uso corrente (bolas, balões, toucas, brinquedos, chuchas, tetinas, preservativos, …).
A alergia ao látex foi recentemente uma entidade clínica emergente, particularmente em grupos populacionais bem identificados: crianças submetidas a múltiplas intervenções cirúrgicas, em especial com espinha bífida ou outras malformações, urológicas ou gastrintestinais; profissionais de saúde; operários da indústria de látex; trabalhadores das plantações da árvore da borracha. Os indivíduos atópicos parecem também estar mais predispostos para a sensibilização ao látex.
As manifestações clínicas de alergia ao látex são reacções de hipersensibilidade do tipo imediato, IgE mediadas, habitualmente variáveis consoante a via de exposição e a concentração de alergénios a que o indivíduo está exposto (reacções ligeiras até choque anafiláctico). Um aspecto importante desta patologia é a existência de reactividade cruzada entre o látex e alguns alimentos de origem vegetal (frutos e legumes).
Verificamos que nas crianças com espinha bífida a prevalência de alergia a frutos e outros vegetais com reactividade cruzada com o látex é baixa, e quando ocorre raramente é causa de reacções alérgicas graves. Pelo contrário, nos profissionais de saúde, a alergia alimentar é frequente e potencialmente fatal. A explicação para as diferenças encontradas reside nos diferentes perfis de sensibilização alergénica.
O diagnóstico de alergia ao látex baseia-se na clínica e é confirmado por testes de diagnóstico, in vivo (testes cutâneos) e in vitro (doseamento de IgE específica).
Quando persistem dúvidas ou se existe discrepância entre a clínica e os testes de diagnóstico deverá ser efectuada prova de provocação, sempre em ambiente hospitalar, dada a possibilidade de ocorrência de reacções anafilácticas.
A terapêutica da alergia ao látex consiste essencialmente na evicção alergénica. Todos os pacientes com esta patologia deverão evitar o contacto com látex durante qualquer intervenção médico-cirúrgica, bem como nas actividades diárias; no entanto, a eficácia das medidas preventivas, mesmo quando meticulosas, permanece por esclarecer.
No âmbito da prevenção salientamos que a presença de pó lubrificante nas luvas provoca um aumento da quantidade de partículas de látex aerossolizadas no ar ambiente, e que o uso generalizado nos serviços de saúde de luvas de látex sem pó contribuiu para a diminuição da incidência de sensibilização ao látex (incluindo nos próprios profissionais) e diminuição do início de clínica nos doentes sensibilizados assintomáticos.
Todos os indivíduos com alergia ao látex deverão usar uma pulseira/colar ou um cartão identificadores da sua situação clínica. Os doentes com história de reacções graves com látex ou alimentos que apresentam reactividade cruzada com látex devem ter sempre disponível um kit de adrenalina para auto-administração, para situações de exposição acidental.
A vacinação antialérgica para látex constitui uma alternativa terapêutica.

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Alergia Alimentar II

As determinações de IgE específica, de requisição muito difundida e pouco criteriosa, se indiscriminadamente pedidas, relacionam-se com custos elevados, sem contribuir minimamente para o esclarecimento dos quadros clínicos, devendo a sua requisição ser muito criteriosa. Será importante recordar que se a identificação de uma resposta IgE mediada não implica por si só a existência de clínica, a negatividade de um teste pode não excluir o diagnóstico. Acresce que as IgE específicas podem continuar detectáveis muito para além de se alcançar a tolerância ao alimento.
Finalmente, mesmo conjugados os dados clínicos e os resultados dos exames auxiliares, em apenas até um terço dos casos se confirma a hipótese de diagnóstico inicial assumindo-se as provas de provocação como o gold standard na abordagem diagnostica e na avaliação evolutiva dos quadros de alergia alimentar.
O tratamento da alergia alimentar assenta fundamentalmente na evicção dos alimentos identificados e responsabilizados pelos quadros de alergia, embora seja promissora a abordagem com recurso a protocolos de indução de tolerância, já em curso no nosso país. A terapêutica farmacológica não é habitualmente utilizada, excepto a utilização de kits para auto-administração de adrenalina em doentes de risco anafiláctico.
As provas de provocação regulares em ambiente hospitalar, efectuadas de acordo com um calendário onde se inclui a idade do doente, os alergénios incriminados e as apresentações clínicas referidas constituem o seguimento adaptado a estas formas clínicas, sempre dependente da supervisão de clínicos com experiência nesta área muito particular com capacidade para interpretar padrões clínicos, resultados de exames auxiliares conseguir assim reduzir o impacto pessoal, familiar e social desta patologia emergente, potencialmente fatal.
Nos primeiros anos de vida para os alergénios mais frequentemente envolvidos (leite, ovo, trigo,..), as provas são programadas com uma periodicidade trimestral ou semestral; se as queixas persistem para além dos 2 anos, ou se estão envolvidos outros alimentos (peixe, legumes, frutos,…), então a periodicidade das provas de provocação passa a ser de anual até de 3 em 3 anos. .
As medidas de prevenção primária (Quadro 4.4) têm, em regra, mostrado algum efeito, quando são incluídos lactentes de risco atópico (ambos os progenitores alérgicos, ou um alérgico e um irmão alérgico ou um alérgico e marcadores in vitro do lactente claramente positivos).
Evicção da exposição tabágica é o único factor prevenível quanto à expressão de alergia respiratória, começando na gravidez. Assim, a dieta deve ser indiscutivelmente fornecida num ambiente sem tabaco…

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Alergia Alimentar

A alergia alimentar é um dos maiores desafios alergológicos, não só pela sua frequência crescente, mas também pela versatilidade dos quadros clínicos. Nas crianças, o leite de vaca, o ovo, o trigo, o peixe e o amendoim são, entre nós, os alimentos mais incriminados no aparecimento de quadros de alergia alimentar. Outrora considerados transitórios, estes quadros assumem actualmente, com alguma frequência, períodos de duração muito prolongada. Nos adultos, os frutos secos, os mariscos, os moluscos, os vegetais e os frutos frescos são os alimentos mais envolvidos nestas reacções, registando-se um número crescente de reacções a frutos frescos, particularmente em indivíduos com alergia a pólenes.
As reacções adversas relacionadas com a ingestão de alimentos ocorrem em qualquer grupo etário, podendo ser denominadas duma forma abrangente em hipersensibilidade alimentar e divididas em duas categorias principais: 1) Alergia alimentar – compreendem qualquer resposta imunológica anormal secundária à ingestão de um alimento, mais frequentemente mediadas pela produção de anticorpos IgE (alergia alimentar IgE mediada), mas podendo ter subjacentes mecanismos com envolvimento de outras células e mediadores do sistema imunitário (alergia alimentar não IgE mediada). 2) Hipersensibilidade alimentar não alérgica (anteriormente referidas como intolerância e/ou toxicidade alimentar) – formas mais prevalentes, associadas a fenómenos não imunológicos secundários à ingestão de um alimento ou de um aditivo alimentar, podendo consistir em reacções tóxicas, defeitos estruturais, reacções metabólicas, reacções farmacológicas ou reacções idiossincráticas.
Os quadros de alergia alimentar podem então ter um substrato imunológico IgE mediado ou não IgE mediado (celular ou outro), existindo situações clínicas em que podem estar envolvidos qualquer um dos mecanismos imunológicos (mistas).
A sensibilização a alergénios alimentares será a primeira causa de anafilaxia, sobrepondo-se a outros agentes etiológicos frequentemente mais valorizados, como são os fármacos. Recentemente, verificou-se uma modificação do padrão epidemiológico dos alimentos responsáveis pela maioria dos quadros clínicos mais graves: de um padrão tradicionalmente considerado das proteínas do leite de vaca, do ovo e dos mariscos, são referidos agentes major na última década, relacionados com casos fatais, o amendoim, a soja, os frutos secos e frescos e os legumes.
Na criança, as reacções alérgicas ocorrem em até 10%, com tendência crescente. A prevalência nos adultos será de cerca de 2%.
Os alergénios mais frequentemente responsáveis por alergia alimentar em Portugal serão o leite, o ovo, o peixe, os cereais, o amendoim e a soja, os frutos frescos, os crustáceos e os moluscos, os frutos secos, os legumes e as especiarias, sendo uma distribuição de alergénios semelhantes às descritas para outros países do Sul da Europa, bem como se evidencia que a maioria dos doentes apresenta alergia a apenas um grupo alimentar; a alergia alimentar múltipla constitui a excepção, embora seja cada vez mais frequente.
Uma abordagem diagnostica bem sucedida deve basear-se na história clínica – permite identificar os alimentos agressores, baseado numa razoável correlação entre ingestão, presença de eventuais factores condicionantes e aparecimento dos sintomas. Deve ser considerado o padrão clínico que tradicionalmente se associa com os alimentos suspeitos em estudo e nos exames auxiliares de diagnóstico – a escolha deve basear-se na apresentação clínica e no respectivo quadro imunológico subjacente, IgE ou não IgE mediado, adequando-se assim os exames a pedir, constituindo importantes auxiliares, nomeadamente na selecção dos alimentos a incluir na programação de provas de provocação alimentares.

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Ácaros Domésticos

O carácter ubiquitário destes aracnídeos coloca-os como a primeira causa de alergia no nosso país, pois aqui encontram características ambientais muito favoráveis para o seu desenvolvimento. A sensibilização está directamente relacionada com os níveis e com a duração da exposição. A redução da população de ácaros e/ou da quantidade de alergénios influencia indiscutivelmente a evolução clínica pacientes alérgicos, nomeadamente dos que sofrem de asma, de rinoconjuntivite ou de eczema atópico.
– Medidas:
• Métodos de barreira ou oclusivos – capas de colchão e das almofadas, idealmente aplicadas em colchões novos ou pelo menos recentes (impede a colonização), feitas de tecido com porosidade inferior a 5/10 um, permitindo a passagem do ar e da água ou com revestimento de poliuretano, existindo neste caso capas permeáveis e impermeáveis ao ar e ao vapor de água. Provavelmente constitui a medida isolada mais eficaz (essencial).
• Lavagem da roupa da cama, incluindo edredões e cobertores, sempre acima dos 40 °C, idealmente > 55 °C – existem também capas para edredão, no caso de não ser possível a sua lavagem (essencial).
• Remover peluches da cama/lavagem regular (semanal a mensal), a 60 °C, dos que permanecerem (essencial).
• Remover mobiliário acolchoado (por exemplo, cabeceiras de cama) e alcatifas, particularmente se antigas, preferindo pavimentos em madeira, sintéticos ou aplicação de alcatifas laváveis de pêlo curto. Evitar livros no quarto (desejável).
• Aspiração semanal com dispositivo apropriado (aspirador com filtro de alta eficiência – high-efficiency particulate air – HEPA), disponíveis no mercado a preços muito aceitáveis (desejável). Aspiradores com filtro de água e sem filtro HEPA aumentam a probabilidade de aerossolização de alergénios e de outros agentes biológicos. A limpeza com vapor de água não é recomendada.
• Limpar o pó com pano húmido (desejável).
• Redução da humidade relativa – desumidificadores e aumento da ventilação (desejável).
• Acaricidas – eficácia demonstrada em laboratório (por exemplo, benzoato de benzilo); eventualmente pouco relevantes em locais muito infestados, sendo considerado discutível o seu interesse clínico. Indicada aplicação regular no pavimento (trimestral), seguido de aspiração, se não for possível retirar alcatifas (desejável).

Vacina HPV 180x180 - Segurança das Vacinas

Segurança das Vacinas

A maior parte das vacinas disponíveis, sobretudo as recomendadas ou mandatórias, apresentam índices elevados de segurança e tolerabilidade, pelo que os benefícios obtidos geralmente superam largamente os riscos de reacções adversas associados à sua administração. No entanto, é possível a ocorrência de reacções vacinais, que não constituem contra-indicações para sua utilização. As mais comuns incluem as reacções no local da administração, febre e, por vezes, doença do soro, que podem ser devidas quer ao componente antigénico da vacina, quer aos excipientes ou a impurezas proteicas contidas no produto acabado. As reacções anafilácticas podem ocorrer com qualquer vacina ou medicamento.
As contra-indicações das vacinas são muito raras, devendo ser consideradas as seguintes:
– Reacção anafiláctica aquando de uma administração anterior ou alergia grave conhecida à vacina ou a um dos seus componentes.
– Gravidez, no caso de vacinas vivas atenuadas.
– Imunodepressão, no caso de vacinas vivas atenuadas.
– BCG durante doenças febris agudas.
Para além destas situações, é recomendação geral que as vacinas não sejam administradas em condições de doença febril aguda e que vacinas atenuadas não sejam administradas concomitantemente com antimicrobianos, aos quais a estirpe vacinal possa ser sensível (antituberculosos, antigripais, anti-herpéticos) ou em doentes aos quais foram administradas recentemente imunoglobulinas, por risco de perda de eficácia. É fundamental que os técnicos de saúde estejam familiarizados com as reacções adversas esperadas para cada tipo particular de vacina e com o seu tratamento, bem como as suas reais contra-indicações, de modo a aumentar a abrangência da imunização nas populações alvo com o máximo de segurança.