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Novos medicamentos na Doença de Alzheimer

O número de casos de doença de Alzheimer tem vindo a aumentar como consequência do envelhecimento da população. A doença de Alzheimer conduz a uma deterioração mental progressiva com consequências dramáticas para o paciente, a família, a sociedade.
A descoberta de novos medicamentos com marcado efeito sintomático, ou suscetíveis de retardar a progressão da doença, é por isso prioritária. Vários ensaios clínicos em curso testam a hipótese de que a interferência com a formação e agregação do péptido amiloide no parênquima cerebral possa atrasar a progressão da doença. A possibilidade da participação do doente num ensaio clínico de boa qualidade realizado num centro de referência tem, pois, de ser mencionada no contexto da terapêutica da doença de Alzheimer.

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Terapêutica Antiglutamatérgica na Doença de Alzheimer

A memantina, um antagonista não competitivo dos receptores para glutamato de subtipo N-metil-D-aspartato (NMDA), representa a segunda classe de fármacos aprovados para o tratamento sintomático específico da doença de Alzheimer. A eficácia da memantina foi demonstrada em estudos efectuados na doença de Alzheimer moderada a grave, em monoterapia ou associada ao donepezil. A DI é de 5 mg, sendo incrementada semanalmente em acréscimos de 5 mg até à dose de 10 mg 2xdia. Existe também em solução oral (10 mg/g). Recentemente existe evidência de que a memantina, nas mesmas doses, pode ser administrada numa só toma diária, na DI de 5 mg e em acréscimos de 5 mg semanais até à dose de 20 mg em toma única ao pequeno-almoço. Também em relação a este fármaco se terá de reduzir a dose em doentes sensíveis. Alguns pacientes podem ficar mais agitados e apresentar mesmo sintomas psicóticos, como alucinações. Será necessária precaução em doentes com antecedentes de epilepsia, porque a memantina poderá facilitar o desencadeamento de crises. Deverá evitar-se a administração concomitante de outros medicamentos com efeito de antagonismo dos receptores NMDA, como a amantadina e antitússicos contendo dextrometorfano.

alzheimers 180x180 - Terapêutica Colinérgica na Doença de Alzheimer - II

Terapêutica Colinérgica na Doença de Alzheimer – II

Sendo o efeito dos inibidores da acetilcolinesterase essencialmente sintomático, e não de modificação do decurso da doença, e relativamente moderado, e tratando-se de medicamentos muito dispendiosos, será especialmente importante discutir com o doente, se ainda for o caso, e com os familiares, a decisão do início da terapêutica. As mesmas considerações se aplicam em relação à avaliação do benefício da terapêutica. Esta avaliação poderá ser efetuada aos 3 meses de terapêutica, porquanto nos ensaios clínicos reportados os efeitos são já manifestos nesta altura. Também a reavaliação periódica do benefício do inibidor da acetilcolinesterase não deverá ser esquecida. Existe alguma evidência acerca da possibilidade de um doente não beneficiar ou não tolerar uma dose suficiente de um inibidor e melhorar com outro inibidor da acetilcolinesterase.

alzheimer 180x180 - Demência

Demência

A demência é uma síndrome caracterizada por défices da memória e de outras funções cognitivas. Estas alterações devem representar declínio em relação a um nível prévio, não ocorrer apenas no decurso de episódio confusional e ter repercussão em termos familiares, sociais, profissionais. A causa mais frequente de demência é a doença de Alzheimer, uma doença degenerativa de início insidioso e evolução progressiva cuja prevalência aumenta com a idade. A doença de Alzheimer caracteriza-se pela degenerescência e morte neuronal, induzida pela deposição no cérebro de várias substâncias, como o péptido (amilóide e a proteína tau, que atinge preferencialmente áreas cerebrais, como o hipocampo e estruturas relacionadas, envolvidas nos processos de memória. Outras causas frequentes de demência são a demência com corpos de Lewy, a demência frontotemporal e a demência vascular. E importante realçar que existem causas de demência que têm tratamentos específicos e nalguns casos potencialmente curativos, como por exemplo tumores cerebrais, hidrocefalia de pressão normal, doenças metabólicas, endócrinas ou carenciais. Os protocolos de diagnóstico e avaliação devem permitir a deteção destas causas de demência. Assim, a anamnese e o exame neurológico, incluindo avaliação do estado mental, são considerados essenciais. O pedido de várias análises laboratoriais é também recomendado, nomeadamente hemograma, ionograma, glicemia, creatininemia, provas de função hepática, provas de função tiroideia, vitamina B12 e ácido fólico séricos, serologia para a sífilis e VIH. Idealmente qualquer doente com demência deverá efetuar um estudo de imagem, como TC ou RM cranioencefálica.
Em casos particulares, a avaliação poderá incluir outros exames, entre os quais salientamos análises laboratoriais, estudos genéticos, electroencefalograma, análises no líquido cefalorraquidiano recolhido por punção lombar, estudos de imagem funcional e testes neuropsicológicos pormenorizados.