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Capreomicina (Tuberculose)

– Capreomicina – é um polipéptido, que tem boa actividade contra MT, embora possa ocorrer resistência cruzada com amicacina e canamicina (mas não com SM), pelo que é frequentemente tratado em conjunto com estes fármacos.
• Posologia e administração – apenas está disponível para uso parentérico i.m. Reacções adversas mais frequentes incluem nefrotoxicidade e ototoxicidade, relacionadas com a dose e mais frequentes a partir dos 50 anos. A DDR é de 1 g i.m./5xsemana, não excedendo os 2 meses de tratamento, e de 1 g/3xsemana em doentes com mais de 50 anos.

reduzir riscos do uso de antibioticos para criancas e simples 1  2012 10 22151531 180x180 - Amicacina e canamicina (Tuberculose)

Amicacina e canamicina (Tuberculose)

– Amicacina e canamicina – são aminoglicósidos que, tal como a SM, têm actividade contra o complexo MT.
Em estudos in vitro, a amicacina apresenta maior eficácia do que a SM, mas o seu elevado custo e maior toxicidade remetem-na para o tratamento de 2.ª linha. A canamicina apresenta maior potencial de ototoxicidade.
• Posologia e administração – a DDR é 7-10 mg/kg (não excedendo 1 g) para a amicacina e 10 mg/kg e de 500 mg para a canamicina, ambas i.m.

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Aminoglicósidos

Constituem um grupo de fármacos antibióticos naturais (estreptomicina, espectinomicina, neomicina, canamicina, gentamicina, tobramicina) ou semi-sintéticos (amicacina, netilmicina) cujo espectro de actividade inclui GR-, incluindo agentes frequentemente resistentes a outras classes de antibióticos, tais como Pseudomonas aeruginosa (mas não B. cepácea nem S. maltophilia), Acinetobacter spp., Serratia spp. (sobretudo a gentamicina), Citrobacter spp., Proteus indol+ e Enterobacter spp. São activos contra Haemophilus spp. e histeria monocytogenes e têm actividade variável contra GR+, incluindo S. aureus (SASM) e pneumococo, mas não devem ser utilizados isoladamente para o tratamento de infecções por estes agentes. Alguns fármacos deste grupo apresentam actividade clinicamente significativa contra Mycobacterium spp. (estreptomicina, canamicina, amicacina) e contra N. gonorrhoeae (espectinomicina). Salvo diferenças pontuais, os espectros de actividade da gentamicina, tobramicina, netilmicina e estreptomicina são sobreponíveis. A amicacina tende a manter, na generalidade dos estudos epidemiológicos, um melhor perfil de actividade do que a gentamicina contra P aeruginosa e Acinetobacter spp., devendo ser reservada para o tratamento de infecções graves.
São bactericidas, sendo o mecanismo de acção principal a ligação à unidade de 16S de ARN ribossómico bacteriano incluída na subunidade 30S do ribossoma, induzindo erros na leitura do código genético e inibindo a translocação do ARN. A actividade depende da penetração através da parede bacteriana, mediada pelo gradiente de concentrações de fármaco entre o exterior e interior da bactéria e por um mecanismo de transporte activo dependente de energia que é inibido em condições de anaerobiose, pH ácido, osmolalidade elevada e por catiões divalentes (Ca, Mg).
—> Mecanismos de resistência – a resistência bacteriana específica aos aminoglicósidos pode ser intrínseca, por mutação na fracção 16S do ribossoma (M. tuberculosis e estreptomicina) ou adquirida, quer por inibição enzimática (fosforilação, adenililação e acetilação, principalmente em gentamicina e tobramicina, mais raramente amicacina), quer através de metilação da fracção 16S do ADN ribossómico, que bloqueia o acesso do antibiótico ao seu local de actuação e confere resistência elevada a todos os aminoglicósidos. Estas enzimas inactivadoras podem ser transferidas entre bactérias por elementos transponíveis, tais como plasmídeos ou transposões. Outros mecanismos inespecíficos incluem a indução de bombas de efluxo, importante em P aeruginosa.
O desenvolvimento de resistência aos aminoglicósidos durante o tratamento é raro e relacionado com exposições prolongadas.
– Farmacologia – têm de ser administrados parentericamente (e.v., i.m.). São quase totalmente eliminados na urina sem serem metabolizados, atingindo concentrações urinárias 25 a 100 vezes superiores às séricas, mas a sua actividade urinária é reduzida pelo pH e osmolalidade do meio. Os aminoglicósidos têm um efeito pós-antibiótico2 directamente dependente da concentração, do pH e da oxigenação do meio, com relevância clínica contra enterobacteriáceas (0,9-2 horas). P aeruginosa (1-3 horas) e S. aureus (3 horas), mas não contra outras GR+. A actividade antibacteriana é dependente da concentração e optimizada pelo incremento do rácio Cmax/CIM, pelo que é útil administrar a dose diária total numa única toma. Os aminoglicósidos têm um volume de distribuição baixo (0,2 a 0,4 L/kg), que se reflecte em baixa concentração intracelular, má difusibilidade no tecido pulmonar, na árvore biliar e através da BE.
-> Segurança – a nefrotoxicidade, geralmente reversível, ocorre em 5-25% dos doentes expostos e 30-50% em idosos, doentes multissistémicos ou expostos a outros fármacos nefrotóxicos. A estreptomicina é menos nefrotóxica do que os restantes aminoglicósidos disponíveis para uso parentérico. Em estudos in vitro, os glicopéptidos aumentam o risco de nefrotoxicidade dos aminoglicósidos e os P-lactâmicos (com excepção das cefalosporinas) reduzem-no. Os fármacos anti-hipertensivos e a hipotensão aumentam o risco de nefrotoxicidade. Anfotericina B, cefalosporinas, piperacilina e clindamicina estão também relacionados com o aumento do risco de nefrotoxicidade. A administração em toma única diária parece ser um factor de redução da toxicidade renal. A ototoxicidade, manifestada por síndrome vestibular (4-6%) ou coclear (3-14%), é dependente da duração da exposição e as taxas de frequência clínica podem não reflectir a frequência das alterações funcionais detectáveis por meios laboratoriais, parecendo existir predisposição genética.