Artigos

Cefepime ac 180x180 - Cefepima

Cefepima

—> Cefepima – partilha do espectro da ceftazidima, mas com melhor actividade contra P. aeruginosa e GR+ (mesmo espectro da ceftriaxona). Pouca actividade contra anaeróbios, mas pode ser útil contra Acinetobacter spp. Parece ter menor potencial para a indução de p-lactamases do que a cetriaxona e ceftazidima. No entanto, a sua utilização deve ter em consideração a publicação de dados que apontam para um risco aumentado de mortalidade em doentes com infecções graves tratados com cefepima, em comparação com outros p-lactâmicos, particularmente em doentes com neutropenia febril.
• Farmacologia – só disponível para utilização parentérica. Metabolismo hepático (15%) e excreção renal (80%). 11/2 de 2 horas.
• Gravidez – classe B.
• Posologia e administração – 1-2 g de 12/12 a 8/8 horas, e.v.

Cefoxitina Sodica ac 180x180 - Cefoxitina

Cefoxitina

Cefoxitina – partilha do espectro de actividade da cefuroxima, mas é mais activa contra anaeróbios, incluindo B. fragilis. É útil para a profilaxia da infecção da ferida cirúrgica em cirurgias contaminadas ginecológicas ou com secção do intestino (colorrectal), pelo que deve ser reservada para este fim.
• Farmacologia – apenas disponível para administração e.v.. Metabolismo mínimo, com excreção quase total pela urina. t1/2 de 1,5 horas.
• Gravidez – classe B.
• Posologia e administração – 1-2 g e.v. no momento da indução da anestesia, a repetir de 2/2 horas durante a cirurgia.

candidiase entenda a doenca e previna se 1024x882 180x180 - Tratamento (Vaginose Bacteriana)

Tratamento (Vaginose Bacteriana)

Idealmente o tratamento para a VB deve inibir os anaeróbios mas não os lactobacilos.
Assim, temos como tratamento de 1.ª linha:
—> Metronidazol – 500 mg p.o. de 12/12 horas – 7 dias (taxa de cura de 95%).
—> Ou metronidazol – 2 g p.o. – dose única (taxa de cura de 84%).
Em alternativa:
—> Clindamicina creme a 2% – um aplicador (5 g) intravaginal ao deitar – 7 dias.
—> Clindamicina – 300 mg p.o. de 12/12 horas – 7 dias.
A preferência do tratamento local deve-se ao facto de provocar menos efeitos colaterais, tais como alterações gastrintestinais.
Não está demonstrado que o tratamento do parceiro optimize a resposta à terapêutica, pelo que não está recomendado.

reduzir riscos do uso de antibioticos para criancas e simples 1  2012 10 22151531 180x180 - Piperacilina+tazobactam

Piperacilina+tazobactam

– Piperacilina+tazobactam – com boa actividade contra GR+, GR- e anaeróbios, a piperacilina é uma ureidopenicilina com espectro amplo, valiosa pela boa actividade contra P aeruginosa. A adição de tazobactam, um inibidor das P-lactamases, veio alargar a actividade a enterobacteriáceas produtoras de p-lactamases (mas não de BLEA), mas não modifica a actividade contra pseudomonas.
• Farmacologia – não absorvida por via oral. Boa distribuição tecidular, é escassamente metabolizada e excretada sobretudo na urina (80%). t1/2 de cerca de 1 hora.
• Interacções – anticoagulantes orais. Pode inactivar os aminoglicósidos in vitro, sendo este efeito mais marcado com gentamicina e tobramicina do que com amicacina.
Embora o impacto deste efeito não tenha sido completamente avaliado in vivo, a utilização concomitante destes fármacos, particularmente em doentes imunodeprimidos, impõe a monitorização dos níveis séricos (MNS) dos aminoglicósidos.
– Segurança – podem ocorrer reacções de hipersensibilidade, mais frequentes em doentes com antecedentes de alergia à penicilina, reacções no local de administração, cefaleias, náuseas, convulsões. A sobrecarga sódica pode ser relevante em insuficientes renais.
-Gravidez – classe B.
-Posologia e administração – o tratamento de infecções por pseudomonas, recomenda-se a dose de 4,5 g de 6/6 horas, e.v. Em alternativa, pode-se administrar a mesma dose diária (18 g) em perfusão contínua.

Helicobacter sp 01 180x180 - Infecções Graves (Litíase das Vias Biliares)

Infecções Graves (Litíase das Vias Biliares)

As bactérias na bílis ou no sangue dos doentes com colangite grave incluem espécies entéricas Gram-negativo e positivo, anaeróbios como Bacteroides e Clostridium e, por vezes, Pseudomonas e Cândida albicans. A terapêutica deve incluir uma associação de penicilina (amplo espectro) + aminoglicosídeo + metronidazole (anaeróbios) e em alguns casos de imunodeprimidos (VIH) um antifúngico (fluconazol).

Gallbladder cholesterolosis micro 180x180 - Colecistite Aguda

Colecistite Aguda

Em muitos casos a colecistite aguda é a manifestação inicial da doença litiásica, mas a maior parte dos doentes já sofreram cólicas biliares. Após o primeiro episódio de infecção aguda, a probabilidade de repetição da colecistite aguda aumenta e a gravidade do quadro também. Nos diabéticos e no homem, a colecistite aguda é geralmente mais grave e os doentes estão mais sujeitos a complicações.
A obstrução prolongada do cístico, por várias horas, promove as condições de estase facilitadoras da infecção, com aumento da tensão intraluminal e doença microvascular da parede da vesícula, seguida de permeação da mucosa e infecção extra-órgão. A doença da parede pode conduzir à gangrena da vesícula ou, com determinados agentes infectantes, assumir a forma de colecistite enfisematosa. O processo transmural é geralmente contido pelo grande epiplon e/ou órgãos vizinhos, mas não é rara a ruptura da vesícula com peritonite não localizada.
Os agentes infecciosos mais frequentemente envolvidos na colecistite aguda são: enterobacteriáceas, enterococos e anaeróbios.
O quadro clínico começa geralmente como uma cólica biliar, mas torna-se persistente e sobrevêm os sinais de infecção, inicialmente locais e posteriormente sistémicos. A palpação surge assimetria do tónus muscular com contractura e posteriormente defesa. Uma massa dolorosa, de limites mal definidos, não elástica, com consistência dita como semelhante à do cartão molhado, pode palpar-se geralmente após 24 horas de doença (plastrori).
Peritonite e sépsis podem ocorrer no decurso da colecistite aguda.
Os exames laboratoriais revelam geralmente leucocitose e aumento da PCR. A colestase não faz parte do quadro habitual de colecistite, podendo a bilirrubina subir até valores de 4 mg por decilitro, sem que seja a tradução de uma complicação grave. A presença de valores mais elevados (com icterícia) deve fazer suspeitar de coledocolitíase concomitante, síndrome de Mirizzi, pancreatite ou perfuração da vesícula.
Na prática clínica actual, a ecografia é o exame com maior exequibilidade e acuidade diagnóstica (95%). Aumento da espessura da parede (>5 mm), líquido perivesicular, com ou sem abcessos, e “Murphy” ecográfico permitem estabelecer com segurança o diagnóstico, num doente com litíase e quadro clínico de colecistite aguda.
A maior parte das colecistites agudas têm um curso ligeiro, mas a evolução local e/ou sistémica pode ser moderada ou mesmo grave, devendo o tratamento ajustar-se à gravidade da situação.
A utilização de antibióticos justifica-se sempre que há sinais clínicos, laboratorial ou imagiológicos de infecção. Iniciados de forma empírica, devem cobrir as espécies mais frequentemente cultivadas na bílis das colecistites agudas. Os esquemas geralmente propostos são uma cefalosporina de 2.a geração (por exemplo, cefoxitina 3-4 g/dia) ou a associação de quinolona (por exemplo, ciprofloxacina 400 mg e.v. 12-12 horas) ao metronidazole (por exemplo, 500 mg e.v. 8-8 horas), por um período de cerca de 10 dias, ou de acordo com critérios que assegurem o controlo da infecção (terapêutica conservadora).

dsc02619 180x180 - Pneumonia de aspiração

Pneumonia de aspiração

É um processo infecioso pulmonar causado pela aspiração para a árvore traqueobrônquica de material da orofaringe colonizado por bactérias patogénicas.
A aspiração silenciosa de material da cavidade oral durante o sono é frequente em indivíduos saudáveis, no entanto, os mecanismos de proteção das vias aéreas (encerramento glótico, reflexo da tosse, integridade do epitélio respiratório ciliado, imunidade celular e humoral) conduzem à depuração do material sem produção de sequelas. Quando estas defesas estão comprometidas e/ou o volume aspirado e grau de agressividade do inóculo bacteriano são elevados, por exemplo perante má higiene dentária, desenvolve-se uma pneumonia de aspiração.
A sua conceção inicial refere-se a infeção por agentes anaeróbios (Peptostreptococcus, octerium nucleatum, Prevoíella, Bacteroides spp.). Na realidade, a maioria dos doentes com pneumonia de aspiração adquirida na comunidade possui uma flora mista que engloba os anaeróbios em associação com Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus aureus, Haemophilus influenzae ou Enterobacteriaceae. Quando a aspiração ocorre em meio hospitalar, com internamento em unidade de cuidados intensivos, os microrganismos mais frequentemente identificados são, por ordem decrescente, os Gram-negativo (Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli) anaeróbios e S. aureus.
Um elevado grau de suspeição diagnostica surge quando se verificam os seguintes critérios:
– Condições propícias para a aspiração orofaríngea e/ou doença periodontal, maioria dos casos, os episódios não são presenciados. *
– Curso indolente (dias a semanas).
– Sintomas como tosse, expetoração purulenta fétida, dispneia, febre baixa, toracalgia, mialgias, astenia, anorexia e emagrecimento.
– No exame objetivo salientam-se sinais da patologia de base que conduziu à aspiração, uma má higiene oral, alterações do estado de consciência, febre, fervores auscultatórios, entre outros.
— Radiografia ou TC de tórax com infiltrado de novo em locais preferenciais como sejam os segmentos posteriores dos lobos superiores e apical dos lobos inferiores (nos doentes cujo episódio de aspiração ocorreu em decúbito dorsal) e segmentos basais dos lobos inferiores (naqueles em que a aspiração se verificou na posição sentada ou ortostática). Frequentemente ocorre progressão para abcesso pulmonar, pneumonia necrotizante ou empiema.
O tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível de forma a diminuir a morbilidade e mortalidade:
– Antibioterapia empírica adaptada ao local e contexto em que ocorreu a pneumonia de aspiração, abrangendo agentes Gram-negativo e Gram-positivo. A escolha recai normalmente sobre as fluoroquinolonas (levofloxacina, moxifloxacina), cefalosporinas de 3.ª geração (ceftazidima), carbapenemes (imipenem) e piperacilina + tazobactam.
A cobertura de anaeróbios é obrigatória no contexto de doença periodontal, expetoração com cheiro fétido, pneumonia necrotizante ou abcesso pulmonar.
– Entubação orotraqueal e ventilação mecânica devem ser equacionadas nos doente incapazes de proteger a integridade da via aérea.
– Descontinuação de entubação nasogástrica e substituição por alimentação parentérica.
A instituição de medidas preventivas é de vital importância no sentido de evitar recidivas:
– Higiene oral e dentária para corrigir possíveis fatores predisponentes.
– Terapêutica da disfagia com treino da deglutição, ensino de dieta correta, redução da dimensão dos alimentos ingeridos, etc.
– Posicionamento com elevação da cabeceira da cama a 45°.
– Farmacoterapia que propicie a depressão do estado de consciência deve ser ponderada (por exemplo, sedativos). As estratégias terapêuticas com corticosteroides IECA, dopamina, amantadina, teofilina ou ácido fólico foram testadas em vários grupos de doentes de acordo com a patologia de base, mas não evidenciaram clara eficácia na prevenção desta patologia.
– Gastrostomia percutânea deve ser equacionada nos doentes que se encontram sob alimentação permanente por sonda nasogástrica, dado que diminui a incidência de pneumonia de aspiração.