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Diminuição da ingestão proteica

Hoje não há dúvidas que o aumento do consumo proteico verificado nos países industrializados ocorreu em paralelo com o aumento da incidência de litíase nestes mesmos países. Todos os estudos epidemiológicos feitos à escala mundial são concordantes em realçar a importância dos fatores nutricionais, nomeadamente a ingestão de proteínas animais e de sódio, e o excesso calórico no aumento da prevalência das doenças ditas da civilização, tais como a hipertensão, o ateroma vascular, a litíase, a obesidade, etc. Dado que nem todos os indivíduos submetidos às mesmas condições apresentam a doença, temos que admitir que fatores genéticos, ou outros, existam de base e que, quando submetidos a estas sobrecargas, se manifestam.
A ingestão excessiva de proteínas provenientes de carne de animais como a vaca, o porco e o carneiro, carne de aves ou proteínas provenientes do peixe, aumenta a excreção do ácido úrico (degradação das purinas), faz descer o pH e o citrato urinário (devido à carga ácida excessiva) e aumenta a excreção do cálcio na urina por mecanismos ainda hoje não esclarecidos completamente. Dá-se no entanto muito valor à acidose, pois o cálcio existente no osso é rapidamente mobilizado para o sangue para tamponar o pH, corrigindo assim a acidose. Esta perda de cálcio pelo osso acaba por ser prejudicial em dois sentidos, um no que respeita à osteoporose e o outro é a hipercalciúria resultante. Estes fatores litógénicos tanto podem aumentar o risco da litíase úrica, como o da oxalo-fosfocálcica. A descida do pH e o aumento do ácido úrico facilitarão primeiro o excesso de cálcio, oxalato e ácido úrico e, por último, a diminuição do citrato na urina. A restrição proteica é, portanto, fundamental se quisermos diminuir os fatores litogénicos em excesso na urina. Aconselhamos os doentes a fazer uma redução importante na ingestão diária de proteínas animais, diminuindo as quantidades de forma a não ultrapassar os 70 g/dia, o ideal, até um máximo de 120 g/dia. O doente tem a hipótese de diminuir as doses e dividi-las pelas duas refeições ou fazer uma refeição diária sem carne nem peixe. Quando se limita a ingestão proteica aos 70 g/dia de proteínas ou, tendo em conta o peso corporal, limitar as proteínas a um máximo de 1,7 g/kg peso/dia, não se deve esquecer que, quando se fala de proteínas animais, igualmente se devem limitar as proteínas vegetais e, de uma forma geral, moderar o consumo de todos os alimentos. O consumo elevado de proteínas é, muito provavelmente, o maior responsável pela hiperuricosúria encontrada nos países industrializados e pela descida do pH urinário. As dietas ricas em purinas não se devem obrigatoriamente correlacionar com elevados consumos alimentares. Cereais completos como o milho e o trigo, que fazem parte predominante das dietas de certos povos (índia, por exemplo), têm um conteúdo elevado de purinas. A hiperuricosúria por elas desencadeada tem sido apontada como a principal causa da alta prevalência de cálculos vesicais de urato e ácido de amónio em doentes vivendo nestes países. A restrição proteica será, portanto, recomendável em todos os formadores de cálculos de oxalato de cálcio e de ácido úrico. Nos formadores de cálculos de cistina, sempre se recomendou uma dieta pobre em metionina por se saber que este aminoácido é fundamental para a produção de cistina. Contudo, torna-se impossível conseguir uma dieta rígida sem metionina, porque ela arrastaria a suspensão de toda a carne de vaca, borrego, porco e aves, assim como peixe, ovos, caseína, trigo, amendoins, soja, etc. Isto é impraticável e outras medidas são necessárias como a grande ingestão de líquidos e alcalinização da urina nos casos de cistinúria.

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Leishmaniose

A infecção por Leishmania donovani infantum é endémica em Portugal, sendo perpetuada em reservatórios animais (canídeos, roedores) e transmitida ao homem através da picada da fêmea de mosquitos do género Phlebotomus. O ciclo do parasita inicia-se no intestino do mosquito, que inocula as formas promastigotas no hospedeiro humano através da sua picada. Estas formas são captadas pelos macrófagos locais, onde evoluem para amastigotas. A migração dos macrófagos é responsável pela disseminação sistémica do parasita e pela forma visceral da doença, que se manifesta, sobretudo, ao nível dos órgãos do sistema reticuloendotelial (baço, fígado, medula óssea, intestino).
Em Espanha, no final da década de 90, foi estimado que 60% dos casos de leishmaniose visceral ocorriam em doentes com infecção por VIH. Há, no entanto, dados que permitem admitir uma redução desta elevada incidência com a introdução da TARV.

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Terapêutica Médica (Arritmias)

A abordagem ao desenvolvimento dos antiarrítmicos foi, nos seus primórdios, o resultado da descoberta quase fortuita de uma ação antiarrítmica de compostos naturais ou sintetizados para outras aplicações. Esta constatação levou a diversos estudos animais e humanos que permitiram identificar o efeito benéfico das referidas substâncias na supressão das arritmias.
A procura subsequente de derivados com ação mais duradoura, menos tóxicos e mais potentes levou à síntese de moléculas aparentadas com estes compostos iniciais. Infelizmente, um eventual melhor perfil farmacodinâmico não conduziu a um avanço significativo nos resultados terapêuticos. O advento da biotecnologia molecular permitiu que o desenvolvimento e classificação das drogas fosse “orientado” para as estruturas envolvidas no processo patológico.
Na maioria das situações, o prognóstico das disritmias ventriculares está diretamente relacionado com a presença e gravidade de cardiopatia estrutural. O risco de morte súbita associado a disritmias ventriculares é substancialmente mais elevado na presença de disfunção sistólica grave do ventrículo esquerdo, insuficiência cardíaca, cardiopatia isquémica ou miocardiopatia. Sabe-se também que o risco major da FA na presença de cardiopatia orgânica é o de tromboembolismo sistémico, passando por isso a terapêutica por fármacos não exclusivamente antiarrítmicos.

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Animais Domésticos ou de Companhia

Percentagens significativas de pacientes asmáticos e/ou com rinite encontram-se sensibilizados, particularmente ao gato. A exposição mantida associa-se a maior gravidade e a exposição aguda relaciona-se com agudizações.
— Medidas – não ter animais de companhia ou retirá-los da residência – atenção que o contacto também pode ocorrer em outras habitações visitadas com frequência ou mesmo no ambiente laboral ou escolar (eficácia comprovada). O benefício pode não ser imediato (níveis de alergénio podem reduzir-se progressivamente até durante 6 meses), mas será tanto mais rápido se associado a outras medidas (aspiração, remoção de reservatórios de alergénios). Nos casos clínicos de sensibilização ao gato, nenhuma outra medida, se o animal estiver presente, poderá influenciar significativamente a exposição alergénica.
Se o animal permanece:
• Lavagem do(s) animal(is). Permite reduzir transitoriamente (1 semana) os níveis de alergénios. Idealmente deveria ser feita duas vezes por semana.
• Filtragem do ar (filtros HEPA ou ionizadores colocados no quarto de dormir).
• Aspiração regular (aspirador com filtro HEPA). Aplicação de capas no colchão e na almofada. Remoção de reservatórios de alergénios (alcatifas, carpetes, estofos, …).
• Limitar a circulação dos animais nos quartos de dormir; porta do quarto sempre encerrada.

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Tripanossomíase Humana Africana

A tripanossomíase humana africana é uma doença produzida por parasitas protozoários do género Trypanosoma das espécies brucei gambiense e brucei rhodesiense e transmitida por moscas do género Glossina. E uma doença com grande repercussão na saúde e na economia dos humanos e que ataca também animais domésticos e selvagens.
Doença de grande morbilidade e de 100% de mortalidade, se não devida e atempadamente diagnosticada e tratada.
A distribuição geográfica engloba 36 países africanos com cerca de 60 milhões de pessoas em risco e 40000 casos registados cada ano e mais de 300000 doentes.

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Dermatoses Infecciosas Fúngicas Superficiais

As micoses são doenças provocadas por fungos, de observação frequente na prática clínica diária.
Regra geral, os mecanismos de defesa imunitária protegem o homem da infecção fúngica com grande eficácia. O aparecimento de uma micose pressupõe, habitualmente, a existência de fragilidade ao nível da superfície cutânea ou mucosa ou alteração do sistema imunitário.
Conhecem-se, actualmente, cerca de 70000 espécies de fungos. No entanto, só algumas centenas são patogénicas para a espécie humana.
Consideram-se fungos antropofílicos e zoofílicos aqueles cujas fontes de contágio são respectivamente, o homem e determinados animais. São geofílicos, quando a origem da contaminação é o solo.
As doenças causadas por fungos dividem-se em três grandes grupos: as superficiais, as subcutâneas e as sistémicas.
A comprovação laboratorial baseia-se, essencialmente, no exame directo do material infectado e respectiva cultura em meios apropriados, e em exames serológicos para determinadas situações. A execução de métodos de análise molecular não tem grande aplicação na micologia clínica.
As micoses superficiais a abordar neste capítulo são as dermatofitias ou tinhas, a candidíase cutânea e a pitiríase versicolor.

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Perspetiva Histórica

As tentativas para interpretar as características e propriedades da onda de pulso são tão antigas como a própria Medicina. Inicialmente a avaliação era feita pela palpação e pela observação do pulso para identificação das características do mesmo. Posteriormente foram desenvolvidos métodos para a sua medição.
As primeiras medições invasivas da PA foram realizadas pelo fisiologista inglês Stephen Hales. No segundo volume da sua obra Síatical Assays denominado Hciemastmicks (1733) estão descritas várias experiências animais em que Hales descreve e avalia a “força do sangue”, a qual viria a ser posteriormente chamada PA, o seu movimento, isto é, o débito, e o volume de diferentes vasos.