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Ansiolíticos e Hipnóticos II

Além do potencial de abuso e dependência, há risco de potenciação dos efeitos do álcool e outros agentes sedativos; outros efeitos secundários indesejáveis incluem o compromisso do desempenho psicomotor e das funções mnésicas. A miastenia gravis, a insuficiência respiratória grave e o risco prévio de abuso constituem contra-indicação para o uso destes compostos. Por seu turno, o espectro de indicações psiquiátricas é alargado, incluindo quadros de ansiedade e/ou insónia de etiologia diversa, bem como estados de agitação psicomotora (constitui excepção a agitação associada à confusão mental ou delirium, em que ocorre depressão da vigilidade susceptível de ser agravada pelas benzodiazepinas; neste tipo de situações, há indicação para o uso de benzodiazepinas apenas em síndromes de etiologia alcoólica).
Dado o risco de abuso e dependência, existem normas internacionalmente aceites que estipulam o uso por períodos curtos (embora renováveis) de tratamento, a necessidade de monitorização clínica e o ajustamento individual da dose e esquema posológico.
Entre os medicamentos deste grupo mais usados como ansiolíticos podem citar-se o diazepam, o bromazepam e o lorazepam. A utilização de benzodiazepinas no tratamento da insónia é marcada pela introdução do flurazepam, no início dos anos 70, e dos hipnóticos benzodiazepínicos de semivida curta, como o triazolam e o temazepam, na década de oitenta.
Mais recentemente, a introdução dos mencionados hipnóticos “não benzodiazepínicos” veio alargar a controvérsia em torno da utilização das benzodiazepinas no tratamento da insónia. Sucede que os estudos poligráficos mostram que as benzodiazepinas produzem redução das fases 3 e 4 do sono lento e um aumento da fase 2; os efeitos sobre o sono REM traduzem-se num aumento da latência e numa redução da duração total ao longo da noite; o aumento do tempo total de sono é conseguido, predominantemente, pela diminuição da latência e redução das reações de alerta e despertar. A administração crónica acompanha-se do desenvolvimento de tolerância para muitos destes efeitos.
Contudo, a redução do sono lento profundo é um efeito duradouro, e traduz-se numa perda da “qualidade” do sono. Já a ocorrência de insónia rebound, após a suspensão do fármaco, ocorre preferencialmente com as benzodiazepinas de semivida curta.

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Ansiolíticos e Hipnóticos

As benzodiazepinas constituem o grupo químico-farmacológico mais utilizado com finalidades ansiolíticas e hipnóticas. Tal deve-se à sua reconhecida eficácia e ao facto de serem ainda escassas as alternativas farmacológicas. Os riscos associados ao potencial de abuso e dependência, e também às interacções com sedativos e álcool, obrigam no entanto a uma utilização criteriosa. Os novos medicamentos desta área terapêutica, ditos “agentes não benzodiazepínicos”, não têm estas desvantagens, e a sua introdução constituiu certamente um avanço assinalável; no entanto, circunstâncias de várias ordens tornam a sua utilização limitada.
Como ansiolíticos “não benzodiazepínicos” foram ensaiados, ao longo das últimas duas décadas, vários agonistas selectivos dos receptores 5-HT1A da classe das azapironas, como a buspirona, a isapirona e a tandospirona, e também antagonistas selectivos dos receptores 5-HT2, como a ritanserina. No entanto, apenas a buspirona está disponível para uso terapêutico, sucedendo também que o seu perfil de indicações não é sobreponivel ao das benzodiazepinas. Na verdade, a buspirona não propicia uma ansiólise rápida, e o seu efeito terapêutico incide sobretudo sobre os sintomas de ansiedade e tensão psíquica; em doentes com sintomas importantes de ansiedade somática (nomeadamente manifestações vegetativas), ou quando houve exposição prévia a benzodiazepinas, a buspirona tem uma utilidade no mínimo parcial.
Os hipnóticos “não benzodiazepínicos” pertencem ao grupo das ciclopirrolonas (zopiclone) e das imidazopiridinas (zolpidem). Estes fármacos têm um efeito terapêutico virtualmente confinado à acção hipnótica e distinguem-se também pela diminuta interferência no funcionamento psicomotor e ausência de potencial de abuso e dependência.
As acções deletérias sobre o sono lento profundo, bem como as alterações do sono REM produzidas pelas benzodiazepinas não se observam com a administração de zolpidem, que parece poupar a arquitectura normal do sono.
Também no caso dos hipnóticos “não benzodiazepínicos” se constata uma eficácia parcial em doentes expostos a tratamentos prolongados ou recentes com benzodiazepinas.
Constituem certamente uma alternativa válida em doentes não medicados e com insónias de grau ligeiro ou moderado, pois a sua potência hipnótica é limitada. De notar que no mercado português apenas está disponível o zolpidem.
Por seu turno, a generalidade das benzodiazepinas produz sedação, sonolência, ansiólise, efeitos anticonvulsivantes e relaxamento muscular, dependendo a intensidade de cada uma destas acções dos perfis farmacodinâmico e farmacocinético, e também da dose.

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Terapêutica Inespecífica (Eczema)

Inclui medidas tais como a eliminação de factores desencadeantes ou agravantes, e as terapêuticas gerais não específicas, em especial a aplicação de hidratantes e emolientes.
Da maior importância é a redução dos factores irritantes locais:
– Vestuário – evitar o contacto com lãs, fibras e outros materiais ásperos directamente com a pele, os quais, por haver diminuição de limiar de prurido, desencadeiam sensação de picada e prurido que conduz à coceira. De igual modo, deverá evitar-se o uso excessivo de agasalho, que possa provocar calor e transpiração.
– A lavagem da pele deve ser feita de modo suave, evitando as lavagens frequentes e prolongadas, a utilização de água muito quente e de produtos de lavagem com sabão, o uso de esponjas, luvas ou métodos abrasivos semelhantes.
– A permanência em ambientes aquecidos com baixo grau de humidade (ar condicionado) agrava a xerose cutânea, com o consequente aumento da irritabilidade cutânea.
—> O stress, a ansiedade e a depressão diminuem o limiar do prurido, pelo que a administração de ansiolíticos poderá ter indicação em situações pontuais. O repouso físico e da pele tem efeito benéfico inegável. Neste inclui-se a utilização de ligaduras, de luvas, meias e outros métodos, tendentes a diminuir a irritação mecânica (pelo atrito ou fricção) a que a pele lesada possa estar submetida.
—> Os hidratantes (contêm substâncias que aumentam o conteúdo em água da epiderme, mediante a fixação desta nas camadas mais superficiais) e os emolientes (contêm substâncias que provocam oclusão, diminuindo deste modo a perda transepidérmica de água) visam corrigir a xerose e a barreira cutânea alterada e devem ser utilizados continuadamente, independentemente da fase evolutiva da dermatose. A sua acção é particularmente eficaz se forem utilizados após o banho.
—> A importância da dieta é polémica. Se na primeira infância podem desempenhar algum papel desencadeante ou agravante do EA, em crianças mais velhas e na idade adulta o seu interesse é negligenciável. Os alimentos mais frequentemente implicados têm sido o leite, clara de ovo, frutos secos, peixe, marisco, trigo, os quais deverão ser evitados nos casos pontuais de evidente agravamento com alimentação.
—> Quanto aos aeroalergénios, em especial os ácaros do pó da casa, a importância é variável, podendo assumir um papel nos EA do adulto, com manifestações predominantes nas áreas expostas – face, membros, decote. A eliminação destes, mediante aspiração conveniente, utilização de coberturas antiácaro para colchões e almofadas e eliminação de alcatifas e tapetes no quarto de dormir, tem provado ser benéfica na evolução do EA em alguns doentes.