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transferir 1 180x180 - Etionamida (Tuberculose)

Etionamida (Tuberculose)

— Etionamida (ETD) – é um antibiótico sintético derivado do ácido isonicotínico com actividade bacteriostática, que se presume actuar ao nível da síntese do ácido micólico, tal como a INH, estando descrita a possibilidade de ocorrência de resistência cruzada com este fármaco.
• Farmacologia – é bem absorvido por via oral e tem boa distribuição tecidular, penetrando bem através da BHE mesmo na ausência de inflamação, com concentrações no LCR semelhantes às do plasma.
• Segurança – as reacções adversas mais frequentes são náuseas e vómitos, com impacto significativo na adesão ao tratamento. Podem ocorrer neuropatia periférica e alterações do comportamento, que podem responder à administração de piridoxina (10-40 mg/dia). Pode ocorrer hepatotoxicidade reversível em 5% dos doentes.
• Interacções – a etionamida compete com a acetilação da INH, pelo que não devem ser co-administradas.
• Posologia e administração – a DDR é de 10-15/mg/kg (dose média de 500-750 mg), p.o., em toma única.

aminossalicilato de sodio oral 1024x835 180x180 - Pirazinamida (Tuberculose)

Pirazinamida (Tuberculose)

— Pirazinamida (PZA) – é um antibiótico sintético análogo da nicotinamida, cujo mecanismo de acção não está esclarecido, que tem de ser convertido na forma activa, o ácido pirazinóico, por meio da pirazinamidase micobacteriana. É útil pela sua actividade bactericida sobre micobactérias sem multiplicação e em meio ácido (focos de necrose caseosa). Em monoterapia, a resistência desenvolve-se rapidamente por mutação do gene micobacteriano que codifica a pirazinamidase.
• Farmacologia – bem absorvido p.o., tem excelente distribuição tecidular, sendo eliminado sobretudo por metabolização hepática. Atravessa facilmente a BHE na ausência de inflamação, sendo útil no tratamento de TB do SNC.
• Segurança – são frequentes náuseas, vómitos e artralgia e pode ocorrer hepatotoxicidade (até 15%), descrita sobretudo com doses diárias superiores a 25 mg/kg, mas também em regimes de curta duração (2 meses), em combinação com RFP, usados no tratamento da TB latente [281. Cerca de 50% dos doentes apresentam uricemia assintomática. Muito raramente, pode ocorrer nefrite intersticial, rabdomiólise, fototoxicidade e exantema morbiliforme.
• Interacções – não estão descritas interacções farmacocinéticas com relevância clínica, para além da possibilidade de potenciação da hepatotoxicidade da RFP.
• Posologia e administração – a DDR é de 20-25 mg/kg, em toma única ou dividida em 2 tomas, podendo utilizar-se doses bi-semanais de 50 mg/kg/dia durante períodos não superiores a 2 meses.

cicloserina oral 180x180 - Cicloserina (Tuberculose)

Cicloserina (Tuberculose)

—> Cicloserina – é um antibiótico sintético que interfere com a síntese da parede celular das micobactérias.
• Farmacologia – tem boa biodisponibilidade oral e boa distribuição tecidular, com eliminação quase exclusivamente renal, pelo que é necessário ajustar a dose em casos de disfunção renal.
• Segurança – as reacções adversas mais frequentes são a neuropatia periférica e alterações do SNC (tonturas, confusão, irritabilidade, sonolência, cefaleias, vertigens, disartria e convulsões), podendo culminar em depressão e ideação suicida, estando contra-indicada em doentes com antecedentes de convulsões e de depressão. Deve ser evitada na gravidez (categoria C).
• Posologia e administração – a DDR é de 500-1000 mg, dividida em 2 tomas.

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ANTIBIOTERAPIA (Endocardite Infeciosa)

O tratamento antibiótico deve ser preferencialmente iniciado após identificação do agente e orientado por antibiograma.
No entanto, nos casos de endocardite aguda, com um quadro clínico rapidamente evolutivo, pode se iniciar a antibioterapia logo após a colheita de sangue para as hemoculturas, mesmo antes de se conhecer o seu resultado. Nesse caso deverá ser escolhido o esquema orientado para o microrganismo mais provável na situação clínica em causa.

Antibiotics injection241 180x180 - Benzilpenicilina (Penicilina G)

Benzilpenicilina (Penicilina G)

– Benzilpenicilina (Penicilina G) – é um antibiótico natural derivado de Penicillium notatum. A penicilina G, em forma de sal sódico ou potássico, é o fármaco de referência deste grupo. Devido à hidrólise em meio ácido, apenas está disponível para utilização parentérica, podendo ser administrada por via e.v., i.m. ou intratecal. Por via e.v., a semi vida de eliminação (tl/2) de 30 minutos impõe a administração da dose diária em tomas frequentes (cada 4-6 horas). Devido à rápida depuração associada à administração i.m., foram desenvolvidas fórmulas repositórias, úteis no tratamento ambulatório.
Destas, a penicilina benzatínica induz níveis séricos terapêuticos durante 15 a 30 dias após uma única administração, sendo particularmente adequada ao tratamento da amigdalofaringite estreptocócica. A baixa penetração desta formulação na barreira hematoencefálica (BHE) torna-a pouco apropriada ao tratamento das formas de sífilis com envolvimento do SNC.
• Segurança – as reacções adversas são raras. As mais frequentes da penicilina G são reacções de hipersensibilidade imediata, incluindo choque anafiláctico (2/100000 doentes expostos) e reacção urticariforme (até 10%), febre e eosinofilia. Estão descritas anemia hemolítica, leucopenia, trombocitopenia e nefropatia com a administração de doses elevadas de penicilina e.v. Podem ainda ocorrer arritmias cardíacas e insuficiência cardíaca (IC) associadas à sobrecarga de potássio ou sódio, recomendando-se precaução em doentes com IC prévia, sendo útil dividir a dose diária total entre penicilina sódica e potássica. A reacção de Jarisch-Herxheimer (febre, calafrios, cefaleias, mialgias e exacerbação de lesões cutâneas), relacionada com a libertação maciça de endotoxinas bacterianas, pode ocorrer após a administração de uma única toma de penicilina em doentes com sífilis primária (até 50%) e secundária (até 80%) e com doença de Lyme, devendo ser distinguida das reacções de hipersensibilidade imediata mediada por IgE (choque anafiláctico). A penicilina G está contra-indicada em doentes com antecedentes de hipersensibilidade às penicilinas e deve ser utilizada com precaução em doentes com antecedentes de asma ou reacções alérgicas.
• Posologia e administração – a dose recomendada varia de acordo com a situação clínica, entre 6 MU/dia (sífilis, pneumonia) e 24 MU/dia (endocardite, meningite pneumocócica), divididas num mínimo de 4 tomas. Na amigdalite estreptocócica, penicilina G benzatínica: 600000 UI em crianças e 1200000 UI em adultos.
—> Ampicilina e amoxicilina – a ampicilina é uma penicilina semi-sintética, sendo de escolha contra Enterococcus faecalis, histeria monocy to genes, Neisseria meningitidis e uma alternativa à penicilina no tratamento das infecções por pneumococos susceptíveis. Boa actividade contra Haemophilus influenzae não produtores de (3-lactamase, que em Portugal representam cerca de 90% dos isolamentos deste agente. Neste contexto é útil no tratamento da pneumonia adquirida na comunidade (PAC) quando tratada no hospital. Boa actividade contra S. pyogenes. Classicamente com boa actividade contra enterobacteriáceas, a emergência de estirpes produtoras de lactamase tem reduzido largamente a sua utilidade contra este grupo de bactérias GR-.
Boa actividade contra anaeróbios, mas não incluindo B. fragilis.
• Farmacologia – a ampicilina tem má biodisponibildade por via oral, sendo actualmente apenas utilizada por via e.v. A amoxicilina difere estruturalmente da ampicilina apenas na presença de um grupo hidroxilo, que lhe confere melhor biodisponibilidade oral e permite obter concentrações plasmáticas 2-2,5 vezes superiores com uma dose semelhante. A absorção da amoxicilina não é afectada pelos alimentos. Ambas apresentam uma ampla distribuição tecidular, incluindo as secreções respiratórias. t1/2 de 1 hora, com eliminação renal em 75-85% e escassa metabolização hepática.
• Segurança – a incidência de choque anafiláctico é menor do que com a penicilina, mas as reacções alérgicas cutâneas são bastante mais frequentes. Globalmente, o risco de reacções alérgicas aumenta em doentes com antecedentes de alergia à penicilina. Náuseas, vómitos, diarreia são comuns. A formulação e.v. da ampicilina contém 2,7 mEq de sódio/g. Podem associar-se a doença intestinal por Clostridium difficile.
• Gravidez – classe B.
• Posologia e administração – ampicilina: até 12 g/dia, divididos num mínimo de 4 tomas. Amoxicilina: até 6 g/dia (limitada pela tolerância oral). A dose na PAC é de 3-6 g/dia.

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Furunculose

Infecção geralmente a Staphylococcus de um folículo piloso do CAE. Manifesta-se por otalgia severa. Deve medicar-se com creme local antibiótico tópico (por exemplo, ácido fusídico), flucloxacilina oral e analgésico. Pode ser necessário drenagem cirúrgica. Nos doentes diabéticos deve ser feita uma vigilância apertada da evolução do quadro clínico.

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Otite Externa

Trata-se de uma infecção bacteriana ou fúngica da pele do CAE (canal auditivo externo).
Consideram-se factores predisponentes a manipulação do CAE, a presença de eczema do CAE ou a entrada contínua de água no CAE (piscina, sauna, praia, lavagem auricular).
Manifesta-se normalmente por otalgia, otorreia e hipoacusia, sempre que se verifique a oclusão do canal. A resolução do quadro passa por uma aspiração cuidada e frequente do CAE e terapêutica tópica com gotas otológicas contendo antibiótico e corticóide.
No caso de infecção fúngica, para além de limpeza cuidadosa e sistemática do CAE, deve fazer-se terapêutica com nistatina e aplicação local de tintura de timerosal.
No caso de otite externa muito exuberante, deve fazer-se também antibioterapia oral (amoxicilina, amoxicilina + ácido clavulânico, ciprofloxacina). Nos doentes diabéticos, deve fazer-se o controlo da diabetes e terapêutica por via parentérica, sempre que necessário.

Saùde Viagem 180x180 - Quimioprofilaxia da Diarreia do Viajante

Quimioprofilaxia da Diarreia do Viajante

A recomendação da QP nesta situação não está fundamentada em evidência científica adequada, só devendo ser considerada em doentes com risco elevado (imunodeprimidos) e para estadias de curta duração em ambientes de risco. Não deve substituir a observação das recomendações para a higiene alimentar. O antibiótico escolhido deve ter um espectro de actividade adequado aos agentes microbianos mais frequentemente implicados (enterobacteriáceas) e cobrir outros menos frequentes, como o Vibrio cholerae, V. parahemolyticus e S. aureus. Os elevados índices de resistência de enterobacteriáceas, designadamente E. coli e Salmonella spp., e de Campylobacter ao co-trimoxazol, quinolonas e doxiciclina tornam difícil a escolha de um fármaco adequado. No entanto, a boa actividade da azitromicina contra a maioria dos agentes habitualmente implicados, associada à sua tolerabilidade, tornam-na uma alternativa aceitável para os doentes considerados em risco.
O esquema preferencial é:
– Azitromicina – 500 mg, p.o., durante 3 dias.
Pode-se também optar pelos seguintes esquemas alternativos:
– Ciprofloxacina – 500 mg de 12/12 horas, p.o., durante 3-5 dias.
– Co-trimoxazol – 960 mg 12/12, p.o., durante 5-7 dias.

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Tratamento II (Amebíase)

—> Amebicidas de contacto – furoato de diloxanido, 500 mg de 8/8 horas durante 10 dias; iodoquinol, 650 mg de 8/8 horas durante 20 dias; paramomicina, 500 mg de 8/8 horas durante 7 dias; tetraciclina, 250 mg de 8/8 horas durante 7 dias.
• Furoato de diloxanido – está indicado no tratamento dos portadores assintomáticos e na amebíase intestinal não invasiva com pouca sintomatologia na dose de 500 mg/3xdia (crianças: 30 mg/kg/dia em 3 tomas) durante 10 dias. E contra-indicado na gravidez.
• Iodoquinol – é pouco absorvido, pelo que tem poucos efeitos secundários que podem ser dores abdominais, diarreia e rash cutâneo. Tem as mesmas indicações do furoato de diloxanido, sendo administrado na dose de 650 mg/3xdia (crianças: 40/mg/kg/dia em 3 tomas) durante 20 dias.
Está contra-indicado em indivíduos com intolerância ao iodo e lesão hepática.
• Paramomicina – é um antibiótico de largo espectro pouco absorvido, tendo como principais efeitos secundários náuseas, cólicas abdominais e diarreia. Tem as mesmas indicações dos anteriores nas doses de 500 mg/3xdia (crianças: 30 mg/kg/dia em 3 tomas) durante 7 dias. Deve ser utilizada com precaução em doentes com lesões intestinais ulcerativas.

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Ácido para-aminosalicílico (Tuberculose)

– Ácido para-aminosalicílico (PAS) – é um antibiótico sintético que inibe o crescimento de MT por inibição do metabolismo do ácido fólico bacteriano. Tem mal-absorção por via oral, não dispondo de formulação para uso parentérico, pelo que exige elevadas doses diárias. O seu baixo custo mantém-no como alternativa a considerar no tratamento TBMR.
• Segurança – as reacções adversas mais frequentes associam-se com intolerância gastrintestinal (náuseas, vómitos), o que reduz a adesão ao tratamento. Raramente, podem ocorrer sobrecarga de sódio (devida ao teor em sódio da formulação), hiperplasia linfóide, ocasionalmente síndrome mononucleósica (com febre e exantema, mas sem linfomonocitose), e reacções isoladas de hipersensibilidade.
• Posologia e administração – DDR de 6-8 g/dia, p.o., dividida em 3 a 4 tomas.