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Ibu 180x180 - Terapêutica Farmacológica - I

Terapêutica Farmacológica – I

A necessidade da prescrição farmacológica deve ser clara. Não existem, presentemente, indicações rígidas quanto às situações que definitivamente devam ser medicadas.
Não se medica indivíduos que tenham tido uma só crise, exceto se:
—» Existe lesão estrutural subjacente potencialmente epileptogénia.
—> Por escolha do doente, depois de devidamente informado.
—> Quando, por circunstâncias pessoais ou profissionais, uma crise possa pôr em sério risco a sua vida ou a de terceiros. Poderá também não se justificar a terapêutica farmacológica em doentes com crises com vários anos de intervalo, depois de ponderar e informar sobre os benefícios e riscos da medicação.
Quando se decide medicar, deve escolher-se o AE em função do tipo de crises e de epilepsia, mas também de acordo com características do doente, tais como idade, sexo e co-morbilidades.
Uma classificação que pode ajudar à escolha do AE é a que agrupa as várias substâncias anticomiciais em AE de estreito e de largo espectro. Estes são apropriados para quase todos os tipos de crises e incluem o valproato de sódio (VPA), o topiramato (TPM), a lamotrigina (LTG), o levetiracetam (LEV) e a zonisamida (ZNS). Em vários estudos o VPA é considerado o mais eficaz. A carbamazepina (CBZ), a oxcarbazepina (OXC), a fenitoína (PHT), a gabapentina (GBP), pregabalina (PRG) e a tiagabina (TGB) constituem os de espectro estreito e estão mais indicados nas crises parciais ou secundariamente generalizadas, com um grau de eficácia similar entre elas. O felbamato (FBM) e o vigabatrim (VGB) deixaram de ser usados devido aos graves efeitos acessórios.
Verificou-se que o FBM causava aplasia medular e insuficiência hepática fatal e que o VGB ocasionava reações psicóticas e defeitos bilaterais graves do campo visual. Até há poucos anos, o VGB foi muito usado, pelo que é possível encontrar ainda doentes medicados com esta substância. Estes indivíduos devem ser referenciados a um neurologista com experiência em epilepsia, com o propósito de substituição por outro AE (o que pode desencadear exacerbação das crises).
AE como o fenobarbital (PB), a primidona (PRM), a GBP e a TGB são usados cada vez menos devido ao difícil manejo e efeitos adversos. Outros como o clobazam (CLB), o clonazepam (CNZ) e a etosuccimida (ETX) são usados em situações especiais (por exemplo, crises mioclónicas ou de ausências em que o VPA não pode ser administrado ou é insuficiente).