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Princípios do tratamento Farmacológico (Tuberculose)

– O tratamento da TB deve ser iniciado tão rapidamente quanto possível em todos os casos em que exista um grau elevado de suspeita, não necessitando, estritamente, de confirmação prévia de caso, embora esta deve ser sistematicamente procurada.
– Na perspectiva da esterilização do foco infeccioso, deve ser considerada a actividade dos fármacos sobre as diferentes populações micobacterianas coexistentes, quer as extracelulares com mutiplicação rápida presentes nas cavidades pulmonares, quer as intra ou extracelulares com metabolismo e multiplicação lentas e/ou irregulares, incluindo os bacilos presentes em focos quiescentes (ver secção “Características dos fármacos antituberculosos”).
– O tratamento da TB implica a combinação inicial de três-quatro fármacos com actividade sobre os diferentes tipos de populações micobacterianas, que deve ser simplificado para dois fármacos com actividade preferencial sobre as formas de multiplicação lenta, depois de admitida a eliminação inicial das micobactérias com multiplicação rápida.
– Quando o risco de resistência primária à isoniazida numa população é superior a 4%, o tratamento deve ser iniciado com quatro fármacos, pelo que este princípio se aplica universalmente à população portuguesa.
– A manutenção da adesão ao tratamento é fundamental para assegurar o sucesso deste.
– Devem ser utilizadas as combinações de fármacos que minimizem o número diário de unidades (comprimidos, cápsulas, ml de solução).

Ciprofloxacin

Fluoroquinolonas (Tuberculose)

-> Fluoroquinolonas (FQ) – as quinolonas são bactericidas contra bactérias do complexo MT. provavelmente através dos mecanismos de acção já descritos. A potência varia para cada fármaco, sendo a moxifloxacina o mais activo, seguido de levofloxacina, ciprofloxacina e ofloxacina. No entanto, com as concentrações séricas obtidas com a dosagem de 750 mg/2xdia de ciprofloxacina, são inibidas 90% das estirpes de MT sensíveis. A resistência ocorre facilmente se forem utilizadas em monoterapia, mas a sua boa tolerância em tratamentos prolongados e a boa biodisponibilidade oral tornaram-nas um dos antituberculosos de 2.a linha mais utilizados actualmente. Estudos recentes em que a moxifloxacina é utilizada em vez do EMB em esquemas de 1.ª linha mostram resultados promissores na negativação precoce dos exames directos da expectoração, mas os dados recentes relativos à hepatotoxicidade deste fármaco devem ser considerados.
• Posologia e administração – as DDR são 400 mg para a moxifloxacina, 750-1000 mg para a levofloxacina, ambas em toma única diária, 750 mg/2xdia para a ciprofloxacina e 400 mg/2xdia para a ofloxacina.

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Gestão da toxicidade medicamentosa

Os fármacos antituberculosos, embora geralmente bem tolerados, podem originar reacções adversas capazes de influenciar a continuidade do tratamento. As mais frequentes relacionam-se com o potencial para hepatotoxicidade, o qual, embora se associe virtualmente com qualquer dos quatro fármacos de 1.ª linha (INH, RFP, PZA, EMB), é particularmente significativo para a INH e a RFP, sendo um dos principais motivos pelos quais não se recomenda o tratamento universal da TB latente. A monitorização periódica dos parâmetros laboratoriais é fundamental para reduzir os riscos de consequências graves associadas a reacções adversas hepáticas. Em caso de elevação das transaminases, a medicação deve ser suspensa até à sua normalização, reintroduzindo-se os fármacos de forma gradual, com início pela INH e, se bem tolerada, reintroduzindo-se a RFP. A comprovação de intolerância a qualquer dos fármacos obriga à utilização de esquemas alternativos recorrendo a fármacos de 2.ª linha, com o necessário ajuste da duração da terapêutica.
A PZA pode originar elevações, normalmente assintomáticas, da uricemia. O prolongamento do tratamento com EMB por mais de 2 meses pode associar-se a neurite óptica retrobulbar com perda da visão. Esta complicação, embora não seja frequente, é irreversível na maioria dos casos, pelo que, nos casos em que se torne necessário mantê-la por mais tempo, impõe-se uma monitorização periódica especializada da acuidade visual, embora a sensibilidade da avaliação meramente clínica seja baixa.