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Fotolia 8300503 POEMS 180x180 - Terapêutica de Doença Complicada e das Síndromes Extra-Esofágicas

Terapêutica de Doença Complicada e das Síndromes Extra-Esofágicas

—> Esófago de Barrett – hipoteticamente a abordagem do esófago de Barrett deve ser feita com doses elevadas de IBP (dose dupla). Esta ideia resulta de estudos ex vivo que sugerem que pequenas exposições intermitentes de ácido levam à proliferação de células do epitélio de Barrett, aumentando o risco de displasia e cancro, sugerindo que todos os doentes com esófago de Barrett devem ser submetidos a controlo ácido rigoroso, não para regredir as lesões, mas para evitar a sua progressão. Contudo, vários estudos clínicos em doentes com esta entidade apresentam resultados conflituosos não consubstanciando estas ideias e sugerindo que na presença de esófago de Barreu a terapêutica com IBP deve ser a necessária a manter o doente com bom controlo sintomático.
Por outro lado, existem várias técnicas endoscópicas que visam a erradicação do esófago de Barrett, associado ao rigoroso controlo da acidez, em especial com doentes com displasia de alto grau e adenocarcinoma intramucoso. Merecem especial destaque a recente utilização da radiofrequência e da dissecção esofágica submucosa, sendo crescentes os relatos do seu sucesso e baixa taxa de complicações naquele grupo de doentes.
—> Asma – a doença do refluxo é muito prevalente em asmáticos, havendo estudos que sugerem uma prevalência de 33-82% de refluxo patológico neste grupo de doentes. Em cerca de 2/3 dos doentes o uso de medicação anti-refluxo agressiva melhora os sintomas de asma e o consumo de fármacos, embora a redução do PEF seja inferior em 20% dos casos. A terapêutica mais habitual é o recurso aos IBP em dose dupla (antes do pequeno-almoço e jantar) durante 3 meses. Se houver um claro benefício clínico, deve ser instituída terapêutica de manutenção adequada que mais frequentemente é em dose dupla. Factores que potencialmente parecem prever a resposta aos IBP são presença de regurgitação, pHmetria proximal positiva, asma de difícil controlo e sintomas respiratórios associados a episódios de refluxo.
Dor torácica não cardíaca – a principal causa desta síndrome é a doença do refluxo.
Habitualmente a terapêutica inicial é feita com IBP em dose dupla durante 1 mês. Se houver clara melhoria clínica, deve ser instituída terapêutica de manutenção na dose adequada (simples ou dupla).
Laringite – diversos estudos não controlados sugerem a eficácia dos IBP em dose dupla durante 4-6 meses na melhoria de sintomas, embora estudos contra o placebo não documentem essa eficácia. Nesta situação, quando existir melhoria clínica ao fim de 4-6 meses, o doente deve ser mantido com IBP na dose adequada de forma a manter melhoria dos sintomas, podendo ser dose simples ou dupla.

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Baratas

Agente sensibilizante muito prevalente em asmáticos. Factor de risco para a gravidade clínica, incluindo agudizações. Muito difícil a erradicação, particularmente em ambientes urbanos (prédios com inúmeras condutas – lixo, técnicas). Mais prevalente na cozinha, mas com concentrações alergénicas elevadas mesmo nos quartos de casas infestadas.
– Medidas:
• Inspecção e identificação da(s) espécie(s) – permite prever locais principais de infestação. Localização e erradicação de fontes de alimentos e de água.
• Insecticidas (de preferência em gel) – permitem reduzir a população de baratas (exterminação) embora se mantenham os alergénios.
• Limpeza da casa – não deixar restos de comida acessíveis; aspiração profunda e lavagem após aplicação das medidas anteriores. Cuidado com as condutas de lixo.

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Animais Domésticos ou de Companhia

Percentagens significativas de pacientes asmáticos e/ou com rinite encontram-se sensibilizados, particularmente ao gato. A exposição mantida associa-se a maior gravidade e a exposição aguda relaciona-se com agudizações.
— Medidas – não ter animais de companhia ou retirá-los da residência – atenção que o contacto também pode ocorrer em outras habitações visitadas com frequência ou mesmo no ambiente laboral ou escolar (eficácia comprovada). O benefício pode não ser imediato (níveis de alergénio podem reduzir-se progressivamente até durante 6 meses), mas será tanto mais rápido se associado a outras medidas (aspiração, remoção de reservatórios de alergénios). Nos casos clínicos de sensibilização ao gato, nenhuma outra medida, se o animal estiver presente, poderá influenciar significativamente a exposição alergénica.
Se o animal permanece:
• Lavagem do(s) animal(is). Permite reduzir transitoriamente (1 semana) os níveis de alergénios. Idealmente deveria ser feita duas vezes por semana.
• Filtragem do ar (filtros HEPA ou ionizadores colocados no quarto de dormir).
• Aspiração regular (aspirador com filtro HEPA). Aplicação de capas no colchão e na almofada. Remoção de reservatórios de alergénios (alcatifas, carpetes, estofos, …).
• Limitar a circulação dos animais nos quartos de dormir; porta do quarto sempre encerrada.