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OtitisExterna10 180x180 - Otite Externa

Otite Externa

Trata-se de uma infecção bacteriana ou fúngica da pele do CAE (canal auditivo externo).
Consideram-se factores predisponentes a manipulação do CAE, a presença de eczema do CAE ou a entrada contínua de água no CAE (piscina, sauna, praia, lavagem auricular).
Manifesta-se normalmente por otalgia, otorreia e hipoacusia, sempre que se verifique a oclusão do canal. A resolução do quadro passa por uma aspiração cuidada e frequente do CAE e terapêutica tópica com gotas otológicas contendo antibiótico e corticóide.
No caso de infecção fúngica, para além de limpeza cuidadosa e sistemática do CAE, deve fazer-se terapêutica com nistatina e aplicação local de tintura de timerosal.
No caso de otite externa muito exuberante, deve fazer-se também antibioterapia oral (amoxicilina, amoxicilina + ácido clavulânico, ciprofloxacina). Nos doentes diabéticos, deve fazer-se o controlo da diabetes e terapêutica por via parentérica, sempre que necessário.

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Terapêutica Médica (Prolapso da Válvula Mitral)

Medidas gerais – evitar o café, chá, tabaco e anovulatórios, e encorajar o exercício regular.
Profilaxia da endocardite bacteriana.
Bloqueante – indicado no controlo das precordialgias, ansiedade e palpitações.
Aspirina (75-325 mg) recomendada em pacientes com PVM :
AIT em ritmo sinusal e sem bombos auriculares.
65 anos, FA mas sem história de IM, HTA ou falência cardíaca.
Pós-AVC com contraindicação para anticoagulantes.
Em ritmo sinusal com critérios ecocardiográficos de PVM de alto risco (indicação não completamente estabelecida).
Anticoagulantes orais (INR 2’°-3’0) estão indicados nos doentes com PVM e:
Idade 65 anos em FA e com HTA, sopro de IM ou história de falência cardíaca.
No pós-AVC.
AIT de repetição, apesar da terapêutica com aspirina.

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Terapêutica (Pancreatite Aguda)

Enquanto as pancreatites ligeiras apenas necessitam de terapêutica de suporte, nomeadamente correcção da hipovolemia, da hipoxemia e da dor, nos doentes idosos (mais de 70 anos), nos obesos (IMC >30), quando existem co-morbilidades associadas ou na insuficiência de órgãos, deve ser ponderada a transferência para uma UCI.
A pancreatite aguda induz um estado hipercatabólico com consequente redução de peso, perda de proteínas e de lípidos. Por esse motivo e para estabilizar a barreira intestinal prevenindo a translocação bacteriana, o suporte nutricional deve ser iniciado precocemente entre os 3.°-4.° dias. Nas pancreatites ligeiras, a dieta poderá ser oral, em alternativa para os doentes mais graves pode-se optar por uma dieta entérica por sonda nasojejunal que se coloca por via endoscópica. Se a alimentação entérica não for tolerada, a opção é a alimentação parentérica.
Em relação à profilaxia antibiótica, ela não tem indicação nas pancreatites intersticiais, já nas pancreatites necrosantes, é tema de debate. A utilização empírica do carbapenem pretende reduzir o risco da infecção bacteriana (geralmente Gram-negativo com origem intestinal) dos tecidos pancreáticos necrosados. Se por um lado os estudos comparativos sobre a redução da morbilidade e da mortalidade não são conclusivos, por outro existe o risco da sobreinfecção fúngica associada à profilaxia antibiótica.
Quando existe a suspeita de infecção da necrose pancreática, seja pelos sinais sistémicos de toxicidade seja pela insuficiência de órgãos, uma punção aspirativa guiada por TC deverá ser realizada, iniciando-se a antibioterapia de acordo com o antibiograma. A necrose pancreática infectada necessita igualmente de desbridamento cirúrgico (necrosectomia) ou uma alternativa menos invasiva, a drenagem percutânea através de um ou mais cateteres.
A CPRE na pancreatite aguda litiásica deverá ser realizada com carácter de urgência (nas primeiras 24 horas) nos doentes com suspeita de colangite ou nas pancreatites agudas graves com falência de órgão. A CPRE electiva com esfincterotomia deverá ser realizada nos doentes com persistência de obstrução da via biliar principal (elevação da bilirrubinemia, via biliar principal dilatada), nos doentes sem condições para colecistectomia e nos doentes colecistectomizados com coledocolitíase.
Nos doentes com pancreatite litiásica, a colecistectomia deverá ser programada antes da alta hospitalar com o objectivo de evitar a recidiva da pancreatite.

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Epidemiologia (Pneumonia adquirida na comunidade)

A incidência global é de cerca de 5-12/1000 pessoas/ano, e mais elevada nas idades extremas. Estima-se que cerca de 80% das PAC podem ser tratadas no ambulatório, mas a dificuldade em obter dados microbiológicos não permite excluir, em absoluto, que estas estimativas se baseiem estritamente em casos de pneumonia aguda bacteriana. As estatísticas da OMS (Organização Mundial de Saúde) referentes a Portugal (2006) apresentam a pneumonia (não necessariamente PAC) como a quarta causa individual de mortalidade, considerando todas as idades, e a única causa infecciosa de mortalidade entre as 10 principais causas. Noutra perspectiva, as estatísticas apontam para 7-11 casos/1000 habitantes/ano, resultando em 2,25 internamentos por 1000 habitantes. A taxa de mortalidade hospitalar global foi de 17,1% em 1997, elevando-se para 21,6% em doentes com mais de 65 anos. A incidência de PAC apresenta variações sazonais que podem variar de acordo com o agente envolvido (ver “Microbiologia”), mas apresentando, globalmente, picos durante os meses mais frios.

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Controlo da infeção

A identificação do foco séptico original e o seu controlo imediato, bem como o isolamento do agente infetante que leva à selecção mais apropriada da antibioterapia, são as intervenções terapêuticas mais importantes, todas as outras não passam de terapêuticas de suporte. Devemos tentar colher e cultivar todos os fluidos suspeitos (secreções brônquicas, urina, derrames em serosas, pus de ferida operatória, ou aspirado de abcessos) e antes do início de antibioterapia colher pelo menos 10 ml de sangue de três locais de punção diferentes, incluindo cateteres centrais, para hemoculturas em meio aeróbico e anaeróbico, não sendo necessário perder tempo precioso à espera de pico febril ou de um intervalo específico entre as colheitas.
Em cerca de 30% dos doentes nunca se identifica o foco infecioso e naqueles em que a fonte de infeção é fortemente suspeita, 30% têm culturas estéreis ou com isolamentos sem relevância clínica. As hemoculturas só são positivas em 30% dos doentes febris.
O timing da administração de antibióticos, uma vez identificada a sépsis, é capital; o início da terapêutica na primeira hora é fundamental, cada hora de demora agrava o prognóstico vital.
A antibioterapia é necessária mas não suficiente no tratamento da sépsis. A escolha inicial dos antibióticos deve basear-se:
—> Na presunção de maior probabilidade de foco infecioso original e os agentes mais frequentes nessa localização.
—> Se a infecção foi adquirida na comunidade, no hospital ou em instituição de terceira idade.
—> No resultado de esfregaços do produto colhido do possível local de infecção, corados
pelo Gram para exame directo.
—> Na flora bacteriana característica da instituição ou dessa UCI.
—> No seu padrão histórico de resistências, sendo depois ajustada para o resultado das culturas obtidas.
É preferível a associação de pelo menos dois antibióticos considerados sinérgicos, sempre por via e.v. No caso do esquema inicial ser uma prescrição totalmente empírica, substituir cateteres, associar um P-lactâmico (cefalosporina de 3ª ou 4ª geração ou uma ureidopenicilina) e uma quinolona ou aminoglicósido, este último em dose única diária correspondente à totalidade da dose calculada para esse dia. Incluir na prescrição um glicopéptido (vancomicina ou teicoplanina), se a probabilidade de um estafilococo é grande e a instituição tem mais de 40% de estafilococos meticilina resistentes entre os seus isolados, um anti-anaeróbios (metronidazol ou clindamicina) em patologia oral, intestinal ou ginecológica prováveis, ou um antifúngico (fluconazol ou anfotericina B) no doente neutropénico.

melhor metodo contraceptivo 10 180x180 - Contra-Indicações Absolutas dos Contraceptivos Orais

Contra-Indicações Absolutas dos Contraceptivos Orais

– Puérperas a amamentar e cujo parto ocorreu há menos de 6 semanas.
– Mulheres com 35 anos ou mais e fumadoras de >15 cigarros/dia.
– Combinação de múltiplos factores de risco para eventos cardiovasculares.
– HTA com valores acima de 160/100 mmHg ou associada a doença vascular.
– Episódio anterior ou agudo de trombose venosa profunda ou tromboembolismo pulmonar.
– Cirurgia, apenas quando implique imobilização prolongada (antes da laqueação tubária não há necessidade de interrupção dos contraceptivos orais).
– Trombofilias hereditárias: factor V de Leiden, défice de proteína S ou C, défice de antitrombina III, mutação da protrombina 20210A.
– História de doença cardíaca isquémica ou AVC.
– Doença valvular cardíaca complicada: hipertensão pulmonar, risco de fibrilação auricular, história de endocardite bacteriana (doença valvular cardíaca não complicada não contra-indica contraceptivos orais).
– História de enxaqueca com aura associada em qualquer idade ou sem aura a partir dos 35 anos de idade.
– Neoplasia da mama há menos de 5 anos.
– Diabetes associada com nefropatia, retinopatia, neuropatia ou outra doença vascular ou diabetes com mais de 20 anos de duração.
– Hepatite virai em fase aguda.
– Cirrose hepática descompensada, carcinoma hepatocelular e adenomas hepáticos.

Gardnerellavaginalis 180x180 - Vaginose Bacteriana

Vaginose Bacteriana

A VB (vaginose bacteriana) é a infecção vaginal mais prevalente, no entanto, 50% das mulheres afectadas estão assintomáticas. A vaginose bacteriana está associada à perda de lactobacilos produtores de peróxido de hidrogénio, e ao desenvolvimento de múltiplas espécies de bactérias, sendo as mais frequentemente encontradas a Gardnerella vaginalis, Mycoplasma hominis, Bacterioides, Peptostreptococcus e outros aneróbios.
Em mulheres não grávidas, a VB foi associada a várias infecções do aparelho reprodutor como DIP (doença inflamatória pélvica), infecções após procedimentos ginecológicos, facilitação da infecção por VIH e HSV2. O tratamento da VB, antes de manipulação ginecológica ou histerectomia, reduz significativamente o risco de complicações infeciosas pós-operatórias. Em contrapartida, não existe evidência de que o tratamento da VB em mulheres assintomáticas ajude a diminuir a taxa de infecção por VIH, HSV ou a incidência de DIP. Na mulher grávida, a VB pode estar associada a APPT (ameaça de parto pré-termo)/PPT (parto pré-termo), RPPM (ruptura prematura pré-termo de membranas), RCIU (restrição de crescimento intra-uterino) e a aborto espontâneo, pelo que a vaginose sintomática na gravidez deve ser sempre tratada.

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Otite Média Aguda

Infecção viral ou bacteriana do ouvido médio. É mais frequente em crianças e usualmente bilateral. Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenza e Moraxella catarrhalis são os agentes geralmente implicados. Manifesta-se por otalgia, hipoacusia, febre e eventualmente otorreia. O diagnóstico faz-se por otoscopia. A terapêutica passa por antibioticoterapia oral (amoxicilina, amoxicilina + ácido clavulânico, cefalosporinas), analgésico/antipirético, vasoconstritores nasais e antibioterapia tópica, no caso de otite supurada. Na eventualidade de persistência do quadro, apesar de terapêutica adequada, deve realizar-se miringocentese sob visão microscópica, com colheita de material para exame bacteriológico.

episclerite 180x180 - Etiologia (Olho Vermelho)

Etiologia (Olho Vermelho)

Pode ser causado por qualquer condição ocular. Trata-se de um quadro frequentemente benigno, mas pode associar-se a doença sistémica. Pode, também, resultar de um processo infeccioso:
– Bacteriana – secreção mucopurulenta.
– Viral – secreção aquosa ou nenhuma, prurido.
Ou surgir no contexto de um trauma:
– Erosão da córnea.
– Hemorragia conjuntival.
– Corpos estranhos.

Antibiotics injection241 180x180 - Glicopépticos II

Glicopépticos II

A resistência em enterococos deve-se à síntese bacteriana de moléculas percursoras do peptidoglicano com baixa afinidade para os glicopéptidos. A presença de um ou mais genes (genes VanA-G) codificadores destas modificações pode resultar quer em resistência intrínseca, descrita em estirpes selvagens de E. galinarum e E. flavescens, patogénios raros no homem, ou adquirida, encontrada em E. faecalis e, sobretudo, em E. faecium com uma frequência que, embora inferior à descrita para os EUA, pode ser significativa em algumas unidades hospitalares. Nestas duas espécies, os genes de resistência mais frequentemente encontrados são o VanA, que induz resistência elevada à vancomicina e teicoplanina, e o VanB, que apenas induz resistência à vancomicina.
O isolamento de enterococos dependentes da vancomicina para o seu crescimento (vancomycin-dependent enterococci – VDE), a partir de amostras clínicas, foi descrito em 1994 mas a importância clínica e epidemiológica destas variantes tem sido reduzida.
O isolamento de estirpes de S. aureus resistentes à vancomicina, portadores do gene vanA, foi descrito nos EUA em 2002, mas a importância epidemiológica de S. aureus e estafilococos coagulase-negativo resistentes aos glicopéptidos, na Europa, não tem sido clinicamente relevante.
– Segurança – as reacções adversas relacionadas com a infusão são as mais frequentemente descritas com a utilização da vancomicina. Estas reacções adversas podem ser locais, como a flebite (3-14%), ou sistémicas, como a red man syndrome, reacção anafilactóide manifestada por eritema pruriginoso generalizado, associado ou não a angioedema e hipotensão, que surge pouco após o início da infusão (3-11%), ou, raramente, choque e paragem cardíaca, cuja incidência pode ser reduzida pelo aumento do tempo de infusão.
A nefrotoxicidade associada à vancomicina é relativamente rara (0-7%) quando utilizada isoladamente, embora a combinação com aminoglicósidos possa elevar a frequência de ocorrência de disfunção renal relacionada com o tratamento (14-20%).
Outras reacções adversas incluem exantema morbiliforme (3-12%) (raramente síndrome de Stevens-Johnson ou eritema multiforme), neutropenia reversível (1-2%) e, excepcionalmente, trombocitopenia. A ototoxicidade é, também, excepcional com as doses de vancomicina recomendadas actualmente.
– Interacções – a actividade sinérgica com aminoglicósidos (gentamicina, estreptomicina) contra enterococos tem relevância clínica, sendo recomendada no tratamento da endocardite bacteriana por este agente.
—> Posologia e administração – a dose diária da vancomicina é de 30 mg/kg, divididos em 2 tomas de 12/12 horas em infusão de 30-60 minutos, de modo a reduzir o risco ocorrência de racções anafilactóides, ou em perfusão contínua, sendo a dose inicial mais frequente de 2 g/dia. Após a administração sistemática de uma dose inicial de 15 mg/kg, a fim de se obterem níveis séricos adequados, as tomas subsequentes devem ser ajustadas aos valores da taxa de filtração glomerular, através de utilização de nomogramas ou, quando os recursos o permitirem e em situações seleccionadas, através da MNS. A administração em perfusão contínua (dose diária ajustada à função renal diluída em 50cc de soro fisiológico, perfundida em 24 horas) pode ser uma alternativa eficaz exigindo menor intervenção dos técnicos de saúde, mas não existem estudos que demonstrem de forma clara a vantagem deste modo de administração quanto a eficácia e segurança.