Artigos

1385984493 180x180 - Hepatite crónica B AgHB e negativa

Hepatite crónica B AgHB e negativa

Esta fase pode emergir da evolução natural a partir da hepatite crónica AgHBe positiva, a que se segue a infecção activa com VHB mutante sem capacidade para produção ou secreção do AgHBe, mas com capacidade replicativa preservada com produção de viriões infectantes. As mutações mais frequentes localizam-se ou na região pré-core (G1896A predominante nos doentes com genótipo D do Mediterrâneo), ou no promotor do gene core (A1762T e G1764A, mais frequente no Extremo Oriente, com os genótipos B e C, ocorrendo em frequência similar à anterior, e também associada com ela).
Esta variante de hepatite crónica tem padrões de doença muito variáveis, frequentemente com apresentação incipiente, com níveis baixos de transaminases (1,5-3 vezes acima do limite superior do normal), até mesmo normais, cargas virais menores e flutuantes (>2000 Ul/ml), por vezes períodos de aparente remissão intercalados com episódios de exacerbação.
A biopsia hepática revela hepatite crónica com necro-inflamação activa e estádio de fibrose avançado (30% já com cirrose hepática), o que reflecte a agressividade da doença ou o balanço cumulativo da história natural da doença com várias fases de doença activa, com sequelas fibróticas permanentes. Esta fase tem risco acrescido de evolução para cirrose hepática (8-10%/ano) e carcinoma hepatocelular.
Foi considerada como uma indicação evidente para terapêutica antiviral, mas com a ressalva de ser clarificado previamente o diagnóstico diferencial com a fase de portador AgHBs e antiHBe positivo. A distinção pode ser laboriosa em fase quiescente da hepatite crónica, obrigando a monitorização das transaminases e carga virai VHB de 3/3 meses durante 1 ano e, frequentemente, ao recurso à biopsia hepática.

Dscn2604  180x180 - Diagnóstico (Trombocitemia Essencial)

Diagnóstico (Trombocitemia Essencial)

— Idade média no diagnóstico é de 60 anos.
— Risco de progressão para leucemia aguda é de 3-5%.
— Ocorrência de trombose arterial ou venosa, de pequenos ou grandes vasos; o risco aumenta com idade, co-morbilidades (HTA, diabetes, etc), duração da doença.
— Pode manifestar-se com eritromelalgia, geralmente de pés.
– A hemorragia é uma manifestação que habitualmente surge com plaquetas > 1000000 e deve-se a deficiência adquirida de multímeros de alto peso molecular do factor von Willebrand.
— Esplenomegalia pode estar presente em 50% dos doentes.
— Os critérios de diagnóstico (classificação OMS, revisão 2007) incluem obrigatoriamente quatro pontos.
• Plaquetas >450000;
• Biopsia medular com hiperplasia megacariocítica com megacariócitos maduros e de volume aumentado;
• Ausência de critérios para o diagnóstico de policitemia vera, leucemia mieloide crónica, mielofibrose, mielodisplasia;
• Demonstração de mutação em JAK2.
Cerca de 50-60% dos casos têm mutação no gene JAK2 (a primeira mutação identificada é V617F, mas outras vêm sendo descritas).

ABAAAAnfMAD 0 180x180 - Diagnóstico (Toxoplasmose)

Diagnóstico (Toxoplasmose)

O diagnóstico etiológico definitivo da toxoplasmose do SNC exige o recurso a biopsia cerebral com demonstração dos taquizoítos no tecido cerebral, pelo que raramente é feito na prática. O diagnóstico provisório assenta na suspeita clínica, epidemiológica e imagiológica, e na demonstração de resposta à terapêutica medicamentosa dirigida e correctamente administrada, documentada por reavaliação imagiológica ao fim de 2-3 semanas de tratamento. A serologia (IgG) é positiva na maioria dos casos, mas a IgM raramente é positiva e a negatividade serológica não deve excluir o diagnóstico. O exame citoquímico do LCR pode revelar pleocitose ligeira e/ou aumento ligeiro da proteinorraquia, mas é normal na maioria dos casos. A utilização de PCR para toxoplasma a partir do LCR pode apoiar o diagnóstico clínico. O diagnóstico diferencial deve ter em conta as diferentes patologias oportunistas com envolvimento do SNC, particularmente o linfoma não Hodgkin e a TB. Para o diagnóstico das formas extrapulmonares, é necessária a demonstração de taquizoítos nos tecidos afectados.

IMG 1551 180x180 - Diagnóstico (Vasculites)

Diagnóstico (Vasculites)

A broncofibroscopia com LBA permite o diagnóstico da DAH e excluir infeção.
Nas três patologias, na ausência de falência respiratória deve-se proceder à BPC. Quando há envolvimento renal, a biopsia renal deve ser realizada. Admite-se síndrome de Churg-Strauss se existirem quatro destes seis critérios: asma, eosinofilia periférica, mononeuropatia, infiltrados pulmonares migratórios, envolvimento dos seios perinasais, demonstração de eosinófilos extravasculares em biopsia envolvendo vaso sanguíneo. Goodpasture a biopsia renal é mandatória.

Como tratar candidíase 1 180x180 - Hemorragia Disfuncional

Hemorragia Disfuncional

Hemorragia uterina sem causa orgânica, numa mulher não grávida.
Dado que o diagnóstico de HD é feito por exclusão, há que fazer uma anamnese minuciosa, um exame clínico cuidadoso e complementá-los com análises, ecografia pélvica e se necessário histeroscopia com biopsia.

20090523202925 180x180 - Tumores Malignos (Orofaringe)

Tumores Malignos (Orofaringe)

— Carcinoma – geralmente manifesta-se por ulceração dolorosa com induração da amígdala ou parede da faringe, otalgia reflexa e eventualmente hemorragia. A metastização cervical é frequente. A terapêutica é cirúrgica, associada a radioterapia.
O prognóstico é reservado.
— Linfoma – geralmente manifesta-se por hipertrofia não dolorosa de uma ou das duas amígdalas. O diagnóstico faz-se por biopsia excisional. A terapêutica é feita com quimioterapia e/ou radioterapia. O prognóstico depende da classificação histológica do linfoma.

511 1 180x180 - Patogénese II (Endocardite Infecciosa)

Patogénese II (Endocardite Infecciosa)

Os factores de risco associados à ocorrência de EI incluem:
– Os que predispõem à ocorrência de ETNB – doença valvular estrutural, congénita ou adquirida, incluindo a cardite reumática (esta, hoje em dia, rara em Portugal). A ETNB também pode ocorrer, raramente, em doentes com neoplasias, particularmente do pâncreas, pulmão e linfomas.
– Os que predispõem à ocorrência de bacteriemia, transitória ou prolongada – cirurgia dentária (até 85%), utilização de dispositivos de irrigação oral (até 50%), amigdalectomia (28-38%), ressecção prostática transuretral (12-46%), dilatação uretral (18-33%), cistoscopia (17%), intubação naso ou orotraqueal (16%), biopsia hepática percutânea (3-13%), endoscopia digestiva alta (8-12%), clister opaco (11%), colonoscopia (até 10%), entre outros.
A utilização de drogas por via e.v. é, também, um factor de risco importante, designadamente para a ocorrência de endocardite da válvula tricúspide, parecendo que a infecção por VIH é, por si só, um factor de risco independente para a El nesta população. Os doentes hemodialisados constituem, também, um grupo com risco acrescido de EI (0,3%), para o que podem contribuir a colocação frequente de cateteres, a doença valvular calcificante e a própria depressão imunitária associada à uremia.
A febre Q (Coxiella burnetti) é uma zoonose endémica em Portugal, que se admite ser transmitida ao homem essencialmente por via aérea, sendo a exposição classicamente relacionada com o contacto com animais domésticos e gado, designadamente ovino e caprino, apresentando picos de ocorrência nos meses de reprodução destas espécies (Março a Junho). Sendo, na maioria dos casos, uma doença ligeira e autolimitada, pode evoluir para formas crónicas, nas quais a endocardite é uma manifestação clínica frequente.

DERRAME PLEURAL 180x180 - Diagnóstico (Derrame Pleural)

Diagnóstico (Derrame Pleural)

Depois da radiografia, a análise do líquido pleural é essencial para verificação das características bioquímicas, exame bacteriológico e pesquisa de células neoplásicas. Um exsudado favorece o diagnóstico de derrame metastático – densidade superior a 1,015, concentração de proteínas no líquido 0,5 vezes superior à concentração plasmática (habitualmente superior a 3 g/dl), DHL superior 0,6 vezes ao valor sérico e níveis de glucose baixa; a determinação de CEA no líquido pleural pode ser útil – valores superiores a 20 ng/dl sugerem a presença de adenocarcinoma. Sempre que possível, deverá ser realizada biopsia pleural. Nos casos em que não existe outra documentação de doença metastática pode-se justificar a realização de videotoracoscopia com intenção diagnóstica.

bolas de sabao 06a55 180x180 - Outros exames complementares

Outros exames complementares

— A biopsia pleural cega tem indicação perante suspeita de neoplasia ou tuberculose pleural uma vez que permite uma rentabilidade diagnostica acrescida.
— A realização de videotoracoscopia ou toracotomia com biopsia cirúrgica está reservada para quando os métodos menos invasivos não foram eficazes e permanece a dúvida diagnostica. A rentabilidade diagnostica no envolvimento neoplásico da pleura é de 90-95%.
— A realização de broncofibroscopia deve ser realizada nas situações em que se verifica a presença concomitante de infiltrado/massa pulmonar, hemoptises ou derrame maciço sem desvio do mediastino.


Warning: DOMDocument::loadHTML(): htmlParseStartTag: invalid element name in Entity, line: 4 in /home/medicina/public_html/wp-content/plugins/wpex-auto-link-titles-master/wpex-auto-link-titles.php on line 30
Figado hepatite virus 180x180 - Indicações Terapêuticas (Hepatite C)

Indicações Terapêuticas (Hepatite C)

Devem ser apreciados todos os casos com elevação da(s) transaminase(s), com ou sem confirmação histológica de hepatite crónica com actividade necro-inflamatória significativa. A generalização da terapêutica a todos os casos de infecção crónica pelo VHC poderá ser controversa nos casos sem evidência de fibrose e sem lesão inflamatória do fígado, descritos habitualmente como tendo “alterações mínimas”, frequentemente associados apenas à presença de linfócitos nos espaços porta, para os quais não há evidência de progressão para cirrose hepática, em estudos histológicos seriados com intervalos longos de seguimento.
Nos casos de hepatite crónica C com transaminases normais, a biopsia assiste na decisão de tratamento, já que ainda se aceita não propor terapêutica a doentes não motivados, com genótipo 1 e que não tenham sinais de inflamação ou fibrose na biopsia hepática. Os estudos de seguimento com biópsias seriadas demonstraram a benignidade dos casos com estádio de fibrose F0/F1 na biopsia inicial, sem progressão em folllow-up até 10 anos.
As guidelines só indicam a terapêutica antiviral para estes casos, quando o genótipo seja 2 ou 3, em que as taxas de eficácia com resposta mantida de 70-80% justificam o investimento de um curso de tratamento de 6 meses. Nos casos com genótipo 1 ou 4, as indicações confinam-se ao desejo expresso do doente, à presença de manifestações extra-hepáticas a merecerem terapêutica anti-VHC ou à demonstração histológica de inflamação e/ou fibrose significativas. Esta variante tem probabilidade de resposta similar, e não se reportam efeitos deletérios ou aceleração da doença nos casos sem resposta, ou com recidiva após conclusão do tratamento.
Se a biopsia hepática revelar cirrose e se o doente se apresentar em fase compensada, sem manifestações clínicas de hipertensão portal e/ou insuficiência hepática, a indicação terapêutica mantém-se, porque a erradicação virai, ainda que menos provável (<40%), poderá evitar a progressão para a fase terminal, permitir a efectiva recuperação da reserva funcional, e até a reversão histológica da cirrose (15% dos casos), que tem sido documentada em séries com biopsia de controlo após tratamento. O benefício do tratamento fundamenta-se, também, na redução da incidência do carcinoma hepatocelular, significativa em casos com resposta mantida estável, e sugerida, em algumas séries, nos doentes tratados mas sem resposta virológica estável.