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Doença de Whipple

A doença de Whipple é uma doença infecciosa crónica com atingimento multissistémico, causada pelo actinomicete Tropheryma whipplei, verificando-se uma incidência anual de 1/1000000 população. Esta doença foi pela primeira vez descrita em 1907 por George Hoyt Whipple, que observou microrganismos nos tecidos atingidos. E um microrganismo de crescimento muito lento em meios de cultura especiais (vários meses). Este agente é ubiquitário no meio ambiente e pode ser isolado das fezes humanas, podendo caracterizar-se como uma bactéria comensal adquirida por transmissão fecal-oral. Pensa-se que exista uma predisposição genética para o desenvolvimento da doença, tendo em conta a baixa incidência e sendo o agente ubiquitário.
Resumidamente, o quadro clínico pode constar de: perda ponderal, artralgias, diarreia, dor abdominal. Observam-se manifestações neurológicas em 10 a 40% dos doentes, que, são as mais temíveis, uma vez que podem persistir défices neurológicos mesmo após a terapêutica antibiótica. A doença pode cursar durante muitos anos sem manifestações gastrintestinais. As manifestações clínicas polimorfas, associadas à raridade da doença, conduzem a atrasos no diagnóstico.
A endoscopia digestiva alta (EDA) com biópsias do duodeno é um procedimento diagnóstico fundamental, mesmo que não existam manifestações clínicas atribuíveis a lesão do tubo digestivo. Observa-se endoscopicamente mucosa duodenal amarelo pálido com vilosidades grosseiras e dilatadas com vasos linfáticos ingurgitados. O exame histológico revela partículas PAS positivas nos macrófagos. Deve recorrer-se a outros procedimentos técnicos como PCR e imuno-histoquímica. A microscopia electrónica e as técnicas culturais apenas são possíveis em laboratórios de investigação.
As técnicas diagnosticas atrás descritas (PAS, PCR, imuno-histoquímica) podem e devem ser utilizadas para pesquisa do agente microbiano noutros tecidos em função das manifestações clínicas como, por exemplo, no LCR, biopsia cerebral, líquido e tecido sinovial.

CIRURGIA DO DOADOR FALECIDO2 180x180 - Deve controlar-se a cicatrização da lesão ulcerada?

Deve controlar-se a cicatrização da lesão ulcerada?

No caso de úlcera duodenal o controlo da cicatrização não é considerado necessário, com excepção de úlceras complicadas de hemorragia e nos doentes que necessitam de reintroduzir anticoagulantes ou AINEs. Na úlcera gástrica preconiza-se sempre o controlo endoscópico da cicatrização, com biópsias da zona da cicatriz, pelo perigo de na primeira avaliação não se ter detectado a possível malignidade da lesão.

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Cápsula Versus Enteroscopia

Não havendo regra fixa, é geralmente aceite que uma investigação mais avançada do delgado só deva ser feita depois de duas EDA (de preferência uma delas com colonoscópio pediátrico e sedação anestésica). As duas técnicas não têm de ser postas em alternativa, antes se complementam em muitos casos, ainda que ambas sejam muito laboriosas e dispendiosas.
– A cápsula não permite biópsias, não faz HE e não pode ser usada em casos de estenose ou anatomia alterada (cirurgia prévia); a leitura é muito demorada (milhares de imagens) e a sensibilidade é baixa (falsos negativos).
– A enteroscopia utiliza aparelhos de 250 cm, exige anestesia e, mesmo nas melhores séries, poucas vezes atinge ao ileo médio (completam-se a enteroscopia e a colonoscopia com ileoscopia, mas é aceite por todos que não devem ser feitas na mesma sessão). Pode ser feita com técnica de empurramento (push), difícil e demorada quando se formam ansas, mesmo com overtube, e por enteroscopia de duplo balão (push and pull): a insuflação/desinduflação de balões na ponta do enteroscópio e do overtube; ou seja, o objectivo é fazer do delgado um “harmónio” (cada vez mais apertado) sobre o enteroscópio. Ainda não é praticada em todos os centros.
—> Indicações para enteroscopia – HDM com intenção de HE; hemorragia oculta persistente, confirmação histológica de lesões detectadas pela cápsula ou enteroclise, avaliação inicial na HDM em caso de estenoses ou alteração anatómica cirúrgica.