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piolho 180x180 - Pediculose Capitis

Pediculose Capitis

É a infestação do couro cabeludo pelo piolho da cabeça. O parasita é hematófago e alimenta-se no couro cabeludo e região cervical, depositando os ovos nos cabelos.
Pode ocorrer em qualquer grupo etário, mas é mais frequente nas crianças e no sexo feminino, pois o cabelo comprido das raparigas não só dificulta o tratamento como facilita a transmissão. Existem ainda factores individuais (atópicos?) que facilitam a infestação, uma vez que é comum a observação, no mesmo agregado familiar, de crianças que estão frequentemente infestadas a par de outras que raramente o estão. A transmissão faz-se através de chapéus, bonés, pentes e escovas, ou pelo contacto cabeça com cabeça.
Pode ser assintomática, mas na maioria dos casos provoca prurido acentuado nas regiões occipital e temporais. Podem observar-se escoriações e infecção secundária, associada com linfadenopatias occipitais e/ou cervicais.
No exame objectivo podem observar-se piolhos, geralmente em pequeno número (<10) e, sobretudo, lêndeas; estas são ovos do piolho fêmea, ovais, de cor branca acinzentada e estão fixas às hastes do cabelo. Como complicações, em regra em situações arrastadas, pode existir eczema das regiões occipital e nuca (secundárias ao prurido e à coceira), escoriações, crostas e impétigo do couro cabeludo, que podem ocultar os piolhos e lêndeas, dificultando o diagnóstico, e pápulas urticariformes, nas faces laterais da região cervical e nuca, resultantes das picadas do parasita.

alopecia androgenetica femminile 180x180 - Alopecia Androgenética

Alopecia Androgenética

A alopecia androgenética (AAG) resulta de sensibilidade particular dos folículos pilosos, de determinadas áreas do couro cabeludo, aos androgénios, sensibilidade esta que é geneticamente determinada e que é inerente às próprias células da matriz dos folículos pilosos. Sob a acção androgénica, estes folículos vão-se miniaturizando progressivamente e produzindo cabelos cada vez mais curtos, finos e menos pigmentados. Corresponde a um processo fisiológico tanto no homem como na mulher, embora nesta última possa ser secundária a um distúrbio hormonal. A frequência é variável segundo as raças, mas é rara na mongólica, pouco frequente na congóide e relativamente frequente na caucasiana. Nesta última afecta cerca de 50% dos homens e cerca de 40% das mulheres a partir da quinta década de vida.
A dihidrotestosterona (DHT) é o androgénio que maior influência tem nesta alopecia, sendo sintetizado localmente nos folículos a partir da testosterona pela actividade da enzima 5-alfa reductase. Embora a apresentação clínica e as potenciais influências sistémicas sejam diferentes no homem e na mulher, os mecanismos celulares subjacentes são pressupostamente os mesmos.
O diagnóstico é baseado na história e no exame clínico. A biopsia cutânea é característica, mas muito raramente necessária. O tricograma e o controlo fotográfico são úteis na avaliação da progressão da alopecia e do respectivo tratamento.

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Terapêutica Tópica II (Psoríase)

No couro cabeludo deve preferir-se a aplicação de loções (por maior facilidade de aplicação), champôs ou espumas, embora em certas circunstâncias a utilização de pomada ou creme possa ter justificação.
– Análogos da vitamina D – calcipotriol, calcitriol e tacalcitol – com acção antipsoriásica, estão todos comercializados em Portugal. Estes análogos ligam-se aos receptores da vitamina D3 nos queratinócitos, regulam a proliferação e diferenciação dos queratinócitos e inibem a activação das células T. A sua principal vantagem reside na ausência dos efeitos secundários referidos para a corticoterapia tópica, mas são muitas vezes insuficientes para a regressão completa das lesões. Aplicam-se 1 -2xdia (consoante o fármaco) e dado terem alguma potencial acção irritativa devem ser aplicados com cuidado na face, nas pregas, genitais e nas crianças. Não deve ser ultrapassada a dose semanal máxima de 100 g, pois pode induzir hipercalcemia e hipercalciúria.
Estão indicados na psoríase em placas do adulto, na psoríase do couro cabeludo, na psoríase palmo-plantar e das unhas, na psoríase inversa.
Em face de eficácia limitada em alguns casos, pode associar-se a utilização destes análogos da vitamina D com outros medicamentos – corticosteróides, antralina, queratolíticos – ou com a fototerapia.
Nesta sequência existe, actualmente, medicamento que associa o calcipotriol e o valerato de betametasona, em pomada e em gel. Esta associação parece potenciar o efeito dos dois compostos, com acção antipsoriásica superior a qualquer dos dois utilizados individualmente. Aconselha-se a sua utilização nas mesmas indicações dos análogos da vitamina D, com aplicação lxdia por período de cerca de um mês, devendo posteriormente ser aplicado apenas 2xsemana, alternando com um dos análogos da vitamina D.
– Antralina – a antralina ou ditranol é uma das mais antigas substâncias antipsoriásicas, actualmente com muito menor utilização, devido à irritação que provoca, ao facto de manchar a roupa e a pele e à dificuldade de utilização em ambulatório. Comercialmente existe em creme (0,25%) e é utilizada em placas crónicas infiltradas de psoríase vulgar, no couro cabeludo, nas palmas e plantas. Aconselha-se a aplicação por períodos curtos (até 30 minutos), devendo de seguida a pele ser lavada com água tépida, sem esfregar. Após a aplicação, o doente deverá lavar cuidadosamente as mãos, evitar levá-las ao rosto e vestir roupa usada ou velha, até à lavagem posterior.
A pele em volta das lesões fica progressivamente pigmentada, e as placas vão melhorando simultaneamente até à “cura”, podendo observar-se hipocromia residual temporária. Pode ser utilizada em monoterapia, em associação a queratolíticos, a corticosteróides tópicos, aos UV (método de Ingram) ou a terapêuticas sistémicas; mas não deve ser aplicada em conjunto com o coaltar (alcatrão mineral), que provoca a sua degradação oxidativa, com consequente perda de eficácia.
– Alcatrão e derivados – à semelhança do referido para o eczema, e pelos mesmos motivos, o alcatrão mineral e outros alcatrões foram quase que totalmente retirados do mercado, sobretudo devido ao possível potencial carcinogénico. Restam, actualmente, os champôs de alcatrão que têm utilidade em associação com os outros tratamentos referidos.
– Tazaroteno – é um retinóide tópico; actua modulando a anormal diferenciação e proliferação epidérmica. Tem acção comprovada na psoríase, mas não está comercializado em Portugal.
– Imunomoduladores – o pimecrolimus e o tacrolimus não parecem ser eficazes no tratamento da psoríase em placas, mas nas pregas e na face, onde há melhor absorção, podem ser úteis.

alopecia areata 180x180 - Alopecia Areata

Alopecia Areata

A alopecia areata (ou pelada) caracteriza-se pelo aparecimento, no couro cabeludo, de uma ou mais áreas totalmente desprovidas de cabelos, as quais contrastam com a cabeleira normal circundante. Ocorre igualmente nos dois sexos, sendo rara antes dos 4 anos e mais frequente entre os 20 e os 40 anos. A evolução é imprevisível e, em função desta, descrevem-se vários tipos clínicos: pelada vulgar, localizada, de evolução benigna, em que após uma fase evolutiva surge uma fase de estabilidade na sequência da qual os cabelos crescem com ou sem tratamento; peladas múltiplas e extensivas, em número e disposição variáveis, com evolução, quer para um recrescimento lento dos cabelos, quer
para agravamento progressivo que pode conduzir a alopecia total (queda de todos os cabelos) ou universal (queda de todos os pêlos do corpo); pelada ofiásica, com áreas de alopecia na nuca, confluindo em banda até às regiões supra e retro-auriculares e acompanhando-se de outras áreas calvas disseminadas pelo couro cabeludo, de evolução lenta e prognóstico desfavorável, particularmente no adulto.
A queda dos cabelos está relacionada com o bloqueio transitório e potencialmente reversível do ciclo pilar na fase anagénica (de crescimento), com a maioria dos folículos pilosos a passar para a fase catagénica tardia ou telogénica. A etiologia actualmente mais aceite é a auto-imune, embora os doentes, com frequência, relacionem a queda de cabelo com períodos de stress e com a ansiedade.

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Tratamento (Dermite Seborreica)

– Criança – na DS do couro cabeludo é, em geral, suficiente a aplicação de óleos minerais ou vegetais ou queratolíticos fracos (1% ácido salicílico+1% enxofre), antes da lavagem com champô suave; a DS da área das fraldas é controlada pela evicção e/ou mudança frequente das mesmas; nos casos mais graves podem usar-se corticosteróides fracos durante períodos curtos (>absorção sistémica pela humidade e oclusão) eventualmente em associação a preparados com nistatina, dada a colonização frequente por Cândida albicans; nas lesões generalizadas da infância pode aplicar-se, se necessário e durante os períodos de agudização, creme de hidrocortisona a 1%.
– Adulto
• Couro cabeludo – nos casos de pitiríase capitis simples, a lavagem com champôs apropriados, 2-3xsemana é habitualmente suficiente para controlo da situação – champôs contendo imidazóis (cetoconazol, sertaconazol, bifonazol ou outros), sulfureto de selénio, piritionato de zinco, ciclopiroxolamina ou alcatrão. Nas formas mais intensas, para além dos champôs, está indicada a aplicação prévia de loções contendo antifúngicos e/ou queratolíticos, ou a aplicação subsequente de loções de corticosteróide de média potência. A terapêutica deve ser mais frequente na fase inicial, devendo, após o controlo da doença, reduzir-se a frequência e mantendo o tratamento 1-2xsemana em continuidade.
• Face e tronco – os antifúngicos tópicos (imidazóis, piritionato de zinco, ciclopiroxolamina) constituem o tratamento base da DS nestas áreas, devendo ser aplicados 1-2xdia. Nos casos mais inflamatórios, podem associar-se corticosteróides de média/fraca potência, por períodos limitados. Os inibidores da calcineurina (tacrolimus e pimecrolimus) vêm sendo utilizados com alguma frequência nesta situação, com sucesso – têm acção inibidora sobre a Malassezia demonstrada in vitro, e não têm os efeitos acessórios locais dos corticosteróides.
• Nas pregas podem utilizar-se cremes corticosteróides de fraca potência por períodos limitadas (8-10 dias), mantendo subsequentemente as lesões controladas mediante a aplicação de linimento de óxido de zinco (óleo de zinco) ou cremes contendo cobre e zinco (Cu-Zn).
• Terapêutica sistémica – em casos particularmente exuberantes de DS difíceis de controlar apenas com a terapêutica tópica, pode justificar-se a terapêutica sistémica antifúngica, em especial com itraconazol, 100 mg/dia, durante 2-3 semanas. De igual modo, a isotretinoína oral em baixas doses (0,1-0,2 mg/kg/dia) reduz a secreção sebácea, contribuindo indirectamente para a redução da Malassezia e melhoria do quadro clínico. Com este fármaco há, contudo, que ter em atenção os eventuais efeitos acessórios, particularmente no sexo feminino no que respeita à prevenção da gravidez.

remedio 180x180 - Tinha do Couro Cabeludo

Tinha do Couro Cabeludo

—> Nas crianças:
• Antifúngico tópico em creme ou loção, sempre associado a
• Antifúngico sistémico: griseofulvina – 12,5 mg/kg/dia p.o. – duração média de tratamento: 4 a 6 semanas (dificuldade na obtenção deste fármaco); terbinafina – 3 a 6 mg/kg/dia p.o. – duração média de tratamento: 4 semanas.
—> Nos adultos:
• Antifúngico tópico em creme ou loção, sempre associado a
• Antifúngico sistémico: terbinafina – 250 mg/dia p.o.; itraconazol – 100 mg/dia p.o.; fluconazol – 150 mg/semana ou 50 mg/dia p.o.
A duração do tratamento depende da cura clínica e micológica, mas não deverá ser inferior a 4 semanas.
O tratamento antifúgico, em qualquer dos grupos etários, deverá ser complementado com a lavagem diária com champôs contendo econazol, cetoconazol ou sulfureto de selénio.

Tinea verrucosum 180x180 - Tratamento (Dermatofitias)

Tratamento (Dermatofitias)

As micoses superficiais podem ser tratadas, em muitos casos, apenas com tratamento local com aplicação de tópicos antifúngicos. Contudo, em formas extensas, de evolução arrastada, em determinadas localizações como palmas, plantas, couro cabeludo ou barba, em indivíduos com patologia subjacente que implique défice imunitário, torna-se necessário recorrer a terapêutica sistémica concomitante.
O uso de tratamento tópico, para além de eficaz, evita o aparecimento de situações ligadas à toxicidade e à interacção dos fármacos antifúngicos com outros medicamentos, quando administrados sistemicamente, aspectos relevantes a considerar nos indivíduos polimedicados.
A maior parte dos agentes antifúngicos utilizados na prática clínica no tratamento deste tipo de micoses são derivados de um grupo relativamente restrito de compostos químicos fundamentais.
Assim, os antifúngicos tópicos mais habitualmente utilizados são: o tolnaftato, otolciclato, os derivados imidazólicos (miconazol, clotrimazol, econazol, cetoconazol, tioconazol, bifonazol, omoconazol, sertaconazol), a terbinafina, a amorolfina, a ciclopiroxolamina.
Alguns podem ter vantagem posológica sobre outros por permitirem apenas uma aplicação diária, mas a sua actividade antifúngica é bastante sobreponível.
Estes fármacos apresentam toxicidade quase inexistente quando utilizados por via tópica e, para além da sua acção curativa, podem ser usados profilacticamente como, por exemplo, nos indivíduos que frequentam piscinas, em que a ocorrência de tinha dos pés é frequente.
Os antifúngicos sistémicos utilizados nalgumas formas clínicas destas micoses superficiais são: griseofulvina, terbinafina, fluconazol e itraconazol. O cetoconazol por via sistémica não tem, actualmente, relevância no tratamento das micoses superficiais.
A griseofulvina deveria continuar a ser a terapêutica de eleição na maior parte das tinhas do couro cabeludo. Contudo, está quase totalmente retirada do mercado, pelo que na prática não é muito utilizada.
A terbinafina é uma alilamina com largo espectro de actividade antifúngica, utilizada preferencialmente nas infecções da pele e unhas, causadas por fungos dermatófitos, mas que não é eficaz no tratamento da pitiríase versicolor nem das candidíases. É geralmente bem tolerada, embora ligeiras perturbações gastrintestinais, rash cutâneo e alterações do paladar, tenham sido descritas. As interacções medicamentosas podem ocorrer, nomeadamente com a cimetidina, o fenobarbital e a rifampicina.
O itraconazol e o fluconazol são derivados triazólicos de largo espectro de acção, eficazes no tratamento das dermatofitias, da candidíase e da pitiríase versicolor. A sua utilização neste tipo de micoses deve ser sempre ponderada, não só pelos eventuais efeitos secundários associados (perturbações gastrintestinais, hepáticas, rash cutâneo, etc), pelas interacções medicamentosas mas, sobretudo, pela necessidade de preservar a sua utilização para situações clínicas graves.
Para além da terapêutica antifúngica específica, é fundamental a prescrição concomitante de medidas de higiene adaptadas aos diferentes locais anatómicos, que incluem: lavagem, secagem e arejamento das pregas cutâneas, evitando a utilização de produtos agressivos, utilização de acessórios de higiene individuais (por exemplo, toalhas), corte regular das unhas com desgaste metódico utilizando uma lima durante o tratamento, etc.
A duração do tratamento antifúngico depende da cura clínica e micológica cuja comprovação, sempre que possível, deverá ser efectuada.
O tratamento dos contactantes, a erradicação da fonte de contágio e a correcção dos factores subjacentes que condicionaram o aparecimento da micose são fundamentais para uma terapêutica correcta destes doentes.