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Citostáticos

A actividade dos citostáticos relaciona-se com o seu efeito sobre o ciclo celular. Alguns têm efeito específico sobre determinada fase do ciclo, outros não são específicos.
—> Agentes específicos de fase – na fase GO (fase de repouso) a maior parte das células são refractárias a qualquer terapêutica:
• Fase G1 (síntese proteica e de RNA) – L-aspariginase e terapêuticas antisense.
• Fase S (síntese de DNA) – antimetabolitos, campotecinas, procarbazina e hidroxiureia.
• Fase G2 (persiste síntese de proteínas e RNA; síntese dos precursores microtubulares do fuso mitótico) – bleomicina, alcalóides da vinca e taxanos.
• Fase M (mitose) – alcalóides da vinca e taxanos.
—> Agentes não específicos de fase – actuam em qualquer fase do ciclo das células em divisão (alquilantes, platinos, inibidores de sinalização, trastuzumab) ou sobre as células que não estão em divisão (esteróides, antibióticos antitumorais). De forma geral, os agentes não específicos de fase têm uma curva de dose-resposta linear, ou seja, quanto maior a dose, maior a taxa de células tumorais mortas.

764780 180x180 - SÍNDROME DE LISE TUMORAL

SÍNDROME DE LISE TUMORAL

Não sendo uma complicação frequente é, no entanto, potencialmente letal.
Pode ocorrer em diversos tipos de tumor, mas principalmente naqueles que têm uma maior cinética celular como é o caso das leucemias agudas e linfomas de alto grau; com menor frequência há casos associados a tumores de células germinais ou de pequenas células do pulmão; pode surgir espontaneamente ou com o início da quimioterapia.
Com a morte celular são libertadas para o sangue uma série de substâncias contidas na célula: aniões, catiões e produtos da degradação metabólica de proteínas e ácidos nucleicos São normalmente excretados (principalmente pelo rim), mas em situações de catabolismo excessivo podem ultrapassar a normal capacidade de excreção.

como funcionan los antibioticos 1 0 180x180 - Inibidores de Tirosina Quinases

Inibidores de Tirosina Quinases

—> Dirigidos ao bcr-abl e c-kit – o imatinib foi a primeira destas novas moléculas a ser utilizada; o seu mecanismo de acção é paradigmático da especificidade destas moléculas: inibe a transdução de sinal inibindo a mensagem para divisão celular enviada a partir da tirosina quinase anormal codificada pelo gene de fusão bcr-abl (alteração resultante da translocação 9;22 ou cromossoma Filadélfia); inibe também outras tirosinas quinases; como já referido, usa-se na leucemia mielóide crónica e no GIST.
O dasatinib é um inibidor múltiplo de tirosina quinases; usa-se na leucemia mieloide crónica.
– Dirigidos ao EGFR {epidermal growth factor receptor) – o erlotinib actua por inibição da autofosforilação do EGFR; utilizado no carcinoma de não pequenas células do pulmão e no pâncreas. O gefitinib bloqueia reversivelmente o EGFR e tem sido usado no carcinoma de não pequenas células do pulmão.
Já o lapatinib tem um mecanismo duplo: inibe reversivelmente quer o EGFR, quer o HER2; tem sido usado (em associação a quimioterapia) no carcinoma da mama HER2+metastático.
– Inibidores do VEGF (vascular endothelial growth factor) – o sunitinib é um inibidor de diversos receptores de tirosina quinases, do qual resulta um efeito sobre o crescimento tumoral, a angiogénese e a progressão metastática; tem sido utilizado no carcinoma de células renais, bem como no GIST. O sorafenib é um inibidor multiquinase a partir do qual resulta uma provável inibição da angiogénese; utiliza-se no carcinoma de células renais e no carcinoma hepatocelular.

DSC 4339 180x180 - O futuro da monitorização hemodinâmica

O futuro da monitorização hemodinâmica

Parafraseando Niels Bohr, prediction is very difficult, especially about the future. Portanto, sem querer correr grandes riscos diria que o futuro da monitorização hemodinâmica poderá residir no desenvolvimento de novas tecnologias, novos parâmetros hemodinâmicos, novos métodos de análise e de avaliação. Terá aqui um papel importante a miniaturização e desenvolvimento de novos sensores, o desenvolvimento de técnicas não invasivas para obter parâmetros que anteriormente só se conseguiam com métodos invasivos, avaliação direta ou indireta de parâmetros que traduzem a disfunção a nível celular, nomeadamente o VO2.
No entanto, não nos podemos esquecer que os sistemas biológicos são sistemas complexos, abertos e dinâmicos. Este sistema unificado está interligado pelas mais complexas relações e equilibrado. E presentemente sabe-se que a medição de um parâmetro isolado não é suficiente para inferir o comportamento das outras variáveis ou componentes.
Outro aspecto é que a “saúde” não pode ser entendida como uma situação estacionária e estática. Pelo contrário, a “saúde” é caracterizada por marcada variabilidade, a qual é não linear e funciona em diversas escalas diferentes. Por vezes a “doença” caracteriza-se apenas pela perda dessa variabilidade e complexidade.
Por último, estas potenciais novas tecnologias e parâmetros devem ser bem estudados e validados antes de serem introduzidos na clínica para que os dados que transmitem se traduzam em objetivos terapêuticos com impacto positivo no prognóstico dos doentes.
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tuberculose 180x180 - Diagnóstico (Tuberculose)

Diagnóstico (Tuberculose)

As hemoculturas em sistemas automatizados (BACTEC, por exemplo) têm interesse em doentes com suspeita de TBP sem isolamento a partir da expectoração e no diagnóstico da TB extrapulmonar e disseminada, sendo de considerar em doentes com imunodeficiência.
O teste de sensibilidade à tuberculina tem um interesse limitado como meio de diagnóstico da TB, quer pela elevada variabilidade interindividual, quer pela possibilidade de reacções cruzadas com outras micobactérias, designadamente com a estirpe utilizada na vacina (BCG). Valoriza-se, sobretudo, o achado de um teste positivo num indivíduo que se sabia ser previamente negativo, podendo, neste caso, ser indicativo de infecção latente ou de doença. Pode ser útil no rastreio regular de populações com risco elevado de contacto com casos de TB activa, tal como profissionais de saúde e doentes com infecção por VIH, tendo, nestes últimos, limitações relacionadas com o grau de disfunção imunitária celular (geralmente negativo se a contagem de linfócitos CD4 for inferior a 200/mm3).
Os testes de reconhecimento de interferão gama {interferon gamma recognition assay, IGRA) apresentam, quanto à reacção da tuberculina, as vantagens de serem específicas para o MT. A sua positividade associa-se com sensibilidade e especificidade elevadas para o diagnóstico da TB latente, não estando completamente estabelecida a sua utilidade em doentes com infecção por VIH. No entanto, em Portugal, a sua utilização está, já, recomendada como método complementar ou alternativo ao teste de Mantoux, com as limitações inerentes ao custo mais elevado destes testes.

cicloserina oral 180x180 - Cicloserina (Tuberculose)

Cicloserina (Tuberculose)

—> Cicloserina – é um antibiótico sintético que interfere com a síntese da parede celular das micobactérias.
• Farmacologia – tem boa biodisponibilidade oral e boa distribuição tecidular, com eliminação quase exclusivamente renal, pelo que é necessário ajustar a dose em casos de disfunção renal.
• Segurança – as reacções adversas mais frequentes são a neuropatia periférica e alterações do SNC (tonturas, confusão, irritabilidade, sonolência, cefaleias, vertigens, disartria e convulsões), podendo culminar em depressão e ideação suicida, estando contra-indicada em doentes com antecedentes de convulsões e de depressão. Deve ser evitada na gravidez (categoria C).
• Posologia e administração – a DDR é de 500-1000 mg, dividida em 2 tomas.

metrogel metronidazole  194 big 180x180 - Etambutol (Tuberculose)

Etambutol (Tuberculose)

– Etambutol (EMB) – antibiótico sintético que actua por inibição da síntese do lipoarabinomanano da parede celular das micobactérias. É bacteriostático contra micobactérias no interior dos macrófagos, sendo útil em combinação com outros antimicobacterianos para reduzir a emergência de resistência.
• Farmacologia – a absorção oral é de 80% da dose administrada, sendo eliminado sobretudo por filtração glomerular, com cerca de 25% de metabolização hepática, pelo que a dose deve ser ajustada em doentes com insuficiência renal. Na presença de inflamação meníngea, atinge concentrações no LCR de 50% das séricas.
• Segurança – a principal reacção adversa do EMB é a neuropatia, que se manifesta sobretudo ao nível do nervo óptico (neurite óptica etrobulbar irreversível), manifestada por visão turva e diminuição da percepção do verde e vermelho, sendo mais frequente em idosos. Os doentes devem ser instruídos na detecção precoce destas manifestações, com suspensão do fármaco em caso de suspeita de toxicidade neurológica e testados ou questionados mensalmente em tratamentos prolongados.
Raramente, podem ocorrer dermatite, artralgias, febre medicamentosa e hiperuricemia.
Não deve ser administrado durante a gravidez.
• interacções – não estão descritas interacções medicamentosas com relevância clínica.
posologia e administração – a DDR é de 15-25 mg/kg, mas deve ser reduzida para 15 mg/kg quando o tratamento se prolonga por mais de 2 meses.

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Isoniazida (Tuberculose)

– Isoniazida (INH, H) – é um antibiótico sintético, derivado do ácido nicotínico, que actua por inibição da síntese do ácido micólico, componente da parede celular das micobactérias. Tem actividade bactericida contra micobactérias em fase de crescimento e bacteriostático contra micobactérias quiescentes. A resistência intrínseca, presente naturalmente em 1/10 bacilos, é seleccionada rapidamente em condições de monoterapia em populações de 10/9 a 10/10 micobactérias, facilmente encontradas em cavidades pulmonares, e deve-se a mutações no gene que codifica a catalase-peroxidase.
• Farmacologia – bem absorvida por via oral, existe formulação para uso parentérico (i.m., e.v.). A eliminação é por metabolismo hepático (acetilação), estando a população dividida em 50% de acetiladores rápidos e de acetiladores lentos, sem compromisso da eficácia clínica. Os níveis no LCR são 20% dos níveis séricos.
• Segurança – toxicidade hepática, sobretudo em acetiladores lentos, ocorrendo 4-8 semanas após o início do tratamento e mais frequente em idosos, DHC (doença hepática crónica), grávidas e com a utilização de paracetamol, anemia sideroblástica, neuropatia periférica (mais em doentes com risco, tal como alcoólicos, diabéticos, desnutridos, grávidas, infectados por VIH, evitada pela suplementação de piridoxina, 10-40 mg/dia), convulsões, alterações de comportamento.
• interacções – aumenta os níveis de fenitoína (alterações de comportamento, nistagmo, ataxia) e teofilina (arritmias). O PAS interfere com a acetilação, aumentando os níveis de INH.
• posologia e administração – a DDR (dose diária recomendada) é de 5 mg/kg, com máximo de 300 mg/dia, administrada em toma única em jejum, podendo ser utilizadas doses de 10 mg/kg em casos de meningite e em crianças. Em regimes bi-semanais, a dose de cada toma deve ser de 15 mg/kg. Está disponível em formulações orais sólidas de 300 mg e em combinações fixas com RFP (300 mg de INH por unidade) e com RFP e PZA (50 mg de INH por unidade).

meningite 180x180 - Patogénese (Meningite)

Patogénese (Meningite)

A maioria dos casos de MAB ocorrem por via hematogénica, no contexto de uma bacteriemia com origem num foco locorregional ou a distância. No caso das meningites pneumocócicas e meningocócicas que, no seu conjunto, constituem mais de 60% das meningites do adulto adquiridas na comunidade, o foco é pulmonar ou das vias aéreas superiores (designadamente do foro ORL).
O processo inflamatório meníngeo pode coexistir com inflamação das estruturas cerebrais (meningoencefalite) e acompanha-se, geralmente, de uma síndrome de resposta inflamatória sistémica que, apesar de não ter particularidades específicas, é, por regra, exuberante e de instalação rápida nas situações de MAB.
A penetração das bactérias através da BHE é um processo mal esclarecido que parece ser dependente do agente. No caso do pneumococo, a penetração poderá envolver receptores para o factor de activação plaquetária (PAF), enquanto que, no caso da listeria, a captação directa do agente por parte das células endoteliais poderá ser o mecanismo preferencial. Sendo o LCR um meio pobre em elementos relacionados com a imunidade humoral e celular, a multiplicação local das bactérias dá-se livremente e de forma rápida, atingindo elevadas concentrações antes que se desencadeie uma resposta inflamatória sistémica suficientemente intensa para permitir que os glóbulos brancos possam atravessar a barreira, por meio de diapedese. Esta passagem é facilitada pelo aumento da permeabilidade da BHE, que ocorre em conjunto com uma série de eventos inflamatórios, que incluem o aumento da permeabilidade vascular e a instalação de edema vasogénico do parênquima cerebral, resultando no aumento da pressão intracraniana. Esta está na base da sintomatologia clínica característica e, em conjunto com a perda da auto-regulação vascular cerebral, pode causar alterações do estado de consciência e lesões tecidulares isquémicas ao nível do cérebro e das estruturas periféricas, incluindo a esfera ORL, de que podem resultar sequelas permanentes.
Mais raramente, a MAB pode ser consequência da invasão bacteriana a partir de um foco infeccioso contíguo às meninges, intracraniano ou vertebral, como será o caso da maioria das meningites de etiologia estafilocócica, ou, eventualmente, a partir de inoculação directa de bactérias da pele durante procedimentos invasivos de diagnóstico e terapêutica.

Articulo Principal infecciones 180x180 - Daptomicina

Daptomicina

É um antibiótico natural pertencente à classe dos lipopéptidos, cujo espectro antibacteriano apenas inclui bactérias GR+, mas apenas apresenta alguma utilidade no tratamento de infecções estafilocócicas, incluindo por SARM.
—> Farmacologia – a sua acção resulta, presumivelmente, da capacidade de se ligar à membrana celular das bactérias GR+, na presença de cálcio, causando a sua despolarização e inibindo a síntese proteica. Parece actuar preferencialmente na fase de crescimento exponencial das bactérias, o que pode prejudicar a sua acção ao nível das vegetações cardíacas. Apenas disponível para utilização parentérica (e.v.), apresenta boa penetração no fluido inflamatório de lesões cutâneas. Tem uma elevada ligação às proteínas séricas. E eliminada quase exclusivamente por filtração glomerular, pelo que não deve ser utilizada em doentes com qualquer grau de disfunção renal, mas não necessita de ajuste na insuficiência hepática. Tem uma t1/2 de 17,3 horas.
– Segurança – a ocorrência de rabdomiólise foi descrita desde a fase inicial de desenvolvimento da daptomicina. Reacções adversas comuns nos ensaios clínicos incluem cefaleias, náuseas, vómitos, exantema, elevação da CK e das provas de função hepática, bem como reacções no local da injecção.
– Interacções – as interacções não estão estudadas, embora apresente um baixo potencial para interacções com fármacos metabolizados no fígado. Deve ser utilizada com precaução quando em combinação com fármacos nefrotóxicos.
– Posologia e administração – a daptomicina está aprovada para tratamento de infecções estafilocócicas da pele e tecidos moles (4 mg/kg/dia, toma única) e situações de sépsis por estafilococos e no tratamento da endocardite direita por estafilococos, incluindo SARM (6 mg/kg/dia), embora os dados de eficácia sejam escassos. Deve ser usada apenas em casos em que haja falência aos restantes fármacos. Está disponível para uso e.v., em ampolas de 350 mg. A duração do tratamento é de 14 dias (sépsis, infecções dos tecidos moles), não estando a duração ideal determinada para a endocardite direita.