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Bupropiona

A bupropiona é um antidepressivo comercializado em Portugal desde 2000. E eficaz na cessação tabágica de fumadores >10 cigarros/dia, tendo os estudos realizados evidenciado maiores taxas de abstinência em comparação com a TSN.
É considerada uma opção útil para fumadores numa tentativa inicial de evicção, especialmente aqueles que não toleram a TSN, que preferem um tratamento não-TSN ou que falharam em tentativa prévia com TSN. Constitui igualmente uma boa opção para os fumadores preocupados com o aumento de peso ou com antecedentes de depressão. A associação deste fármaco com a TSN transdérmica possui uma maior eficácia aos 6 meses, relativamente ao adesivo de nicotina isolado.
Deve existir cuidado redobrado nos indivíduos com condições predisponentes para um baixo limiar de convulsão, como história de traumatismo craniano, abuso de álcool e fármacos por exemplo, antipsicóticos, antidepressivos, teofilina, corticosteróides sistémicos. As múltiplas interações medicamentosas descritas por exemplo, P-bloqueantes, antiarrítmicos, captopril, loratadina, codeína, cimetidina, levodopa, zolpidem, carbamazepina, fenobarbital, fenitoína, rifampicina impõem uma correta monitorização e eventual ajuste da dose.
Em 2009 a Food and Drug Administration (FDA) lançou o alerta para o risco de sintomas neuropsiquiátricos graves em doentes sob bupropiona. Recomenda-se assim um cuidadoso acompanhamento após o início do fármaco, com suspensão do mesmo se identificados sinais de alerta.

0PVZ7 1 1 180x180 - Vareniclina

Vareniclina

Em 2007 foi lançada no mercado português a vareniclina, a primeira molécula desenvolvida especificamente para a cessação tabágica (Tabela 10.5). Ao atuar como um agonista parcial específico do recetor nicotínico, liga-se e estimula parcialmente o recetor, gerando uma libertação de dopamina inferior à da nicotina.
Atinge concentrações máximas 3-4 horas após a administração e nível sérico estável a partir do 4o dia de terapêutica.
Proporciona a diminuição dos sintomas de abstinência tabágica e do prazer obtido pelo fumo do tabaco. Os estudos envolvendo este fármaco comprovam taxas de cessação tabágica a longo prazo (12 meses) superiores às alcançadas com a TSN e a bupropiona.
O efeito secundário mais comum – náusea – tende a desaparecer/atenuar com a manutenção do tratamento. A associação da vareniclina a outras formas terapêuticas eficazes na cessação tabágica traduziu-se num aumento de efeitos secundários (náuseas e cefaleias) que diminuem a adesão, pelo que é recomendada a monoterapia com este fármaco.
A semelhança do relatado para a bupropiona, foi notificado o aparecimento ou agravamento de sintomas neuropsiquiátricos (mudanças de comportamento, agitação, humor deprimido, ideação suicida, comportamento suicida). Os resultados de trabalhos publicados em 2009 fornecem alguma tranquilidade quanto à associação da vareniclina com comportamentos suicidas. Recomenda-se vigilância nos fumadores sob tratamento com este fármaco.


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Tratamento Farmacológico (Cessação Tabágica)

Está claramente demonstrado que a utilização de fármacos específicos aumenta a eficácia na cessação tabágica, sobretudo> quando enquadrados num programa comportamental.
Estes reduzem o impulso de fumar e diminuem os sintomas de abstinência, pelo que devem ser disponibilizados a todos os fumadores em tentativa de evicção, exceto na presença de contraindicações. Nalgumas populações específicas (mulheres grávidas, fumadores <10 cigarros/dia e adolescentes) a evidência científica é escassa e não comprova a maior eficácia da associação farmacológica à intervenção global. A terapêutica de substituição nicotínica, a bupropiona e a vareniclina são fármacos de eleição. Devido à inexistência de dados suficientes para os escalonar, a sua seleção deve ser guiada por fatores como a familiaridade do clínico, contraindicações para doentes selecionados, preferência do (doente, experiência anterior do doente com um fármaco específico (positiva ou negativa), características do doente por exemplo, história de depressão, preocupações com o aumento de peso, etc), tolerância e custo. Existem ainda fármacos de 2ª por exemplo, nortriptilina, clonidina que raramente são utilizados devido à menor eficácia e maior número de efeitos secundários. Os estudos realizados envolvendo os inibidores seletivos de recaptação da serotonina e ansiolíticos não documentaram um benefício significativo na cessação tabágica, pelo que não são recomendados.


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shutterstock 87234430 1 180x180 - Intervenção Comportamental e Psicológica

Intervenção Comportamental e Psicológica

Na abordagem clínica preconizam-se dois tipos de intervenção: breve e intensiva.
Na intervenção breve (<10 minutos) a avaliação do uso do tabaco é realizada de forma rotineira por todos os profissionais de saúde (Figura 10.1). Qualquer contacto é aproveitado para identificar o fumador, realçar o problema e a importância da evicção, oferecendo soluções terapêuticas. Recomenda-se a adoção de uma postura segura, empática e promotora da autonomia individual. As cinco etapas principais de intervenção em cessação tabágica no contexto de cuidados de saúde primários (5 As) são: 1-Abordar de forma sistemática todos os utilizadores de tabaco acerca do seu consumo. 2- Aconselhar de forma clara, persuasiva e personalizada todos os utilizadores de tabaco a abandonar o consumo. 3- Avaliar a motivação para tentar cessar o hábito a curto prazo. 4- Ajudar na tentativa de abandono elaborando um plano (marcar o "dia D" para parar de fumar, informar família e amigos, antecipar dificuldades e planear soluções, remover produtos associados ao tabaco, fornecer material de auto-ajuda, propor terapêutica farmacológica) ou referenciar para uma intervenção intensiva. 5- Acompanhar e encorajar a abstinência através de consultas de seguimento e/ou contacto telefónico para prevenir recidivas. Nos utilizadores de tabaco que não desejam deixar de fumar devem averiguar-se as causas: podem não estar conscientes dos malefícios do tabaco, ter receios acerca das consequências da abstinência ou encontrarem-se desmoralizados por recidivas prévias. Existe a possibilidade de responder a uma intervenção motivacional, delineada para educar, assegurar e motivar (5 Rs): 1) Relevância - identificar os benefícios específicos da cessação tabágica para o próprio, família e terceiros. 2) Riscos - identificar as consequências negativas do uso do tabaco. 3) Recompensas - identificar os potenciais benefícios de suspender o uso de tabaco. 4) Resistências - identificar as barreiras ao abandono e apresentar soluções. 5) Repetição - repetir a tentativa de motivação em todas as consultas. A intervenção intensiva (>20 minutos, programada durante meses) engloba múltiplas sessões, em consulta específica e com uma equipa de profissionais treinados em cessação tabágica. Possui, habitualmente, uma maior taxa de sucesso na evicção. Indicada para fumadores motivados, com tentativas prévias infrutíferas, elevado grau de dependência da nicotina, intensa síndrome de privação, outros comportamentos aditivos ou situações particulares por exemplo, neoplasia do pulmão, cardiopatia isquémica, grávidas, etc). Envolve um programa completo (consultas e contactos telefónicos pró-activos, abordagem individual e em grupo) onde se estimula a mudança comportamental e a utilização de terapêutica farmacológica.

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Cessação Tabágica

O consumo e a dependência do tabaco constituem um importante problema de saúde pública, calculando-se que um terço de população mundial adulta possua hábitos tabágicos.
O relatório de Controlo do Tabaco, emitido pela Organização Mundial de Saúde em 2007, refere uma prevalência de fumadores na Europa de 40% no sexo masculino e 18% no feminino.
Em Portugal, os dados mais recentes, veiculados pela Direcção-Geral da Saúde, estimam a prevalência dos fumadores em 16,4%. O mesmo documento refere que 54% dos fumadores fizeram uma ou mais tentativas de evicção tabágica.

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Terapêutica da DPOC Estável – cessação tabágica

A cessação tabágica é a medida individual mais eficaz no doente fumador com DPOC, sobretudo nos estádios mais precoces da doença. A evicção de tabaco reduz a progressão da obstrução, a sintomatologia, o número de exacerbações e a mortalidade.
Uma intervenção mínima/breve deverá ser efetuada por todos os profissionais de saúde na abordagem do doente fumador, usando a estratégia proposta.
A farmacoterapia está recomendada nos casos em que o aconselhamento (breve ou integrado num plano de psicoterapia) não é suficiente e está provado que aumenta o sucesso das intervenções.