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Ibu 180x180 - Terapêutica Médica II (Doença do Refluxo Gastresofágico)

Terapêutica Médica II (Doença do Refluxo Gastresofágico)

Existem actualmente no arsenal terapêutico vários grupos de fármacos: antiácidos; ácido algínico, procinéticos, inibidores H2 (IH2) e IBP:
—> Antiácidos – são fármacos utilizados no rápido alívio sintomático. Apresentam uma eficácia de curta duração e os doentes recorrem a eles cerca de 1-3 horas após as refeições e ao deitar.
—> Ácido algínico – actua como uma barreira mecânica ao refluxo, pois conjuntamente com a saliva forma uma solução viscosa, que flutua no lago mucoso gástrico. E indicado para sintomas ligeiros, tendo maior tempo de actuação que os antiácidos.
—> Procinéticos – atendendo a que a doença do refluxo é sobretudo uma doença da motilidade, compreende-se a utilização deste grupo de fármacos que apresentam as seguintes acções:
• Aumento da pressão do EEI.
• Estimulação da motilidade esofágica.
• Promoção do esvaziamento gástrico. São vários os agentes utilizados: betanecol, metoclopramida, domperidona e cisapride.
O betanecol é um agonista colinérgico que aumenta a pressão do EEI e promove a motilidade esofágica, embora possa estimular a secreção gástrica. Apesar de ser efectivo na melhoria sintomática, a dose terapêutica aconselhada de 25 mg qid induz frequentemente manifestações colinérgicas como fadiga, dores abdominais, rubor e visão turva.
A metoclopramida é um antagonista da dopamina (que atravessa a barreira hematoencefálica) provoca aumento da pressão do EEI, esvaziamento gástrico e melhoria da coordenação motora gastresofágica. A sua eficácia na melhoria sintomática de doentes com refluxo patológico é contrariada pela frequência de aparecimento de fadiga, letargia, ansiedade e, mais raramente, parkinsonismo ou disquinesia tardia, especialmente em doentes idosos.
A domperidona é um antagonista da dopamina com acção periférica (não atravessando a barreira hematoencefálica) que parece ser eficaz em doses de 60-80 mg em tomas tri e tetradiárias no alívio sintomático. E praticamente desprovida de efeitos extrapiramidais, embora a hiperprolactinemia possa ocorrer em alguns doentes provocando tensão mamária, galactorreia e amenorreia. Ainda que possa influenciar a pressão do EEI e a motilidade esofágica, a sua acção predominante é o esvaziamento gástrico que induz de uma forma dose-dependente.
O cisapride é um agonista dos receptores de serotonina (5-HT4), promovendo a libertação de acetilcolina pelo plexo mioentérico do tubo digestivo. Este fármaco aumenta o tónus do EEI, promove a motilidade esofágica e o esvaziamento gástrico, bem como parece promover uma melhor coordenação motora a nível antroduodenal. Parece ser eficaz na cicatrização de formas mais ligeiras de esofagite. Diarreia, dores abdominais e cefaleias são os efeitos secundários mais frequentes. Igualmente importantes são as interacções medicamentosas com diversos fármacos (macrólidos, antifúngicos e agentes antivirais) levando a que os níveis séricos destes possam atingir valores que podem provocar a morte. Foram descritas arritmias fatais (taquicardia ventricular, fibrilação ventricular, torsades de pointes e prolongamento do QT) com estas associações. Este facto levou a uma progressiva descontinuação do fármaco e, em Abril de 2001, de acordo com dados do INFARMED, o cisapride deixou de estar indicado na terapêutica da doença do refluxo gastresofágico do adulto. Nesta situação, utilizava-se na dose de 30-40 mg em 3 ou 4 tomas diárias, habitualmente antes das refeições.
Em nossa opinião, após a retirada do cisapride do arsenal terapêutico, os procinéticos são fármacos que oferecem poucas soluções na doença do refluxo, em especial quando estão disponíveis outros grupos com maior impacto na secreção ácida.