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Colite esquerda

A terapêutica tópica com 4 g de messalazina constitui o tratamento de 1.ª linha. A junção de supositórios de messalazina pode ser necessária nalguns doentes, bem assim como formas orais de libertação preferencial no cólon; de notar, contudo, que as formas orais são menos eficazes e mais lentas no seu modo de actuação, em relação às formas tópicas. Existe correlação directa entre a dose e a eficácia da messalazina oral.
A terapêutica combinada de messalazina oral e tópica é superior em eficácia em relação à messalazina oral isoladamente, tanto na indução como na manutenção de remissão.
Os doentes intolerantes ou com resposta inadequada aos aminossalicilatos, podem necessitar de corticoterapia, preferencialmente na forma tópica, para indução de remissão.
A corticoterapia não é eficaz na manutenção da remissão.

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Ileocolite/Colite

Na DC ligeira a moderada, a terapêutica de indução depende da sua localização preferencial. Em caso de afecção do ileo e/ou cólon proximal, o budesonido na dose de 9 mg/dia, administrada durante 8 a 16 semanas, tem sido demonstrado como mais eficaz na indução de remissão em relação ao placebo ou à messalazina e igualmente eficaz e mais seguro do que os corticosteróides convencionais. Nos doentes com afecção confinada ao cólon, a sulfassalazina na dose de 3 a 6 g/dia até às 16 semanas, tem sido demonstrada como mais eficaz que o placebo, mas menos eficaz do que os corticosteróides convencionais.
Os doentes que iniciem o tratamento com sulfassalazina ou budesonido e não obtenham resposta devem ser tratados subsequentemente com prednisona, na dose de 40 a 60 mg/dia, seguido de uma redução progressiva, ou com IFX. Os doentes com doença moderada a grave ou com sintomas sistémicos devem iniciar prednisona, na dose de 40 a 60 mg/dia.
No que respeita à terapêutica de manutenção de remissão, após indução terapêutica, na DC ligeira ou moderada, a evidência de eficácia no caso dos aminossalicilatos é insuficiente como recomendação terapêutica de manutenção comprovada e os corticosteróides convencionais são também ineficazes ou demasiado tóxicos para serem recomendados. No caso dos doentes com ileocolite induzidos em remissão com budesonido, podem ser mantidos com este fármaco, na dose de 6 mg/dia, durante 3 a 6 meses adicionais. Os imunomoduladores (tiopurinas, MTX) são eficazes na terapêutica de manutenção, após indução com corticosteróides convencionais.
Nos doentes com actividade moderada a grave e em caso de corticodependência ou corticorresistência, para além dos imunomoduladores, deve ser considerado o início de terapêutica biológica.

vermelho 180x180 - Diagnóstico Diferencial (Olho Vermelho)

Diagnóstico Diferencial (Olho Vermelho)

– Trauma.
– Uveíte.
– Doença reumática.
– Espondilite anquilosante.
– Colite ulcerosa.
– Síndrome de Reiter.
– Tuberculose.
– Herpes.
– Sífilis.
– Sarcoidose.
– Toxoplasma.
– Infecção por Cytomegalovirus.
– Doença de Lyme.

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Colite ulcerosa refractária

A colite ulcerosa pode ser refractária por corticodependência ou por corticorresistência.
Neste contexto, a presença de actividade da DII deve ser objectivamente reconfirmada, por rectosigmoidoscopia e devem ser excluídas causas infecciosas (por exemplo, C. difficile, …), bem assim como causas funcionais responsáveis pelas queixas. Factores como a menstruação ou gravidez, uso de AINEs, abstinência tabágica recente, intolerância à messalazina, podem afectar a actividade da doença. A reavaliação do diagnóstico, no sentido de excluir a presença de DC, é também importante.
Os doentes que apresentem corticodependência ou necessitem de segundo curso de corticoterapia, em menos de 1 ano, deverão iniciar tiopurinas no sentido de efectuar a redução significativa ou a total suspensão da corticoterapia. A falência da terapêutica com tiopurinas não deverá ser considerada antes de 6 meses. Doentes alérgicos, intolerantes, ou que não respondam às tiopurinas, deverão ser considerados para cirurgia ou terapêutica com IFX.

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Colite extensa/pancolite

Devido ao facto da doença se estender para além do limite de acção de terapêutica tópica, os aminossalicilatos orais são a terapêutica de eleição.
A terapêutica tópica pode ser utilizada complementarmente, sobretudo nas situações em que exista marcada sintomatologia distai (tenesmo, falsas vontades). A corticoterapia sistémica deve ser iniciada no caso de não ocorrer remissão clínica nas doses máximas de aminossalicilatos orais e/ou tópicos.

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Colite Ulcerosa

Uma história clínica e uma avaliação adequada dos exames laboratoriais, endoscópicos, imagiológicos e histológicos são essenciais na formulação de um plano terapêutico eficaz.
O conhecimento das regiões do cólon afectadas pela inflamação permite elaborar o plano terapêutico adequado ao doente, em particular.

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Antibióticos

Na CU, embora não existam ensaios controlados que confirmem o benefício de utilização de antibióticos, o seu uso é habitualmente recomendado em doença grave, com febre, requerendo hospitalização, especialmente se houver evidência de colite transmural, toxicidade sistémica ou colite fulminante com ou sem megacólon.
Na DC, os dois antibióticos mais vulgarmente utilizados são o metronidazol e a ciprofloxacina.
O metronidazol, em doses de 10 a 20 mg/kg/dia, como terapêutica primária, na doença de Crohn do cólon, tem eficácia idêntica à sulfassalazina; pode também ser utilizado na prevenção de recidiva pós-operatória, embora o seu uso prolongado leve a efeitos indesejáveis, que lhe retiram utilidade a longo prazo, neste contexto.

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Doença Inflamatória Intestinal

A DII (doença inflamatória intestinal) é uma doença crónica, recidivante, que coloca vários desafios terapêuticos. A CU (colite ulcerosa) afecta apenas o recto e o cólon, enquanto que a DC (doença de Crohn) pode afectar qualquer parte do tubo digestivo.
No momento do diagnóstico inicial, a CU está confinada ao recto e sigmoideia (proctosigmoidite) em cerca de 46% dos casos, 17% têm doença que se estende do recto até ao ângulo esplénico do cólon (colite distai) e 37% têm total envolvimento do cólon (pancolite). A DC envolve a área ileocecal em 40 a 50% dos casos, atingindo isoladamente o intestino delgado em 30-40%, e o cólon em 20% das situações.
A abordagem terapêutica da DII depende da correcta avaliação da localização e gravidade da doença.
Existem vários objectivos na terapêutica médica da DII que incluem: indução de remissão, manutenção de remissão, manutenção de um adequado estado nutricional, redução de complicações relacionadas quer com a doença, quer com o tratamento, e melhoria da qualidade de vida. Em doentes com CU, é também importante, quando indicado, estabelecer a altura adequada de eventual colectomia. Em doentes com DC, embora o tratamento cirúrgico esteja geralmente reservado para o tratamento de complicações, importa estabelecer a altura adequada para a realização do mesmo.
Existem vários factores que devem ser tomados em conta, de modo a determinar efectivamente o tipo de medicação apropriada e a sua via de administração. A extensão da doença, em particular na CU, permite determinar a via de administração mais apropriada, tópica, oral ou parentérica. A experiência prévia com uma determinada medicação ou a presença de complicações sistémicas podem condicionar o tipo de medicamento a utilizar. A avaliação do grau de gravidade da DII é também importante na decisão terapêutica.
Na CU, embora existam vários índices de gravidade, o índice de Truelove/Witts continua a ser aquele que é mais vulgarmente utilizado na avaliação da gravidade sistémica da CU.
Na DC, embora existam vários índices de gravidade, na prática clínica utiliza-se a classificação do American College of Gastroenterology, considerando-se geralmente que um doente apresenta doença ligeira a moderada, quando está ambulatório, tolera dieta oral e não apresenta sinais de desidratação, toxicidade sistémica, emagrecimento (>10%), dor abdominal, “massa” dolorosa palpável ou obstrução; doença moderada a grave refere-se à situação de doentes refractários ao tratamento prescrito para uma situação inicialmente avaliada como ligeira a moderada, ou em situações com sintomatologia mais marcada, que incluem febre, emagrecimento (>10%), dor abdominal espontânea ou à palpação, náuseas e vómitos (sem obstrução) ou anemia significativa; doença grave a fulminante refere-se aos doentes que apresentam sintomas persistentes apesar da instituição de corticoterapia, ou febre elevada, vómitos persistentes, evidência de obstrução intestinal, dor à descompressão abdominal, caquexia, ou evidência de abcesso; remissão define doentes assintomáticos ou sem sequelas inflamatórias após resposta à terapêutica médica ou após aquelas inflamatórias após resposta à terapêutica médica ou após ressecção cirúrgica sem evidência significativa de doença residual.
Uma vez atingida a remissão de um surto de DII, por via medicamentosa ou por cirurgia no caso da DC, importa prevenir a recidiva da actividade da doença por terapêutica de manutenção.