Artigos

medicamentos 1024 180x180 - Indicações e Dosagens (Heparinas de Baixo Peso Molecular)

Indicações e Dosagens (Heparinas de Baixo Peso Molecular)

As indicações atuais das HBPM são:
– Síndromes coronárias agudas. Existem resultados de vários estudos, que demonstram que a enoxaparina é pelo menos tão eficaz como a heparina não fracionada na terapêutica das síndromes coronárias agudas, sendo neste momento preferida sobre a heparina não fracionada (exceto se existir insuficiência renal). A enoxaparina está também aprovada no enfarte agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST como coadjuvante da trombólise e pós-trombólise.
A dose é um bolus e.v. de 30 mg, seguido de 1 mg/kg de 12/12 horas por via s.c.
– Tromboembolismo pulmonar – 1 mg/kg de 12/12 horas por via s.c.
– A enoxaparina recebeu a aprovação da FDA como substituto da hipocoagulação oral em doentes que necessitam de suspender esta terapêutica.
– Prevenção da trombose venosa profunda.
Nadroparina:
Profilaxia – 7500 U (0,3 ml)/dia s.c.
Terapêutica – dose adaptada ao peso e dividida em duas administrações diárias.
Enoxaparina:
Profilaxia: 20-40 mg/dia s.c.
Tratamento: dose adaptada ao peso e dividida em duas administrações diárias (1,0-1,25 mg/kg/dia).
Dalteparina:
Profilaxia: 2500-5000 Ul/dia s.c.
Tratamento: dose adaptada ao peso e dividida em duas administrações diárias.

cirurgia ross 03 passagem pontos autoenxerto 180x180 - Cirurgia de Revascularização Miocárdica

Cirurgia de Revascularização Miocárdica

A cirurgia coronária foi introduzida no final dos anos 60 por René Favaloro com a realização de pontes de veia entre a aorta e as artérias coronárias. Tal só foi possível após a introdução da coronariografia, por injeção e visualização direta das artérias coronárias. A elevada taxa de oclusão dos enxertos venosos conduziria, no início dos anos 80, à utilização da artéria mamária interna que, pela sua maior taxa de permeabilidade à distância, demonstrou ter um efeito benéfico inequívoco na taxa de reoperações e na sobrevida à distância. Durante os anos 80 e 90, as indicações e os resultados tornaram-se conhecidos e previsíveis e com taxas globais de mortalidade operatória muito baixas (2-3%). Durante os anos 90 prevaleceu o conceito da revascularização completa, sempre que possível utilizando só condutos arteriais.
A introdução do cateterismo de intervenção coronária, no final dos anos 70, e a sua crescente generalização nos anos 80 e 90 viriam a alterar substancialmente a revascularização miocárdica, criando um método verdadeiramente pouco invasivo, não cirúrgico, de tratar as estenoses coronárias. A reestenose frequente seria em parte resolvida pela introdução de stents, tornando o cateterismo de intervenção coronária numa técnica previsível e eficaz para revascularização miocárdica. Se é certo que a dilatação coronária retirou doentes à cirurgia, também é verdade que deve ser vista como uma técnica alternativa, com indicações próprias, e que o doente coronário pode, ao longo da doença e da sua vida, ter indicação para cateterismo de intervenção, depois para cirurgia e, após esta, e em caso de estenose ou oclusão de enxertos, para intervenção coronária de novo. A pouca invasibilidade e a crescente qualidade dos resultados da dilatação percutânea levariam a cirurgia, no final da década de 90, a introduzir técnicas mini-invasivas, por incisões pequenas, sob CEC (circulação extracorporal) e canulação periférica ou, mais modernamente, por incisões standard mas sem circulação extracorporal, com o fim de obter os tradicionalmente bons resultados à distância da cirurgia, com a menor invisibilidad possível. Serão necessários alguns anos e o estudo de muitas séries de doentes para avaliar correctamente o impacto destas novas tecnologias no tratamento e nos resultados da revascularização cirúrgica. No entanto, resultados recentes, nomeadamente emanados do estudo SINTAX. parecem apontar a superioridade da cirurgia na doença de tronco comum e de três vasos, contrariando as elevadas expectativas em torno dos stents revestidos com fármacos neste grupo de doentes. Noutro pólo, tem havido decréscimo no uso de cirurgia sem CEC, cujos benefícios nunca chegaram a ser demonstrados de forma clara. A tendência é hoje mais para limitar o uso de cirurgia sem CEC (dita Off Pump) para os doentes com maior taxa de co-morbilidades, nomeadamente maior propensão para acidentes cerebrovasculares peri-operatórios.

aspirinas 180x180 - Bivalirudina

Bivalirudina

A bilavirudina é usada na estratégia terapêutica das síndromes coronárias agudas, fazendo já parte das guidelines da sociedade europeia. No entanto, não está disponível em Portugal pelo que optamos por não entrar em detalhe sobre a sua utilização.

6d32335b 707b 4a20 8691 eea1a058595b 180x180 - SÍNDROME X

SÍNDROME X

Descreve um conjunto de doentes com angina ou com um desconforto semelhante à angina, desencadeado pelo esforço associado a TST na prova de esforço em tapete rolante e artérias coronárias angiograficamente normais ou sem estenoses significativas. Como também pode surgir em repouso, aumentar em frequência ou intensidade ou não responder aos nitratos pode configurar um quadro clínico de AI, daí ser aqui mencionada. É mais frequente nas mulheres e o seu prognóstico é excelente.
Tratamento:
Tranquilização, quer pela demonstração da normalidade das artérias coronárias na angiografia, quer comunicando ao paciente o excelente prognóstico.
Nitratos de longa duração.
Se houver persistência dos sintomas, iniciar um antagonista do cálcio e/ou um bloqueante.
Se necessário, imipramina 50 mg/dia.
Estatina.
Controlo dos fatores de risco coronário.

embolia pulmonar definicao causas sintomas diagnostico tratamento prevencao doencas sintomas 180x180 - Fondaparinux

Fondaparinux

O fondaparinux é o primeiro inibidor seletivo do fator X ativado (Xa) disponível para uso clínico. A neutralização do fator Xa interrompe a cascata da coagulação sanguínea e assim inibe a formação de trombina e o desenvolvimento do trombo.
Está indicado na prevenção do tromboembolismo venoso profundo, bem como no seu tratamento inicial.
Mais recentemente foi incluido como fármaco de 1ª linha na terapêutica das síndromes coronárias agudas, por apresentar um perfil de eficácia/segurança favorável sobre a heparina não fracionada e a enoxaparina.
A dose habitual é de 2,5 mg por via s.c./dia; recomenda-se a sua utilização com precaução se a clearance da creatinina estiver entre 30-50 e está contra-indicada para clearance inferior a 30.
No entanto, na análise do subgrupo de doentes de angioplastia primária do estudo OASIS 6, o fondaparinux não revelou benefício clínico, havendo mais complicações trombóticas neste grupo.

2fd080f893bd83c8eedc3934cb0432a5 1 180x180 - Indicações (Inibidores plaquetários)

Indicações (Inibidores plaquetários)

A ativação e agregação plaquetária são mecanismos chave nas síndromes coronárias agudas, existindo vários estudos que documentam que as plaquetas permanecem ativadas muito para além do episódio agudo, mesmo tendo sido administrados fármacos antiplaquetários.
Os inibidores plaquetários estão indicados nas seguintes situações:
-> Síndromes coronárias agudas (angina instável, enfarte do micárdio sem e com supra desnivelamento do segmento ST – quer na fase aguda, quer posteriormente como terapêutica crónica).
– Angina estável.
– Pós-revascularização miocárdica por intervenção percutânea (angioplastia) ou cirúrgica.
– Fibrilhação auricular crónica ou paroxística, sem cardiopatia estrutural associada.
– Próteses valvulares – associado a terapêutica hipocoagulante.
Resumem-se os fármacos deste grupo que foram testados de modo adequado contra placebo em grandes ensaios randomizados.

transplante cardc3adaco 180x180 - Doença Coronária Aterosclerótica

Doença Coronária Aterosclerótica

A doença aterosclerótica das artérias coronárias (DC) resulta da formação de ateroma na sua parede com diminuição progressiva do lúmen. Este obstáculo fixo impede a adaptação do débito coronário ao aumento das necessidades metabólicas, provocando isquemia do miocárdio. A este mecanismo associa-se, na fisiopatologia da insuficiência coronária, a variação de tónus da parede das artérias com vasoconstrição local (espasmo). Episódios crónicos ou recorrentes de isquemia podem conduzir a um processo de adaptarão do metabolismo do miocárdio, que resulta no chamado miocárdio hibernante, definido como disfunção ventricular esquerda crónica mas reversível. Os pacientes com DC estão em risco de desenvolverem fissuras ou ruturas das placas de ateroma. Quando estas ocorrem, desencadeia-se uma série de processos que vão da agregação plaquetária à libertação de várias substâncias vasoactivas. Estes fenómenos traduzem agudização da doença e podem levar à formação de trombo que provoca grave alteração do fluxo coronário ou mesmo oclusão trombótica da artéria em causa, originando as síndromes coronárias agudas: AI (angina instável) e EAM (enfarte agudo do miocárdio).
Consoante os mecanismos em causa, a DC pode manifestar-se ou evoluir ao longo da sua história natural com diversas formas de apresentação clínica: AE (angina estável), AI. EAM. insuficiência cardíaca, arritmias. Sendo a DC a primeira causa de morte na Europa e a terceira em Portugal, não é de mais acentuar a importância do seu diagnóstico. É primordial que o médico tenha uma atitude de elevado grau de suspeição e que valorize os fatores de risco e a semiologia. Não deve considerar perda de tempo fazer uma anamnese cuidadosa. Tem de ter em atenção que nem sempre as características da dor anginosa e sua localização são típicas. Também por vezes a sintomatologia não é de dor, mas manifesta-se com os chamados equivalentes de angina (cansaço ou dispneia de esforço). É óbvio, mas é importante ter presente, que o ECG (eletrocardiograma) e o ecocardiograma em repouso normais não excluem a doença.
Justifica-se uma referência particular à assistência prestada nos serviços de urgência. O EAM deve ser rapidamente diagnosticado; o tempo urge, porque para se obter o maior benefício das atuais terapêuticas, que visam a recanalização da artéria responsável, estas devem efetuar-se precocemente. Quadros clínicos de AI, que se manifestem como angina de novo ou angina em crescendo, podem ter um exame objetivo negativo, um ECG normal e enzimas (mesmo troponinas) negativas. Nestes casos, uma valorização adequada dos sintomas pode evitar um erro de diagnóstico grave, que conduz, muitas vezes, a que o paciente volte horas ou dias depois com enfarte do miocárdio estabelecido. Consoante as diferentes formas clínicas de apresentação e dependendo da situação clínica no momento, recorremos a exames complementares que nos elucidem sobre aspetos morfológicos, funcionais e do perfil rítmico, necessários para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão e a gravidade da doença, definir o prognóstico e decidir da terapêutica mais adequada.
ECG, prova de esforço, registo de Holter, ecocardiograma, ecocardiograma de sobrecarga ou de esforço, cintigrafia de perfusão do miocárdio, cateterismo cardíaco são exames complementares que, utilizados de forma criteriosa e bem selecionados, nos permitem obter a informação indispensável para decidirmos e atuarmos corretamente. Mais recentemente verificaram-se progressos na ressonância magnética cardíaca e surgiu a angio-TC de 64 cortes, que permite visualizar de forma não invasiva as artérias coronárias e os bypass coronários. Estas técnicas estão em plena expansão, tendo já um papel relevante no diagnóstico e follow-up da doença coronária. É com base na avaliação clínica e na informação obtida dos exames complementares que se estabelecem as indicações terapêuticas: terapêutica médica, ICP (intervenção coronária percutânea) ou terapêutica cirúrgica. Apesar de frequentemente serem opções alternativas, devemos cada vez mais encará-las como complementares. Um mesmo paciente, ao longo da evolução da doença, pode necessitar das diferentes opções terapêuticas. Recentemente, têm mesmo sido utilizadas estratégias de atuação combinada (cirurgia e ICP). Um outro exemplo de complementaridade das terapêuticas em crescente utilização é a ICP no tratamento das síndromes coronárias agudas, cujos bons resultados são, em parte, devidos aos avanços na terapêutica médica adjuvante.
O objetivo da terapêutica é aumentar a sobrevivência e melhorar a qualidade de vida. Têm-se verificado muitos progressos na última década, em qualquer uma das áreas terapêuticas referidas. A opção é baseada na evidência dos resultados dos grandes estudos de valor científico reconhecido, mas também personalizada e adequada à situação específica de cada paciente e à experiência e resultados de cada centro. Não podemos perder a perspetiva de que estamos a lidar com uma patologia que é crónica, progressiva e incurável. As terapêuticas de revascularização, quer a ICP, quer a cirurgia, apesar de terem progredido muito e desempenharem papel de relevo, são terapêuticas paliativas e têm limitações que não são desprezíveis, como sejam, respetivamente, a reestenose e a oclusão das pontagens, bem como a progressão da doença aterosclerótica. Temos de valorizar os progressos na terapêutica médica e o papel atualmente dado à estabilização da placa com as estatinas, os antiagregantes plaquetários e, eventualmente, os IECA.
Pelas características da patologia em causa, devemos dar a devida ênfase à importância de se atuar decididamente na prevenção, primária e secundária.