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OtitisExterna10 180x180 - Otite Externa

Otite Externa

Trata-se de uma infecção bacteriana ou fúngica da pele do CAE (canal auditivo externo).
Consideram-se factores predisponentes a manipulação do CAE, a presença de eczema do CAE ou a entrada contínua de água no CAE (piscina, sauna, praia, lavagem auricular).
Manifesta-se normalmente por otalgia, otorreia e hipoacusia, sempre que se verifique a oclusão do canal. A resolução do quadro passa por uma aspiração cuidada e frequente do CAE e terapêutica tópica com gotas otológicas contendo antibiótico e corticóide.
No caso de infecção fúngica, para além de limpeza cuidadosa e sistemática do CAE, deve fazer-se terapêutica com nistatina e aplicação local de tintura de timerosal.
No caso de otite externa muito exuberante, deve fazer-se também antibioterapia oral (amoxicilina, amoxicilina + ácido clavulânico, ciprofloxacina). Nos doentes diabéticos, deve fazer-se o controlo da diabetes e terapêutica por via parentérica, sempre que necessário.

Alopecia Areata 3 180x180 - Tratamento II (Alopecia Areata)

Tratamento II (Alopecia Areata)

Se a monoterapia tópica isolada com minoxidil ou com um corticóide não for eficaz, podem associar-se as duas: aplicação de minoxidil e, 30 a 60 minutos depois, um creme de dipropionato de betametasona, 2xdia.
– Antralina – a antralina é uma substância irritante que parece induzir o crescimento de cabelos através de um mecanismo de acção ainda não totalmente esclarecido. Dada a sua acção irritante, utiliza-se em regime short contact a 1%, durante 20 a 60 minutos, em regra 1-2 horas após a aplicação de minoxidil.
– Imunoterapia tópica – deve apenas ser efectuada em centros e por dermatologistas treinados. Consiste na indução e elicitação periódica de uma dermite de contacto alérgica a substâncias não presentes habitualmente no meio ambiente natural ou industrial, como a difenilciclopropenona ou o dibutil éster do ácido esquárico. Têm uma acção imunomoduladora local, que estará na base do refreamento dos processos imunológicos, que conduzem à alopecia areata.
– Fotoquimioterapia com PUVA (associação de psoraleno+irradiação com ultravioleta A) tem resultados muito variáveis, sendo assim considerada uma terapêutica de recurso, a qual, de igual modo, apenas deverá ser efectuada por dermatologistas. Preferencialmente deve ser feito PUVA tópico, passando-se para o sistémico se surgir fototoxicidade marcada, limitante do tratamento. O mecanismo pelo qual o PUVA actua parece ser também imunomodulador.
—> Corticoterapia sistémica – é geralmente eficaz, mas apenas deverá ser utilizada em casos excepcionais, devido aos efeitos secundários e ao facto de não alterar o prognóstico da doença a longo termo.
Nas crianças com menos de 12 anos pode iniciar-se o tratamento com a aplicação 2xdia de creme de dipropionato de betametasona, seguido, se necessário, pela sua combinação com o soluto tópico de minoxidil a 2% ou com creme de antralina, com os cuidados já referidos. Embora não se encontrem reportados efeitos secundários sistémicos da corticoterapia tópica em crianças com alopecia areata, é aconselhável uma monitorização cuidadosa da sua curva de crescimento como marcador da supressão do eixo hipotálamo-hipófise-supra-renal. A imunoterapia tópica, o PUVA sistémico e a corticoterapia sistémica não se utilizam, por regra, nas crianças.
Um acompanhamento a nível psicológico pode ser necessário nestes doentes e não deve ser descurado. A utilização de prótese capilar e o desenho com lápis ou tatuagem das sobrancelhas pode também ser aconselhado em determinadas circunstâncias.

Como aliviar a dor de cabeça com exercícios 180x180 - SNC (Complicações da RT)

SNC (Complicações da RT)

Durante a irradiação cerebral não é frequente o aparecimento de intercorrências, já que as mais frequentes, cefaleias, náuseas, alterações do equilíbrio, se devem ao aparecimento ou agravamento de um edema cerebral, para o qual a maior parte dos doentes se encontra já a fazer tratamento. Pela sua condição inicial, estes doentes estão geralmente medicados com corticosteróides em doses elevadas. Não é aconselhável a redução da dose de corticóide durante a RT, devendo mesmo ser aumentada caso apareçam ou se agravem sintomas. Alguns radioterapeutas advogam a instituição de corticoterapia desde o início da RT, enquanto outros preferem aguardar pelo início dos sintomas. Ainda não foi provado qual das atitudes é a correcta.

oncologia 180x180 - Náuseas e Vómitos Induzidos pela Quimioterapia

Náuseas e Vómitos Induzidos pela Quimioterapia

Tradicionalmente é um dos problemas que com mais frequência se associa à quimioterapia e que os doentes mais receiam.
Descrevem-se três tipos de emese relacionada com a quimioterapia: aguda, tardia e antecipatória. A emese aguda é a que se verifica nas primeiras 24 horas após a administração da terapêutica, a tardia a que ocorre depois das 24 horas e antecipatória a que se regista antes da administração da terapêutica. A emese aguda ocorre sempre enquanto as duas outras formas não são obrigatórias.
Esta última forma de emese (antecipatória) constitui um reflexo condicionado e resulta de um controlo deficiente da emese aguda; com a generalização dos diferentes e potentes antieméticos actualmente disponíveis, é hoje um problema pouco frequente.
A emese aguda é a forma mais frequente e sobre a qual importa ter o melhor controlo possível (até porque um controlo insuficiente repercute-se sobre as outras formas referidas).
Depende dos fármacos, da dose, da via, do tempo de administração e das associações de citotóxicos: há fármacos que claramente provocam muito mais emese (cisplatina, por exemplo) e outros quase sem este tipo de efeito (5-FU, por exemplo). Os agentes a utilizar dependem, portanto, do potencial emetogénico de cada fármaco (existem tabelas que definem esta característica para cada um dos citostáticos e para alguns dos regimes mais frequentes). A regra geral é utilizar um corticóide (dexametasona) antes da administração da quimioterapia; em função do potencial emetogénico desta, pode-se associar um antiemético fraco – metoclopramida – ou mais potente, do tipo dos antagonistas dos receptores tipo 3 da serotoniraa (ondansetron, granisetron, tropisetron, dolasetron). Em situações menos frequentes, pode ainda ser necessário acrescentar uma terceira classe de antieméticos – os antagonistas dos receptores tipo 1 da neuroquinina (aprepitant).
Este último grupo reserva-se também para os regimes a que se associa com mais frequência a emese tardia. Para a prevenção deste problema é muito útil associar um corticóide durante 24 a 72 horas após a terapêutica. Com excepção do palonosetron (administrado antes da terapêutica), não está demonstrada a utilidade de fazer outros antagonistas dos receptores tipo 3 da serotonina após a quimioterapia. Na emese tardia pode-se associar também metoclopramida nos primeiros dias.

Tratamento da hipertensão arterial 1361863427 74 2 180x180 - Estratégias Terapêuticas (Artrite Reumatóide)

Estratégias Terapêuticas (Artrite Reumatóide)

Após o abandono do conceito de tratamento escalonado da AR, a tendência atual, como já referido, aponta para uma utilização precoce de terapêuticas de fundo em regime de monoterapia ou em associação nos primeiros 3 a 6 meses após o aparecimento dos primeiros sintomas.
Apesar de ser teoricamente aceitável manter um doente com AR ligeira e não progressiva, apenas sob terapêutica com AINEs e corticóide em dose reduzida (e eventualmente antipalúdicos de síntese), atualmente preconiza-se a utilização de terapêuticas agressivas nas fases mais precoces. Como os fatores ditos de mau prognóstico da AR ainda não se encontram totalmente definidos, é difícil, por vezes, ao clínico antecipar com clareza qual vai ser o padrão evolutivo da doença. Nalguns casos, contudo, pela gravidade da situação (grande número de articulações envolvidas, rigidez matinal prolongada, manifestações extra-articulares, presença de título elevado de fatores reumatóides no soro, haplotipo HLA DR4), é fácil prever um padrão evolutivo de mais difícil controlo. Nestes casos uma abordagem terapêutica mais agressiva com a associação inicial de duas terapêuticas de fundo, ou a utilização precoce de terapêuticas biológicas é perfeitamente aceitável.
Os AINEs são uma arma terapêutica fundamental na AR, devendo, a grande maioria dos doentes, manter a sua administração durante períodos prolongados.
Os corticosteróides em doses reduzidas (o equivalente a uma dose de prednisona menor ou igual a 7,5 mg/dia) parecem ser mais benéficos, que prejudiciais. A melhoria que induzem, reduzindo a dor e a rigidez matinal, favorecendo a mobilidade do doente (aumentando o tónus muscular e contrariando a osteopenia), supera possivelmente, os escassos efeitos deletérios em doses tão baixas. Contudo, e do ponto de vista teórico, o ideal será a redução gradual da corticoterapia à medida que as terapêuticas de fundo iniciam o seu efeito.
Os fármacos instituídos deverão fazer parte de um plano de tratamento integrado, que inclua a educação do doente e da família e a reabilitação física e psicológica, sem o qual qualquer terapêutica medicamentosa administrada a longo prazo estará indubitavelmente votada ao insucesso.