Artigos

4 180x180 - Dermatoses Reaccionais

Dermatoses Reaccionais

Dermatose reaccional é a denominação genérica adoptada para designar padrões morfológicos de lesões cutâneas, que se exprimem como resposta a uma multiplicidade de agentes químicos, infecciosos ou outros, os quais desencadeiam mecanismos fisiopatológicos, cujo órgão alvo é a pele.
A ocorrência de novos agentes infecciosos, a modificação do comportamento de alguns preexistentes, a criação de novas moléculas medicamentosas, o crescente consumo dos mesmos e a interacção dos medicamentos constituem um desafio permanente para os clínicos, confrontados com um significativo acréscimo do número de doentes com as patologias daí decorrentes e com o aparecimento de novos padrões de expressão cutânea.
A abordagem terapêutica correcta destas situações começa na identificação do quadro clínico, tomando em consideração dados semiológicos e cronológicos para individualizar e, sempre que possível, eliminar o agente indutor e, simultaneamente, instituir a terapêutica adequada.
Vasculite, urticária e paniculite nodular são alguns dos muitos quadros clínicos cutâneos desencadeados por agentes cuja natureza nem sempre é possível determinar. Quando o factor em causa é um medicamento, designa-se de toxidermia, de que se conhecem, para além dos anteriores, muitos outros padrões morfológicos, dos quais abordaremos apenas os mais frequentes ou graves.

clienta del gabinete con rosacea en real remision1 180x180 - Outras Terapêuticas (Rosácea)

Outras Terapêuticas (Rosácea)

A terapêutica com laser ou com luzes dirige-se, fundamentalmente, ao componente telangiectásico, mas parece não ter resultados na evolução a longo prazo da dermatose.
Utilizam-se, actualmente, dois tipos de tratamento – laser pulsado de contraste (ou corantes) e a luz intensa pulsada. Ambos podem ser eficazes, mas estão limitados pelo custo do equipamento, e só devem ser utilizados por profissionais com experiência na sua manipulação.
Os esquemas de tratamento variam consoante o tipo de rosácea e a sua intensidade.
—> Rosácea eritemato-telangiectásica, ou cuperose – caracteriza-se por surtos congestivos sobretudo pós-prandiais ou relacionados com a ingestão de álcool (efeito vasodilatador), alimentos quentes (efeito vasodilatador facial compensatório do aumento de temperatura na cavidade oral) ou exposição solar, sobretudo mediofacial, que evolui, tendencialmente, para eritema facial permanente associado a telangiectasias dispersas, sobretudo nas regiões frontal, geniana e nariz.
A evicção dos factores desencadeantes, a utilização de sprays de água termal, a aplicação de protector solar adequado (índice de protecção superior a 25) ou o chupar de um cubo de gelo são medidas de l.a linha. A clonidina nas doses referidas pode ser útil nesta fase.
Além das medidas terapêuticas enunciadas anteriormente, as telangiectasias podem ser resolvidas com recurso a electrocirurgia, crioterapia e, sobretudo, laserterapia com laser pulsado de contraste ou luz intensa pulsada. A correcção do eritema pode ser obtida, de forma transitória, com a aplicação de camuflagem contendo verde brilhante.
Rosácea pápulo-pustulosa – sobre fundo eritematoso e telangiectásico surgem pápulas inflamatórias e, mais raramente, pústulas assépticas sobretudo nas regiões genianas, mento e por vezes pálpebras inferiores.
A terapêutica consta sobretudo de antibióticos sistémicos, do grupo das tetraciclinas, ou metronidazol. A minociclina (100 mg/dia) e a doxiciclina (100 mg/dia), à semelhança da acne, são os mais utilizados.
Em caso de falência, a isotretinoína em doses de 0,5 mg/kg/dia ou em esquema de minidose – 2,5-5 mg/dia – pode produzir uma melhoria significativa, embora o efeito seja mais transitório do que na acne.
A terapêutica sistémica deve associar a terapêutica tópica com metronidazol ou ácido azelaico, os quais deverão prolongar-se mesmo após a suspensão da antibioterapia oral.
– Rosácea fimatosa – atinge normalmente o sexo masculino, onde é característico o nariz grande e bosselado (rinofima), por vezes também o mento, revelador de uma hiperplasia sebácea marcada e de uma fibrose dérmica importante.
A utilização da isotretinoína em esquema semelhante ao da acne (na tentativa de redução da dimensão das glândulas sebáceas) pode ter alguma utilidade. O tratamento de 1.ª linha é cirúrgico, com utilização do laser de CO2 para carbonização ou, em alternativa, a electrocirurgia.

Acne Rosacea 5 180x180 - Tratamento (Rosácea)

Tratamento (Rosácea)

O tratamento da rosácea pode incluir tratamento tópico específico e não específico, tratamento sistémico, sendo a respectiva utilização dependente do tipo e estádio da dermatose, bem como da severidade clínica.

pitiriase rosea 3 180x180 - Pitiríase Rosada

Pitiríase Rosada

Trata-se de dermatose eritemato-descamativa relativamente frequente, de etiologia desconhecida (a sua natureza virai tem sido largamente discutida – reactivação dos HHV 6 e 7 – mas até ao presente não foi possível a sua demonstração inequívoca), com predomínio na Primavera e Outono e evolução espontânea para a cura, em 4 a 6 semanas, raramente recidivando.
O quadro clínico é bastante característico: mancha inicial eritematosa (mancha mãe), ovalada, com 2 a 5 cm de diâmetro, habitualmente no tronco, com descamação periférica em colerette; após 1 a 2 semanas, surgem lesões idênticas, de menor diâmetro, com carácter eruptivo, no tronco, pescoço e raiz dos membros, caracteristicamente de maior eixo paralelo às linhas de clivagem cutânea, raramente atingindo a face ou as extremidades. Em regra, as lesões são assintomáticas ou pouco pruriginosas e regridem completamente em 4 a 6 semanas. Ocasionalmente, são mais extensas, papulares, pruriginosas ou associadas a ardor/irritação cutânea.

Líquen Plano

Esta dermatose é, na maioria dos casos, primitiva (líquen plano idiopático), mas pode estar associada a ingestão medicamentosa (por exemplo, sais de ouro, antimaláricos, tetraciclinas, tiazidas, metildopa), ao contacto com substâncias químicas (tintas, reveladores fotográficos), infecções virais, mais raramente a outras afecções auto-imunes.
O diagnóstico diferencial dos casos idiopáticos vs secundários nem sempre é fácil.
Nas erupções liquenóides, a atitude terapêutica baseia-se, como é evidente, na interrupção/controlo dos factores desencadeantes ou da patologia subjacente.
No líquen plano idiopático é importante esclarecer os doentes sobre o possível carácter crónico-recidivante da dermatose, com surtos que persistem vários meses a 2 anos e, em geral, regridem espontaneamente no final deste período.

01 Psoríase inicial nos joelhos 180x180 - Psoríase Vulgar

Psoríase Vulgar

A psoríase é uma dermatose crónica, proliferativa, que atinge 1-3% da população mundial. Existem, genericamente, dois tipos, de acordo com a idade de início – um com início na 2.ª ou 3.ª década da vida, com frequência familiar, curso tendencialmente mais instável e severo; outro, surgindo pela 5.a ou 6.a décadas da vida, raramente familiar com tendência a evolução mais estável, e menos severa.
A patogénese envolve a inflamação crónica mediada por células T. Os fenómenos iniciais envolvem a activação das células apresentadoras de antigénio (CAA) na pele (por antigénio desconhecido), as quais migram para os gânglios satélites onde activam os linfocitos T (Thl) que, por sua vez, retornam à pele. Aqui estes linfócitos juntamente com as CAA activadas e os queratinócitos produzem citocinas inflamatórias (incluindo TNF-a) responsáveis pela proliferação epidérmica que conduz à formação da placa psoriásica. Esta interacção entre linfócitos T, CAA activadas e queratinócitos requero múltiplos níveis de sinais intercelulares – receptores celulares, sinais estimulatórios e co-estimulatórios, moléculas de adesão, citocinas várias – os quais são os alvos para diversas terapêuticas surgidas na última década – os medicamentos ditos biológicos.
Para além desta base genética e imunológica, a interacção com determinados factores desencadeantes pode revelar um status psoriásico preexistente ou agravar uma psoríase já evolutiva. O traumatismo local pode levar ao aparecimento de lesões em pele previamente sã (fenómeno de Kõebner). As infecções estreptocócicas da orofaringe tem sido associadas a psoríase gutata. A exposição solar é, em geral, benéfica. Vários medicamentos podem agravar a psoríase: lítio, (3-bloqueantes, sais de ouro, antimaláricos, AINEs e suspensão brusca de corticoterapia. O stress psicoemocional e o etilismo são, também, potenciais factores agravantes.
O quadro clínico da psoríase vulgar em placas é sobejamente conhecido – placas eritemato-descamativas, mais ou menos infiltradas, acompanhadas ou não de prurido, com localização preferencial nas superfícies de extensão dos membros e nas áreas sujeitas a maior atrito – cotovelos, joelhos, couro cabeludo, região lombossagrada –mas podendo atingir qualquer local da superfície cutânea, incluindo as pregas (axilas, inguinais, interglúteas) – psoríase inversa – nas unhas e, muito raramente, as mucosas.
Existem ainda outras formas que, pela sua evolução e localização, merecem referência – psoríase em gotas ou gutata (pequenas lesões disseminadas, de aparecimento rápido, frequentemente pós-infecção estreptocócica), palmo-plantar, pustulosa (localizada – palmo-plantar – ou generalizada), generalizada ou eritrodérmica, artropática (acompanhada de artropatia).
A terapêutica da psoríase é largamente condicionada pela localização das lesões e pela forma clínica de psoríase.

SammysEczema 180x180 - Eczema (Dermite) Atópico

Eczema (Dermite) Atópico

O EA (eczema atópico) é uma dermatose inflamatória crónica, pruriginosa, que se inicia em regra na infância, que evolui por fases de agudização/remissão ao longo da vida, bora com tendência para a melhoria ou desaparecimento na adolescência. Contudo, permanece uma acentuada sensibilidade e reactividade cutânea. Forma parte da síndrome atópica, que compreende a asma brônquica alérgica, a rinite alérgica e, com menos frequência, a conjuntivite alérgica, a urticária e outras manifestações alérgicas.
Tem base genética complexa, com múltiplos genes envolvidos. A incidência tem aumentado nos últimos 20-30 anos, calculando-se que cerca de 20% nas crianças até aos 7 anos possam evidenciar alguma manifestação de EA. A prevalência nas crianças é de cerca de 56-60% se um dos pais tem EA, subindo para 80% se ambos sofrem da doença.
Aproximadamente 50% das crianças com EA virão a desenvolver, posteriormente, rinite ou asma.

molusco contagioso 7 180x180 - Molusco Contagioso

Molusco Contagioso

Dermatose comum em crianças, adultos jovens e indivíduos imunodeprimidos, caracteriza-se por pápulas hemisféricas de cor branco-pérola, com umbilicação central e dimensões entre 1 e 10 mm. O seu número varia de um a várias dezenas e a distribuição depende do modo como é feito o contágio. Observam-se muitas vezes no tronco, área anogenital e face.
A doença é causada pelo vírus do molusco contagioso (MCV). A transmissão faz-se por contacto directo, ou através de objectos infectados. A frequência de piscinas aumenta a probabilidade de contágio e tem maior incidência em atópicos. A duração da dermatose é autolimitada, embora se conheçam casos com vários anos de evolução e grande número de lesões.