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Vasculites

As vasculites exprimem-se, do ponto de vista cutâneo, por grande polimorfismo de lesões decorrente, em cada caso, das características e localização do processo inflamatória e do calibre dos vasos envolvidos. Quando são afectados vasos de pequeno calibre, ao nível da derme superficial, as lesões são de “púrpura palpável” ou vasculite leucocitoclásica cuja causa pode ser infecciosa bacteriana (Streptococcus, Yersinia, BK) ou viral (HBV, HCV, CMV, EBV, VIH), medicamentosa (antibióticos P-lactâmicos, sulfonamidas, anti-AINEs tiazidas, vacinas, soros heterólogos, entre outros) ou associado a doenças neoplásicas; quando são atingidos vasos de maior calibre (como na periarterite nodosa, angeíte granulomatosa de Churg-Strauss, granulomatose de Wegener, arterite temporal de Horton, doença de Takayasu, vasculite nodular ou eritema duro de Bazin), cuja etiologia é desconhecida, pode traduzir-se por livedo reticular, nódulos subcutâneos ou ambos com evolução possível para necrose e ulceração. A excepção da vasculite nodular, que é habitualmente considerada uma reacção de hipersensibilidade à tuberculose, as outras situações são de etiologia desconhecida.
O processo inflamatório pode limitar-se às paredes dos vasos cutâneos ou envolver os tecidos circundantes como acontece nas vasculites com paniculite ou afectar outros órgãos, dando, assim, lugar a formas mais graves, as vasculites sistémicas.
Estas afecções são atribuíveis à presença de imunocomplexos circulantes que, por efeito de factores mecânicos, turbulência e ralentamento circulatórios, e da existência de receptores celulares específicos, se depositam nas paredes dos vasos, conduzindo ao processo inflamatório local e à necrose das células endoteliais.

Celulite em bumbum cor 180x180 - Erisipela/Celulite

Erisipela/Celulite

A erisipela é uma infecção bacteriana da derme superficial, enquanto a celulite é uma infecção da derme profunda e tecido celular subcutâneo. Dada a frequente dificuldade clínica na diferenciação destas duas entidades, tende-se actualmente a designá-las, genericamente, como dermo-hipodermites bacterianas agudas (DHBA).
O quadro clínico é semelhante, embora com tendência a início mais agudo na erisipela – febre, arrepios e calafrios, cefaleias, náuseas e/ou vómitos, mal-estar geral, a que se segue, horas mais tarde, o aparecimento de placa eritematosa, edematosa, de limites bem definidos e dolorosa, a maioria das vezes nos membros inferiores, com menos frequência nos membros superiores ou face. Em alguns casos o quadro clínico pode complicar-se pelo aparecimento de bolhas, sufusão hemorrágica, abcessos ou necrose. Na celulite o quadro clínico é, em regra, menos bem definido e pode acompanhar-se de linfangite e adenopatia regional satélite.
Os microrganismos responsáveis são o Streptococcus (3-hemolítico do grupo A na erisipela típica, o Staphylococcus aureus e/ou o Streptococcus pyogenes (grupo A) nas celulites; mais raramente podem estar implicados outros microrganismos. O isolamento do agente, mesmo com técnicas sofisticadas, é particularmente difícil, pelo que raramente é tentado.
A porta de entrada pode ser diversa – ulceração ou ferida traumática, dermatofitia interdigital dos pés, ou outra solução de continuidade próxima. Constituem factores predisponentes e de agravamento: a obesidade, o linfedema crónico (na sequência ou não de erisipelas anteriores), a imunossupressão; a existência de co-morbilidades tais como a hipotensão, diabetes descompensada, insuficiência cardíaca, hepática ou renal, agrava o prognóstico da doença.