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tomar vitaminas es malo 1 0 180x180 - Leflunomida (Artrite Reumatóide)

Leflunomida (Artrite Reumatóide)

– Leflunomida – a leflunomida é uma prodroga. O metabolito activo inibe a dihidroorato-desidrogenase interferindo na síntese das pirimidinas.
Tem demonstrado, em estudos controlados, eficácia significativa no tratamento da AR, comparável à da SZP e do metotrexato, sendo relativamente bem tolerado.
O benefício obtido com este medicamento parece ser alcançado mais rapidamente do que com outras terapêuticas de fundo, sendo evidente após 2 a 3 meses de terapêutica.
A sua administração faz-se por via oral, com uma dose inicial diária nos primeiros 3 dias de 100 mg/dia e, posteriormente, uma dose de manutenção de 20 mg/dia.
Os seus principais efeitos secundários são diarreia, queda de cabelo, rash cutâneo, agravamento da HTA (hipertensão arterial) e elevação das enzimas hepáticas. A maioria destes efeitos são reversíveis com diminuição da dose para 10 mg/dia. Tal como em relação ao metotrexato, a leflunomida é potencialmente teratogénica, estando contra-indicada durante a gravidez.
A leflunomida pode demorar até 2 anos para ser completamente eliminada do corpo humano após paragem da sua administração. A colestiramina pode acelerar a sua excreção (8 g/3xdia, via oral, durante 11 dias).

gripe 180x180 - Apresentação Clínica (Ciclosporidiose)

Apresentação Clínica (Ciclosporidiose)

Nos doentes com infecção por VIH, a apresentação mais frequente é a de um quadro de diarreia aguda, com início súbito ou precedida de sintomas gripais, ocorrendo após um período de incubação de cerca de 1 semana e difícil de distinguir de outras causas frequentes de toxi-infecção alimentar, sobretudo pela coincidência sazonal da ocorrência.
O quadro pode associar-se a mal-estar, mialgias e cefaleias. No entanto, é também frequente a persistência de períodos de diarreia menos intensos, mantendo-se por semanas ou meses após a melhoria do quadro inicial. Está, também, descrito o envolvimento extra-intestinal ao nível das vias biliares em doentes com SIDA.

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Combinações de Sulfonamidas com Aminopirimidinas II

– Farmacologia – o cotrimoxazol tem boa biodisponibilidade oral (95-100% da dose administrada é absorvida), estando disponível em combinações com 80 mg de TMP/400 mg de sulfametoxazol ou 160 mg de TMP e 800 mg de sulfametoxazol. Com t1/2 de 6-8 horas, a administração de 12/12 horas permite atingir níveis terapêuticos adequados contra agentes sensíveis. A distribuição é boa na maioria dos tecidos e fluidos corporais, atingindo concentrações no LCR de 40-50% das concentrações séricas. O cotrimoxazol está disponível para administração e.v., embora a administração por esta via deva ser mais frequente (3 a 4 tomas/dia) e necessite de suporte elevado de fluidos (250 ml para cada 960 mg de cotrimoxazol).
– Segurança – as reacções adversas ao cotrimoxazol dependem, sobretudo, da sulfonamida. Podem ocorrer náuseas, vómitos, diarreia, anorexia e hipersensibilidade cutânea, sendo esta mais frequente com a utilização de doses elevadas (tratamento da pneumocistose) e associando-se com frequência a manifestações sistémicas, como febre elevada (síndrome de Sweet), podendo limitar a sua utilização em até 25-40% dos doentes.
A utilização prolongada de cotrimoxazol pode conduzir a má utilização dos folatos, anemia megaloblástica e pancitopenia. A administração de ácido folínico (leucovorina) pode evitar ou reverter esta reacção adversa, mas não há informação suficiente quanto à possível redução do efeito antimicrobiano. Muito raramente, podem ocorrer disfunção renal, colite pseudomembranosa, hepatite medicamentosa (incluindo hepatite fulminante), meningoencefalite, rabdomiólise e uveíte anterior.
– Interacções – pirimetamina, metotrexato, varfarina, fenitoína, tolbutamida, clorpromazina. Sinergismo com rifampicina para S. aureus e com aminoglicósidos para enterobacteriáceas.
– Posologia e administração – 960 mg p.o. 12/12 horas para as infecções do tracto urinário.

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Protozooses Intestinais

Entre as protozooses, destacamos a G. intestinais, o C. parvum, o /. belli eofi coli.
A giardíase ou lamblíase pode dar quadros agudos ou crónicos. Os quadros agudos da doença, 1-4 semanas, podem ocasionar diarreia de fezes pastosas, amareladas, raramente com sangue, flatulência, dores abdominais e mal estar geral. Nas formas persistentes, a sintomatologia tem menor expressão mas pode originar um quadro de malnutrição.
A criptosporidíase com um período de incubação de 3-10 dias dá origem a uma diarreia intensa, súbita, aquosa, sem sangue, durando 3 a 10 dias, cólicas abdominais e sintomatologia geral. Febre nas crianças. Quadro clínico arrastado em imunodeficientes.
A isosporidíase tem um período de incubação de cerca de 7 dias. Pode dar origem a diarreia aquosa, sem muco e sem sangue, aerocolia e dores abdominais. Autolimitada nos imunocompetentes e arrastada nos imunodeficientes.
A balantidíase muito raramente pode ocasionar choque e perfuração intestinal.
A ciclosporíase provoca diarreia aquosa, sendo autolimitada nos imunocompetentes.
Os fármacos de eleição são: para a G. lamblia os nitroimidazóis e a nitazoxanida; para o C. parvum a nitazoxanida e a paramomicina, para o /. belli o co-trimoxazol ou os nitroimidazóis; para o B. coli, as tetraciclinas ou os nitroimidazóis; para o C. cantonensis, o co-trimoxazol e para o Microspora o albendazol ou o mebendazol.

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Quadro Clínico (Amebíase)

Vários quadros clínicos podem ser descritos. Formas clínicas intestinais (disentéricas ou não) e extra-intestinais.
– Disenteria amebiana – o período de incubação é, geralmente, de 8 a 10 dias.
Cólicas abdominais, tenesmo, náuseas, diarreia muco-sanguinolenta.
– Abcesso amebiano do fígado – o período de incubação é variável, podendo prolongar-se por vários anos, o que justifica uma presunção de diagnóstico mesmo fora das áreas endémicas. O abcesso amebiano do fígado é diagnosticado, a maioria das vezes, em doentes sem queixas do foro gastrenterológico; contudo, em cerca de 50% dos casos, existe uma história prévia de diarreia.
Diagnóstico:
• Ecografia, TC, estudos hematológicos, estudos imunológicos, cintigrafia, radiografia do tórax, estudo do pus do abcesso, RM, peritoneoscopia.
• Dor no hipocôndrio direito, hepatomegalia, febre, subicterícia.
– Outras localizações – as amibas, a partir do foco de desenvolvimento primário, podem também metastizar para outros órgãos como o pulmão, o cérebro e o baço. Para além da propagação da infecção por via hematogénea, a extensão pode efectuar-se por contiguidade, a partir do intestino, para outros órgãos e para a pele. Amebíase Intestinal – Diagnóstico: pesquisa de trofozoítos a fresco; raspado ou zaragatoa das úlceras; pesquisa de quistos; clister opaco; endoscopias c/s biópsias; cultura das fezes.

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Diarreias Agudas e Crónicas

A definição mais objectiva de diarreia é a eliminação de mais do que 200 g de fezes nas 24 horas. No entanto, deve ter-se em consideração que este padrão foi definido para um adulto de peso médio sob dieta ocidentalizada, podendo oscilar em função do regime alimentar. E de esperar um peso de fezes nas 24 horas superior a 200 g em regimes alimentares com maior quantidade de fibras sem que tal deva ser considerado diarreia.
Contudo, o que a maior parte dos doentes considera como diarreia é uma diminuição da consistência das fezes eventualmente acompanhada de maior número de dejecções diárias.
Podemos objectivar melhor esta definição de diarreia como a emissão de três ou mais dejecções de fezes de consistência diminuída no período de 24 horas. A medida da consistência das fezes ainda não foi estandardizada.
Uma função muito importante do tubo digestivo é fazer a gestão de um enorme volume hídrico que o atravessa regularmente. Isso é feito graças a uma área de superfície absortiva tão grande, que é comparada por alguns autores à área de um campo de futebol. Entram diariamente no intestino delgado, cerca de 8,5 L de líquidos (1,5 L com a alimentação e 7 L com secreções salivares, gástricas, biliares e pancreáticas), e apenas são eliminados nas fezes cerca de 150 ml de água. As fezes são compostas normalmente por 65 a 85% de s de 90% da recuperação desse volume hídrico é efectuada no intestino delgado, onde, além disso, ocorre um fluxo bidireccional de cerca de 50 L de água por dia. Como a capacidade absortiva do cólon não excede 2 a 3 L por dia, qualquer perturbação da fisiologia do intestino delgado provoca um enorme desequilíbrio do balanço hídrico no tubo digestivo.
A diarreia é uma manifestação clínica comum a muitas e variadas doenças, das quais se destacam pela sua frequência as infecções do tubo digestivo. As diarreias infecciosas são globalmente a segunda causa mais frequente de morbilidade e mortalidade. Nas regiões tropicais, uma criança pode ter em média mais de dez episódios de diarreia aguda por ano, podendo provocar atrasos no desenvolvimento físico e cognitivo da criança.
Uma das classificações da diarreia é em função da duração dos sintomas. Embora não exista neste momento consenso sobre o período de tempo a partir do qual uma diarreia é considerada crónica, assumimos estabelecer 4 semanas como o marco que separa uma diarreia aguda de uma diarreia crónica. Alguns autores consideram uma subdivisão nas diarreias com menos de 4 semanas de duração, definindo como diarreias persistentes aquelas que continuam após as primeiras 2 semanas. Este modo de classificar as diarreias em agudas e crónicas em função do marco das 4 semanas de duração apresenta a vantagem de, grosso modo, separar as diarreias de causa infecciosa que são geralmente autolimitadas e que se resolvem habitualmente durante o período de 4 semanas, daquelas que têm etiologias não infecciosas como é o caso das diarreias crónicas.

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Apresentação Clínica (Isosporiose)

No contexto da infecção por VIH, origina geralmente um quadro de diarreia subaguda ou crónica que se estabelece após um período de incubação de cerca de 1 semana. As dejecções são frequentes e as fezes líquidas a aquosas, podendo originar disenteria, associando-se, com frequência, a mal-estar geral, cólicas abdominais e perda de peso, mas raramente decorrendo com febre. Ao nível do intestino delgado há atrofia das vilosidades, hiperplasia das criptas e infiltrado inflamatório predominantemente eosinofílico da lamina própria. Quando arrastada, a doença pode condicionar síndrome de mal-absorção. Estão descritos casos raros de envolvimento extra-intestinal ao nível das vias biliares como causa de colecistite alitiásica.

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Ciclosporidiose

Cyclospora cayetanensis é um protozoário taxonomicamente relacionado com isospora, descrito como patogénico para o homem a partir de 1977 e responsável por surtos de diarreia em doentes com infecção por VIH, relatados inicialmente nos E.U.A. e Canadá a partir de 1995 e, posteriormente, em muitas outras regiões. Os oocistos resultantes do ciclo sexuado decorrido no hospedeiro humano são libertados pelas fezes e necessitam de esporular para se tornar infectantes. Os esporos que persistem no ambiente são muito resistentes aos agentes físicos. A transmissão ocorre por ingestão de alimentos ou água contaminada, sendo a sua aquisição mais frequente durante os meses mais quentes.

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Tratamento (Isosporiose)

Deve ser dada atenção particular à hidratação e nutrição dos doentes. O diagnóstico de isosporiose impõe o início de TARV, tão precocemente quanto a situação clínica (diarreia) e a tolerância do doente o permitirem, no sentido de melhorar a probabilidade de erradicação dos oocistos e de reduzir o risco de recidivas.
—> Esquema preferencial – co-trimoxazol, 960 mg 6/6 horas p.o. durante 10 dias.
—> Esquemas alternativos:
• Pirimetamina 75 mg/dia, p.o., associada ao ácido folínico, 15 mg/dia, p.o., durante 3-4 semanas.
• Ciprofloxacina 500 mg/2xdia p.o., durante 7 dias.

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Apresentação Clínica (Microsporidiose)

No contexto da doença avançada por VIH, podem ocorrer quadros de diarreia crónica associada a deformação grave das vilosidades intestinais, originando uma síndrome de mal-absorção e consequente desnutrição. Estão também descritos casos de envolvimento extra-intestinal, particularmente ao nível das vias biliares por E. bieneusi, originando quadros de colangite esclerosante ou de colecistite, esta frequentemente complicada por superinfecção bacteriana. O envolvimento extra-intestinal por E. intestinal pode ser frequente e ubíquo, estando descritos, entre outros, casos de colangite, queratoconjuntivite, pneumonia, hepatite e doença disseminada. A doença associada com Trachipleistophora spp. manifesta-se, geralmente, por quadros de miosite, sinusite, encelalite e queratoconjuntivite, sem envolvimento intestinal.