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Saco colector de urina 180x180 - Infeção Urinária no doente Algaliado

Infeção Urinária no doente Algaliado

É uma fonte comum de bacteriemia e morbilidade no doente hospitalizado, sendo a infeção nosocomial mais prevalente.
A prevenção da IU no doente algaliado inclui:
– Técnica asséptica na introdução da algália.
– Uso de um sistema fechado de drenagem, já existente no nosso mercado, com local de punção para colheitas de urina sem violar o sistema.
– Retirar a algália logo que possível (incontinência urinária não é uma indicação para manter algaliação).
– Boa fixação da algália à coxa e manutenção do saco coletor abaixo do nível da uretra.
Não têm qualquer validade como prevenção de IU no doente algaliado as seguintes manobras:
– Mudanças de algália profilácticas segundo protocolos de rotina.
– Irrigação da bexiga com antibióticos ou outros antimicrobianos, ou profilaxia com antibióticos sistémicos.
– Cuidados especiais com antissépticos do meato uretral.
– Vigilância bacteriológica urinária de rotina segundo protocolo.
– Utilizar Penrose como instrumento de drenagem urinária requer higiene e cuidados constantes da pele, mudança do sistema diário e tem igualmente elevada incidência de IU.
Nestes doentes não devemos tratar bacteriúria assintomática ou fazer terapêutica supressiva, apenas se tratam bacteriúrias causando infeção sistémica, com febre e leucocitose, sempre que possível guiadas por antibiograma.

45 180x180 - Pericardite Aguda

Pericardite Aguda

Geralmente é autolimitada, com exceção daquelas que têm como etiologia uma neoplasia ou uma doença sistémica.
Repouso no leito, se houver dor severa ou febre.
Na pericardite bacteriana purulenta, além da terapêutica antibiótica dirigida, a drenagem cirúrgica é mandatória.
—> Pericardite idiopática e/ou virai – a maioria dos pacientes pode ser tratada em regime de ambulatório. A admissão hospitalar deve ser reservada para os pacientes com febre alta, evolução clínica subaguda, tamponamento cardíaco, derrame importante (>20 mm no ecocardiograma), miopericardite (pericardite com clínica ou análises – troponinas, CPK-MB – sugestivas de envolvimento miocárdico), imunodeprimidos ou pacientes a fazer anticoagulantes. Os anticoagulantes constituem, aliás, uma contraindicação relativa nos pacientes com pericardite aguda.
• AINEs.
– A AS 500-1000 mg/4xdia enquanto persistir a dor e a febre; logo que estes desapareçam, pode ser retirado progressivamente (por exemplo, 500 mg/3xdia durante 1 semana e 250 mg/2-3xdia durante 2 semanas).
No caso de ausência de resposta ao AAS ou nos pacientes com contraindicações para este fármaco sugerem-se – isoladamente ou em combinação com o AAS – os seguintes fármacos:
– Indometacina 75-225 mg/dia durante 7-10 dias, seguido de “desmame”; não deve ser utilizada em pacientes com doença coronária.
– Ibuprofen 600-800 mg 3xdia; suspender ao fim de 2 semanas na ausência de dor; pode ser utilizado logo ab initio, como terapêutica de 1ª escolha, mesmo em pacientes sem contraindicações/intolerância ao AAS.
• Se houver dor torácica recorrente ou em exacerbações, pode-se utilizar doses pontuais de diclofenac; a aplicação de saco de gelo sobre o tórax também pode ser útil.
• Se houver persistência da dor após 2 semanas de tratamento com AINEs, deve ser tentado um novo AINE ou adicionada colchicina (2-3 mg de dose de carga seguido por 1 mg/dia durante 10-14 dias).
• Corticóides – na maioria dos casos proporcionam um rápido controlo dos sintomas, mas suspeita-se que favoreçam o aparecimento de recidivas. Assim, a sua administração deve estar reservada para os casos de persistência de dor intensa ou febre alta, refratária aos fármacos supracitados, após 2-3 semanas de evolução e se Já estiver excluída a hipótese de tuberculose. A sua administração deve manter-se por um mínimo de 2 a 4 semanas.
Prednisona 40-80 mg/dia, dose que se mantém enquanto persistir a dor, febre ou derrame importante; reduzir a dose (“desmamar”) progressivamente até à suspensão total (no prazo de 4-6 semanas) do fármaco logo que haja evidência de resolução clínica (risco de dependência). O “desmame” de corticóides é por vezes facilitado com a associação de um AINE.