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OtitisExterna10 180x180 - Otite Externa

Otite Externa

Trata-se de uma infecção bacteriana ou fúngica da pele do CAE (canal auditivo externo).
Consideram-se factores predisponentes a manipulação do CAE, a presença de eczema do CAE ou a entrada contínua de água no CAE (piscina, sauna, praia, lavagem auricular).
Manifesta-se normalmente por otalgia, otorreia e hipoacusia, sempre que se verifique a oclusão do canal. A resolução do quadro passa por uma aspiração cuidada e frequente do CAE e terapêutica tópica com gotas otológicas contendo antibiótico e corticóide.
No caso de infecção fúngica, para além de limpeza cuidadosa e sistemática do CAE, deve fazer-se terapêutica com nistatina e aplicação local de tintura de timerosal.
No caso de otite externa muito exuberante, deve fazer-se também antibioterapia oral (amoxicilina, amoxicilina + ácido clavulânico, ciprofloxacina). Nos doentes diabéticos, deve fazer-se o controlo da diabetes e terapêutica por via parentérica, sempre que necessário.

1 eccema dishidrotico de manos 180x180 - Eczema Desidrótico

Eczema Desidrótico

A desidrose caracteriza-se pelo aparecimento de pequenas vesículas nos bordos dos dedos das mãos que evoluem para descamação e cura; a recorrência dos surtos conduz a eczematização, com tendência a fissuração. Este quadro pode estender-se às palmas e, em formas mais intensas, originar edema das mãos e vesicobolhas, intensamente pruriginosas.
Trata-se de um padrão reaccional que pode corresponder a várias causas. Na maioria dos casos existe um fundo atópico, sobre o qual se enxertam factores como a alergia de contacto, a irritação, o stress, temperatura ambiente elevada, infecção secundária, os quais funcionam, simultaneamente, como factores desencadeantes e de manutenção.
A terapêutica segue as regras gerais já enunciadas anteriormente, não olvidando a característica recidivante e a localização nas mãos – eliminação, quando possível, dos factores de agravamento e manutenção, aplicação de corticosteróide tópico (em creme ou pomada, consoante o estádio do eczema) lxdia, e aplicação de cremes emolientes
Requentes vezes ao longo do dia. Nas formas agudas vesicobolhosas ou com infecção secundária manifesta, o recurso, respectivamente, à corticoterapia oral por período curto ou à antibioterapia pode encontrar plena justificação.

Eczema Numular 2 180x180 - Eczema Numular

Eczema Numular

Esta forma de eczema deve o nome à forma como clinicamente se manifesta – em lesões numulares (em forma de moeda) dispersas pelo tegumento, com intenso prurido. Tem curso arrastado crónico-recidivante, resistente ao tratamento, constituindo desafio à arte terapêutica.
Existe componente constitucional determinante, embora em casos pontuais (sobretudo nas mãos) possa haver alergia de contacto sobreposta; em todos eles a colonização ou infecção por Staphylococcus aureus é um factor determinante.
Conquanto a terapêutica geral destes eczemas siga as regras enunciadas para os outros tipos de eczema, nesta situação particular assume importância a antibioterapia local (ácido fusídico, bacitracina) ou geral (macrólidos, flucloxacilina), consoante os casos.
À semelhança do referido para o EA, a utilização de tópicos com alcatrão, outrora muito empregados, caiu em desuso pelas razões atrás expostas. Os inibidores da calcineurina podem aqui ser de alguma utilidade, em especial nas situações em que existe alguma menor resposta aos corticóides tópicos.

1801 cama 180x180 - Ácaros Domésticos

Ácaros Domésticos

O carácter ubiquitário destes aracnídeos coloca-os como a primeira causa de alergia no nosso país, pois aqui encontram características ambientais muito favoráveis para o seu desenvolvimento. A sensibilização está directamente relacionada com os níveis e com a duração da exposição. A redução da população de ácaros e/ou da quantidade de alergénios influencia indiscutivelmente a evolução clínica pacientes alérgicos, nomeadamente dos que sofrem de asma, de rinoconjuntivite ou de eczema atópico.
– Medidas:
• Métodos de barreira ou oclusivos – capas de colchão e das almofadas, idealmente aplicadas em colchões novos ou pelo menos recentes (impede a colonização), feitas de tecido com porosidade inferior a 5/10 um, permitindo a passagem do ar e da água ou com revestimento de poliuretano, existindo neste caso capas permeáveis e impermeáveis ao ar e ao vapor de água. Provavelmente constitui a medida isolada mais eficaz (essencial).
• Lavagem da roupa da cama, incluindo edredões e cobertores, sempre acima dos 40 °C, idealmente > 55 °C – existem também capas para edredão, no caso de não ser possível a sua lavagem (essencial).
• Remover peluches da cama/lavagem regular (semanal a mensal), a 60 °C, dos que permanecerem (essencial).
• Remover mobiliário acolchoado (por exemplo, cabeceiras de cama) e alcatifas, particularmente se antigas, preferindo pavimentos em madeira, sintéticos ou aplicação de alcatifas laváveis de pêlo curto. Evitar livros no quarto (desejável).
• Aspiração semanal com dispositivo apropriado (aspirador com filtro de alta eficiência – high-efficiency particulate air – HEPA), disponíveis no mercado a preços muito aceitáveis (desejável). Aspiradores com filtro de água e sem filtro HEPA aumentam a probabilidade de aerossolização de alergénios e de outros agentes biológicos. A limpeza com vapor de água não é recomendada.
• Limpar o pó com pano húmido (desejável).
• Redução da humidade relativa – desumidificadores e aumento da ventilação (desejável).
• Acaricidas – eficácia demonstrada em laboratório (por exemplo, benzoato de benzilo); eventualmente pouco relevantes em locais muito infestados, sendo considerado discutível o seu interesse clínico. Indicada aplicação regular no pavimento (trimestral), seguido de aspiração, se não for possível retirar alcatifas (desejável).

Eczema Numular 2 180x180 - Outros tipos de Eczema

Outros tipos de Eczema

Algumas formas clínicas de eczema, por características clínicas e evolutivas particulares, merecem ser tratadas separadamente – eczema desidrótico e eczema numular.

757840 180x180 -  Terapêutica tópica (Eczema)

Terapêutica tópica (Eczema)

Em situações agudas, com exsudação, são úteis os pensos húmidos frequentes, por exemplo, com soro fisiológico, soluto de ácido bórico (20:1000) ou soluto de permanganato de potássio (1:10000), os quais, ao evaporarem, baixam a temperatura local, provocam vasoconstrição, com efeito calmante e descongestionante. Nestas fases a aplicação de suspensões como a pasta de água, o linimento de óxido de zinco (óleo de zinco) são também úteis.
• Os corticosteróides constituem o gold standard da terapêutica tópica. A potência destes varia desde os suaves aos muito potentes e estão disponíveis sob a forma de cremes, pomadas, leites, loções, espumas e champôs. As regras de utilização são as seguintes: utilizar de início corticosteróides de maior potência, por períodos curtos (8-10 dias), passando a aplicar, logo que se verifique melhoria, corticóides de mais baixa potência ou mais intervalados (2-3xsemana); na face estes cuidados devem ser redobrados, com utilização por períodos mais curtos e corticóides de menor potência (preferencialmente e sempre que possível, a hidrocortisona); nas crianças deve ser evitada a utilização de corticóides potentes, uma vez que a pele é mais fina e a absorção é maior; nas fases agudas, com exsudação, há que dar preferência à utilização de tópicos com maior conteúdo em água (emulsões óleo/água (O/A)), como são os cremes ou loções; nas fases mais crónicas, com maior conteúdo em gordura (emulsões água/óleo (A/O) ou apenas com fase gorda), a pele mais seca ou liquenificada, a preferência deverá ser dada aos tópicos com as pomadas; na terapêutica de manutenção poderá ser suficiente a utilização de corticóide em dias alternados ou 2xsemana.
Os inibidores da calcineurina são uma classe relativamente nova de fármacos imunomoduladores tópicos. São actualmente utilizados dois agentes – tacrolimus e pimecrolimus. Actuam suprimindo a activação linfocitária, por inibição da calcineurina, uma fosfatase serina/treonina dependente do cálcio e calmodulina.
Estão indicados, primordialmente, no tratamento do EA moderado a grave (tacro- limus) ou ligeiro a moderado (pimecrolimus). Têm sobre os corticosteróides a vantagem de não causarem atrofia cutânea, mas em face de potenciais acções acessórias decorrentes do seu efeito imunossupressor, são actualmente indicados como terapêutica de 2.a linha, a seguir aos corticosteróides tópicos. Não estão aprovados para utilização em crianças de idade inferior a 2 anos. O tacrolimus existe em duas concentrações – 0,1% (para os adultos) e 0,03% (para as crianças), enquanto o pimecrolimus tem apenas uma concentração de utilização (1%). Devem ser aplicados por períodos curtos, 2xdia, até ao controlo do surto, devendo então ser interrompidos, embora alguns proponham a terapêutica de manutenção (aparentemente com bons resultados) com aplicação mantida do fármaco 2xsemana.
São bem tolerados, à excepção de algum ardor inicial que, sobretudo no caso do tacrolimus, pode ocasionar algum desconforto.
• A colonização e por vezes infecção das áreas de EA por Staphylococcus aureus é um importante factor de agravamento, pelo que a utilização de antibióticos tópicos (ácido fusídico, bacitracina, retapamulina) tem indicação nas fases iniciais do eczema ou quando houver evidência de infecção secundária. Alguns preferem a utilização de antibiótico e corticosteróide separadamente, outros advogam a utilização de associação corticosteróide+antibiótico (dipropionato de betametasona+sulfato de gentamicina ou valerato de betametasona+fusidato de sódio), no início do tratamento e subsequentemente apenas corticosteróide.
• Os anti-histamínicos tópicos não constituem alternativa válida – para além do escasso valor terapêutico, têm pouca acção antipruriginosa (à excepção da doxepina, não disponível comercialmente em Portugal) e sensibilizam com frequência, pelo que não deverão ser utilizados.
• A aplicação de alcatrão (em pomada, pasta ou suspensão), outrora muito utilizado nos eczemas crónicos ou liquenificados, caiu em desuso, não só pelas características cosméticas inconvenientes, como pela dificuldade em poder contar com esta substância comercialmente (seja em especialidade farmacêutica ou para manipular).

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Terapêutica Específica (Eczema)

O tratamento do EA pode ser tópico e/ou sistémico. Nos casos de baixa ou moderada gravidade, a terapêutica tópica é a regra. Nas situações mais agudas ou agudizadas e extensas pode ser necessário recorrer, por períodos mais ou menos longos, a terapêutica sistémica concomitante.

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Eczema (Dermite) Atópico

O EA (eczema atópico) é uma dermatose inflamatória crónica, pruriginosa, que se inicia em regra na infância, que evolui por fases de agudização/remissão ao longo da vida, bora com tendência para a melhoria ou desaparecimento na adolescência. Contudo, permanece uma acentuada sensibilidade e reactividade cutânea. Forma parte da síndrome atópica, que compreende a asma brônquica alérgica, a rinite alérgica e, com menos frequência, a conjuntivite alérgica, a urticária e outras manifestações alérgicas.
Tem base genética complexa, com múltiplos genes envolvidos. A incidência tem aumentado nos últimos 20-30 anos, calculando-se que cerca de 20% nas crianças até aos 7 anos possam evidenciar alguma manifestação de EA. A prevalência nas crianças é de cerca de 56-60% se um dos pais tem EA, subindo para 80% se ambos sofrem da doença.
Aproximadamente 50% das crianças com EA virão a desenvolver, posteriormente, rinite ou asma.

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Eczemas

Eczema (também correntemente designado como dermite ou dermatite) é um padrão de reacção inflamatória cutânea, resultante da acção de factores endógenos e/ou exógenos, que podem actuar isoladamente ou em conjunto, variando a importância de cada um consoante os casos.
Clinicamente caracteriza-se, nas fases agudas, por eritema, sobre o qual surgem pápulas e vesículas, as quais, ao romper, dão saída a exsudação e posterior formação de crostas e descamação. Na fase de regressão predomina a descamação, podendo nas situações crónicas endógenas evoluir para a liquenificação (espessamento da pele com acentuação das linhas normais). O prurido é o sintoma cardinal nas fases agudas e na liquenificação.
Por facilidade de exposição dividem-se habitualmente em eczemas de causa endógena de que se destaca o eczema ou dermite atópica, e eczemas de causa exógena ou externa em especial os eczemas de contacto (irritativo ou alérgico). Nos eczemas das mãos, consequência da sua situação particular, interpenetram-se os factores de causa endógena e exógena, conduzindo a condição clínica com características peculiares.