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Terapêutica Farmacológica da HTA Não Complicada

A abordagem farmacológica da HTA deve ser sempre sequencial (ou concomitante) com a não farmacológica (acima descrita). Não existem hoje em dia grandes dúvidas sobre a abordagem dos doentes hipertensos, já que esta, por ser uma das áreas mais estudadas em medicina, fornece naturalmente evidência de boa qualidade de suporte às nossas opções.
Os ensaios clínicos mais importantes demonstram que, para o mesmo grau de baixa da tensão arterial, os benefícios são relativamente sobreponíveis, independentemente do fármaco utilizado – o que permite concluir que o benefício é o da baixa da tensão arterial per si. Esta influi beneficamente nos outcomes clínicos relevantes (AVC e EAM (enfarte agudo do miocárdio), com menor impacto na ICC (insuficiência cardíaca conjuntiva).
– Classes de fármacos anti-hipertensores.
Existem diversas classes de medicamentos anti-hipertensores disponíveis no mercado no nosso país.
Podem classificar-se os medicamentos anti-hipertensores em seis grupos, dependendo do seu mecanismo de ação:
Diurético (D) – tiazidas e análogos; diuréticos da ansa; diuréticos poupadores de potássio; inibidores da anidrase carbónica; diuréticos osmóticos; associações de diuréticos.
Modificadores do eixo renina angiotensina – IECAs (inibidores da enzima de conversão da angiotensina); ARA (antagonistas dos receptores da angiotensina).
Bloqueadores da entrada do cálcio (BCC).
Depressores da atividade adrenérgica: alfa-bloqueantes; bloqueantes (BB); alfa-2-agonistas centrais.
Vasodilatadores centrais.
Outros

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Antibióticos

Na CU, embora não existam ensaios controlados que confirmem o benefício de utilização de antibióticos, o seu uso é habitualmente recomendado em doença grave, com febre, requerendo hospitalização, especialmente se houver evidência de colite transmural, toxicidade sistémica ou colite fulminante com ou sem megacólon.
Na DC, os dois antibióticos mais vulgarmente utilizados são o metronidazol e a ciprofloxacina.
O metronidazol, em doses de 10 a 20 mg/kg/dia, como terapêutica primária, na doença de Crohn do cólon, tem eficácia idêntica à sulfassalazina; pode também ser utilizado na prevenção de recidiva pós-operatória, embora o seu uso prolongado leve a efeitos indesejáveis, que lhe retiram utilidade a longo prazo, neste contexto.

Clinical Care 1 180x180 - Terapêutica Noutras Demências

Terapêutica Noutras Demências

Existem ensaios clínicos aleatorizados, controlados com placebo, envolvendo grande número de doentes, que demonstraram efeitos benéficos da rivastigmina, quer em medidas cognitivas e globais, na demência associada à doença de Parkinson, quer em medidas cognitivas e comportamentais, na demência com corpos de Lewy.
Vários estudos mostram eficácia dos inibidores da acetilcolinesterase (existe presentemente evidência em relação ao donepezil e galantamina) no tratamento de pacientes com demência vascular possível ou provável de gravidade ligeira a moderada. De notar que estes estudos incluíram geralmente pacientes com formas de demência mista, vascular e degenerativa, sendo a demonstração de eficácia, especificamente na demência vascular, ainda controversa. Obviamente, deve efetuar-se na demência vascular, bem como em outras demências com co-morbilidade vascular, o controlo ótimo dos fatores de risco vascular, incluindo eventualmente a prescrição de fármacos antiplaquetários.
Não existem ensaios clínicos aleatorizados, controlados, envolvendo grande número de doentes, com outras demências degenerativas, como a demência frontotemporal, a paralisia supranuclear progressiva e a degenerescência corticobasal.

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Tratamento da IC com função Sistólica Ventricular Esquerda Preservada

Há pouca evidência, obtida através de estudos observacionais ou ensaios clínicos, sobre a forma correta de tratar a IC com FSVEP (função sistólica VE preservada). A IC com FSVE e IC devido a disfunção diastólica não são sinónimos, uma vez que a primeira implica a presença de função sistólica VE conservada mas não a demonstração de disfunção diastólica.
A função diastólica dificulta o enchimento ventricular por alterações no relaxamento (protodiástole) e/ou por alterações da distensibilidade ventricular (toda a diástole). As consequências hemodinâmicas resultam do aumento das pressões de enchimento ventricular, com aumento das pressões ao nível da aurícula esquerda, capilar pulmonar e, em certos casos, incremento das pressões na artéria pulmonar e ventrículo direito. Geralmente, em repouso, o aumento das pressões de enchimento é suficiente para manter o débito cardíaco, mas insuficiente em situações de esforço.
As causas de IC com FSVEP corona incluem a hipertensão, hipertrofia do miocárdio, doença coronária , estenose aórtica, constrição miocárdica/pericárdica. Estas etiologias deverão ser pesquisadas e tratadas apropriadamente.
As manifestações clínicas são variáveis e podem incluir a dispneia, edema agudo do pulmão, sinais de falência ventricular direita ou apenas intolerância ao esforço.
A correção, quando possível, das causas e dos fatores de agravamento é fundamental. O tratamento da IC com FSVEP é difícil e não existem grandes estudos com dados que evidenciem benefícios significativos com a terapêutica. Em parte, porque a disfunção diastólica isolada é menos frequente, normalmente cursa com graus variáveis de compromisso sistólico, embora cerca de 30% dos doentes tenham manifestações de IC com função sistólica global praticamente normal. Os objetivos da terapêutica são: aliviar os sintomas e diminuir as pressões de enchimento sem causar redução significativa do débito cardíaco.
O estudo CHARM-Preserved envolveu a comparação do candesartan com o placebo em doentes com IC e FSVEP, e não demonstrou uma redução significativa do risco combinado de morte de causa cardiovascular e hospitalização por IC.
—» Os IECA ou ARA II podem melhorar o relaxamento e a distensabilidade diretamente e podem ter efeitos benéficos a longo prazo devido aos seus efeitos anti-hipertensores e antifibróticos.
—> Os diuréticos podem ser necessários quando há sobrecarga de volume.
—» Os bloqueantes podem ser administrados para reduzir a frequência cardíaca e aumentar o período diastólico.
—> Os antagonistas dos canais de cálcio (verapamil ou diltiazem) podem ser utilizados pela mesma razão que os p-bloqueantes. Em doentes com miocardiopatia hipertrófica, o verapamil demonstrou uma melhoria funcional importante.

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Estatinas (Insuficiência Cardíaca)

A maioria dos ensaios clínicos com estatinas excluiu doentes com IC. Apenas o ensaio CORONA estudou a rosuvastatina em doentes com IC e disfunção sistólica ventricular esquerda de etiologia isquémica, não tendo demonstrado redução no objetivo primário (morte cardiovascular, enfarte do miocárdio ou AVC) ou mortalidade total. O número de hospitalizações por IC foi reduzido, de forma significativa, no grupo da estatina.