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Epilepsia

Crises epilépticas são manifestações clínicas estereotipadas (alterações de comportamento e/ou consciência) que resultam de descargas espontâneas e anómalas de neurónios encefálicos. Esta atividade, paroxística, é geralmente intermitente e autolimitada.
A recorrência das crises (duas ou mais) é a característica fundamental da epilepsia.
A prevalência em Portugal é de 4-8:1000 e a incidência anual é de cerca de 50/100000 com picos no primeiro ano de vida e depois dos 60 anos de idade. A taxa de mortalidade global é elevada (cerca de 2/100); em 25% dos casos, a causa está relacionada com as crises (estado de mal, lesão acidental, morte súbita).

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Diagnóstico e Prognóstico

Todo o indivíduo com suspeita de ter epilepsia deve ser observado por um neurologista com experiência em epilepsia, pelo menos uma vez. O fundamento de um tratamento de sucesso é um diagnóstico correto, respondendo às seguintes questões:
—> São crises epilépticas? É epilepsia? (diagnóstico diferencial).
—> Qual a causa? (diagnóstico etiológico).
—> Qual o tipo de epilepsia? (classificação das crises e/ou da epilepsia).

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Benzodiazepinas

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• Indicação – presentemente têm papel importante em situações particulares: como terapêutica coadjuvante em síndromes epilépticas ou crises resistentes a outros AE (usando-se sobretudo clonazepam, clobazam ou clorazepato); nas situações de titulação, desmame e troca de outros AE; no tratamento do estado de mal epiléptico (lorazepam, diazepam, midazolam).
– Mecanismo de ação – atuam principalmente por serem gabaérgicas mas induzem tolerância e, portanto, perdem rapidamente a eficácia.
– Metabolismo e excreção – Hepáticos.
– Administração – a sua titulação não deve ser brusca pelo risco de desencadear, sonolência e ataxia, assim como a retirada deve ser progressiva uma vez que a interrupção pode desencadear exacerbação de crises ou mesmo estado de mal epiléptico.
– Efeitos adversos e interações – sonolência, tonturas.

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Diagnóstico Diferencial

As manifestações epilépticas são, por vezes, difíceis de interpretar e, por isso, a capacidade diagnostica depende da qualidade da história clínica. Esta deve incluir dados sobre o que sucede antes, durante e após o episódio, assim como as circunstâncias da ocorrência. A filmagem de um episódio ou a informação de uma testemunha poderá ajudar ao diagnóstico. E de salientar que 10-20% dos doentes que são referidos a uma consulta especializada não têm crises epilépticas.
Durante a vida adulta, as situações que mais se confundem com epilepsia são as crises psicogénicas (ou pseudocrises) e as síncopes. Alguns sinais indicadores das primeiras são: movimentos não estereotipados, com componente de auto e/ou heteroagressão, contacto possível, pupilas em posição mediana com boa fotorreactividade, estimulação fotomotora desencadeando movimentos (voluntários) de encerramento da fenda palpebral (na tentativa de se proteger da elevada luminosidade) e reflexo à ameaça positivo. Numa síncope, podem ocorrer escassos movimentos tónico-clónicos e os olhos podem “revirar”. Outras situações menos frequentes mas que também se podem confundir são: enxaqueca, narcolepsia/cataplexia e acidentes isquémicos transitórios. E importante frisar que é possível ocorrerem convulsões em doenças metabólicas (por exemplo, hipo ou hiperglicemia, uremia, hipocalcemia, deficiências de tiamina ou piridoxina ou insuficiência hepática), tóxicas (por intoxicação ou supressão do tóxico). Nestes casos, porém, a recorrência das crises durante a doença causadora não implica diagnóstico de epilepsia. Se bem que, por vezes, possa ser necessário usar medicamentos antiepilépticos (AE) durante algum tempo, para as controlar, aqueles podem ser “desmamados” após a recuperação do doente. Certos tipos de medicamentos também aumentam a probabilidade de crises epilépticas. A meperidina, o sevofluorano, a ciclosporina, as fenotiazinas e a clozapina têm um elevado potencial epileptogénio, enquanto que o propofol, a maprotilina, os tricíclicos e o clorambucil têm um potencial médio. As quinolonas e os carbapenemes, o bupropion e o interferão têm menor, embora considerável, potencial epileptogénio.