Artigos

Figura41 1 1 180x180 - Úlcera

Úlcera

Tem sido hábito agrupar as causas de HDA em não-varicosa e ruptura de varizes esofágicas (pela gravidade e terapêuticas específicas que esta impõe). A incidência anual de HDA não-varicosa varia entre 45-170/100000 habitantes (enfarte agudo em Portugal 60/100000); predomina o sexo masculino e idade acima dos 65; mais de 50% são por úlcera gástrica e úlcera duodenal.

goiania realizou mais de 23 mil cirurgias 180x180 - Cirurgia

Cirurgia

Atendendo à cronicidade da doença e ao desenvolvimento das cirurgias minimamente invasivas, a terapêutica cirúrgica ganhou grande difusão e popularidade nos últimos anos.
Os dois procedimentos mais realizados por laparoscopia são a fundoplicatura de Nissen a 360° e a fundoplicatura parcial tipo Toupet, sendo o recurso a esta mais frequente em doentes com distúrbios motores do esófago, em especial a motilidade esofágica ineficaz.
A variante de Nissen é a mais utilizada e tem maior durabilidade, embora esteja associada a um maior número de efeitos secundários, em especial a duração da disfagia pós-operatória e a síndrome de gás bloating.
Na moderna era dos IBP, fármacos muito eficazes, as indicações para a cirurgia têm vindo a diminuir, mas podem ser aceites dois cenários:
—> Doente com regurgitação e episódios de aspiração sem controlo por parte dos IBP.
—> Doentes com manifestações típicas ou atípicas, boa resposta clínica aos IBP e desejando uma alternativa ao consumo de fármacos por baixa tolerância a estes, por motivos económicos ou mesmo medo de efeitos secundários a longo prazo, o que a nosso ver não é justificável devido ao perfil de segurança dos IBP.
De um modo geral, a boa resposta aos IBP na doença do refluxo permite prever o sucesso da cirurgia anti-refluxo nas várias formas da doença. Doentes resistentes ao tratamento com IBP podem ter outras causas para os seus sintomas e não devem ser operados. Recentemente, com o advento da pHmetria associada à impedância parece ter-se criado uma excepção a esta regra de ouro: doentes sem resposta aos IBP mas com refluxo não ácido e correlação sintomática positiva parecem resolver os seus sintomas com a cirurgia anti-refluxo. Apesar de se tratarem de estudos iniciais, já existem algumas séries com sucesso, em especial na tosse crónica com má resposta aos IBP, refluxo não ácido e correlação sintomática positiva na impedância-pHmetria.
A eficácia clínica da cirurgia é comparável aos IBP. Mas o grande problema é a existência de numerosos relatos de surgimento de novos sintomas (disfagia, impossibilidade de eructar, diarreia, dor abdominal, flatulência) em 25-30% dos casos, números que são mais assustadores quando as cirurgias são realizadas em centros de baixo volume. Alguns dos sintomas tendem a desaparecer com o tempo, embora um número razoável de doentes mantenha os efeitos secundários através dos tempos.
Uma outra preocupação com a cirurgia é a duração do seu efeito. Os melhores resultados são provenientes de centros de referência, de cirurgiões de larga casuística, referindo recidiva da doença em 10-20% dos doentes ao fim de 10 anos. Contudo, a realidade mais habitual, encontrada na literatura, relata a recorrência de sintomas em 30-50% dos doentes ao fim de 2-5 anos. Mais de 60% dos doentes operados estão de volta à terapêutica médica ao fim de 10 anos. Para além disso, uma segunda cirurgia não é, habitualmente, tão eficaz como a primeira e os riscos de complicações e efeitos secundários são maiores.
Do exposto e atendendo à excelente eficácia da terapêutica médica, os resultados e benefícios da terapêutica cirúrgica, sobretudo a longo prazo, devem ser sempre discutidos com o doente e cada vez mais este tratamento deve ser encarado com a natural reserva e as indicações serem muito ponderadas.

hpim1338 180x180 - MODIFICAÇÃO DA DIETA

MODIFICAÇÃO DA DIETA

A modificação da consistência é, por vezes, necessária em alguns doentes com problemas de deglutição. Existem espessantes e gelificantes para acrescentar a alimentos líquidos.
Alterações da composição das dietas no sentido de reforçar ou restringir proteínas ou calorias são por vezes necessárias.
Pode ser necessário ajustar a composição em certos macro ou micronutrientes, particularmente em situações de má-absorção.
Suplementos orais: estes estão disponíveis em diversas consistências, sabores e formas -Pudim, líquido, puré, compota, creme. É muitas vezes mais fácil e útil a prescrição de 2 a 3 embalagens de suplementos/dia, particularmente em doentes com problemas de mastigação, úlceras orais, estenose esofágica ou alterações na motilidade do antro gástrico. Há suplementos nutricionais sob a forma de pó em carteiras para dissolver no leite (por exemplo, Meritene).