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Educação (Osteoartrose)

Os doentes e, em determinadas situações, os seus familiares, amigos ou pessoas envolvidas no seu apoio domiciliário deverão estar corretamente informados acerca da natureza e do curso provável da doença, bem como das diferentes possibilidades terapêuticas.
Esta informação deverá ser veiculada na própria consulta nos seus aspetos mais relevantes e naturalmente reforçada através de folhetos informativos, cartazes, vídeos ou, idealmente, através de contactos telefónicos ou de cursos de formação (praticamente inexistentes em Portugal). Este tipo de medidas promove, de acordo com estudos recentes, uma redução da intensidade da dor e no recurso a consultas médicas, uma melhoria global na qualidade de vida a que se associa curiosamente uma redução nos custos. Os contactos telefónicos e os programas de formação constituem, ainda, um verdadeiro suporte social, tornando o doente mais auto-suficiente, utilizando os seus próprios recursos e promovendo uma maior adesão ao programa terapêutico ao facilitar a comunicação.

Últimos Avances em Medicina

Recomendações Práticas

Não dispondo de normas ou recomendações práticas nacionais que nos orientem na decisão de suspender ou não iniciar a terapêutica de suporte de vida, deixamos algumas reflexões e sugestões de actuação que reflectem a experiência pessoal:
— Em todos os casos complexos de decisão bioética, ter a noção de que não se pretende um debate filosófico exaustivo de todas as vertentes do problema e suas implicações, mas sim a sua resolução prática e atempada. E recomendável utilizar uma mesma matriz de análise a percorrer em todos os casos, que inclui: caracterização clínica do caso, prognóstico provável; preferências do doente, se conhecidas de forma escrita ou verbal; qualidade de vida previsível; aspectos conjunturais como económicos, religiosos, ou familiares.
— Um tratamento é considerado fútil quando não irá contribuir para atingir os nossos objectivos fisiológicos, clínicos ou paliativos e, como tal, em nada beneficiará o doente.
Todo e qualquer tipo de tratamento deve ser avaliado em função da sua utilidade ou futilidade, isto é, a suspensão de ventilação mecânica ou de diálise têm a mesma importância e impacto do que um soro e.v. ou alimentação por sonda nasogástrica: se são úteis para tratar ou aliviar o sofrimento, devem ser continuados; quando não é previsível que cumpram qualquer destes objectivos, devem ser interrompidos.
— Tentar formular o prognóstico provável do doente e a influência dessa terapêutica neste prognóstico. A decisão nunca deve ser baseada exclusivamente na nossa previsão prognóstica, mesmo quando quantificada em scores de gravidade tão usados nas UCI, pois são perigosamente falíveis em decisões prospectivas sobre doentes individuais.
— Qualificar a qualidade de vida previsível do doente após uma alta eventual e o que esse doente pensaria desse tipo de existência. Não esquecer que a valoração da qualidade de vida é extremamente variável entre indivíduos e no mesmo indivíduo em diferentes contextos e idades. Presumir tão pouco quanto possível.
— Discutir amplamente a decisão da suspensão terapêutica e nunca avançar sem consenso entre todos os membros da equipa que trata o doente e a família ou outros representantes deste. Facilita este processo que toda a informação seja fornecida sempre por um mesmo médico, bom comunicador, consistente nas suas opiniões e com boa relação com a família. Nos impasses desta “negociação”, resolver sempre a favor da vida, isto é, pela continuação do tratamento.
– Nas conversas com a família, não enfatizar a probabilidade exacta de sobrevivência, que prevemos com dificuldade, mas sim a probabilidade de recuperação para uma existência consciente, integrada e com um mínimo de significado social e familiar.

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Organização e Objectivos (Cuidados Paliativos)

“Os CP afirmam a vida e consideram a morte como um processo natural, procuram um alívio da dor e dos outros sintomas que geram sofrimento, integram os aspectos psicológicos e espirituais nos cuidados aos doentes, oferecem um sistema de suporte para ajudar os doentes a viver tão activamente quanto possível até à morte, e propõem um sistema de apoio à própria família, ajudando-a a suportar a doença do familiar/amigo e o seu próprio luto.”
O objectivo dos CP é obter a melhor qualidade de vida possível para os doentes e as suas famílias. Muitos dos princípios dos CP são igualmente aplicáveis desde o início da evolução da doença, em associação com um tratamento antineoplásico. A prática diária dos cuidados paliativos contempla as necessidades de cada doente, o que terá de ser estimado sob uma cuidadosa avaliação. Os profissionais de saúde têm necessariamente de acompanhar o ponto de vista das prioridades desenvolvidas nos doentes com cancro avançado, devendo empenhar-se em acompanhar realidades que possam ter como ganho uma qualidade de vida funcional.
A avaliação das necessidades de cada doente tem obrigatoriamente que incluir a história da vida pessoal, os valores e expectativas, co-morbilidades, caracterização total da doença.
Descriminando os objectivos a atingir, podemos descrever como alvos definidos:
– Controlar os sintomas físicos, psíquicos e aliviar o sofrimento.
– Manter a autonomia das pessoas em fim de vida o maior tempo possível.
– Prestar cuidados globais através de uma abordagem interdisciplinar.
– Apoiar a família e envolver os doentes e familiares no processo de tomada de decisões.
– Flexibilizar os horários de cuidados.
– Promover disponibilidade para reunião/entrevista familiar.
– Colher dados e participar registos disponibilizando-os para articulação em equipa.
Esta prática deve basear-se num conhecimento de objectivos éticos na abordagem de doentes com cancro avançado, num conhecimento ajustado do controlo sintomático, mas também favorecendo factores e estratégias preventivas contra o burn-out dos profissionais de saúde.
Na organização dos recursos, requere-se, como premissa elementar, que os cuidadores sejam elementos que tenham escolhido livremente o trabalho em CP. Idealmente, as equipas que praticam cuidados paliativos deverão ter uma formação sólida na área técnica a par de qualidades de altruísmo, tolerância, capacidade de escuta, equilíbrio psíquico e emocional, maturidade, e deverão estar habilitados a promover uma boa comunicação.

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Terapêutica Colinérgica na Doença de Alzheimer – II

Sendo o efeito dos inibidores da acetilcolinesterase essencialmente sintomático, e não de modificação do decurso da doença, e relativamente moderado, e tratando-se de medicamentos muito dispendiosos, será especialmente importante discutir com o doente, se ainda for o caso, e com os familiares, a decisão do início da terapêutica. As mesmas considerações se aplicam em relação à avaliação do benefício da terapêutica. Esta avaliação poderá ser efetuada aos 3 meses de terapêutica, porquanto nos ensaios clínicos reportados os efeitos são já manifestos nesta altura. Também a reavaliação periódica do benefício do inibidor da acetilcolinesterase não deverá ser esquecida. Existe alguma evidência acerca da possibilidade de um doente não beneficiar ou não tolerar uma dose suficiente de um inibidor e melhorar com outro inibidor da acetilcolinesterase.