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Causas e Riscos (Descolamento da Retina)

O descolamento da retina está associado a uma rasgadura ou buraco na retina através do qual os fluidos podem passar causando uma separação entre as camadas da retina.
As causas mais comuns são: trauma, idade, tumores, processos inflamatórios, mas pode ocorrer espontaneamente. No recém-nascido, pode surgir no contexto de uma retinopatia da prematuridade.

urticaria multiforme1 180x180 - Tratamento (Urticária)

Tratamento (Urticária)

Nas urticárias agudas e crónicas a terapêutica de 1.ª escolha são os anti-histamínicos, por via oral. Estes inibem a acção da histamina, bloqueando os seus receptores ao nível das células endoteliais vasculares, impedindo assim os seus efeitos de vasodilatação e transudação de fluidos, responsáveis pela formação da pápula urticariforme e do prurido.
Alguns anti-histamínicos, em especial os de 2.ª geração, inibem igualmente outros mediadores, reforçando a sua acção nesta patologia.
O horário de administração do medicamento deve ser ajustado tomando em consideração a altura do dia em que as lesões se manifestam com maior intensidade, o pico de concentração sérica e a vida média do anti-histamínico adoptado. Esta é mais longa nos idosos e mais curta nas crianças.
Os anti-histamínicos Hl são os mais eficazes e habitualmente utilizados. Os clássicos ou de 1.ª geração, como a hidroxizina (25-100 mg/dia), podem causar sonolência e sedação de intensidade variável, em virtude da sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, e efeitos anticolinérgicos, responsáveis por secura das mucosas e retenção urinária, estando por isso contra-indicados em doentes com glaucoma e hipertrofia prostática. Os da 2.ª geração, cetirizina e levocetirizina (derivados da hidroxizina), loratadina, desloratadina, ebastina e alguns outros, são pouco sedativos e não tem efeitos anticolinérgicos.
Os anti-histamínicos Hl de 2.a geração são o tratamento de 1.ª escolha para a urticária, usualmente em dose única diária. Quando não se obtêm os resultados terapêuticos desejados, pode aumentar-se a dose diária, adicionar outro anti-histamínico de outro grupo (por exemplo cetirizina+loratadina/ebastina), ou associar um anti-Hl de 1.ª geração, em especial se se pretende simultaneamente beneficiar dos efeitos esporádicos sedativos do anti-histamínico. Alguns destes existem em gotas para administração infantil.
Nestes casos deve adaptar-se a dose ao peso da criança.
Os antagonistas de tipo H2 – cimetidina, ranitidina, famotidina, nizatidina – actuam por competição ao nível dos receptores H2, existentes na microvasculatura cutânea. A sua utilização reserva-se para a urticária crónica idiopática, refractária ao tratamento tradicional, em associação com os anti-Hl.
A doxepina, antidepressivo tricíclico, tem acção anti-Hl e H2, pelo que, em caso de insucesso com os esquemas anteriores, pode ensaiar-se este em doses 12,5-25 mg/dia.
Não existe, porém, comercializado no nosso país.
Os corticosteróides sistémicos não são uma alternativa terapêutica na urticária, excepto em situações agudas, graves. Nestas circunstâncias usam-se os de curta acção, por períodos limitados, não havendo indicações para os corticosteróides de acção intermédia ou longa.
Os raros casos de urticárias auto-imunes, de difícil diagnóstico, a ciclosporina pode estar indicada em doses de 2,5-3 mg/kg/dia com bons resultados.
O doente deve ser informado que o calor, o stress e o álcool são factores de agravamento, o ácido acetilsalicílico, os AINEs e os opiáceos devem ser evitados por poderem provocar a libertação não imunológica de histamina.
Quanto aos alimentos, apenas se justifica aconselhar uma dieta muito rígida se houver suspeita fundamentada em relação a estes. Nos restantes casos deverá aconselhar-se a evicção de alimentos contendo aditivos, em especial corantes ou conservantes.
Nas reacções anafilácticas, anafilactóides e angioedema grave, as medidas imediatas, se estiver em curso a administração de um medicamento (penicilina, por exemplo) ou produto de contraste, são a suspensão da sua administração, colocação de torniquete no respectivo membro, administração de epinefrina subcutânea (0,2-1 ml de uma solução a 1/1000) ou em aerossol, garantir a permeação das vias aéreas se houver edema da laringe e canalizar acesso venoso para administração de clorfeniramina, 10 mg e de 100-200 mg de hidrocortisona.

clostridium difficile definicao causas perigos diagnostico sintomas tratamento prevencao doencas sintomas saude 180x180 - Diarreia Por Clostridium Difficile

Diarreia Por Clostridium Difficile

Deve suspeitar-se de diarreia por C. difficile se:
—> O doente se encontrar sob antibioterapia ou tenha sido tratado com antibiótico nos últimos 2 a 2,5 meses.
—> A diarreia tem início em doente internado há mais de 72 horas.
O mecanismo fisiopatológico para o desenvolvimento de diarreia por este agente bacteriano é através das toxinas A e B sobre a mucosa do cólon com consequente inflamação e lesão da mucosa e aumento da secreção de fluidos e muco.
Assistimos à emergência nos últimos; anos de uma estirpe de C. difficile particularmente agressiva (NAP1) porque, para alénn de produzir uma terceira toxina (toxina binária), produz muito maior quantidade de toxina A e B.
Muito frequentemente o quadro clínico consiste em diarreia não sanguinolenta, por vezes com cólicas abdominais, abdómen ligeiramente doloroso à palpação e ausência de sintomas generalizados. No entanto, o quadro clínico pode ser mais grave, apresentando-se com diarreia aquosa profusa, dor e distensão abdominal, náuseas, febre e desidratação. Estes doentes correm o risco de evoluir para íleus paralítico, megacólon tóxico ou mesmo colite fulminante com abdómen agudo. A sigmoidoscopia nesta situação clínica pode ser um procedimento arriscado (ruptura do cólon), mas, quando efectuada, revela as pseudomembranas sobre um fundo eritematoso.
O diagnóstico laboratorial actual é rápido (± 2 horas) e baseia-se na pesquisa das toxinas de C. difficile nas fezes, com técnicas imunoenzimáticas. As toxinas degradam-se cerca de 4 horas após exposição à temperatura ambiente. As fezes devem ser guardadas no frio (refrigeradas ou congeladas) se for previsível a existência de atraso em relação à chegada ao laboratório.

soro fisiologico 180x180 - Tratamento (Hipertermia Maligna e Síndrome Maligna dos Neurilépticos)

Tratamento (Hipertermia Maligna e Síndrome Maligna dos Neurilépticos)

– Arrefecimento cutâneo.
– Fluidos – soros, 1-2 L cada 4 horas.
– Dantroleno – 1 mg/kg e.v., infusão rápida, e repetir até 10 mg/kg ou melhoria clínica (controlar função ventilatória). Após melhoria 1-2 mg/kg oral, cada 6 horas, por alguns dias.

Hemodialysismachine 180x180 - Bombas

Bombas

À medida que as técnicas contínuas de depuração renal foram evoluindo, sentiu-se a necessidade de um maior e mais preciso controlo sobre variáveis chave que influenciam o sucesso e a qualidade da terapêutica: fluxo do sangue no circuito extracorporal, fluxo da solução dialisante, ultrafiltração, solução de reposição, anticoagulação. Tal era possível utilizando bombas. As primeiras bombas a serem acopladas atos circuitos extracorporais, progressivamente mais complexos, eram bombas de administração de fluidos e.v. Estas tinham diversas limitações, designadamente a impossibilidade de excederem fluxos máximos pré-estabelecidos e de não terem sido desenhadas para i aquele objetivo.
Nos últimos anos foram desenvolvidos novos sistemas que integram coordenadamente várias bombas que controlam os fluxos dos diferentes fluidos (bomba de sangue, bomba para a solução dialisante, bomba de controlo da ultrafiltração, bomba da solução de reposição, bomba de heparina, bomba para infusão do citrato). Uma situação de alarme numa das bombas resulta na paragem simultânea das outras bombas, reduzindo o potencial de problemas no circuito extracorporal. No mercado nacional estão disponíveis dois sistemas representados pela Fresenius (Multifiltrate) e pela Gambro (Prisrrna e Prismaflex).
Estes sistemas, para além de poderem efetuar todas as técnicas depurativas contínuas, têm ainda a potencialidade de efetuarem plasmaferese. Obviamente que estas novas tecnologias têm custos económicos acrescentados que podem pôr em causa a sua adoção. Representam, no entanto, o paradigma moderno do tratamento daa IRA através de técnicas depurativas contínuas.
Fruto desta facilidade, as técnicas AV têm perdido a sua importância, tendo sido progressivamente substituídas pelas técnicas VV.

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Aspiração de líquidos

Alguns dos vários subtipos de obstrução das vias aéreas causada pela inalação de fluidos descritos na literatura englobam:
— Aspiração de contraste (bário, gastrografina) em volume significativo origina cianose, dificuldade respiratória e edema pulmonar com insuficiência respiratória justificando-se a aspiração do material inalado por broncofibroscopia.
— Aspiração de material lipídico resulta numa pneumonia lipóide exógena cuja causa mais frequente é a aspiração crónica de óleo mineral (utilizado como lubrificante intestinal), mas pode ocorrer com outros lípidos animais (por exemplo, leite) ou vegetais (por exemplo, azeite). O diagnóstico de suspeição é feito na presença de exposição a substâncias lipídicas e fatores predisponentes para aspiração. Os doentes estão assintomáticos ou referem tosse crónica, dispneia, febre e emagrecimento. Na TC de tórax observam-se infiltrados bilaterais difusos de predomínio basal, com fenómenos de consolidação, vidro despolido e pavimento em mosaico. A identificação de macrófagos com inclusões lipídicas confirma o diagnóstico. A prevenção mantém-se a principal arma terapêutica, devendo ser interrompida a exposição ao fator desencadeante.
Aspiração de água de forma aguda e em quantidade maciça origina alterações do surfactante com colapso alveolar e atelectasia. Os doentes apresentam um quadro de insuficiência respiratória com infiltrados bilaterais simétricos semelhantes ao edema agudo do pulmão com resolução completa em 7-10 dias. Nalgumas situações pode verificar-se evolução para ARDS ou pneumonia. O prognóstico é habitualmente favorável persistindo, por vezes, alterações pulmonares cicatriciais.

RIM NA NEFROPATIA DIABÉTICA 180x180 - Casos particulares

Casos particulares

– Nefropatia de contraste – é um cofactor causal de AKI muito frequente, a prevenção passa igualmente por uma gestão de fluidos tão agressiva quanto o contexto clínico permitir, a N-acetilcisteína em dose dobrada, isto é, 1200 mg pela sonda 8/8 horas desde 24 horas antes e no dia do exame, melhoram eventualmente a eficácia preventiva.
– Prescrição de aminoglicósidos – a administração de aminoglicósidos em toma única diária, totalizando a dose calculada para esse dia (não espaçar mais de 24 horas), orientada por níveis séricos ou por algoritmos mais complexos, tem um efeito preventivo de lesão renal, sem perda de eficácia.
– Insuficiência hepática concomitante – na SHR (síndrome hepatorrenal tipo 1), a AKI é de evolução rápida, em geral associada a um desencadeante agudo (peritonite espontânea, hemorragia digestiva ou cirurgia) num doente com cirrose, hipertensão portal, icterícia e encefalopatia. Sabe-se hoje que nesta entidade, além de hipotensão e vasodilatação sistémica, se verifica um aumento significativo na resistência vascular renal e hepática, com aumento da hipertensão portal e craniana. Na terapêutica, além do suporte hemodinâmico, em que se recomenda a noradrenalina e/ou terlipressina, demonstrou-se que a administração de albumina e.v. 1 g/kg/dia melhora substancialmente a evolução. A transplantação, quando possível, é o tratamento de escolha do SHR tipo 1.
– Síndrome de lise tumoral/nefropatia urática aguda – ocorre pós-terapêutica citostática em neoplasias hematológicas. A produção de ácido úrico pode ser reduzida com 1 toma de 600 mg de alopurinol antes da terapêutica e 300 mg/dia depois disso.
A rasburicase 15 mg/kg e.v. pode ser dada profilacticamente e pós-evento como terapêutica, é extremamente eficaz e cara. Diurese alcalina forçada é útil como preventivo, podemos usar duas ampolas de bicarbonato a 8,4% em cada 1000cc de dextrose em água e forçar diurese com diuréticos, sem permitir hipovolemia.
-Síndrome compartimentai abdominal – ocorre após reanimação enérgica com volume pós-cirurgia abdominal, peritonites ou trauma abdominal. A pressão intra-abdominal mede-se introduzindo 50cc na bexiga pela algália, utilizando um sistema hidráulico de pressão venosa central conectado à algália, fazendo o zero ao nível da sínfise púbica. Se a pressão for superior a 25-30 cm H2O, solicitar observação por cirurgia para eventual descompressão abdominal.
– Nefrite intersticial aguda – além da paragem da droga incriminada, 1 mg/kg/dia de prednisona 7 a 10 dias pode acelerar recuperação.